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quarta-feira, 1 de outubro de 2014 Críticas, Filmes | 21:00

Novo “Sin City” agrada fãs com hipersexualização e pretenso cinismo

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Foto: divulgação

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Em 2005, Robert Rodriguez e Frank Miller mesmerizaram o mundo do cinema com “Sin City: a cidade do pecado”, filme de estética tão pulsante quanto revolucionária na época e com uma linguagem que estreitava como ninguém havia tateado duas mídias tão distintas como cinema e quadrinhos.

Nove anos depois, o novo “Sin city” falha em reproduzir os efeitos do primeiro filme. “A dama fatal” é ótimo entretenimento para quem é fã, mas não é um filme tão bem adornado e impactante como foi o primeiro. Em parte porque o filme de 2005 se beneficiou do ineditismo, hoje os cenários totalmente digitais são comuns no cinema, e em parte porque os três arcos apresentados nesta sequência (A dama fatal, Uma longa e má noite e A última dança de Nancy) são bem inferiores aos do filme original e ao que se poderia esperar da capacidade de Miller e Rodriguez. Ainda mais com uma janela de nove anos. A janela, por exemplo, serviu para suavizar a sensação de repetição que a estrutura narrativa da fita carrega consigo.

O compasso do tempo, no entanto, depõe mais contra Miller e Rodriguez do que a favor. Se Eva Green domina com sensualidade e presença de espírito a cena no melhor dos arcos, justamente o que batiza o filme, o resto peca pela irregularidade. Josh Brolin substitui Clive Owen, que não voltou para a sequência, como Dwight e o faz de maneira pálida. A sombra de Owen, mesmo depois de todo esse tempo, pesa sobre o ator que não encontra o tom do personagem. Já Joseph Gordon-Levitt, com um papel e um arco criado especialmente para o filme, brilha. Seu carisma é responsável pelos melhores momentos do filme e seu arco é aquele que melhor mimetiza o indomável Frank Miller que revolucionou as HQs nos anos 80.

Se Eva Green está hipersexualizada, Mickey Rourke, de volta como Marv e fazendo figuração de luxo nos três arcos que compõem o filme, e Powers Boothe, como o intragável senador Roark, abusam da canastrice.

O que mais impressiona no novo “Sin City” é a falta de eloquência do cinismo que caracteriza o material original. A violência está lá, a atmosfera noir está lá, as mulheres lindas e perigosas estão lá, mas a pegada cínica e desesperançosa do texto de Miller parece submersa em pretensão. Em alguns momentos, no entanto, temos lampejos do filme que “Sin city: a dama fatal” poderia ter sido. O que é suficiente para que torçamos, a despeito dos prognósticos de momento, para que haja um terceiro filme.

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2 comentários | Comentar

  1. 52 Marlene Corrêa Picanço de Aguiar 01/10/2014 21:27

    Tem sempre pessoas que nunca estão satisfeitas com nada, eu gostei muito do segundo filme, assim como do primeiro, e a super atriz, Eva Green dá um show a parte.

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  2. 51 Kamila Azevedo 01/10/2014 21:23

    Eva Green me parece ser uma unanimidade nesse filme, pelas críticas que andei lendo. De toda maneira, como eu disse em seu post anterior sobre “Sin City 2”, não me entusiasmei muito para assistir ao filme, pois me parece que a obra passou muito despercebida onde estreou e nunca considero isso como um bom sinal!

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