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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019 Análises, Filmes | 12:16

Como fica a corrida pelo Oscar após o SAG?

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A corrida pelo Oscar ganhou mais um capítulo importante com a realização da 25ª edição do Prêmio do Sindicato dos Atores, SAG na sigla em inglês. A consagração de “Pantera Negra”, escolhido o melhor elenco do ano desbancando produções tidas como mais premiáveis como “Nasce uma Estrela” e “Infiltrado na Klan” bombam as chances do longa no Oscar –  ao qual concorre em sete categorias.

Mandatory Credit: Photo by Michael Buckner/Variety/REX/Shutterstock (10072664gq) Cast of 'Black Panther' 25th Annual Screen Actors Guild Awards, Show, Los Angeles, USA - 27 Jan 2019

Apenas 11 dos 23 vencedores prévios do SAG de melhor elenco venceram o Oscar de Melhor Filme. Ou seja, a frieza da estatística não joga a favor do filme da Marvel, mas o fato de um filme de super-herói, celebrado por sua representatividade, conseguir vencer um prêmio da indústria pelo trabalho de seu elenco, mostra que há apoio suficiente à obra e que o longa pegou na temporada de premiações.

A premiação do sindicato dos atores é considerada um termômetro confiável para as categorias de atuação no Oscar, mas nos últimos anos houve algum distanciamento entre as premiações. Em 2019, cinco dos 20 indicados ao Oscar não foram nomeados ao SAG. Emily Blunt, vencedora neste domingo como atriz coadjuvante por “Um Lugar Silencioso” não está entre as finalistas no prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

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Mas o que essas vitórias, e mais as de Rami Malek por “Bohemian Rhapsody”, Glenn Close por “A Esposa” e Mahershala Ali por “Green Book” significam?

Talvez as derrotas sejam mais eloquentes. “Nasce uma Estrela” juntou-se a “Na Natureza Selvagem” (2007), “Manchester à Beira-Mar” (2016) e “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005) como os maiores derrotados da história da premiação. Todos receberam quatro indicações e não converteram nenhuma delas em vitória.

O longa de Bradley Cooper, esnobado na categoria de direção no Oscar, parece caminhar para apenas uma vitória, em Canção Original. Uma perspectiva bem distinta do favoritismo absoluto e delirante experimentado lá em novembro.

Emily Blunt foi a maior supresa da noite Fotos: reprodução/TNT

Emily Blunt foi a maior supresa da noite
Fotos: reprodução/TNT

Em todos esses anos, apenas dois filmes que não tiveram seus elencos indicados a Melhor Elenco venceram o Oscar de Melhor Filme. “Coração Valente” em 1996 e “A Forma da Água” em 2018. “Vice”, “Roma”, “A Favorita” e “Green Book” são alguns dos principais favoritos deste ano e não foram lembrados na categoria de Elenco pelo sindicato.

Esse cenário, aliado à desidratação da candidatura de “Nasce uma Estrela”, contribui para a percepção de uma corrida totalmente aberta. “Roma” ganhou o Critic´s Choice, enquanto “Green Book” ficou com o Globo de Ouro de comédia e o PGA (sindicato dos produtores), e “Bohemian Rhapsody”, inesperadamente faturou o Globo de Ouro entre os dramas. Com a expectativa de que “A Favorita” triunfe no Bafta, a corrida fica tão aberta que o apoio dos atores, maior colegiado da Academia, a “Pantera Negra” pode ser um fator decisivo em um Oscar que promete ser o mais pulverizado dos últimos anos.

 

As certezas

Glenn Close praticamente solidificou sua vitória no Oscar por “A Esposa”. A ideia de que o prêmio a distingue também pela brilhante carreira foi comprada pela indústria e ela é, neste momento, a maior certeza entre as categorias de atuação.

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Mahershala Ali caminha com tranquilidade para conquistar seu segundo Oscar, dois anos depois do primeiro, por “Green Book”. O trabalho dele é tão superior aos demais (bons) concorrentes que parece não haver nenhum embaraço em premiar novamente um ator relativamente pouco experimentado no cinema tão rapidamente.

As dúvidas

Rami Malek triunfa no SAg por seu papel em "Bohemian Rhapsody"

Rami Malek triunfa no SAg por seu papel em “Bohemian Rhapsody”

O triunfo de Emily Blunt entre as coadjuvantes, categoria mais reconfigurada no Oscar, com as presenças de Marina de Tavira (“Roma”) e Regina King (“Se a Rua Beale Falasse”) nos lugares de Blunt e Margot Robbie (“Duas Rainhas”), joga mais incertezas na categoria mais aberta de todas.

King foi premiada no Globo de Ouro e no Critic´s, mas deixada de fora nas duas premiações da indústria antes do Oscar: O SAG e o Bafta. Ela acabou indicada reforçando o poder persuasivo dessas premiações, mas terá apoio suficiente para vencer? Amy Adams já acumula largo currículo de indicações, mas em um ano em que Glenn Close já se beneficia da lógica de prêmio pela carreira, ela pode ter que esperar. Rachel Weisz, que ganhou na única vez que foi indicada, por “O Jardineiro Fiel” em 2006, também pode ganhar buzz com um eventual triunfo no Bafta. É justamente ela e sua parceria de cena, Emma Stone, que ostentam os melhores trabalhos na categoria. Em meio a tantas dúvidas e ilações, isso pode bastar.

Já entre os atores, Rami Malek que está fazendo campanha com gosto, assume a dianteira na corrida. Apenas cinco vezes em 24 anos o vencedor dessa categoria não triunfou no Oscar. É um prospecto muito bom para Malek.

Se Christian Bale (“Vice”) – o único já oscarizado na categoria – ainda não pode ser descartado, Bradley Cooper pode se beneficiar justamente por ter sido esnobado na categoria de direção. Há muita resistência a “Bohemian Rhapsody” e a aceitação da atuação problemática do ator enseja a dúvida: até que ponto o peso da personalidade retratada pode e deve influenciar nas escolhas da premiação? O SAG optou pelo iluminado Freddie Mercury em detrimento do obscuro Dick Cheney. O Oscar fará o mesmo?

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019 Filmes, Notícias | 12:46

Polêmico “Clímax”, de Gaspar Noé, estreia em 31 de janeiro no Brasil

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Clímax

Um dos filmes mais comentados do último festival de Cannes, “Clímax” será lançado comercialmente no Brasil em 31 de janeiro. A Imovision, responsável pela distribuição do filme no País, confirmou a data à coluna.

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A sinope dá conta da experiência sensorial objetivada pela nova obra do diretor de “Love” e “Irreversível” e o teaser, que pode ser conferido abaixo da sinopse, corrobora essas expectativas.

Nos anos 90, um grupo de dançarinos urbanos se reúnem em um isolado internato, localizado no coração de uma floresta, para um importante ensaio. Ao fazerem uma última festa de comemoração, eles notam a atmosfera mudando e percebem que foram drogados quando uma estranha loucura toma conta deles. Sem saberem o por quê ou por quem, os jovens mergulham num turbilhão de paranoia e psicose.

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018 Diretores | 10:34

Os cinco melhores trabalhos de direção de 2018

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O ano de 2018 nos ofertou grandes filmes como “Trama Fantasma”, “Nasce uma Estrela”, “Pantera Negra” e “Um Lugar Silencioso”, todos devidamente lembrados na lista dos melhores do ano do iG. Chegou a vez de destacar os trabalhos de direção mais contundentes da temporada e a coluna os lista abaixo.

Paul Thomas Anderson em “Trama Fantasma”

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O domínio da linguagem cinematográfica pelo diretor americano chega a espantar. Aqui, além da sofisticação técnica e visual, há esmero narrativo incomum. Anderson é um cineasta que se pronuncia tanto na vulnerabilidade dos personagens como na potência dos conflitos. Sua direção firme e conscienciosa permite que “Trama Fantasma” seja um filme mais completo e multifacetado a cada revisão.

Spike Lee em “Infiltrado na Klan”

Spike Lee

Além da excepcional direção de atores, a direção de Lee demonstra força pela conjugação intransigente do humor em um drama. Lee ilumina os ciclos de ódio na América com cinismo e fúria, mas o faz com extrema competência narrativa.

Lars Von Trier em “A Casa que Jack Construiu”

Lars Von Trier

O cineasta dinamarquês não é um sujeito muito querido, mas como entende dos códigos do cinema. A noção de câmera, o domínio da linguagem, o senso de ritmo… tudo flui as mil maravilhas em seu cinema que busca constantemente o rebuscamento e sempre com certa verve expressionista. Em “A Casa que Jack Construiu”, Von Trier entra na mente psicótica de um assassino com a devida cota de curiosidade e fascínio e apresenta um dos filmes mais divisores de 2018.

Alfonso Cuarón em “Roma”

Marina De Tavira as Sofia and Alfonso Cuarón directing Roma. Photo by Carlos Somonte

Marina De Tavira as Sofia and Alfonso Cuarón directing Roma.
Photo by Carlos Somonte

O cineasta mexicano esbanja virtuosismo técnico naquele que é seu filme mais pessoal. Os tilts e travelling de câmera não eram usados com tamanho engenho no cinema há algum tempo. A maneira como Cuarón desvela essa trama de afetos é realmente cativante e sua direção é o maior predicado que o filme tem a ostentar.

Gabriela Amaral Almeida em “O Animal Cordial”

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Dirigir também é correr riscos e ninguém correu mais riscos do que Gabriela Amaral Almeida que fez desse seu gore um filme essencialmente político. Além da ótima direção de atores, dos ângulos inventivos em uma só locação, a cineasta se vale de algumas radicalizações de linguagem e metáforas visuais poderosas para ofertar um dos filmes mais instigantes e polivalentes da temporada.

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018 Análises, Filmes | 15:10

Afinal, “Aquaman” é ou não é o melhor filme da Warner/DC no cinema?

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Cena de Aquaman, que está bombando nos cinemas

Cena de Aquaman, que está bombando nos cinemas

Ok, é preciso desconsiderar a trilogia do Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, mas de certa forma quando falamos do universo DC no cinema já o desconsideramos. Aqueles filmes, assim como a quadrilogia tocada por Tim Burton e Joel Schumacher têm seus próprios universos.

A indústria tem a expectativa que “Aquaman”, que recebeu críticas divididas, diferentemente de “Mulher-Maravilha” em 2017, rompa a barreira do US$ 1 bilhão que tanto o filme de Patty Jenkins como “Batman Vs Superman: A Origem da Justiça” (2016) e “Liga da Justiça” (2017) falharam. Com pouco mais de 15 dias em cartaz, e apenas uma semana nos EUA, o filme já arrecadou mais de US$ 550 milhões.

Leia também: “Mulher-Maravilha” é acerto da Warner em Hollywood, no cinema e na vida

É possível entrar no clube do bilhão, e ser o primeiro dessa fase da Warner/DC a fazê-lo, mas não é o cenário mais provável. Todavia, “Aquaman” é sim o filme da DC mais capacitado a fazê-lo. A aposta de Kevin Tsujihara, CEO da Warner Bros., e Greg  Silverman, presidente de desenvolvimento criativo e produção do estúdio, em diretores autorais à frente dos filmes com personagens da editora finalmente rendeu o fruto esperado.

Patrick Wilson em cena de "Aquaman"

Patrick Wilson em cena de “Aquaman”

“Aquaman” é um espetáculo psicodélico que conjuga influências variadas de “He-Man” a “Star Wars”, passando por “Indiana Jones” e até mesmo os filmes da Marvel. É o primeiro filme dessa safra iniciada com “O Homem de Aço” (2012) que não se preocupa em ter a Marvel como modelo e espelho ou ir no caminho oposto.

Se Zack Snyder tinha uma visão épica e transcendental para os deuses da DC, James Wan encara Aquaman como um universo retrofuturista e cheio de charme brega. As cores, as criaturas, o herói arredio, o senso de aventura… tudo se encaixa às mil maravilhas em um filme que é grande e opulento sem medo de sê-lo.

A compreensão de espetáculo de James Wan, que tem até um Godzilla marinho para chamar de seu, é tremenda e isso serve muito bem a história que se vê na tela e a “Aquaman” enquanto cinema.  É possível dizer que este filme funciona tão bem e é cativante porque tem um diretor com uma visão muito própria, multifacetada e moderna do personagem e do universo que ele habita.

O prazer está nos detalhes

O aspecto visual de “Aquaman” é um deleite, assim como a atuação de Patrick Wilson, como o irmão tirano e megalomaníaco de Arthur Curry. Jason Momoa, aliás, é o homem perfeito para encarnar esse personagem que até muito pouco tempo atrás não era levado a sério. Seu Aquaman é um herói inteiro, em suas falhas e em suas virtudes, e o jeitão bad ass do ator supre qualquer deficiência narrativa do personagem.

Cena de Aquaman

Cena de Aquaman

O grande trunfo do filme, no entanto, são as personagens femininas que não só detonam toda a ação, dramática e física, como são responsáveis pela evolução dramática dos personagens masculinos.  É um acerto narrativo e temporal singular de Wan e sua equipe e muito mais eloquente do que “Mulher-Maravilha”, por exemplo, que vendia feminismo, mas não o personificava tão eloquentemente como aqui. Afinal, Steve Trevor (Chris Pine) ainda é um foco gravitacional de Diana.

“Aquaman”, por todos esses fatores, é o melhor filme dessa nova e tumultuada fase da DC no cinema e comprova, ainda que mais tardiamente do que o pretendido pelos executivos da Warner, que a aposta esteve certa o tempo todo. É só uma questão de acertar no cineasta.

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segunda-feira, 26 de novembro de 2018 Críticas, Filmes | 11:19

Os Coen vislumbram a morte com crueza e graciosidade em “A Balada de Buster Scruggs”

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Tim Blake Nelson é o destaque do conto que abre o filme

Tim Blake Nelson é o destaque do conto que abre o filme

Pensado originalmente para ser uma antologia para a Netflix, “A Balada de Buster Scruggs”, remodelado para um filme de 2h13m, se configura como um belo mosaico da obra dos irmãos Coen. Premiado como melhor roteiro no festival de Veneza, o longa se resolve como uma multifacetada reverberação sobre a morte.

“A Balada de Buster Scruggs” reúne seis contos que tem na morte o elemento mais cabal de convergência, além das agruras imemoriais do Oeste americano, gênero ao qual os Coen já homenagearam formalmente com “Bravura indômita” (2010), refilmagem do cult estrelado por John Wayne em 1969, e cujos signos estavam presentes nos oscarizados “Fargo” (1996) e “Onde os Fracos não Têm Vez” (2007).

Leia também: Com orçamento de US$ 120 milhões e produzido pela Netflix, “Legítimo Rei” é o grande épico do cinema em 2018

Nem todos os contos apresentam o mesmo grau de excelência, mas todos primam pela característica soberana em um filme dos irmãos. São coenianos até a alma! Os dois primeiros despontam como os melhores do longa. Onde o sarcasmo dos cineastas surge melhor calibrado. Mas todos os outros são avalizados por pequenos grandes momentos e epifanias típicas do cinema desses expoentes da autoralidade norte-americana.

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Tim Blake Nelson estrela o primeiro conto, em que um temido pistoleiro, o Buster Scruggs do título, finalmente encontra um desafiante à altura. James Franco protagoniza o segundo, em que tenta roubar um banco perdido no meio do nada. Liam Neeson é a estrela do terceiro, como um sujeito que tenta sobreviver levando diversão e excentricidade para os habitantes. Tom Waits é presença absoluta e magnânima no quarto conto, sobre uma terra aparentemente intocada pelo homem branco. Zoe Kazan protagoniza aquele que é o maior conto do filme, sobre uma mulher que perde o irmão e homem responsável por ela durante uma viagem. O derradeiro conto traz uma viagem de carruagem com tipos estranhos e curiosas inflexões sobre a vida e a morte.

A maneira dura e crua, mas também singela e entristecida com que os Coen vislumbram a morte e os absurdos da existência ganha adensamento em “A Balada de Buster Scruggs”, um filme de potência contida e que é gracioso e ofuscante quando menos se espera.

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sexta-feira, 23 de novembro de 2018 Bastidores, Filmes | 11:24

Teaser de refilmagem de “O Rei Leão” gera dúvidas sobre live-action

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Pôster teaser de "O Rei Leão"

Pôster teaser de “O Rei Leão”

Não é de hoje que crítica e imprensa especializada se debruçam sobre essa fase da Disney de refazer seus clássicos em live-action (termo em inglês para designar trabalhos audiovisuais realizados com atores de verdade). “Mogli – O Menino Lobo” (2016) e “A Bela e a Fera” (2017) ficaram no limite da definição por serem majoritariamente feitos com CGI (imagens geradas por computador, na sigla em inglês), mas contarem com um ou outro ator de verdade. “O Rei Leão”, no entanto, implode essa realidade por não ter um ser humano de verdade sequer em cena.

A polêmica está rachando a imprensa de entretenimento brasileira, já que muitos portais seguiram a classificação oficial dada pela Disney e se referem à produção como o “live-action de O Rei Leão”, enquanto que outra parte da imprensa acusa desinformação e comodismo neste processo.

De fato, trata-se de uma refilmagem, mas ainda assim de uma animação com as técnicas e recursos da atualidade e não de uma versão em live-action, algo que só seria possível – e já com algum grau de concessão – se fossem utilizados animais de verdade no longa. Não é o caso, já que tudo, dos cenários aos bichos, são digitais. O vídeo abaixo vai além e traça um paralelo frame a frame entre o filme que estreia em julho de 2019 e a animação que encantou o mundo em 1994.

Com isso em mente, o mais seguro a dizer é que a Disney continua sendo extremamente bem-sucedida em apresentar seus clássicos para uma nova geração e, ao fazê-lo, acalentar o coração das crianças de outrora com muita nostalgia e emoção.

A nova versão de “O Rei Leão” conta com as vozes originais de James Earl Jones (Mufasa), Beyoncé (Nala), Chiwetel Ejiofor (Scar), Billy Eichner (Timão), Seth Rogen (Pumba), Alfre Woodward (Sarabi) e Donald Glover (Simba).

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quarta-feira, 14 de novembro de 2018 Críticas, Filmes | 13:03

Com orçamento de US$ 120 milhões e produzido pela Netflix, “Legítimo Rei” é o grande épico do cinema em 2018

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Chris Pine em cena de Legítimo Rei Fotos: divulgação

Chris Pine em cena de Legítimo Rei
Fotos: divulgação

“Legítimo Rei” poderia ser uma sequência natural de “Coração Valente” (1995), filme de Mel Gibson que é um dos maiores épicos já feitos pelo cinema. Não o é, mas começa do imediato ponto em que William Wallace, vivido por Gibson no filme premiado com cinco Oscars, é derrotado por Eduardo I na guerra travada entre Escócia e Inglaterra pela independência da primeira.

O filme de David Mackenzie acompanha Robert Bruce (Chris Pine), um dos nobres reclamantes ao trono escocês que se vê na dolorosa contingência de ter que beijar a mão de Eduardo I, aqui vivido pelo ótimo Stephen Dillane, e enterrar orgulho e esperança escoceses que haviam sido erigidos pela figura de Wallace.

É claro que Robert não conseguirá sustentar essa subserviência por muito tempo e é justamente nesse impulso desordenado por liberdade que “Legítimo Rei” se assevera um épico robusto, daqueles que o cinema produz de tempos em tempos, mas também um filme atento a sutilezas. Os comentários sobre a arquitetura do Poder, bem como sobre as renúncias que lhe são inerentes, são especialmente salutares.

A ideia de acompanhar um rei cuja legitimidade o coloca como fora da lei é sedutora e faz do percalço de Robert Bruce algo especialmente cinematográfico. O filme de Mackenzie é muito feliz na maneira como captura tanto Bruce, adensado com tristeza aguda, mas também com resiliência por Pine, mas também sua jornada e seus efeitos nos conterrâneos escoceses, apreensivos após a portentosa derrota sofrida para Eduardo I que custou o símbolo que era Wallace.

Legítimo Rei Um plano-sequência majestoso na cena inaugural demonstra todo o valor estético e narrativo de Mackenzie e entrega que este não é um filme banal sobre aquele período histórico e o final, uma explosão suja, caótica e sanguinolenta na batalha da colina Loudon, demonstra que este é um filme que se pretende um elogio da resistência, do espírito humano sobre a opressão.

A opção por fechar o filme com uma vitória, em oposição ao início que flagrava uma derrota clamorosa, atende a essa demanda ideológica de um filme que sabe ser solene sem deixar de ser profundamente íntimo. Talvez por isso haja a tão falada cena de nu frontal de Pine.

O orçamento vultoso, de US$ 120 milhões, atesta que a Netflix está consciente de seu papel na indústria do entretenimento contemporânea e ajuda a garantir que “Legítimo Rei” seja o grande épico concebido pelo cinema em 2018, ainda que disponibilizado mundialmente na casa das pessoas.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2018 Críticas, Filmes | 15:25

Versão oficial da história do Queen, “Bohemian Rhapsody” é montanha-russa de emoção para os fãs

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Cena de "Bohemian Rhapsody" que recria o histórico show do Queen no Live Aid em 1985

Cena de “Bohemian Rhapsody” que recria o histórico show do Queen no Live Aid em 1985

Há uma cena em “Bohemian Rhapsody”, a aguardada cinebiografia de Freddie Mercury e da banda Queen, em que o vocalista da banda tenta argumentar com o produtor da EMI Ray Foster (vivido com histrionismo por Mike Myers) porque a música que dá nome ao filme deveria ser o primeiro single de “A Night at the Opera”, segundo disco da banda.

Mercury (Rami Malek) diz que a banda não quer e não vai seguir fórmulas e que busca transcender por meio de sua arte. É uma ambição e tanto e também um lastro que o Queen deixou, mas que “Bohemian Rhapsody” não consegue dimensionar. Isso não implica na constatação de que o filme é ruim, apenas em reconhecer que não faz jus ao legado da banda e não atinge toda a sua potencialidade enquanto cinema.

Marcado por polêmicas e turbulências, “Bohemian Rhapsody” foi desde muito cedo taxado como o filme oficial da banda. Com Roger Taylor e Brian May como produtores, o filme perdeu seu protagonista, que seria Sacha Baron Cohen por divergências criativas. Cohen queria fazer um retrato de Freddie que afrontava o que a banda queria mostrar. Depois veio a demissão de Bryan Singer, que continua creditado como diretor. Dexter Fletcher, creditado como produtor executivo e que em 2019 lança a cinebiografia de outro astro do Rock, Elton John, rodou algumas cenas e encerrou os trabalhos.

Se os tumultuados bastidores honram o espírito Rock´n Roll de uma das maiores bandas de todos os tempos, revestiram de incerteza o que se veria no cinema. O longa não tem problemas de ritmo como muitos imaginariam e não tergiversa a respeito da homossexualidade de Mercury, mas assume desavergonhadamente ser a versão do Queen para sua história e a de seu front man.

O roteiro óbvio ratifica a vocação chapa-branca do filme que encontra espaço para mostrar como Freddie Mercury não era o único gênio do Queen, o que demonstra que o longa também foi palco de certa egolatria dos demais integrantes da banda. Menos de John Deacon, no filme interpretado com cadência e sutileza por Joseph Mazzello, que não participou da produção.

Reencarnação ou imitação?

O Queen do cinema Fotos: divulgação

O Queen do cinema
Fotos: divulgação

Rami Malek não era uma escolha óbvia para viver o complexo Freddie Mercury, mas o ator que ganhou fama como o protagonista da série “Mr. Robot” se provou a altura do desafio. A capilaridade dramática desse registro do Queen, que se comunica melhor com os fãs, está toda concentrada em seu trabalho. Malek tem alguma dificuldade em dimensionar o jovem Freddie, mas talvez por conta do roteiro que se fragmenta demais no começo da jornada da banda. Quando o registro envereda pelos anos 70 e 80, Malek domina completamente a cena com energia e carisma que não ficam a dever ao personagem que interpreta.

Todavia, se nos momentos mais dramáticos, ele parece reencarnar Mercury, nos momentos mais performáticos, parece se contentar com a imitação. Não chega a ser algo ruim ou incômodo, mas é uma rusga em um filme que parece divergir de si mesmo.

 

Final apoteótico

O longa, afinal, toma uma série de liberdades poéticas e narrativas para aclimatar melhor suas necessidades dramáticas e apresenta pelo menos um easter egg genial ao brincar com “Quanto Mais Idiota Melhor”, em que Mike Myers e sua turma cantam Bohemian Rhapsody dentro de um carro.

A mais controvertida das liberdades narrativas do filme foi situar semanas antes do histórico show no Live Aid a revelação de Mercury para os demais

Mike Myers responde por um inteligente comentário no filme sobre a obra que é a música Bohemian Rhapsody

Mike Myers responde por um inteligente comentário no filme sobre a obra que é a música Bohemian Rhapsody

integrantes da banda de que era portador do vírus da AIDS. O ajuste serve bem ao registro dramático, mas é uma imprecisão grave para um filme que se pretende recriar a trajetória do cantor. Ele revelara ser HIV positivo em 1987, dois anos depois do referido show.

Junte-se a isso menções escorregadias ao temperamento turbulento de Freddie e a seu vício em drogas e você tem um ambiente propício a críticas não tão construtivas assim. De todo modo, tudo isso se apequena diante dos 20 minutos finais, em que o show do Live Aid, é reencenado nos mínimos detalhes. É aí, e somente aí, que “Bohemian Rhapsody” abraça o espetáculo maior que a vida que é o Queen e ganha a audiência com energia e paixão.

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quarta-feira, 31 de outubro de 2018 Críticas, Filmes | 19:43

“Tamara” recria trajetória de 1ª transmulher eleita deputada na América Latina

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A Tamara Adrian da vida real: inspiração para um delicado filme venezuelano

A Tamara Adrian da vida real: inspiração para um delicado filme venezuelano

Não é de hoje que a transexualidade e os direitos de cidadãos transgêneros estão em pauta, mas é assombroso o quanto enquanto sociedade ainda precisamos evoluir. É de adensar essa perspectiva que o filme “Tamara”, que estreia nesta quinta-feira (1º) em São Paulo, se incumbe.

O filme de Elia K. Schneider reconstitui a trajetória de Tamara Adrian, a primeira transmulher eleita como deputada para a Assembleia Nacional da Venezuela – foi a primeira pessoa transexual eleita para um cargo legislativo na América Latina. Isso foi em 2016. Nas eleições 2018, São Paulo elegeu Erica Malunguinho da Silva, a primeira trans da história da Assembleia Legislativa.

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O ineditismo dos feitos de Tamara e Erica, claro, clamam por atenção cinematográfica, mas Schneider não perde de vista os elementos humanos, os intrincados conflitos emocionais e psicológicos, bem como o açoite do preconceito, que precederam essas conquistas tão pessoais como comunitárias.

Quando encontramos Tamara ela ainda é Teo e tem dificuldades de vocalizar a angustia que vive com o próprio corpo. Essa investigação psicológica, mas também corpórea, é um dos trunfos da primeira metade do filme e a cineasta confia ao ótimo Luis Fernández o lastro emocional dessa viagem tão turbulenta quanto apaixonante.

As muitas rupturas e inseguranças, bem como o encontro com o amor são fonte de coragem e retrocesso em uma jornada trôpega e sem respostas prontas. Schneider, é bem verdade, se escora em clichês que poderiam ser suavizados, mas o corte final de seu filme tem muita alma e coração. Tamara Adrian é senhora de uma história tão inspiradora quanto necessária para que o processo de conscientização que a sociedade atravessa não seja interrompido por espasmos de conservadorismo.

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Em um universo cinematográfico que habitam filmes como “Uma Mulher Fantástica” (2017), vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2018, e “Laurence Anyways” (2012), é o aspecto “baseado em uma história real”, que torna “Tamara” tão especial e vívido.

O ator Luis Fernández durante a transição de Teo em Tamara Fotos: Publico/Divulgação

O ator Luis Fernández durante a transição de Teo em Tamara
Fotos: Publico/Divulgação

“Tamara” está em cartaz no Espaço Itaú Augusta de Cinema com sessões às 13h50, 16h10 e 21h30.

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Notícias | 16:32

CCXP 2018 terá Michael B. Jordan e exibição exclusiva de “Creed II”

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Michael B. Jordan e Sylvester Stallone em cena de "Creed II", que será destaque na CCXP 2018

Michael B. Jordan e Sylvester Stallone em cena de “Creed II”, que será destaque na CCXP 2018

A Warner vai trazer o ator Michael B. Jordan para o painel que será realizado no dia domingo (9) na CCXP 2018. Será a primeira vez do ator, que em 2018 brilhou em “Pantera Negra”, na Comic Con brasileira. Além do astro, o evento promovido pelo estúdio terá uma pré-estreia exclusiva de “Creed II”.

Michael B. Jordan, que reprisa seu papel como Adonis Creed e produz o novo filme, estará acompanhado no painel por sua co-estrela Florian “Big Nasty” Munteanu, que interpreta Viktor Drago. Juntos no palco, os rivais na tela falarão sobre a estreia no Brasil da esperada sequência do aclamado sucesso de 2015, “Creed – Nascido para Lutar” e o duradouro legado da saga “Rocky”.

“Creed II” está programado para estrear comercialmente no Brasil no dia 24 de janeiro de 2019.

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