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quarta-feira, 30 de julho de 2014 Críticas, Filmes | 21:25

“O amor é um crime perfeito” alia inteligência e sensualidade a serviço da história

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O cinema francês é reconhecido tanto pela inteligência como pela sensualidade e “O amor é um crime perfeito”, novo filme de Jean-Marie Larrieu e Arnaud Larrieu potencializa esses elementos com sofisticação, audácia e incrível esmero.

Eles já haviam obtido resultado semelhante em “Pintar ou fazer amor” (2004), comédia dramática que opunha desejo e moralismo sob uma perspectiva sedutora e instigante. Em “O amor é um crime perfeito”, adaptado do romance “Incendies” de Phillipe Djian, a proposta é mais ambiciosa. Combinar o ritmo de thriller policial ao contexto de um drama familiar. Tudo entremeado por uma pulsão sexual inebriante.

Mathieu Amalric faz um professor de literatura que costuma levar suas alunas para a cama. Quando uma dessas alunas some ele vai sendo enredado aos poucos em uma teia de conspirações à medida que visto como suspeito, ainda que discretamente, passa a se envolver com a madrasta da menina desaparecida. Não obstante, ele ainda tem um relacionamento complexo, e marcado por forte tensão sexual, com sua irmã, que ocupa um cargo de superioridade na universidade em que ele dá aula.

O desejo é a força motriz em "O amor é um crime perfeito" (Foto: divulgação)

O desejo é a força motriz em “O amor é um crime perfeito” (Foto: divulgação)

Com cadência, os irmãos Larrieu vão revelando uma trama absolutamente distinta daquela que intuímos a princípio. Se essa opção revela apurado exercício de estilo, exibe também uma aprofundada capacidade de articulação estética e narrativa. A sensualidade que impregna a fita jamais desvia a atenção do espectador da trama central. Pelo contrário, reforça-a maliciosamente. Outro aspecto interessante da direção dos Larrieu é que a verdade que emerge no final do filme, embora já pudesse ser pressentida por um ou outro observador mais perspicaz, nunca é esmiuçada em seus detalhes sórdidos e o público precisa preencher as lacunas com certa imaginação. Esse delicioso exercício de coautoria redefine “O amor é um crime perfeito” como um filme de muito mais capilaridade do que sua narrativa, falsamente convencional, sugere.

Neste sentido, a atuação de Mathieu Amalric ganha importância. Seu personagem vai sendo revestido de complexidade à medida que “O amor é um crime perfeito” vai se revelando um filme distinto do que tínhamos em mente. Essa exacerbação da linguagem cinematográfica finalmente se cristaliza com a grande sacada da obra: amar é o pecado definitivo dos vaidosos.

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