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quinta-feira, 13 de novembro de 2014 Bastidores, Filmes | 05:00

O lado gay do Oscar 2015

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Cena do filme "Saint Laurent" (Foto: bastidores)

Cena do filme “Saint Laurent” (Foto: divulgação)

Ninguém esquece o ano de 2006 quando o favoritíssimo “O segredo de Brokeback Mountain” acabou derrotado na categoria principal, a do Oscar de melhor filme, por “Crash – no limite”. A percepção dominante foi a de que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood cedera a um mal resolvido preconceito e preterira o melhor filme pelo mais palatável ao gosto médio. Especulações à parte, apenas  dois filmes com temática homossexual, “Milk – a voz da igualdade” (2008) e “Minhas mães e meu pai” (2010), receberam indicação ao Oscar na categoria principal de lá para cá. Desde 2010, vale a pena frisar, a disputa pelo Oscar de melhor filme admite entre cinco e dez produções indicadas.

“O Amor é estranho”, produção independente assinada por Ira Sachs e com roteiro do brasileiro Mauricio Zacharias, é um dos filmes que suscitam algum burburinho para o Oscar 2015. A produção, que tem estreia programada para 25 de dezembro no Brasil, acompanha a saga de dois homens (Alfred Molina e John Lithgow) que após obterem a permissão para se casarem em Nova York se veem em uma situação inusitada. Depois que um deles é demitido, eles precisam vender a casa em que moram e precisam morar, separadamente, em casas de parentes e amigos. Uma situação que afeta a todos os envolvidos. “O amor é estranho” amealhou elogios calorosos da crítica e fez bilheteria notável nos EUA, tendo seu circuito de exibição expandido semana após semana.

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“O amor é estranho” conseguiu vencer a barreira de filme gay, algo que pode ser útil para sua inserção na corrida pelo Oscar e mais útil ainda para o cinema de vertente homossexual que deseja romper preconceitos. Outro aspecto da corrida pelo Oscar 2015 pode contribuir para esse cenário. Cinco dos oitenta três países que submeteram filmes para concorrer a uma vaga entre os finalistas na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro apontaram filmes com temática homossexual.

“Hoje eu quero voltar sozinho” é o representante brasileiro na disputa. O Canadá submeteu “Mommy”, de Xavier Dolan – considerado um dos favoritos para ficar com uma das cinco vagas. “The circle”, sobre o surgimento de cena gay na Suíça no pós-guerra, é o representante do país. A cinebiografia do estilista francês Yves Saint-Laurent assinada pelo cineasta Bertrand Bonello (“Saint Laurent”) é o pleiteante da França. Portugal apontou um documentário em primeira pessoa em que um homossexual reflete sobre como é viver com vírus da Aids. “E agora? Lembra-me” é dirigido por Joaquim Pinto. É possível que nenhum desses filmes sejam selecionados para figurar entre os finalistas do Oscar, mas além do fato de estarem na disputa já representar um avanço, há na crítica especializada americana um clamor, e um lobby, muito grandes para que a categoria de filme estrangeiro assuma sua vocação queer em 2015.

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Isabel 13/11/2014 17:04

    Minhas Mães e meu Pai concorreu ao Oscar de melhor filme em 2011, não?

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