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quinta-feira, 6 de novembro de 2014 Críticas | 19:00

“Relatos selvagens” obriga público a fazer autoanálise

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O cinema argentino se mostra mais mesmerizante a cada novo filme. “Relatos selvagens” (Argentina, 2014), que chega ao circuito comercial brasileiro depois de fazer notável carreira nos festivais de cinema mundo afora e assegurar a vaga de candidato argentino à disputa pelo Oscar de filme estrangeiro, é um filme que trabalha muito bem as peculiaridades.

É, primeiramente, um filme episódico que mantém unidade e coesão narrativas ímpares – o que por si só já o torna peculiarmente bom. É, também, uma produção que mescla com desenvoltura gêneros diversos como comédia, drama, ação e suspense em recortes que favorecem fortes críticas aos arranjos civilizacionais à mercê dos destemperos da vida moderna.

Leia também: Filme argentino “Relatos selvagens” faz sucesso com personagens fora de controle 

Produzida por Pedro Almodóvar, a fita – que é a terceira da promissora carreira de Damián Szifron, estimula uma reflexão poderosa sobre a colisão de nossos instintos primais em uma sociedade que se habituou a convulsionar tanto por razões torpes como pelas mais frívolas. Ao esticar o humor negro, em especial no terceiro e no quinto episódios, Szifron pisca para sua plateia ao estabelecer uma dinâmica perversa de autoanálise.

Cena do último episódio, onde o humor se acentua, mas sem prescindir do nervosismo  (Foto: divulgação)

Cena do último episódio, onde o humor se acentua, mas sem prescindir do nervosismo
(Foto: divulgação)

Do conflito de classes sociais, sutilmente presentes nos respectivos episódios chamados “El más fuerte” e “La propuesta”, à demolição da fachada matrimonial em “Hasta que la muerte nos separe”, passando pela tumultuada relação entre o individuo e o sistema, tão solenemente abordada em “Tropa de elite 2 – o inimigo é agora outro”, exposta com muito mais vigor e assertividade em “Bombita”, arco protagonizado pelo excelente Ricardo Darín.

“Relatos selvagens” conjuga essa verve de radiografia das tensões sociais, ambicionada em graus distintos em cada episódio, com a satisfação implícita a um filme de entretenimento destacável por sua inteligência. Essa qualidade, tão rara de ser equalizada em qualquer cinematografia, distingue o filme de Szifron da média que frequenta as salas de cinema atualmente.

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4 comentários | Comentar

  1. 54 Cineclube por Reinaldo Glioche – iG Cultura » Ícone argentino, Ricardo Darin completa 60 anos e ganha maratona na TV paga 11/01/2017 18:21

    […] Leia mais: “Relatos Selvagens” obriga público a fazer autoanálise […]

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  2. 53 Leonardo Sbaraglia se engaja na missão de superar status de Ricardo Darín | Folha Acadêmica 23/09/2016 14:07

    […] deve custar a chegar lá. Revelado para o grande público no grande sucesso comercial e de crítica “Relatos Selvagens” (2014), não à toa com Darín no elenco, Sbaraglia, que está em cartaz nos cinemas no filme […]

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  3. 52 Leonardo Sbaraglia se engaja na missão de superar status de Ricardo Darín | O Pioneiro 23/09/2016 14:03

    […] deve custar a chegar lá. Revelado para o grande público no grande sucesso comercial e de crítica ?Relatos Selvagens? (2014), não à toa com Darín no elenco, Sbaraglia, que está em cartaz nos cinemas no filme […]

    Responder
  4. 51 Kamila Azevedo 06/11/2014 19:06

    Só tenho lido elogios a esse filme. Uma pena que ele tenha estreado em poucas cidades.

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