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Arquivo de novembro, 2014

sexta-feira, 21 de novembro de 2014 Análises | 18:19

Brasil tem circuito exibidor de cinema desequilibrado, mas regular é a solução?

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A Agência Nacional do Cinema (Ancine) estuda medidas para controlar o que seu presidente, Manoel Rangel, classificou como “lançamentos predatórios” no circuito comercial de cinema brasileiro. Em entrevista à Folha de São Paulo, Rangel observou que filmes como “Jogos vorazes: a esperança – parte 1”, lançado em mais de 1.300 salas em todo o país, expulsam outras fitas das salas e homogeneízam a oferta.

Rangel diz ser importante construir um entendimento que possa demover essa prática que, na avaliação dele, mina o hábito de se frequentar cinema – uma vez que a diversidade de filmes estaria sendo frontalmente reduzida. A Ancine, no entanto, não descarta a aplicação de medidas efetivas para regular essa “ocupação predatória”.

O novo "Jogos vorazes" resgata a polêmica: como agir para equilibrar o circuito exibidor no Brasil?  (Foto: divulgação)

O novo “Jogos vorazes” resgata a polêmica: como agir para equilibrar o circuito exibidor no Brasil?
(Foto: divulgação)

Não é nova a queixa de distribuidores independentes e produtores nacionais sobre a prolixidade dos lançamentos dos blockbusters hollywoodianos. Tampouco é inédito o aceno da Ancine de implementar algum tipo de regulação de mercado. Há pouco tempo foi imposta, sob muitos protestos e um êxito que começa a ganhar forma, a lei da TV paga que estabelece cotas para o audiovisual brasileiro. À Folha, Rangel disse que a preocupação da Ancine, no tocante ao mercado exibidor de cinema, será garantir a pluralidade e a diversidade. Mas é tênue a linha entre regulação de mercado e cota para a produção nacional. O mercado exibidor já se manifestara contrariamente a qualquer tipo de intervenção por parte da Ancine para regular o setor. A China, o país que gera mais bilheterias para as produções hollywoodianas depois dos EUA, recentemente estabeleceu uma cota para o lançamento de produções hollywoodianas no país. E mesmo filmes com lançamento internacional, como “Interestelar” estreiam tardiamente no País. É lógico que não se deve esperar por algo tão radical no Brasil. Tampouco desprezar a preocupação exposta por Rangel. Mas é preciso entender que o mercado exibidor não pode ser coagido a abdicar de buscar o lucro. Investir em cultura é contribuir para a construção desse entendimento aventado por Rangel. Nesse sentido, iniciativas como o resgate do Cine Belas Artes em São Paulo precisam ser louvadas e destacadas.

É preciso distinguir o cinema de complexo de shopping, mais afeito ao entretenimento fast-food, do cinema de rua, artigo cada vez mais raro, que carrega o ônus (pois carece de incentivos) de ser o oásis do cinema de arte, dos filmes mais autorais. Justamente por isso, muitos filmes ditos alternativos só têm lançamentos em São Paulo e Rio de Janeiro, cidades que ainda mantêm esses espaços. Criar leis intervencionistas e regulatórias é mais fácil do que arregaçar as mangas, estipular metas e investimentos e buscar o colaboracionismo.

Não custa lembrar que o tema cultura foi solenemente ignorado nas últimas eleições presidenciais. Já passou da hora de mudarmos mais do que o discurso, o jeito de fazer as coisas no Brasil.

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Análises, Filmes | 06:00

“Closer”, a obra-prima de Mike Nichols, completa dez anos

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Foto: divulgação/Columbia Pictures

Foto: divulgação/Columbia Pictures

O cinema perdeu mais um de seus filhos pródigos para esse 2014 caprichoso e cioso de talentos da sétima arte. Mike Nichols partiu, mas deixou um legado majestoso por meio de seus filmes reflexivos do homem comum e suas fragilidades. Um desses filmes é “Closer – perto demais” que completa dez anos de seu lançamento no próximo dia 10 de dezembro.

À época de seu lançamento, no Brasil seria lançado no dia 21 de janeiro de 2005, o filme virou uma coqueluche cinéfila. As relações amorosas jamais haviam sido tão cruel e desapaixonadamente abordadas e expostas no cinema.

Superficialmente, “Closer” versa sobre a volatilidade das relações amorosas. Um olhar mais atento, no entanto, percebe que o real objetivo do filme é refletir sobre a dinâmica rocambolesca dos relacionamentos amorosos e os papeis do ego, superego e id, esses conceitos psicológicos tão abstratos do nosso cotidiano, na sorte de nossas relações amorosas.

“Closer” é brutal em sua expressividade de como o ser humano é um ser ‘complexizante’ e não há matéria-prima mais receptiva a uma análise dessa natureza do que o amor. Esse sentimento tão indevassável quanto poderoso.

A acuidade do registro reserva atemporalidade para “Closer”, filme daqueles que cresce de tamanho a cada vez que se volta a ele. Os diálogos secos, a moral em suspensão, a tensão constante e a coragem transbordada não indicam um filme de fácil empatia. Mas se “Closer” optasse por este caminho perderia a longevidade de vista. Foram poucos prêmios que souberam lidar com “Closer”, cuja origem é teatral, à época de seu lançamento. O Oscar indicou apenas as performances de Clive Owen e Natalie Portman, como coadjuvantes. O Globo de Ouro fez mais e distinguiu o filme, o roteiro e Nichols, mas como no Oscar, não houve vitórias.

Algumas associações de críticos premiaram o elenco, composto ainda por Jude Law e Julia Roberts. Elenco digno de prêmios, diga-se. Exímio diretor de atores, Nichols aqui arranca a melhor atuação da carreira de Julia Roberts e consegue que seu quarteto atinja o mais elevado tom em toda e qualquer cena.

“Closer” é uma experiência demolidora. Um filme que dá prazer de ver ao cinéfilo, agonia ao enamorado, e desencantamento ao ser humano. Em dez anos, nenhum outro filme conseguiu reunir essas sensações durante duas horas e reproduzi-las toda vez que se volte a ele. Tal unicidade engrandece essa que é a última joia de uma cinematografia irretocável como a que Mike Nichols lega aos apreciadores do bom cinema.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2014 Notícias | 19:07

Sony desiste de fazer filme sobre Steve Jobs

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David Fincher desistiu. Leonardo DiCaprio tirou o time de campo. Christian Bale recuou. Agora foi a vez do próprio estúdio, a Sony, desistir do projeto de adaptar a biografia de Steve Jobs, assinada por Walter Isaacson, para o cinema.

Leia também: Por que está tão difícil fazer um (bom) filme sobre Steve Jobs?  

O estúdio não detalhou as razões que o motivaram a desistir do projeto, mas não é preciso ter bola de cristal para entender a desistência da Sony. Com dificuldade em assegurar um intérprete capaz de atrair interesse do público e com o filme estabelecendo a fama de “maldito” a Sony optou por aposentar a ideia de fazer um filme sobre Steve Jobs. O projeto, no entanto, pode ter sobrevida. Segundo o site Deadline, a Universal Pictures estaria interessada em adquirir os direitos da produção. Vale lembrar que o roteiro do filme é assinado por Aaron Sorkin (“A rede social”) e a direção está à cargo de Danny Boyle (“Quem quer ser um milionário?”). Se o projeto for recuperado pelo Universal não é certo se Boyle e Sorkin manterão suas posições. Fato é que a novela do “filme definitivo” sobre Steve Jobs ainda não tem data para acabar.

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Análises, Diretores | 17:59

Mike Nichols observava a vida como poucos e a registrava como ninguém

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Mike Nichols conversa com Julia Robert no set de "Closer", filme definitivo sobre a lógica do amor

Mike Nichols conversa com Julia Robert no set de “Closer”, filme definitivo sobre a lógica do amor

“Closer – perto demais” (2004), “Quem tem medo de Virgina Woolf?” (1966), “A primeira noite de um homem” (1967), “A difícil arte de amar” (1986), “Uma secretária de futuro” (1988), “A gaiola das loucas” (1996) e “Segredos do poder” (1998) são alguns dos highlights de uma carreira construída por acertos inquestionáveis. Mesmo seus equívocos, breve lista que pode compreender “Lobo” (1994) e “De que planeta você veio?” (2000), detinham a luminosidade de um grande autor.

Mike Nichols morreu, aos 83 anos, na noite de quarta-feira (19), vítima de uma parada cardíaca. Nascido na Alemanha, Nichols rumou ainda criança para os EUA para fugir da segunda guerra mundial. A carreira começou nos palcos, na década de 50. Nos anos 60, já um diretor de sucesso na Broadway, migrou para o cinema sem jamais abandonar a primeira paixão, o teatro. O cineasta se destacava, ainda, por ser um dos poucos artistas a ostentar triunfos nos quatro principais prêmios americanos. O Oscar (cinema), o Grammy (Música), o Tony (Teatro) e o Emmy (televisão).  Audrey Hepburn, Barbra Streisand, Mel Brooks, Whoopi Goldberg, James Earl Jones e Rita Moreno foram outros que conseguirem tal feito.

Uma das principais características do cinema de Nichols era seu foco no ser humano. As vicissitudes, as angústias, as belezas, as contradições… O cineasta sabia como poucos expor a essência humana em filmes tão diversos como os citados na abertura deste artigo. Dos relacionamentos amorosos à articulação de uma campanha presidencial, passando por um casal gay às voltas com o conservadorismo ou em uma perola feminista no esplendor dos anos Reagan nos EUA dos anos 80, Nichols sabia dar prevalência às humanidades em qualquer registro e qualquer gênero que fosse. “Era um dos maiores de todos os tempos. Um amigo e um mentor”, disse Steven Spielberg, reconhecidamente outro dos maiores de todos os tempos. Hollywood, de maneira geral, pôs-se a prestar homenagens a um dos seus mais eloquentes e talentosos filhos. Mas veio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que outorga o Oscar, prêmio vencido por Nichols em 1968 pelo filme “A primeira noite de um homem”, a melhor definição que se pode fazer sobre o cineasta. “Nichols fez filmes que mudaram os filmes”. Adeus mestre!

Partidos em 2014: Nichols orienta Philip Seymour Hoffman no set de "Jogos do poder", seu último filme lançado em 2007

Partidos em 2014: Nichols orienta Philip Seymour Hoffman no set de “Jogos do poder”, seu último filme lançado em 2007
Fotos: divulgação

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quarta-feira, 19 de novembro de 2014 Críticas, Filmes | 16:13

Tempo é parâmetro absoluto para epifanias de “Boyhood”

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Richard Linklater é o cineasta do experimental e “Boyhood – da infância à juventude” (EUA, 2014) sob muitos aspectos é seu principal cartão postal.  Primeiro porque é esteticamente inovador e expande as fronteiras de como o cinema deve ser pensado enquanto unidade narrativa e depurador da passagem do tempo. Segundo porque a captura do tempo, seja ele subjetivo ou objetivo, é fator preponderante em “Boyhood”.  Filmado ao longo de 12 anos, o filme mostra o crescimento emocional e físico de Mason (o excelente Ellar Coltrane)  e o desenvolvimento de suas relações afetivas, escolares e familiares. A simplicidade do mote não subjuga o encantamento alinhavado por Linklater com seu filme.

Se a fluidez da narrativa é notável, algo que precisa ser creditado à montadora Sandra Adair, impressiona ainda mais a forma como o diretor captura a passagem emocional do tempo por meio da fisicalidade dos personagens. É uma sutileza que os avanços temporais na trama favorecem, mas é o olhar curioso e carinhoso de Linklater que grafa o registro.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Fazer com que “Boyhood” seja um filme e não uma colagem exigiu do diretor alguns cuidados, como a forte disposição de manter toda a narrativa subscrita à perspectiva de Mason. São por seus olhos que testemunhamos a por vezes competitiva relação com a irmã Samantha (vivida pela filha do diretor Lorelei Linklater), o empenho da mãe (Patricia Arquette) em se reerguer profissionalmente depois da separação do pai (Ethan Hawke) e os obstáculos ensejados por dois casamentos mal sucedidos. Aos poucos esse olhar de Mason vai se transformando na formação de uma visão de mundo. É quando “Boyhood” desacelera ainda mais e convida a audiência a sentir o filme de outra maneira, mais intuitiva e menos contemplativa. Da relação tateada com o pai, ao primeiro amor, passando pelo gosto pela fotografia, testemunhamos a formação da personalidade de Mason – que sempre fora um garoto introvertido.  Ao estabelecer o tempo como parâmetro para a feitura de seu filme, para a evolução dos personagens e para a exposição de seus conflitos, por mais triviais que eles sejam, durante as 2h45min de filme, Linklater aposta em um cinema imersivo, de entrega e paixão. A ação do tempo já estava presente na trilogia “Antes do amanhecer”, mas aqui ganha mais relevância dramática por sublinhar toda uma ascensão geracional.

Essa ficção de rigor documental enobrece o cinema enquanto arte pensativa e inovadora e, justamente por isso, “Boyhood” se subscreve como um dos filmes mais significativos não só do ano, como da década.

O convite à nostalgia feito pelo filme não se empalidece em face da reflexão por ele ensejada. Toda a vida, por mais banal que seja, por mais aferrada ao cotidiano que esteja, tem sua apoteose, seu encanto, seu arrebatamento.  Mason sacramenta em um dado momento do filme, “é como sempre agora, entende”? Linklater fez um belíssimo filme para tentar capturar, e transcender, esta epifania existencial.

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terça-feira, 18 de novembro de 2014 Curiosidades, Listas | 05:00

As oito melhores performances auxiliadas por narizes falsos

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Existe uma discussão que agita o mundo do cinema. Até que ponto a maquiagem interfere no processo de interpretação de um ator ou atriz e qual o grau de influência que ela exerce na percepção do público da referida atuação. Isso posto, é inegável que próteses de narizes são capazes de transformar o rosto de um intérprete completamente. Independentemente do peso que essas próteses exercem na atuação e na percepção desta, é fato que contribuem para crermos naqueles personagens. Steve Carell é muito comentado para o próximo Oscar, como o Cineclube já assinalou aqui, por sua atuação em “Foxcatcher – uma história que chocou o mundo”. Inspirado pela prótese que mudou completamente o rosto de Carell, o Cineclube lista as oito melhores atuações que ganharam uma ajudinha de narizes falsos.

O ator Steve Carell e a prótese que transformou sua face em "Foxcatcher"

O ator Steve Carell e a prótese que transformou sua face em “Foxcatcher”

 

Meryl Streep em “A dama de ferro” (2011)

Ela ganhou o terceiro Oscar pelo papel da primeira ministra britânica que inspirava medo e respeito em homens e nações. Além do Oscar para Streep, o filme recebeu o prêmio de melhor maquiagem. Nariz poderoso é isso aí!

 Meryl

Will Smith em “Ali” (2001)

Will Smith em nada lembra Mohammad Ali. Se a prótese do nariz não o fez mais parecido com Ali, pelo menos o deixou com menos cara de Will Smith. Resultado? A primeira indicação ao Oscar na carreira do ator.

Ali

Joseph Gordon-Levitt em “Looper – assassinos do futuro” (2012)

Joseph Gordon-Levitt precisava se parecer com um jovem Bruce Willis. Lentes de contato e próteses fizeram o truque. Se Levitt convenceu como a versão jovem do eterno duro de matar está aberto para subjetivismos, mas o nariz é puro Bruce Willis.

 Looper

Nicole Kidman em “As horas” (2002)

Outra atriz que venceu o Oscar com um nariz postiço. Para interpretar a escritora Virginia Woolf, Nicole Kidman usou uma prótese para desaparecer na figura da atormentada escritora. Dizem as más línguas que sem prótese, Kidman não é uma atriz tão convincente. Pura maldade!

 As horas

Ralph Fiennes na franquia “Harry Potter” (2005 – 2011)

Ok, Lorde Voldemort não tem nariz. Mas Ralf Fiennes tem. A ausência de nariz contribui para o aspecto bestial do arquirrival de Harry Potter e ajuda a definir o tom da performance de Fiennes.

 Ralph fiennes

Orson Welles em “A marca da maldade” (1958)

Como um policial corrupto em “A marca da maldade”, Orson Welles entrega a melhor atuação de sua carreira. Algo que talvez tenha a ver com a discreta prótese que usa em seu nariz.

Orson welles

Steve Martin em “Roxanne”

Steve Martin tem um nariz imenso nesta comédia romântica oitentista. Com vergonha do seu nariz, ele hesita em se declarar para o objeto de sua paixão (Daryl Hannah, quem mais?) e escreve poemas inspirados por ela para que um colega de trabalho, também cativado pela moça, possa conquista-la.

 Roxanne

Robert De Niro em “Touro indomável” (1980)

O que dizer do nariz quebrado de Robert De Niro em “Touro indomável”?  Tão bom e convincente quanto o próprio De Niro em todo o filme.

Touro indomável

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segunda-feira, 17 de novembro de 2014 Diretores | 19:37

Os 72 anos da lenda viva Martin Scorsese

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Martin Scorsese orienta Leonardo DiCaprio e Margot Robbie no set de "O lobo de Wall Street) Fotos: divulgação

Martin Scorsese orienta Leonardo DiCaprio e Margot Robbie no set de “O lobo de Wall Street)
Fotos: divulgação

Ele queria ser padre e seria se o cinema não tivesse roubado sua vocação. Estamos falando de Martin Charles Scorsese, mirrado nova-iorquino de fala acelerada, amor profundo pelo cinema e talento que beira o incomensurável. Essa data louvável no calendário da cinefilia –  dia do aniversário do cineasta – não poderia passar despercebida, ou mesmo oculta, aqui no Cineclube. Ele é responsável por alguns dos clássicos instantâneos do cinema atual como “O lobo de Wall Street” (2013),  “A invenção de Hugo Cabret” (2011) e ainda mais lembrado pelos extraordinários trabalhos do início da carreira que ajudaram a semear o cinema adulto americano e a consolidar a teoria do autor como principal vértice do cinema produzido no país nas décadas de 70 e 80. Entre as principais referências ‘scorsesianas’ figuram “Caminhos perigosos” (1973), “Taxi driver” (1976), “Touro indomável” (1980), “A cor do dinheiro” (1986) e “Os bons companheiros” (1990).

Reconhecido como autor de um cinema que explora a violência, Scorsese trafegou por gêneros distintos ao longo das décadas. Da fábula infantil com gosto de declaração de amor ao cinema (“A invenção de Hugo Cabret”) ao musical “New York, New York”), passando pelo épico (“Gangues de Nova York”) e pelo drama intimista (“Alice não mora mais aqui”).

O Oscar tardou em reconhecê-lo. Só foi ser laureado com a estatueta de melhor diretor em 2007, pelo filme “Os infiltrados”, também sagrado melhor filme do ano. Scorsese, no entanto, acumula 12 indicações ao prêmio. Como diretor são oito, cinco das quais conquistadas nos últimos 11 anos.  Ele foi indicado ao Oscar por cinco dos seus últimos seis filmes. Uma demonstração eloquente de que a Academia hoje é capaz de reconhecer a enormidade de talento de Scorsese e a sua capacidade de tirar os filmes que dirige do lugar-comum. Seja um filme de terror com alma B como “Ilha do medo” (2010) ou um filme questionador sobre a fé como “A última tentação de Cristo” (1988).

Com o amigo e parceiro Leonardo DiCaprio no set de "O aviador"

Com o amigo e parceiro Leonardo DiCaprio no set de “O aviador”

Na foto dos anos 70 surge ao lado do amigo Robert De Niro, com quem ensaia uma colaboração em um novo filme de máfia

Na foto dos anos 70 surge ao lado do amigo Robert De Niro, com quem ensaia uma colaboração em um novo
filme de máfia

O cineasta é reconhecido por selar grandes parcerias. As mais famosas, indubitavelmente, são com os atores Robert De Niro (oito filmes) e Leonardo DiCaprio (cinco filmes). Mas figuras dos bastidores como a montadora Thelma Schoonmaker, o diretor de fotografia Robert Richardson e o produtor Grahan King são exemplos de que Scorsese entende que cinema é um trabalho de equipe e que é adepto da teoria de que em time que se ganha, pouco se mexe.

O cinema deve muito a Scorsese. Não só por sua contribuição inestimável para o extrato do filme de gangster; ou por ter mais de dez filmes creditáveis para qualquer lista de melhores da história que se preze. Mas fundamentalmente por expressar amor inesgotável pelo cinema a cada novo filme. Por revigorar o ofício com o fôlego dos jovens. Por ser tão criativo na escolha de ângulos de câmera como desimpedido nas escolhas narrativas que faz para seus filmes. Scorsese inspira e influencia. Scorsese é um mito que batina nenhuma seria capaz de fazer justiça.

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sexta-feira, 14 de novembro de 2014 Filmes, Fotografia | 22:38

Os cinco melhores cartazes de “Jogos vorazes: a esperança – parte 1”

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A aguardada estreia acontece na próxima semana. O terceiro filme da franquia juvenil mais bem sucedida do cinema na atualidade está à espreita e o Cineclube rufa os tambores com os cinco melhores pôsteres de ‘Jogos  vorazes: a esperança – parte 1″.

Hunger games - 1

Jogos vorazes - 2

Jogos vorazes - 4

Jogos vorazes - 3

Jogos vorazes - 5

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Bastidores, Diretores | 21:54

A última cartada de M.Night Shyamalan

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Alçado ao posto de novo Hitchcock, e até a data apenas ele flertou com esse incomum e para lá de prestigiado título, o indiano radicado nos EUA M.Night Shyamalan experimentou o mais doloroso dos reveses que uma carreira pode experimentar em Hollywood. A lenta e progressiva queda no ostracismo. Filme após filme o prestígio adquirido com o excelente e ainda influente “O sexto sentido” (1999) foi sendo minado e Shyamalan, questionado.

Depois de rodar por literalmente todos os estúdios de Hollywood, fazer concessões impensáveis há quinze anos e amealhar reiterados fracassos, Shyamalan resolveu reaver o pouco de controle que lhe restara e voltar as origens. Ele então rodou “The visit” em segredo, com pouco dinheiro e fechou um acordo de distribuição com a Universal. O estúdio havia produzido “Fim dos tempos” (2008), um dos piores momentos do cineasta, e amargado um fracasso retumbante. O custo de produção de “The visit” foi todo do indiano. O acordo de distribuição foi desenhado em parceria com Jason Blum, o homem que deu forma à franquia “Atividade paranormal”. A parceria com a Universal, no entanto, não é inédita e já foi testada em termos diferentes. Shyamalan produziu o bem sucedido, independente e hypado “Demônio” (2010), também distribuído pela Universal.

O filme atualmente está em fase de pós-produção e deve ser lançado em setembro de 2015.

A trama segue dois irmãos que são enviados para a casa de campo de seus avós na Pensilvânia para passar as férias. Uma vez que as crianças descobrem que o casal de idosos está envolvido em algo profundamente perturbador, eles veem suas chances de voltar para casa reduzirem a cada dia que passa.

Sob muitos aspectos, esse retorno às origens de Shyamalan é a decisão acertada. Com um nome que ainda guarda algum resquício de prestígio, ainda que carregue muita desconfiança também, Shyamalan pode apostar no simples e evitar as imposições dos estúdios. Para o bem e mal, “The visit” será puro Shyamalan. Ainda que ninguém saiba exatamente o que essa constatação indica.

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quinta-feira, 13 de novembro de 2014 Atores, Notícias | 22:10

Christoph Waltz pode ser o vilão do próximo filme de 007

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Foto: reprodução/GQ

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Ainda não está confirmado oficialmente pelo estúdio, mas o jornal britânico “Daily Mail”, que costuma antecipar boas novas em matéria de 007, apontou que Christoph Waltz, duas vezes vencedor do Oscar (por “Bastardos inglórios” e “Django livre”) será o principal vilão no novo filme do agente secreto à serviço de sua majestade, James Bond. O 24º filme do espião britânico, que será dirigido por Sam Mendes – o mesmo de “007 – operação Skyfall” começara a ser gravado em dezembro. O lançamento está programado para outubro de 2015.

Leia também: Atriz de “Azul é a cor mais quente” entra para o elenco do novo 007 

Se confirmada, o que deve acontecer em breve, a escolha se mostrará das mais acertadas. O casting do novo 007, cujos rumores ainda apontam para a contratação de Chiwetel Ejiofor (“12 anos de escravidão”) e Dave Bautista (o Drax de “Guardiões da galáxia”), vai se revelando dos mais entusiasmantes. Além de Daniel Craig, já estão confirmados Ralph Fiennes, Naomi Harris, Ben Whishaw e Léa Seydoux.

As colaborações com Tarantino elevaram o passe de Waltz que rapidamente se consolidou como um dos atores mais sofisticados e prestigiados da Hollywood atual. Há quem diga que ele nasceu para viver um vilão de 007. Vai ser uma boa oportunidade para deixar para trás a má impressão causada por seu papel no esquecível “O besouro verde” (2011).

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