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terça-feira, 29 de abril de 2014 Diretores | 17:50

Richard Linklater e a busca constante pela vanguarda no cinema

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O diretor americano Richard Linklater (Foto: Getty)

O diretor americano Richard Linklater (Foto: Getty)

Richard Linklater tem dois Ursos de Prata conquistados nos festivais de Berlim de 1995 e 2014. Talvez seja pouco. Talvez a distância entre os prêmios, ele foi indicado a muitos outros (inclusive o Oscar) no ínterim, denuncie um diretor que rejeita rótulos. Linklater é americano, tem 53 anos e faz filmes “fora da caixa”. Além da trilogia que celebra a DR (discussão de relação), constituída por “Antes do amanhecer “(1995), “Antes do pôr- do- sol (2004) e “Antes da meia-noite” (2013), são seus “Waking life” (2001) – uma animação pasteurizada com cenas filmadas sobrepostas a uma película que imita a textura das animações flash, “Escola de rock” (2003), “Nação Fast Food: uma rede de corrupção” (2006) e “Bernie – quase um anjo” (2011).

Linklater fez um híbrido de animação e live-action em um momento em que as animações digitais ainda se estabeleciam (“Sherk” é do mesmo ano de “Waking life”), fez um filme denúncia sobre um dos maiores prazeres do americano médio, o fast food, e colocou Jack Black nos anais da cultura pop como o despirocado professor do neoclássico “Escola do Rock”.

O maior feito desse cinquentão, no entanto, foi destrinchar uma história de amor por três décadas. “Antes do amanhecer”, em que dois jovens se apaixonam em uma noite de muita conversa e imaginação em Viena , surgiu de uma noite em que passou na companhia de uma estranha. Os outros dois filmes surgiram do esforço conjunto com os atores Ethan Hawke e Julie Delpy em fazer história. Enquanto um quarto filme do casal mais verdadeiro do cinema não vêm, Linklater lança o que então se revela seu projeto mais ambicioso. “Boyhood”, ainda sem nome em português, mas que significaria algo como “juventude de um menino”, foi rodado ao longo de 12 anos com um punhado de atores, entre eles o chapa Ethan Hawke, e tem como objetivo o monitoramento do crescimento desse menino (Ellar Coltrane).  O filme valeu o segundo prêmio de direção a Linklater em Berlim e intriga pela proposta estética complexa e de difícil execução.

A ideia de documentar, mas não deixar de fazer ficção não é exatamente nova. No Brasil, o cineasta João Jardim, que lança o drama “Getúlio” nesta semana, já experimentou com certo êxito essa abordagem em “Amor?”, em que colocava histórias reais de agressões passionais para serem narradas por atores profissionais como Eduardo Moscovis, Ângelo Antônio e Júlia Lemmertz. Mas o que Linklater propõe é mais radical. É uma experiência cinematográfica totalmente nova ao fundir a literalidade do tempo aos registros ficcional e real.

Os atores se reuniam apenas uma semana por ano para gravar. Como suas experiências de vida agregavam ao roteiro? Até que ponto os personagens foram influenciados por essas efêmeras reuniões? Essas respostas só quando do lançamento do filme, que permanece sem uma data definida para chegar aqui ao Brasil, mas o trailer nos encanta com as divagações suscitadas.

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Kamila 29/04/2014 21:37

    Richard Linklater não é um dos meus diretores favoritos, mas há que se admirar a forma como ele faz cinema. Ele tem um estilo próprio e isso é raro no cinema atual. Adorei seu texto!

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