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terça-feira, 11 de novembro de 2014 Críticas, Filmes | 17:09

“Interestelar” é versão esnobe de “Armageddon”

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Christopher Nolan acerta ao se referenciar em “2001: uma odisseia no espaço” (1968) na confecção de “Interestelar” (2014), sua incursão mais hardcore pela ficção científica. Mas erra gravemente ao maquiar seu filme. “Interestelar” tem um 1ºato spielberguiano, em que a ideia é estabelecer os vínculos entres os personagens e destes com o público para que quando finalmente a ação se concentrar no espaço, possa haver engajamento emocional suficiente a mover a trama. O primeiro grande problema do filme surge aí. Ora por culpa do roteiro (condescendente demais em suas artimanhas narrativas), ora pela direção fria e cerebral de Nolan, o engajamento emocional não decola junto com a nave pilotada por Cooper (Matthew McConaughey).

O 2º ato, mais kubrickano, é quando Nolan destila a ciência de “Interestelar” dando viço ao conflito central do filme. A missão busca um planeta alternativo para a existência (e sobrevivência humana) já que os recursos naturais da Terra estão se esgotando e o planeta está morrendo. O 3º ato apresenta o que chamamos de “Deus ex-machina”, uma solução improvável para “arredondar” uma história. Por mais que este ato remeta às grandes questões que permeiam o cinema de Nolan, como a relação entre o homem e seu passado, ele é construído sobre fragilidades que nem mesmo viagens gravitacionais por dimensões paralelas são capazes de disfarçar.

No limiar, “Interestelar” traz complexidade a uma trama incrivelmente simples. Nolan vende um filme difícil, e se preocupa em traduzi-lo em diálogos expositivos e em sua maioria cansativos, mas entrega um filme com o mesmo recorte de “Armageddon”, sucesso de bilheteria noventista de Michael Bay. Uma missão espacial aparentemente suicida adornada pelo sacrifício paterno.

Nolan investe em um comentário superficial sobre o poder transcendental do amor, mas ao fazê-lo sublinha justamente a incapacidade de seu filme de conectar-se com a audiência em um nível menos sofisticado e mais emocional, passional.

Nolan e seu astro, Matthew  McConaughey, contemplam o horizonte: há muitos erros ao alcance dos olhos  (Foto: divulgação)

Nolan e seu astro, Matthew McConaughey, contemplam o horizonte: há muitos erros ao alcance dos olhos
(Foto: divulgação)

“Interestelar”, ainda que tecnicamente vistoso, é prejudicado por ser lançado um ano após “Gravidade”. A fita de Alfonso Cuarón é mais impressionante visualmente e mais honesta narrativamente, a despeito das críticas pelo mote simplista.

O bom elenco, além de McConaughey, há Jessica Chastain, Michael Caine, Casey Affleck e Anne Hathaway, é desperdiçado. Os personagens não são essencialmente bons. Com exceção de um que surge mais à frente na trama e cujo intérprete foi mantido em segredo pela produção para dar mais clima.

Sem cativar pelo aspecto visual e decepcionante em sua articulação dramático/narrativa, “Interestelar” se subscreve como um subproduto de “2001” que perde na comparação com um blockbuster assinado por Michael Bay. Cenário preocupante para um cineasta que outrora ostentou a alcunha de visionário.

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13 comentários | Comentar

  1. 63 Francisco 11/11/2014 17:44

    Por causa de “Interestelar” assisti outra vez a “2001”.

    “2001” é uma porrada!

    Até a própria continuação de “2001”, “2020”, é superior (muito) ao “Interestelar”.

    “Interestelar” pode ser filme para Oscar (talvez…), mas não é filme para a História.

    “Gravidade” é mais poderoso (embora também tenha a neura de “ser claro”).

    “Gravidade” só tem um “senão”: só sobrevive na tela grande, imensa. Todos os planos de “Gravidade” são: “planeta terra ao fundo”…

    Coragem para fazer um filme desnorteador? Só para gênios. Gênio ainda é Kubrick.

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    • Jesse James 13/11/2014 8:35

      Não discordo de você em relação a 2001 (filme que não me canso de assistir). Sei de todos os defeitos e furos de 2001.
      Mas 2001 foi feito baseado em teorias e antes do home ir á lua.
      Interestelar foi feito usando o mesmo mote. Poderia não ter as explicações? Talvez. Poderia ser até mais divertido ficar imaginando porque em um ponto se passaram anos enquanto em outro apenas horas.
      Kubrik é um gênio, mas isso não impede que Nolan também seja. A genialidade não está restrita ao passado. Infelizmente temos essa mania de idolatrar o passado e criticar o presente.
      Ou seja, daqui a uns anos alguém poderá escrever: Fulano é gênio? Não, gênio é Nolan…

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  2. 62 João Rocha 11/11/2014 18:43

    Acho que você precisa ver o filme de novo com outros olhos. Você está sendo muito racional. Mergulhe no universo do filme, que é pura ficção/diversão e você vai der outra opinião.

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  3. 61 Leandro 11/11/2014 20:53

    Ainda há que se considerar uma hipótese alternativa. Não há nenhuma evidência material do resgate do astronauta Cooper (Matthew McConaughey) em seu regresso pelo buraco negro. Existe a possibilidade dele ter morrido no buraco negro e em seus momentos finais ter vivido um devaneio mórbido, como as histórias das pessoas que voltam de coma. Portanto, o final da trama poderia ser a morte de Cooper, o fim da humanidade no planeta Terra e, talvez, o sucesso da astronauta Amelia (Anne Hathaway) ao tentar reiniciar a espécie humana com os embriões congelados levados para outra galáxia. Portanto, diria que Interestelar também é um filme desnorteador como 2001.

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    • gustavo 12/11/2014 6:39

      Nossa , Leandro , eu entendi exatamente o que vc postou !!!

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  4. 60 Eduardo 11/11/2014 21:18

    Se o filme é um sub-Armageddon, é difícil dizer, agora a certeza é o jornalista do presente texto poderia se esmerar um pouco mais no texto: tem erros de regência e fluidez gritantes. Muito pobre o texto, sorry IG!

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  5. 59 Smuel 11/11/2014 21:21

    Um comentário muito simplista, genérico e com pretensões de se sobrepor as experiências pessoais do milhares de críticos. Uma pena que o Juízo de valor possa ser uma sentença. Não vi o filme desta maneira, na minha visão pessoal é uma película que nos conduz a auto-reflexões, inclusive quando evoca a natureza de filmes já apresentados com o caso de 2001 entre outros.

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  6. 58 Luiz Bonaccorsi 11/11/2014 22:01

    Esse é daqueles filmes que você sai do cinema pensando e refletindo sobre as implicações da história. E tem sequências visualmente estonteantes – principalmente para quem assistir no Imax. Quem gosta de um bom filme de ficção científica, não vai se decepcionar. Achei muito superior ao Gravity, que é simplista demais, e apenas visualmente bonito.

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  7. 57 MARCELO 12/11/2014 5:10

    Em suma, o filme é bom!
    Isto porque o critico se esforçou muito para desconstruir o filme e só conseguiu realçar sua superficialidade no assunto cinema.

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  8. 56 gustavo 12/11/2014 6:48

    Eu acho impressionante a resistência das pessoas , principalmente os criticos , em reconhecer que estão diante de um clássico . Daqui a uns 20 anos , Interestelar talvez tenha a mesma importancia de 2001 .

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    • Papa 16/11/2014 10:15

      Menos, Gustavo. Menos.

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  9. 55 Augusto 12/11/2014 7:12

    Bem, na minha modestíssima opinião, Interestelar é o retrato do atual cinema hollywoodiano clássico. Um lixo, chafurdando em clichés surrados. Todas as velhas fórmulas sentimentaloides repetem-se ad nauseam desde que o Spielberg realizou Contatos Imediatos. A pieguice extrema ao tratar dos laços familiares é presença onipresente no cinemão comercial americano. Roteiro pueril, rasteiro, simplório, perfeitamente adequado para a assistir-se o filme empanturrando-se com pipoca, balas, salgadinhos crocantes e refrigerantes dentro da sala de projeção. Confesso que até não consigo fazer uma boa resenha de Interestelar, pois em 5 minutos de película, já havia me “desconectado” do filme. Hollywood alimenta o vazio existencial dos espectadores. O importante é entreter, desopilar, faturar e vender comida no cinema. Felizes são os produtores por ter em seus clientes, notórios incapazes de discernimento mais acurado e espírito crítico um pouco mais erudito. A mediocridade chegou para ficar.

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  10. 54 Joel 12/11/2014 7:53

    Gravidade tem 91 minutos e dormi 2 vezes, interestelar tem 169 minutos e não consegui nem piscar o olho.
    Pra mim essa critica é uma tentativa forçada e fracassada de tentar expor uma opinião subjuntiva sobre filme, utilizando argumentos desprendidos e sem sentido.

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  11. 53 Francisco Nobre 12/11/2014 14:30

    Fiquei decepcionado principalmente com a questão da verosimilhança, algo essencial em uma fita de ficção científica que não seja realismo fantástico. Não se encaixa muita coisa no roteiro, mesmo que pensemos em viagens no tempo como é o mote da estória. Fiquei decepcionado com a qualidade dos efeitos especiais, que achei fracos. Enfim, talvez por ter ido com grande expectativa, não achei que aproeitei bem o meu tempo.

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    • Jesse James 13/11/2014 8:25

      Viagem no tempo? Acho que você não entendeu foi nada.
      Não há tempo, não há espaço, apenas a percepção tridimensional humana.
      Tempo e espaço tridimensional são conceitos relativos lançados em 1905 por Albert Einstein.
      Esse, pra mim, é uma obra-prima que só será reconhecida daqui a alguns anos.

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  12. 52 Jesse james 13/11/2014 8:22

    Uma correção: o filme não fala do fim da Terra, mas do fim da era humana na Terra. Não sei se você sabe mas a Terra já passou por 5 grandes extinções (a mais conhecida foi a dos dinossauros). Nós estamos às vésperas de uma sexta extinção (ás vésperas pode ser daui a um milhão de anos, só pra colocar o calendário do cosmos).
    O que fica bem claro quando o Dr. Brendam fala da “praga”, que na verdade é um novo ser que se alimenta ou respira de nitrogênio (78,1% da atmosfera terrestre).
    Ou seja, A Terra não terá seu fim apenas o ciclo humano nela é que irá se encerrar.
    Tem muito mais teorias usadas. sugiro a quem for assistir que antes veja a série Cosmos antes de sair falando abobrinha.

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  13. 51 Márcio 10/12/2014 14:42

    “”Interestelar” é versão esnobe de “Armageddon””

    Não. Esnobe é você. Os diálogos não são cansativos, você é que tem problemas de compreensão de diálogos, Reinaldo Glioche.

    Sem mais.

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    50 “Dunkirk? recria derrota dos aliados na 2ª guerra com ares de filme de terror | URGENTE NEWS 26/07/2017 5:30

    […] Leia também: “Interestelar” é versão esnobe de “Armageddon” […]

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    49 Luiz Estevam Gonzalez 26/07/2017 10:08

    Discordo totalmente desta crítica infeliz.
    O filme é ótimo, tanto em relação à trama, diálogos e estética quanto à toda a ciência (sim , não é ficção científica) envolvida.
    O crítico desfaz porque não entendeu nada, ou não quis entender, exige cérebro e atenção.
    Sugiro ler resenha no Wiki e tentar assistir de novo, quem sabe desta vez compreende alguma coisa desta história fenomenal.
    Aguardo com ansiedade a continuação, li em algum lugar que já está encaminhada, deve reiniciar a partir do reencontro de Cooper com Dra Brant.

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