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segunda-feira, 13 de outubro de 2014 Críticas, Filmes | 19:52

O profundo significado de crise no abismo do ego e da razão proposto no intenso “Miss Violence”

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Foto: divulgação

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O cinema grego não é dos mais proeminentes da Europa, mas a forte crise econômica que desestabilizou o país favoreceu fortes inquietações artísticas e “Miss Violence”, premiado na edição de 2013 do Festival de Veneza, é o mais cristalino exemplo desse movimento.

Na superfície, o filme do diretor Alexandro Avranas é um drama sobre uma família aparentemente normal, mas profundamente disfuncional. No subtexto, é um poderoso drama sobre uma Grécia mergulhada em uma crise atroz e sem precedentes. No limiar, é um filme corajoso sobre temas espinhos como aborto, incesto e outras peculiaridades ligadas ao universo familiar.

Se “Miss Violence” começa com uma das cenas mais impactantes dos últimos anos no cinema, uma menina se joga pela janela do apartamento em plena festa de seus 11 anos de vida, termina por tremular as pernas do espectador quando se ascendem as luzes da sala de cinema.

Forte, intrigante, intenso, inquietante, provocador, aflitivo e incrivelmente bem urdido em sua mise-en-scène rigorosa e narrativa robusta, “Miss Violence” choca sua audiência no mesmo compasso em que arrebata enquanto cinema.

Vamos descortinando a rotina da família após o trágico suicídio de uma das filhas. A família é composta pelo avô, uma figura autoritária, pela sua mulher, duas filhas e dois netos (um menino e uma menina). A terceira neta é a que se matou.

Logo fica claro a influência opressora do pai/avô sobre todos os outros. Aos poucos, Avranas vai desvelando as camadas desse incômodo drama familiar. Se seu filme se ergue sobre silêncios e sugestões, se fixa na memória do espectador pelas assombrosas ilações que vão ganhando peso e dimensão até o momento em que Avranas resolve expor em todo o desgoverno das circunstâncias o horror de uma intimidade desajustada e adoecida. É quando “Miss Violence” assume sua vocação de espelho de uma sociedade convulsionada por uma crise sem precedentes.

O desfecho, com uma falsa catarse, só demonstra o quão profundo é o abismo no qual esta família, e o país, foram lançados.

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Kamila Azevedo 13/10/2014 21:33

    Não tinha ouvido falar desse filme ainda. Parece ser muito interessante.

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