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Arquivo de setembro, 2014

terça-feira, 30 de setembro de 2014 Filmes, Notícias | 23:02

Revelado o primeiro trailer de “Vício inerente”, novo filme de Paul Thomas Anderson

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Joaquin Phoenix em cena de "Vício inerente"  (Foto: divulgação)

Joaquin Phoenix em cena de “Vício inerente”
(Foto: divulgação)

Depois das obras-primas “Sangue Negro” (2007) e “O mestre” (2012), o que o cineasta Paul Thomas Anderson tem a oferecer? Uma pista está neste amalucado trailer, com um delirante Joaquin Phoenix, de “Vício inerente”, adaptação do romance de Thomas Pynchon. O trailer sugere um filme com um pé no humor negro, mas sem perder de vista o rigor narrativo habitual dos filmes de Anderson. Pelo trailer, é possível intuir que o cineasta se inspira nos Coen dos anos 90 e na mais recente obra do aclamado David O. Russell.

Na trama, o detetive maconheiro Larry “Doc” Sportello (Phoenix) perambula pela Los Angeles de 1970 investigando o caso do desaparecimento de sua ex-namorada. Benício Del Toro faz o advogado camarada que tenta manter Sportello longe de enrascadas. Josh BrolinSean PennReese Witherspoon, Owen WilsonMartin Short completam o elenco.

O filme é uma das principais apostas do estúdio Warner Brothers para o Oscar e atualmente integra a mostra do Festival de Cinema de Nova York. A fita tem previsão de estreia para janeiro de 2015 nos cinemas brasileiros.

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Críticas, Filmes | 19:55

Mark Ruffalo e Keira Knightley reverenciam poder transformador da música em “Mesmo se nada der certo”

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Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

John Carney não se contentou em fazer apenas um filme apaixonante. Depois de impressionar o mundo com “Apenas uma vez”, uma apaixonada declaração de amor à música, Carney pegou as ideias centrais desta pequena joia rodada em sua Irlanda natal e as jogou no cerne de “Mesmo se nada der certo” (2013), sua primeira incursão no cinema americano.

Em um dado momento do filme, Dan (Mark Ruffalo), um produtor musical fracassado, diz para Gretta (Keira Knightley), uma compositora ocasional com o coração partido que ele convence de que pode estourar na música devido a um talento nato e submerso, que a “música transforma banalidades em momentos cheios de significados”; e “Mesmo se nada der certo” é, em toda a sua doçura incontida, uma reverência a esta capacidade única que a música ostenta.

Carney não para na reverência, porém. Seu filme bebe da fonte da “segunda chance” tão cara ao establishment americano e evoca, inclusive nominalmente, um dos últimos filmes a tratar do tema de maneira brilhante no cinema americano, “Jerry Maguire – a grande virada” (1996).

Dan e Gretta estão sós em uma Nova York que lhes parece pouco amistosa enquanto vivem o que pode ser descrito como as piores fases de suas vidas, mas juntos – e por meio da música – eles descobrem uma maneira, não só de dar a volta por cima, mas de redimensionar essa Nova York.

“Mesmo se nada der certo” se chama no original “Begin again” (Começar de novo) e antes estava titulado como “Can a song save your life?” (Pode uma música salvar sua vida?). O título nacional não fica nada a dever a esses dois singelos e poéticos títulos que calçam muito bem o filme.

mesmo se nada der certo (1)

Adam Levine, o vocalista do Maroon 5, vive um decalque dele mesmo como Dave Kohl, o namorado de Gretta que a abandona tão logo vislumbra a vida de rock star. Não é uma posição fácil a que Levine se coloca, já que seu personagem é o que de mais próximo de vilão o filme tem a oferecer e as semelhanças com a carreira do astro são palpáveis, mas em seu debute no cinema, Levine demonstra jogo de cintura e senso crítico ao ajudar a delimitar as distintas percepções da música no metiê.

Keira Knightley, por seu turno, canta e se não convence – a maioria dos novos cantores hoje cantam e não convencem – encanta com sua singeleza e simplicidade. Sua personagem não é uma aspirante a cantora e essa distinção é importante e escapa à grande parte dos críticos ao desempenho da atriz. Ela é convencida, por uma convergência de fatores e circunstâncias, a embarcar nessa jornada de produzir um disco pelas ruas de Nova York com um produtor que tem uma visão.

Ruffalo garante a habitual eficácia na pele do loser simpático, mas são as músicas as verdadeiras estrelas do filme. São elas que jogam com o interesse da plateia e ajudam a contar essa história de amor e desamor na cidade em que tudo acontece. Da reverência à música, passando pelo respeito aos personagens (a tensão sexual entre Gretta e Dan não avança para um envolvimento sexual e isso faz um sentido absurdo no contexto dos personagens) e culminando na experiência que proporciona, “Mesmo se nada der certo” é um filme para se guardar na memória. Não é exatamente memorável, mas é tenro e saboroso como poucos filmes o são, uma maneira resiliste de se tornar inesquecível.

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domingo, 28 de setembro de 2014 Curiosidades, Diretores | 15:38

O deslumbre de Eva Green e outras neuroses de Frank Miller, o homem que ergueu a cidade do pecado

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Frank Miller, em foto divulgada pela Imagem Filmes, durante bate-papo com internautas

Frank Miller, em foto divulgada pela Imagem Filmes,
durante bate-papo com internautas

O sonho de Frank Miller era ter Angelina Jolie como a dama fatal da sequência de “Sin City”. Ele chegou a dizer em 2006 que a inclusão de sua história ” A dama fatal” na sequência só teria sentido com ela.  O filme que chegou no ultimo fim de semana aos cinemas brasileiros não tem Angelina Jolie como a dama fatal. As negociações nunca avançaram ao ponto desta possibilidade ser remotamente factível, mas foram suficientes para atrasar a produção em alguns bons anos.

Nove anos se passaram entre o primeiro “Sin city: a cidade do pecado” e este “Sin city 2: a dama fatal”. A  tal dama fatal ganhou as feições e sensualidade de Eva Green, que estava acontecendo quando o primeiro filme foi lançado na esteira do sucesso de “Os sonhadores” (2003), o último Bertolucci digno de nota.  A francesa aparece nua em praticamente todas as suas cenas. Gemendo ou penetrando o olhar da audiência com o azulado de seus olhos redimensionado pelo preto e branco da mise-en-scène, Eva já havia roubado as atenções de Jessica Alba – tradicional musa de Robert Rodriguez (co-diretor do filme), desde que um cartaz que insinuava seus mamilos sob uma camisola transparente fora censurado nos EUA.

“Ela foi uma verdadeira femme fatale. Alcançou talentos de várias gerações”, disse o quadrinista e diretor em um bate-papo com internautas em uma rede social como parte de uma ação promocional da distribuidora do filme no Brasil. Miller falou, ainda que por cima, sobre os planos para o terceiro filme (“Vai acontecer se a aceitação do público a este for generosa”) e as diferenças entre as mídias cinema e quadrinhos (“O cinema me suga”).

Frank Miller se sentou para responder perguntas de internautas brasileiros sabendo que “Sin City 2” comeu poeira nas bilheterias americanas e que precisaria de um bom fôlego no Box Office internacional para assegurar a possibilidade de um terceiro filme. A crítica do Cineclube para o segundo será publicada ao longo da semana.

Eva Green: a emenda que saiu melhor que o soneto...

Eva Green: a emenda que saiu melhor que o soneto…

Enquanto espera pelos tambores das bilheterias, Miller admite voltar a fazer quadrinhos.  “Vai depender da Marvel”, sobre a possibilidade de assumir o título do Capitão América.  Para o terceiro “Sin City”, ele provoca: “Já pensei em uma história com Bruce Willis e Samuel L. Jackson”, sobre os atores que já contracenaram no terceiro “Duro de matar” (1995) e em “Corpo fechado” (2000) e integraram o elenco de ‘Pulp Fiction – tempo de violência” (1994). Miller que disse que “assim que pensou em mulheres as colocou no papel”, sabe vender seu peixe.

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quinta-feira, 25 de setembro de 2014 Análises | 18:57

O cinema descortina o mundo “pós-gay”?

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O Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro anunciou que está extinguindo em sua 16ª edição, já em vigor, a mostra “Mundo gay”, dedicada a repercutir e iluminar filmes com temática homossexual. Concomitantemente a esta decisão, a organização do festival criou o prêmio Felix, que será outorgado ao melhor filme gay da programação. A justificativa para a combinação das novidades apresentada pelo festival é de que os filmes da mostra ficaram diversificados demais para serem reunidos sob um único recorte, o de filme gay.

Em abril, época do lançamento do filme “Praia do futuro”, Wagner Moura disse que o fato de ser gay não era uma questão central para as ações de seu personagem. O diretor Karim Aïnouz pensava diferente. Disse que somente o fato de ser gay legitimava a atitude do personagem de largar tudo para trás e ir se reinventar em Berlim, uma cidade mais evoluída e, por consequência, mais receptiva à homossexualidade.

Cena de "Praia do futuro": a homossexualidade ainda é um conflito no cinema, mas no mesmo compasso da orfandade,  , maternidade, divórcio, entre outros

Cena de “Praia do futuro”: a homossexualidade ainda é um conflito no cinema, mas no mesmo compasso da orfandade, maternidade, divórcio, entre outros

Em contrapartida, o Brasil escolheu “Hoje eu quero voltar sozinho” para representar o País na disputa por uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro. O filme de Daniel Ribeiro pode ser tomado como o símbolo desse cinema “pós-gay” em que a orientação sexual é abordada de maneira dessegmentada. Algo parecido acontece com um dos fenômenos nos cinemas americanos atualmente. “O amor é estranho”, que tem roteiro do brasileiro Mauricio Zacharias, mostra um casal formado por John Lithgow e Alfred Molina lidando com o ônus do preconceito e como ele pode interferir em uma relação conjugal bem estabelecida.  O filme, lançado de maneira independente, apresenta carreira triunfal nos cinemas americanos onde está em cartaz há mais de um mês com uma das melhores médias de público por sala do país.

Não custa lembrar que em 2006, o favorito ao Oscar “O segredo de Brokeback Mountain”, que tratava de um amor homossexual, foi preterido por “Crash- no limite”, filme sobre as tensões raciais em Los Angeles.

Em 2008, Barack Obama colocou-se como um candidato pós-racial.  Se a ideia ajudou a elegê-lo presidente, tornando-o primeiro negro a comandar a nação mais poderosa do mundo e uma das que ostenta mais grave histórico de polarização racial, o conceito parece não ter sobrevivido à gestão obamista na Casa Branca; como demonstram o recente caso do assassinato do jovem negro no Missouri e as manifestações que se seguiram.

"Hoje eu quero voltar sozinho": símbolo do cinema "pós-gay"

“Hoje eu quero voltar sozinho”: símbolo do cinema “pós-gay”

"O amor é estranho": um reposicionamento na abordagem do preconceito em filmes com personagens gays

“O amor é estranho”: um reposicionamento na abordagem do preconceito em filmes com personagens gays

Obviamente as tensões raciais, homofóbicas ou de qualquer outra natureza preconceituosa não cessarão pela elevação de um Messias negro na Casa Branca ou com um punhado de filmes bem azeitados e articulados. Esta é uma questão de arremedo geracional e a arte, como habitual, exerce importante papel nessa fruição social e comportamental.

Dessa maneira, esta tendência que o cinema enseja como uma espécie de emancipação do cinema gay é uma boa notícia. Não é exatamente uma renúncia às bandeiras ou ao substrato temático, mas um aceno a uma era em que o cinema não precisará ser um instrumento de afirmação e educação na matéria.

Fotos: divulgação

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quarta-feira, 24 de setembro de 2014 Filmes, Fotografia, Notícias | 22:57

Divulgadas novas imagens de “Interstelar”, novo filme de Christopher Nolan

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O filme que é o maior segredo do ano estampa a capa da revista inglesa Empire, especializada em cinema, do mês de novembro. Trata-se de “Interstelar”, a aguardada ficção científica do homem que revitalizou o universo do homem-morcego nos cinemas. O próprio Chistopher Nolan ensejou as comparações com “2001: uma odisseia no Espaço”, clássico de Stanley Kubrick. O trailer não esconde o tom solene e filosófico da produção, tampouco a pretensão de discutir outros temas caros à ficção científica como viagens no tempo e dimensões paralelas. O trailer e as fotos divulgadas pela Empire podem ser conferidos logo abaixo. A estreia mundial de “Interstelar” ocorre no dia 6 de novembro.

Fotos: Empire

Fotos: Empire

Interstellar (2)

Nolan orienta o astro de seu filme, o ator Matthew McConaughey

Interstellar (3)

interstellar (4)

Interstellar (5)

Interstellar (6)

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Curiosidades, Diretores | 19:56

65 tons de Almodóvar

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O cineasta no set de " A pele que habito" ( Foto: divulgação)

O cineasta no set de ” A pele que habito”
( Foto: divulgação)

Ele é hoje o principal cartão postal do cinema espanhol. Mas não somente. O espanhol Pedro Almodóvar Caballero é referência de uma arte que se pretende pensativa, problematizante, incorpórea e expansiva.

Multipremiado e admirado em todo mundo, na Espanha é mais popular do que cult, o espanhol completa 65 anos nesta quarta-feira, 24 de setembro e, naturalmente, o Cineclube não poderia deixar essa ocasião passar em branco.

Vencedor do Oscar pelo brilhante roteiro de “Fale com ela” (2002), Almodóvar é figurinha carimbada nos festivais mais prestigiados do cinema europeu, como Cannes – onde costuma debutar seus filmes, e premiações célebres como o Globo de Ouro e o Bafta.

Cineasta de extrema sensibilidade, Almodóvar foi por muito tempo rotulado de ser um “cineasta do feminino” ou “o maior expoente do cinema gay”. Se não são inverdades, são rótulos pobres em dimensionar a relevância e a abrangência do cinema do espanhol, muito mais eloquente, complexo e abrasador do que definições superficiais como essas podem atestar.

Mais recentemente, Almodóvar tem se permitido experimentar, algo que todo cineasta consagrado deve fazer. Retirar-se de sua zona de conforto. Os resultados têm sido contraditórios, mas se o extraordinário “A pele que habito” (2011) não encontra respaldo no equivocado “Os amantes passageiros”, Almodóvar sai revigorado de ambas as experiências por se mostrar surpreendente ao desafiar o próprio mito.

Sem nenhum projeto em vista, Almodóvar goza merecidas férias. Quem não as merece, de forma alguma, somos nós. Tocados por seu cinema humanizante, colorido, acolhedor, polêmico, latino e frequentemente arrebatador, nos ressentimos de sua ausência, ainda que temporária, de nossas delírios cinéfilos.

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domingo, 21 de setembro de 2014 Filmes, Listas | 17:44

Cinco filmes sobre campanhas eleitorais

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Estamos a duas semanas do primeiro turno das eleições e enquanto os brasileiros decidem os rumos do país, o cinema tem algo a dizer sobre as campanhas eleitorais. O senso comum nos ensina a duvidar. Mas entre a fé cega de muitos eleitores e o ceticismo de tantos outros, está uma máquina adornada de toda a potência publicitária que se pode imaginar e movida a interesses empresariais diversos. É sobre os bastidores de campanhas político-eleitorais que tratam os filmes desta lista, elaborada com a única ideia de prover ao espectador/leitor material para refletir e se divertir. Essencialmente nessa ordem.

 

“O candidato” (1972)

O candidato

Vencedor do Oscar de melhor roteiro original em 1973, este filme protagonizado por Robert Redford explicita o grau de influência do marketing em uma campanha eleitoral. O detalhe é que o filme foi realizado há quatro décadas e permanece atual.

O advogado esquerdista vivido por Redford é escolhido por um macaco velho de campanhas políticas, termo hoje atribuído aos marqueteiros, para concorrer ao Senado pelo Estado da Califórnia contra o republicano que já ocupa o posto há 18 anos. O filme mostra as engrenagens para transformar um protótipo de candidato ideal em um político real. Fascinante, o filme escancara o cinismo que pauta a política. Seja ela praticada nos EUA ou no Brasil.

 

“Tudo pelo poder” (2011)

Tudo pelo poder

Dirigido por George Clooney, esse poderoso drama acompanha as primárias do partido democrata – processo do sistema eleitoral americano que antecede a eleição presidencial e em que um conjunto de candidatos disputam a indicação do partido para a vaga de candidato à presidência. No filme, acompanhamos tudo a partir do ponto de vista do assessor interpretado por Ryan Gosling que realmente acredita que o candidato vivido por Clooney encarna a esperança e os ventos de mudança. Tudo muda quando um caso com uma estagiária da campanha vem à tona. O filme mostra o intenso jogo (geralmente sórdido) de bastidores entre as diferentes campanhas e o papel nada lisonjeiro da mídia nessa história toda.

“Segredos do poder” (1998)

TRAVOLTA THOMPSON

Se ao ver a foto acima você imediatamente pensou em Bill Clinton e Hillary Clinton , saiba que isso não foi acidental. Neste fantástico filme de Mike Nichols, a ideia é justamente aproximar realidade da ficção. John Travolta faz um popular governador de um estado sulista dos Estados Unidos, tal como Clinton, que tenta se eleger presidente. Durante a campanha, sua equipe precisa abafar alguns casos de assédio sexual e relações extraconjugais que surgem pelo caminho.

 

“Os candidatos” (2012)

Os candidatos

A comédia assinada por Jay Roach se assevera como uma crítica ao sistema de financiamento de campanhas eleitorais. Sem a força narrativa ou a convicção discursiva dos dois filmes anteriores, esta obra funciona como uma paródia esperta do “vale tudo eleitoral”. Dois industriais que sempre financiaram a campanha do candidato vivido por Will Ferrell ao congresso resolvem mudar seu apoio após um escândalo sexual. Entra em cena o tipo paspalho vivido por Zach Galifianakis (o Alan da trilogia “Se beber, não case”). O filme então acompanha as desventuras desses dois candidatos, passando pelas poses com os pobres e as trocas de farpas entre eles, na busca de votos.

 

“Virada no jogo” (2012)

Virada no jogo

Fotos: divulgação

Também dirigido por Jay Roach, esse filme feito para a HBO se concentra na campanha republicana de John McCain em 2008 à Casa Branca. McCain e seu staff se viram obrigados a responder à profunda coqueluche de carisma e mídia que era Barack Obama e acabaram colocando como vice-presidente na chapa a polêmica Sarah Palin – aqui vivida esplendorosamente por Julianne Moore. O que parecia uma ótima ideia, já que ela tinha potencial de capitalizar o voto feminino em fuga e garantir o apoio dos conservadores, se revelou um movimento catastrófico conforme mais se descobria a respeito de Palin.

Vigoroso, este filme que apresenta atuações de ótimo nível e um roteiro verdadeiramente primoroso, detalha os bastidores de uma campanha pressionada e esmiúça as alternativas que circunstâncias como essa favorecem.

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sábado, 20 de setembro de 2014 Atores, Filmes | 19:50

Keanu Reeves volta ao cinema de ação com “John Wick”

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Keanu Reeves em "John Wick" (Foto: divulgação)

Keanu Reeves em “John Wick” (Foto: divulgação)

Keanu Reeves há muito dava sinais de que havia renunciado ao seu status de astro do cinema. Desde “Constantine” (2005) não estrela um blockbuster de raiz. Filmes como “Os reis da rua” (2008), “O dia em que a terra parou” (2008) e “47 ronins”, ainda que se enquadrem neste perfil, tem mais pretensões do que a diversão fácil e escapista. Mas depois de dirigir um épico de artes marciais (“O homem de tai chi”), aparecer em filmes menores como “A ocasião faz o ladrão” (2010) e “Sem destino” (2012) e produzir o documentário “Lado a lado” (2012), sobre os rumos do cinema nos tempos do digital, Reeves parece decidido a recuperar seu status como action hero. É o que sugere o trailer de “John Wick”, que tem estreia prevista para outubro nos EUA (no Brasil ainda não há data).

No filme, que ainda tem no elenco Williem Dafoe, Bridget Moynahan, Ian McShane e Jason Isaacs, o ator vive um assassino de aluguel aposentado que, após ter seu sossego perturbado, sai à caça de todos aqueles que tiveram alguma coisa a ver com isso.

Aos 50 anos, Keanu Reeves talvez tenha redescoberto como se divertir fazendo cinema.

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Críticas, Filmes | 17:58

“Lucy” é mistureba estilosa de filmes de HQ e sci-fi

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Luc Besson é um cineasta francês, mas seus filmes são americanos no corpo e na alma. “Lucy”, por exemplo, é o único filme plenamente original, ou seja, que não é uma sequência ou uma adaptação de outra mídia, a figurar entre as 20 maiores bilheterias do ano nos cinemas americanos. É uma estatística nada desprezível. Besson está por trás de sucessos como “Busca implacável” (2008) e “Carga explosiva” (2002), que produziu, e é o responsável por clássicos instantâneos dos anos 90 como “O profissional” (1994) e “O quinto elemento” (1997).

Em “Lucy”, Scarlett Johansson vive a personagem título. Uma mulher fútil, aparentemente desprovida de maiores predicados intelectuais e com mau gosto para homens. O filme começa e Lucy se vê em uma enrascada. Trapaceada por um ficante eventual, ela acaba à mercê de uma quadrilha de traficantes internacionais que não falam inglês. Coagida a servir de mula, ela acaba ingerindo grande volume da droga sintética que transportava. Essa droga amplia a capacidade de uso do cérebro humano e, aos poucos, Lucy vai se transformando em uma espécie de super-heroína high tech. Um misto do maior sonho de grandeza de Sheldon Cooper com a viúva negra que Johansson tão bem dá vida nos filmes da Marvel. À medida que o tempo passa, Lucy não só consegue controlar a matéria como calcular o tempo exato de sua morte.

Scarlett Johansson é Lucy: pense duas vezes antes de mexer com ela... (Foto: divulgação)

Scarlett Johansson é Lucy: pense duas vezes antes de mexer com ela…
(Foto: divulgação)

“Lucy” é, portanto, um amálgama de filme de origem de super-herói e de ficção científica. Em 2011, Bradley Cooper estrelou um filme com premissa muito parecida. Em “Sem limites”, ele dá vida a um escritor medíocre que depois de tomar uma droga experimental “liberta” seu cérebro e fica superinteligente. “Lucy” se difere deste filme por se apresentar como um pastiche com muito humor e referências aos filmes de Besson, especialmente os que ele produziu e já mencionados nesta crítica.

O que pesa contra a fita é justamente quando Besson percebe que tem algo muito bom nas mãos e decide deixá-lo melhor. Ele acaba cedendo à ficção científica hardcore, território inóspito para um diretor que se moldou no gênero da ação barroca, e com delírios kubrickianos quase entorna o caldo no ato final do filme.

Scarlett Johansson, no entanto, mantém-se firme como uma personagem imersa na imensidão de si mesma. A atriz convence sem muito esforço e ajuda a transformar Lucy em uma das personagens mais bacanas de 2014 nos cinemas.

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014 Análises, Atrizes, Bastidores | 21:37

Angelina Jolie anuncia novo projeto na direção e sinaliza reposicionamento de carreira

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Angelina Jolie no set de "Na  terra do amor e ódio", seu primeiro filme como diretora

Angelina Jolie no set de “Na terra do amor e ódio”, seu primeiro filme como diretora

Angelina Jolie demonstra que a direção é realmente um gosto que adquiriu. Quando anunciou que dirigiria “Na terra do amor e ódio”, projeto cultivado por ela mesma e que se viu imerso em uma série de polêmicas, pensou-se que era uma fase de uma atriz referencial em Hollywood. O filme, sobre uma improvável história de amor entre um soldado sérvio e uma mulher bósnia em meio à guerra da Bósnia, amealhou elogios da crítica e foi indicado a alguns prêmios em 2011.

Neste ano, Jolie lança “Invencível”, sobre um atleta olímpico feito prisioneiro pelos japoneses durante a segunda guerra mundial. O filme, inspirado em história real, já desperta buzz para o próximo Oscar.  Para 2015, já prepara “By the sea”, que entre outros atrativos, tem como principal destaque o fato de promover o reencontro dela com Brad Pitt nas telas de cinema. A única vez em que contracenaram foi em “Sr. & Sra. Smith” (2005), filme que gravavam quando se apaixonaram.

Hoje, a estrela anunciou que vai dirigir “Africa”, outra produção inspirada em fatos reais, sobre o paleontólogo Richard Leakey e sua campanha contra ladrões de marfim que punham em risco de extinção certas espécies de elefante no continente.  “Durante a maior parte da minha vida, senti uma ligação profunda com a África e sua cultura”, declarou Jolie em um comunicado sobre o que a motiva a rodar o novo filme.

Invencível

“Invencível” tem pedigree invejável com roteiro dos irmãos Coen e fotografia de Roger Deakins:
é a aposta da Universal para o Oscar 2015

Ao lado do marido, Angelina Jolie estrela e dirige "By the sea", que será lançado no ano passado

Ao lado do marido, Angelina Jolie estrela e dirige “By the sea”, que será lançado no ano que vem

A atriz e diretora não só se mostra cada vez mais entusiasmada e confortável com a cadeira de diretora, como se cerca dos melhores profissionais. O roteiro de “África” é de Eric Roth, vencedor do Oscar pelo texto de “Forrest Gump – o contador de histórias” (1994) e indicado ao prêmio pelos trabalhos em ‘Munique” (2005) e “O curioso caso de Benjamin Button” (2008). Jolie também contará com os préstimos do diretor de fotografia Roger Deakins, um dos mais prestigiados da área e que fotografou “Invencível”. Para se ter uma ideia do gabarito de Deakins, a produção do 24º filme de James Bond foi adiada para tentar se encaixar na agenda dele. Algo que acabou não dando certo, já que Deakins está envolvido em oito filmes e, agora, em mais essa produção.

O fato de ter anunciado mais um filme, com dois ainda por lançar e por não ter nenhum projeto como atriz confirmado para os próximos anos (a não ser no filme em que também dirige), sinaliza que Jolie está pavimentando uma transição para a carreira de cineasta. Algo que muitos atores como Clint Eastwood, Ben Affleck e Mel Gibson – para citar casos mais famosos – já fizeram. No entanto, isso ainda é raro no caso das atrizes.

Sofia Coppola virou cineasta, muito festejada por sinal, depois de fracassar como atriz. No caso de Jolie, sua celebridade inegavelmente torna tudo mais fácil, mas é o talento que atrai talento e Jolie, tal qual Affleck, parece se insinuar muito mais interessante como cineasta do que como intérprete.

Se for indicada ao Oscar de direção em 2015, uma possibilidade que a Universal (estúdio responsável pela distribuição de “Invencível”) vai perseguir, Jolie será apenas a quinta mulher a concorrer ao prêmio de direção no Oscar e iluminar uma mudança radical em uma carreira já há muito frutífera.

Jolie dando as ordens no set de "Invencível" (Fotos: divulgação/ reprodução Daily Mail e Entertainment Weekly)

Jolie dando as ordens no set de “Invencível”
(Fotos: divulgação/ reprodução Daily Mail e Entertainment Weekly)

Confira o trailer de “Invencível”

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