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domingo, 27 de novembro de 2016 Críticas, Filmes | 18:48

“O Nascimento de uma Nação” esconde sua irregularidade na importância do tema

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Para além da óbvia referência ao clássico de 1915 de D.W Griffith, ao qual desautoriza e problematiza com suor, lágrimas e sangue, “O Nascimento de uma Nação” (2016) é um filme de muita propriedade. Tanto de ordem intelectual como emocional. Se essa combinação o eleva enquanto obra artística, o fragiliza enquanto cinema.

Cena do filme "O Nascimento de uma Nação"

Cena do filme “O Nascimento de uma Nação”

Nate Parker, aqui em sua estreia como diretor, realiza um filme forte, pungente, ocasionalmente atordoante, mas enseja em falhas que, ainda que compreensíveis para um marinheiro de primeira viagem, diminuem o impacto de seu filme. Se os dois primeiros atos da produção são crus, ruidosos e incômodos, o derradeiro é excessivamente melodramático. Um entroncamento de ritmo deverás comprometedor.

Erguido como contraparte do filme de D.W Griffith, “O Nascimento de uma Nação” é um filme de um só ponto de vista. O que é plenamente defensável. Parker evita, na maior parte do tempo, o maniqueísmo com os brancos e o paternalismo com os negros. Um acerto que nem sempre cineastas negros que se debruçam sobre o tortuoso passado da América incorrem. O Sam de Armie Hammer, senhor do escravo Nat Turner (Parker), é desenhado como um homem fraco, incapaz de se posicionar e que se contenta sendo um senhor “bondoso” para seus escravos. Com a fazenda a perigo e tendo em Turner um escravo pastor, pois foi ensinado muitas passagens da bíblia, ele passa a viajar com Turner pela região para que ele acalente a espiral revoltosa que cresce em escravos na Virgínia.

Aí surge a grande sutileza do filme. Turner, obviamente se flagra desconfortável de pregar abnegação para escravos que sofrem mais do que ele. O que ocorre é que nas pregações pela Virgínia, ele vai sendo tomado por um impulso, que crê divino, de redimir seus irmãos. Ele não aceita mais ser um falso profeta e passa a olhar com outros olhos para a tal revolta dos escravos. Essa reengenharia interna a qual o personagem se submete, mas também é submetido é o grande acerto de “O Nascimento de uma Nação”, mas jamais emerge como foco narrativo do filme de Parker, que prefere as cores borradas de uma revolução que não deu certo, mas que logrou certo legado – que o cineasta se esforça para dar mais relevo do que de fato existe.

Para todos os efeitos, “O Nascimento de uma Nação” é uma produção encapsulada pelo tema respeitável, desenvolvida com uma gramática cinematográfica até certo ponto conservadora, mas que se fia na importância temática e na tabelinha proposta com o filme de Griffith para transcender.  O cálculo geraria grandes dividendos não fosse a vida do cineasta – e uma acusação de estupro – a minar a carreira do filme.

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sábado, 26 de novembro de 2016 Filmes, Notícias | 17:39

“É um filme que faz você refletir sobre as pessoas em sua vida”, diz Tom Ford sobre “Animais Noturnos”

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Tom Ford orienta a atriz Amy Adams no set de "Animais Noturnos"

Tom Ford orienta a atriz Amy Adams no set de “Animais Noturnos”

O novo e aguardadíssimo filme de Tom Ford, “Animais Noturnos”, será uma das últimas estreias de 2016 nos cinemas brasileiros. Previsto para o dia 29 de dezembro, o vencedor do Leão de Prata – o grande prêmio do júri – no último festival de Veneza, apresenta uma história de suspense relacionada a um casal separado há 20 anos.

Susan (Amy Adams) é uma negociante de arte de Los Angeles que vive uma vida privilegiada, mas incompleta, ao lado do atual marido, Hutton Morrow (Armie Hammer). Em um final de semana em que Hutton deve partir para uma de suas frequentes viagens de negócios, ela recebe um pacote inesperado: um livro escrito pelo ex, Edward (Jake Gyllenhaal), e dedicado a ela. Uma publicação violenta e desoladora que remete Susan a um passado ao qual ela, talvez, preferisse sufocar.

No vídeo abaixo, o diretor e roteirista Tom Ford e os protagonistas Jake Gyllenhall e Amy Adams falam sobre o que julgam ser o tema do filme. “Eu gostaria que as pessoas deixassem esse filme pensando nas escolhas de vida que fizeram em relação às pessoas, pensando na importância das pessoas em suas vidas”, observa Ford.

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Críticas, Filmes | 17:15

“Animais Fantásticos e Onde Habitam” expande universo de Harry Potter com graciosidade

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Para quem é fã de Harry Potter e do magnífico universo criado por J.K Rowling é impossível não se embasbacar com “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, regresso a este universo cinco anos após o fim da franquia nos cinemas. O livro, lançado em 2001, era um mimo de Rowling para os fãs, já que a obra é citada em “A Pedra Filosofal” e Newt Scamander é ensinado em Hogwarts.

Eddie Redmayne em cena de "Animais Fantásticos e Onde Habitam"

Eddie Redmayne em cena de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”

Orçado em U$ 200 milhões e com praticamente toda a equipe dos últimos exemplares de Harry Potter no cinema, inclusive o diretor David Yates, “Animais Fantásticos” é um deslumbre visual do início ao fim. É, também, um exercício interessante para quem gosta desse universo, já que não se trata de uma adaptação convencional. Estreia de Rowling como roteirista, esse primeiro de um total de cinco filmes, se incumbe de apresentar a comunidade mágica dos EUA. É na Nova York de 1926 que Newt (vivido com o misto de coração e caretas esperado de Eddie Redmayne) desembarca. Ele acaba de dar uma volta ao mundo para catalogar e recolher criaturas fantásticas que o mundo mágico ainda não compreende por completo. Quem dirá os trouxas, ou não-mágicos como preferem os americanos.

Esse choque entre as tradições dos mundos bruxo americano e inglês, representado pelo introspectivo Newt, preenche o primeiro ato do filme. Rowling aproveita o ensejo para fazer sutis referências ao passado segregacionista da América. Uma bem-vinda metáfora. Aliás, à medida que a produção avança, elas se acumulam. Assim como as referências à franquia original, da qual ainda que seja um derivado, “Animais Fantásticos” precede em termos cronológicos.

Há, contudo, imperfeições. A necessidade de conceber um vilão para aferir dinamismo ao filme, e sustância à pretensa nova franquia gera certo desequilíbrio nesse primeiro “Animais Fantásticos”. Todo o arco dos Segundos Salemianos, cuja sombria personagem de Samantha Morton é a principal face, é muito mal desenvolvido. Colin Farrell não consegue, ou não faz questão de esconder a vilania de seu personagem, Graves, que só deveria se revelar no terceiro ato. As cenas do Congresso Mágico são demasiadamente tímidas e o clímax da fita mais lembra “Os Vingadores” do que qualquer “Harry Potter”. Os acertos, porém, são mais significativos. As criaturas mágicas são realmente de encher os olhos e atiçar a imaginação. A química do quarteto principal funciona às mil maravilhas, com destaque para a embrionária história de amor entre o trouxa Jacob Kowaski (Dan Fogler, a melhor coisa do filme) e Queenie (Alison Sudol) e Eddie Redmayne acerta o compasso na caracterização de Newt. Não soa nada forçoso os paralelos entre ele e Harry Potter.

“Animais Fantásticos e Onde Habitam” não traz o frescor do primeiro Harry Potter e nem seria possível. Tampouco é uma produção à prova de críticas, mas traz consigo uma magia que une magos e trouxas: a nostalgia. E o cinema já provou reiteradamente que esta costuma ser infalível.

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terça-feira, 22 de novembro de 2016 Filmes, Notícias | 17:39

“Jackie”, estrelado por Natalie Portman, ganha novas imagens e data de estreia

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Vencedora do Oscar em 2011 pelo filme “Cisne Negro”, atriz israelense volta à corrida pela estatueta dourada ao interpretar a mais icônica das primeira-damas dos Estados Unidos

Natalie Portman em cena de Jackie

Natalie Portman em cena de Jackie

Filme que promete ser um dos hits da temporada de premiações no cinema, que se avizinha, “Jackie” ganhou novas imagens nesta terça-feira (22) que são divulgadas com exclusividade pelo Cineclube. Assim como a confirmação de que o filme, que será distribuído no Brasil pela Diamond Films, estreia nas salas do País em 9 de fevereiro, em plena expectativa pela entrega dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

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Imagem do filme Jackie

Imagem do filme Jackie

Nesta terça-feira (22), o filme recebeu quatro indicações ao Independent Spirit Awards, prêmio que reconhece o que de melhor é produzido na cena independente do cinema norte-americano. “Jackie” foi lembrado nas categorias de filme, direção, atriz e edição.

Trata-se de uma cinebiografia de Jacqueline Kennedy Onassis, mas o recorte proposto pelo filme do chileno Pablo Larrain é muito específico. Acompanha Jackie, como era carinhosamente chamada por público e mídia, após o assassinato de John Kennedy Jr. A atriz falou a respeito da composição da histórica personagem na premiere do filme, realizada em Los Angeles na última semana, e na mesa redonda promovida pela publicação The Hollywood Reporter com algumas das atrizes cotadas a prêmios nessa safra 2016/2017. “Foi um imenso desafio”, admitiu Portman. “Os aspectos mais superficiais – como o jeito que ela se movimenta, o gestual e o jeito de falar –  eram questões de prática e habilidade, mas como ela se sentia era algo que demandava imaginação”.

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A atriz, que pesquisou intensamente para o papel, confessou ter se surpreendido com o engajamento de Jacquie nos assuntos da Casa Branca. “eu sempre a percebi como inteligente e esperta, mas quando você ouve as transcrições de suas entrevistas após o assassinato, quando ela tentava definir o legado de seu marido e tentando criar uma história oral de sua presidência, você percebe o quanto ela estava inteirada daquela rotina”.

Vencedor do prêmio de melhor roteiro no último festival de Veneza, “Jackie” não é o único filme de Larrain no ano. O cineasta ainda conta com “Neruda”, que integrou a seleção de Cannes em maio, como representante do Chile na corrida pelo Oscar. A história do passado pode render muitos louros à história que está por vir tanto para Larrain como para Portman.

 

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segunda-feira, 21 de novembro de 2016 Críticas, Filmes | 15:59

Verhoeven revela desejos ocultos com sofisticação e assombro no sensacional “Elle”

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Com atuação inspirada da francesa Isabelle Huppert, cineasta holandês desconstrói fachadas sociais para mostrar os labirintos mais sórdidos da mente humana em um dos melhores filmes do ano

Cena do filme "Elle", que representa a França na briga pelo Oscar de filme estrangeiro em 2017

Cena do filme “Elle”, que representa a França na briga pelo Oscar de filme estrangeiro em 2017

E lá se de vão dez anos desde o lançamento de “A Espiã” (2006), último Verhoeven a ganhar os cinemas. O cineasta holandês volta lascivo, imponente, aterrador, cínico e absoluto em “Elle”, que integrou a mostra competitiva da 69ª edição do Festival de Cannes e é o representante francês na briga por uma vaga entre os finalistas ao Oscar de produção estrangeira. Trata-se de um filme provocador, imprevisível e incandescente.

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Aos 63 anos, Isabelle Huppert comprova mais uma vez porque é uma das maiores intérpretes que o cinema já conheceu ao galvanizar uma mulher torneada por um grande trauma e que a partir de um caso de violência sexual, que bem poderia ser definido como outro trauma, parte em uma obscura e nauseante jornada de autodescoberta. Em “Elle”, Huppert é Michèle, a definição de uma mulher fria. O pragmatismo que apresenta nas reuniões com seus comandados – em que sempre pede mais violência, sexo e violência com sexo nos games que produz – se estende ao convívio com o filho (Jonas Bloquet), que tenta manter um casamento implodido com uma mulher que o trai escandalosamente; o ex-marido (Charles Berling), ainda dependente emocional dela; e a mãe (Judith Magre), que sustenta michês.

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Verhoeven orienta Huppert no set de "Elle"

Verhoeven orienta Huppert no set de “Elle”

O filme começa com esse estupro. Michèle reage a ele com indiferença. Aos poucos, porém, vai sendo tomada por uma grande curiosidade a respeito da identidade de seu agressor.  Não vemos um drama aqui, mas um suspense de alta voltagem erótica com pitadas de humor negro. Sem qualquer compromisso com a correção política, Verhoeven e o roteirista David Birke observam as normas sociais de um ponto de vista incomum que, se tivéssemos que rotular, o denominaríamos de “psicopata”. Mas a realização resiste a resolver a personagem e nos priva dessa imposição conscienciosa enquanto público de qualificar suas atitudes.

É natural cruzar com acusações de que “Elle” é um produto misógino e fetichista, mas essas classificações apressadas e superficiais só atestam a ignorância de quem as professa. “Elle” é cinema robusto, de camadas, construído com muita coragem e sutileza. Verhoeven não se refugia em Freud propriamente dito, mas reveste seu cinema de profunda ressonância psicoanalítica na elaboração que faz de Michèle – que se agarra à história de violência de seu passado como se dela tirasse força para sobreviver. Nos seus termos.

Esse processo de autoconhecimento, no entanto, vai ganhando ares sinistros conforme vai se tornando visível para o público. Mas Michèle não é a única personagem com desejos e fetiches que eventualmente escapam a nossa compreensão. Todos os personagens em cena alimentam algum desejo que podemos tomar como sórdido. A amiga e sócia de Michèle, Anne, e seu marido, Robert, e a maneira como gravitam em torno da personagem de Huppert substanciam uma análise à parte. Mas que não deve ser desenvolvida aqui para que não seja comprometida a experiência fílmica.

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“Elle” é cinema de autor na sua mais musculosa espessura. Verhoeven, um diretor tão crítico dos arranjos sociais e da hipocrisia inerentes a eles, se alia a uma atriz sem quaisquer amarras e dona de uma coragem artística revigorante para fazer um dos filmes mais pulsantes e instigantes dos últimos tempos.  Com o queixo no chão, só resta ao público aplaudir um cinema tão senhor de seu significado.

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domingo, 20 de novembro de 2016 Críticas, Filmes | 10:39

“Indignação” é adaptação fiel da corajosa e intransigente obra de Philip Roth

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Um dos mais aclamados, controvertidos e complexos autores americanos, Philip Roth não é fácil de ser adaptado. Ainda assim, é tão concorrido que em 2016 são lançados dois filmes baseados em romances de sua autoria. “Pastoral Americana” marca a estreia do ator Ewan McGregor como diretor e este “Indignação” é o ponto de partida como cineasta do produtor e roteirista James Schamus. Colaborador habitual de Ang Lee, Schamus se serviu de uma das últimas obras de Roth antes da aposentadoria. “Indignação” é um complexo estudo do ferrolho que era a sociedade americana dos anos 50 que vetava toda e qualquer oxigenação aos costumes sociais. Claro, isso temperado com a habitual acidez do registro de Roth com a inflexão à religião – com especial atenção à situação dos judeus no pós- guerra – e à masculinidade.

Cena do filme "indignação"

Cena do filme “indignação”

“Indignação”, o filme, é mais sensível do que o livro de Roth, mas não menos demolidor. Essa sofisticação, se é que podemos qualificar de tal modo, se deve ao refinamento de Schamus, responsável pelos textos de filmes tão incomuns como “Banquete de Casamento” (1993), “Tempestade de Gelo” (1997) e “Desejo e Perigo” (2007); mas também à entrega do ator Logan Lerman, aprofundando-se no registro da verve experimentada em “As Vantagens de ser Invisível”, mas exercitando outras tonalidades.

Estamos em 1951. Marcus (Lerman), devido às boas notas, consegue uma bolsa para cursar uma faculdade em Ohio. A novidade vem em boa hora. A guerra na Coreia ceifa vidas de jovens, muitos de seu círculo social, e a oportunidade evita seu alistamento. O ciclo de mudanças interfere no convívio familiar e afeta a relação do introspectivo Marcus com seu pai. Na faculdade, Marcus resiste às típicas interações – como ingressar em uma fraternidade -, mas o que mais lhe irrita é a obrigação de comparecer semanalmente à capela da instituição. Judeu de nascença, Marcus se declara ateu e francamente contrariado com as imposições da agenda religiosa na instituição. A cena em que debate a respeito com o reitor interpretado por Tracy Letts já é um dos grandes momentos do cinema em 2016.

Em meio a tudo isso, ele se deixa fascinar por Olivia Hutton, vivida pela fascinante Sarah Gadon. A menina parece ter um passado difícil e seu jeito de ser desafia convenções que Marcus ainda não parece compreender inteiramente.

“Indignação” não é um filme de elevadas notas dramáticas, mas a simplicidade aparente dos conflitos propostos revela uma América de contradições enrolada em muitos e enraizados preconceitos. Schamus se escora em Roth para radiografar com certo pessimismo o estado das coisas. Não à toa, em um determinado momento uma personagem cita a famosa frase de Benjamin Franklin: “Democracia são dois lobos e uma ovelha decidindo o que  comer no almoço”.

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sábado, 12 de novembro de 2016 Críticas, Filmes | 16:50

“Snowden” assume ponto de vista do protagonista e vende a terrível verdade de nosso tempo

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Cena do filme "Snowden: Herói ou Traidor"

Cena do filme “Snowden: Herói ou Traidor”

É um tanto desorientador que “Snowden: Herói ou Traidor” chegue aos cinemas brasileiros na esteira da vitória surpreendente de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Afinal, o agora presidente eleito ostenta uma retórica que vai de encontro a tudo aquilo que o filme de Oliver Stone defende enquanto obra artística. Essa inesperada oposição dá uma nova perspectiva à audiência e transforma a experiência de se assistir “Snowden” em algo muito mais exasperador.

O filme, originalmente previsto para 2015, se ocupa da trajetória de Edward Snowden nos serviços de inteligência dos Estados Unidos. Mas não só. Stone, com o préstimo do coroteirista Kieran Fitzgerald, elabora um perfil quase jornalístico do ex-agente da CIA e da NSA. Uma característica herdada muito provavelmente dos livros de não ficção que amparam o roteiro.

Trata-se de um filme sóbrio, o que em matéria de Oliver Stone já é um trunfo. O que não quer dizer que haja um esforço em prol de isenção. E nem deveria. Aqui assume-se o ponto de vista de Edward Snowden, mas há vícios de linguagem e narrativa que poderiam ser evitados. A opção por dar voz ao próprio Snowden no desfecho do filme, além de desnecessária, compromete a própria construção dramática da produção. Mais: Há um momento em particular que a justificativa de Snowden é pobre. Depois de ter deixado a CIA, ele alega ter retornado a trabalhar em uma agência de inteligência americana, no caso a NSA (Agência de Segurança Nacional), porque imaginava que as coisas melhorariam e tinha fé em Obama. Trata-se de uma visão ingênua para quem já testemunhara o que testemunhara. Daí, apesar da breguice, o subtítulo nacional que brinca com as noções de heroísmo e traição.  É algo que, talvez, Oliver Stone não tenha se dado conta e ao colocar Snowden em seu filme acaba por sublinhar.

De todo modo, há aspectos muito interessantes em “Snowden”. O primeiro deles, sem dúvida nenhuma, é vislumbrar a crescente do dilema moral em que o personagem se flagra. Algo que a performance minimalista de Joseph Gordon-Levitt aborda muito bem. O ator abraça o desconforto irascível de quem se vê forçado a mudar sua visão de mundo e do País que ama e hesitar sobre o que fazer a respeito. Snowden é um patriota e por sê-lo, tanto sua atitude como as acusações que pairam sobre ele ganham mais relevo e isso é algo que Oliver Stone tem plena consciência e explora bastante ao longo das 2h15min de projeção.

O romance com Lindsay (Shailene Woodley) vive às margens da vida de agente de Snowden

O romance com Lindsay (Shailene Woodley) vive às margens da vida de agente de Snowden

Outro aspecto interessante é observar o hibridismo entre posicionamento político e paranoia nos tempos atuais. Nesse sentido, “Snowden” se aproxima de um filme de terror ao emaranhar as percepções do público e fazer com que temamos uma câmera de celular tanto quanto dormir de luz apagada depois de um filme de terror.

Ao fazer mais um filme contra o sistema, outros foram o duo “Wall Sreet”, “Nixon”, “JFK – A Pergunta Que Não Quer Calar”, “Nascido em 4 de Julho” e “Platoon”, Oliver Stone demonstra mais compostura discursiva e permanece ostensivo na gramática cinematográfica. “Snowden” é cinemão, com seus prós e contras, no melhor sentido do termo.

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quinta-feira, 10 de novembro de 2016 Críticas, Filmes | 21:00

Marvel arrisca pouco, mas acerta em cheio mais uma vez com “Dr.Estranho”

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Benedict Cumberbatch em cena de "Dr. Estranho" (Foto: divulgação)

Benedict Cumberbatch em cena de “Dr. Estranho”
(Foto: divulgação)

Quando a Marvel anunciou que lançaria um filme do Dr. Estranho, um personagem da quara ou quinta escala da editora de HQs e que Scott Derrickson (“O Exorcismo de Emily Rose”) seria o responsável pela direção, duas certezas sobressaltaram. A primeira era de que o agora estúdio integrante do conglomerado gigante da Disney havia alcançado um patamar de segurança que permitia a introdução de personagens bem menores (quando tudo começou no cinema o próprio Homem de Ferro era de segunda linha). A segunda certeza é de que a Marvel, em plena terceira fase do seu universo cinematográfico, estava preparada para fazer diferente.

Com “Dr. Estranho” nos cinemas e registrando bilheteria estrondosa, outras duas certezas emergem.  A Marvel não está preparada para fazer cinema de autor e não está nem um pouco preocupada com essa demanda que gravita a cinefilia. Estrelado por Benedict Cumberbatch, o homem que além de ser Sherlock Holmes, já figura na cena geek como integrante dos universos de Star Trek, Tolkien e agora debuta na Marvel, “Dr. Estranho” é o filme mais diferente já produzido pelo estúdio, mas ainda assim plenamente reconhecível e permeado da indefectível – e até o momento infalível – fórmula Marvel.

Quem prestar atenção vai perceber duas estruturas narrativas se bifurcando em “Dr. Estranho”. Uma, mas dramática e densa, que abraça questões profundas e conflituosas como a morte e a metafísica. Outra, mais boêmia e simplista que por vezes faz com que Stephen Strange (Cumberbatch) soe como Tony Stark (Robert Downey Jr.).

Cena do filme "Dr. Estranho"

Cena do filme “Dr. Estranho”

A insistência da Marvel em prover um filme de estúdio não chega a prejudicar seu mais recente filme, mas as piadinhas em meio a momentos esculpidos pela tensão, como no primeiro confronto entre Strange e Kaecilius (Mads Mikkelsen, desperdiçado), despressurizam um filme que poderia ser muito mais eloquente e até mesmo memorável. A Marvel, no entanto, contenta-se com um entretenimento sagaz e satisfatório. Uma escolha legítima, mas tanto personagem como público mereciam mais.

Isso posto, “Dr. Estranho” é um deleite visual do início ao fim. Potencializado pelo 3D – e Scott Derrickson certamente fará James Cameron feliz pelo modo como afere valor narrativo à ferramenta – , o aspecto visual do filme encanta e torna todo o papo filosófico e a psicodelia inerente ao universo do personagem muito mais palatáveis ao espectador pouco familiarizado com tudo aquilo.

Escolha criticada, já que o personagem era oriental, Tilda Swinton convence (e ela sempre convence não é mesmo?) como a Anciã. É, no entanto, Benedict Cumberbatch o dono do show. O ator rapidamente nos convence de que nasceu para viver Stephen Strange. Um dom que o astro britânico ostenta como poucos atores de sua geração. Novamente pinçando a comparação com Downey Jr., desde que vimos Tony Stark na tela grande um ator não vestia tão bem um personagem no cinema.

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domingo, 9 de outubro de 2016 Filmes, Notícias | 14:24

“Star Wars: O Despertar da Força” estreia em 29 de outubro na Rede Telecine

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

O mais recente e festejado filme da franquia mais amada de todos os tempos estreia no Telecine Premium na sessão Superestreia do dia 29 de outubro, às 22h. Além de “Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força”, o mês de outubro está cheio de estreias imperdíveis no canal para quem gosta do bom cinema. Alguns exemplos são “A Colina Escarlate” (dia 16) e “Zootopia: Essa Cidade É o Bicho” (dia 22).

 

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quarta-feira, 5 de outubro de 2016 Filmes, Notícias | 20:36

James Schamus, diretor de “Indignação”, vem ao Festival do Rio para promover o filme

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O diretor James Schamus no set de "Indignação" ao lado do ator James Schamus (Foto: divulgação)

O diretor James Schamus no set de “Indignação” ao lado do ator James Schamus
(Foto: divulgação)

No dia 14 de outubro, James Schamus estará no Festival do Rio para a sessão de gala de seu primeiro longa como diretor, o elogiado “Indignação”. O diretor vem ao Festival à convite de Rodrigo Teixeira, produtor do filme.

Com extenso currículo, James Schamus foi co-fundador e CEO do estúdio Focus Features por 13 anos, é colaborador de longa data de Ang Lee, tendo trabalhado com ele no roteiro e na produção de filmes como “O Tigre E O Dragão” e “O Segredo de Brokeback Mountain”, além de ser professor titular na Columbia University.

O longa teve sua estreia no Festival de Sundance deste ano. Baseado no livro de Philip Roth, “Indignação” se passa em 1951, quando Marcus Messner (Logan Lerman), um brilhante estudante judeu de classe média viaja para Ohio, onde conseguiu uma bolsa de estudos em uma conservadora universidade, o que evitou que fosse convocado para a Guerra da Coreia. Quando Marcus chega em Ohio, sua crescente paixão pela bela Olivia Hutton (Sarah Gadon), e seu conflito com o diretor da universidade, colocam Marcus e seu bem traçado plano de vida em teste.

O filme estreia no Brasil no dia 3 de novembro, com distribuição da Sony Pictures e produção da RT Features.

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