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quarta-feira, 27 de agosto de 2014 Bastidores, Notícias | 06:00

A ala pró-Israel em Hollywood acordou?

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Enquanto o conflito entre Israel e Palestina vive um de seus capítulos mais nefastos, o mundo do cinema parece reagir de forma difusa, insegura e reticente. Historicamente, Hollywood tende a se posicionar de maneira favorável a Israel; o que é compreensível e justificável em face da verdade imutável de que Hollywood se ergueu sob as rédeas dos judeus e, ainda hoje, é uma engrenagem articulada sob a influência de magnatas da etnia.

Jon Voight (Foto: Getty)

Jon Voight (Foto: Getty)

À medida que o assombro causado pelo noticiário vindo da faixa de Gaza aumentava, surgiam tímidas vozes contra a opressiva ação de Israel na região. Uma dessas vozes foi do ator espanhol Javier Bardem que, no fim de julho, escreveu e divulgou uma carta em que criticava Israel pelo que classificou de “genocídio” cometido em Gaza. O ator foi respaldado por sua esposa, Penélope Cruz, que também se pronunciou contra a ação de Israel no território palestino. A carta motivou um contra-ataque de Jon Voight (“Amargo regresso”) que chamou os dois de “ignorantes” e entusiastas do antissemitismo. A atriz, para afastar a polêmica que se anunciava, baixou o tom ao declarar que não era perita no assunto, embora reconhecesse sua complexidade e que só “desejava paz entre Israel e Palestina”.

Até este incidente, apenas manifestações isoladas de celebridades via redes sociais pautavam o círculo hollywoodiano sobre as tensões atuais que emanadas do conflito em Gaza.

Ironicamente, quando uma trégua mais duradoura é acertada entre Israel e Hamas, o conflito parece incendiar o mundo do cinema.

Uma ONG pró- Israel declarou ao semanário The Hollywood Reporter ter reunido mais de 190 assinaturas de figurões de Hollywood em apoio às ações de Israel em Gaza. Segundo o veículo americano, destacam-se nesta lista os nomes de Kelsey Grammer (“Transformers: a era da extinção”), Minnie Driver (“Gênio indomável”), Sylvester Stallone (“Os mercenários 3”), Arnold Schwarzenegger ( “Os mercenários 3”), Seth Rogen (“Vizinhos”), Tony Goldwyn (“Ghost – do outro lado da avida”), William Friedkin (diretor de “O exorcista”), Jerry Weintraub (produtor de filmes como “Onze homens e um segredo”), Avi Arad (um dos chefões do estúdio Marvel), Aaron Sorkin (roteirista de “A rede social”) e os diretores Joel e Ethan Coen (“Onde os fracos não têm vez”).

A ONG, denominada “The Creative Community for Peace Organization”*, promete uma série de anúncios pagos na tv e nos principais jornais americanos a partir desta semana. A ideia é levantar a bola israelense em face da mudança de rumo da política externa obamista sinalizada nesses últimos meses.

O judeu Steven Spielberg no set de "Munique" (2005),  filme inesperadamente imparcial na retratação do longevo conflito entre Israel e Palestina

O judeu Steven Spielberg no set de “Munique” (2005), filme inesperadamente imparcial na retratação do
longevo conflito entre Israel e Palestina (Foto: divulgação)

Ainda na esfera política, o cineasta inglês Ken Loach (premiado em Cannes por “Ventos da liberdade” em 2006) manifestou indignação com o fato da Inglaterra manter-se sob orientação americana na questão palestina e defendeu um boicote generalizado a “todo acontecimento cultural apoiado pelo Estado de Israel”. Loach, em fala no festival de cinema de Sarajevo, encerrado no último sábado na Bósnia, foi além. “Israel deve se tornar um Estado pária”, defendeu comparando o que ocorre em Gaza à guerra da Bósnia que estremeceu os anos 90.

A ebulição das vozes pró- Israel deve abafar as poucas que emergiram em favor da Palestina. O ponto desestabilizador, independentemente das perspectivas a se assumir em relação ao conflito, reside justamente aí. Na eloquência do soft power** americano, materializado por seu cinema dominante, em advogar interesses que não prosperam em outras frentes.

Ken Loach defende medidas agressivas contra Israel (Foto: reprodução Guardian)

Ken Loach defende medidas agressivas contra Israel (Foto: reprodução Guardian)

*Confira a lista completa de personalidades de Hollywood que já assinaram o documento pró-Israel aqui.

** Soft power, poder brando em tradução literal, é um termo usado nas relações internacionais para designar a habilidade de um corpo político para influenciar indiretamente outro corpo político por meios culturais ou ideológicos

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