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Arquivo de dezembro, 2014

sábado, 20 de dezembro de 2014 Análises, Bastidores, Curiosidades | 05:27

Coreia do Norte e Hollywood: um caso de desamor

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O King Jong-Un, vivvido pelo ator Randall Park, de "A entrevista": filme que enseja o clímax de uma relação de desdém que já se intensificava

O King Jong-Un, vivido pelo ator Randall Park, de “A entrevista”: filme que enseja o clímax de uma relação de desdém que já se intensificava

Reza a lenda que King Jong-Un, o líder supremo e excêntrico da Coreia do Norte tão em voga atualmente, herdou de seu pai, King Jong-il, o gosto pelo cinema. Além da amizade com o ex-astro do basquete Dennis Rodman, ele seria fã de Keanu Reeves e um tremendo Bondmaníaco. Seu pai ainda ocupava o poder quando o 007 de Pierce Brosnan enfrentou um lunático norte-coreano que desejava dominar o mundo em “007 – Um novo dia para morrer” (2002), aquele em que Madonna canta a música tema e dá aulas de esgrima.

O filho pode não ter o senso de humor do pai ou mesmo a tolerância à sátira, mas já era o supremo mandatário do País quando Hollywood acertou outro petardo contra o status quo norte-coreano. O diretor Antoine Fuqua (“Dia de treinamento” e “O protetor”) lançou em abril de 2013, em plena tensão na península coreana que movimentou a geopolítica da região e pôs o mundo em alerta com as ameaças de King Jong-Un em lançar mísseis contra Japão, Coreia do Sul e EUA, o filme “Invasão a Casa Branca”, que ficou inexplicavelmente sem a crase. Na trama, Gerard Butler faz um agente do serviço secreto que move mundos e fundos para resgatar o presidente dos EUA (Aaron Eckhart) feito refém de terroristas norte-coreanos que invadiram em questão de minutos, de maneira cinematográfica, o maior símbolo do poder ocidental.

Como curiosidade, um dos terroristas do filme é vivido pelo mesmo Rick Yune que faz um dos vilões de “Um novo dia para morrer”. Talvez King Jong-Um não tenha se incomodado tanto com “Invasão a Casa Branca”, porque embora os coreanos sejam derrotados, em nenhum outro filme hollywoodiano terroristas tinham ido tão longe na destruição do símbolo máximo do poder ianque. “Independence Day” (1996), por razões óbvias, não conta.

Especulações à parte, a Coreia do Norte vinha superando a Rússia – desde a eclosão da Guerra Fria a tradicional nação vilã nos filmes hollywoodianos – no antagonismo geopolítico do cinemão.

Leia mais: “É loucura deixar a Coreia do Norte ditar o conteúdo”, diz Clooney

O primeiro indício dessa tendência estava em “Salt”, (2010), fita de ação estrelada por Angelina Jolie, em que ela faz uma agente da CIA acusada de ser uma espiã russa. O detalhe? O filme começa com Jolie sendo torturada em uma prisão norte-coreana.

Rick Yune, o maior terrorista norte-coreano de Hollywood, encara Aaron Eckhart em "Invasão a Casa Branca"

Rick Yune, o maior terrorista norte-coreano de Hollywood, encara Aaron Eckhart em “Invasão a Casa Branca”

Halle Berry se une ao James Bond de Pierce Brosnan para impedir seguir o rastro de Rick Yune no filme de 2002

Halle Berry se une ao James Bond de Pierce Brosnan para seguir o rastro de Rick Yune no filme de 2002

A mira na Coreia à espera da recíproca

Um filme obscuro de 1984 com Charlie Sheen e Patrick Swayze sobre um grupo de estudantes que é a última resistência à invasão soviética em solo americano ganhou uma refilmagem em 2011. A ideia era trocar os russos pelos chineses. Com o filme pronto, o estúdio MGM percebeu que a Coreia do Norte, pelo exotismo e pelo mistério, daria um antagonista melhor e deu mais U$ 1 milhão para o diretor Dan Bradley redublar os vilões, mudar uns símbolos aqui e ali e fazer com que chineses virassem norte-coreanos. O filme estreou em 2013, um ano após “Os vingadores” e se beneficiou de Chris Hemsworth, que quando rodou o filme era um ilustre desconhecido, ser um astro famoso por viver o herói Thor.

Outro blockbuster hollywoodiano elegeu a Coreia do Norte como alvo. Em “G.I Joe: Retaliação”, um farsante que se passa pelo presidente dos EUA diz que bombardeará a Coreia do Norte “15 vezes seguidas só para ter certeza”. Trata-se de uma piada, de gosto duvidoso, mas uma piada. Piada esta que o filme “A entrevista” eleva à décima potência. O filme, cujo roteiro foi escrito a partir de uma ideia de Seth Rogen e Evan Goldberg (eles escreveram perolas da cultura pop como “Superbad – é hoje” e “Segurando as pontas”), mostra dois jornalistas despirocados que recebem da CIA a missão de assassinar King Jong-Un.

A Coreia do Norte já havia condenado o filme, mas negado com veemência qualquer participação nos cyber ataques contra o estúdio Sony. O FBI confirmou nesta sexta-feira (19) que o governo da Coreia do Norte teve papel central nas ofensivas contra a Sony.

Leia mais: Obama diz que Sony “cometeu um erro” ao cancelar estreia de “A entrevista”

Veja também: FBI diz que Coreia do Norte está por trás de ataque de hackers contra a Sony

Ainda é incerto o desfecho deste imbróglio que rapidamente se transformou em um vexatório episódio de cerceamento à liberdade de expressão e caminha para se assumir como o incidente diplomático que desde os primeiros ataques hackers estava destinado a ser. A Sony, naturalmente, estuda estratégias de capitalizar com toda a repercussão que “A entrevista” vem recebendo. O lançamento em plataforma digital, como foi aventado aqui neste Cineclube minutos depois da confirmação de que “A entrevista” não seria lançado nos cinemas americanos, ganha força como alternativa para o estúdio e para a restituição de algumas bases da liberdade de expressão. Após a fala de Obama, do posicionamento do FBI e de toda a agitação diplomática que deve se suceder, mesmo um lançamento em cinema não pode ser descartado.

Seth Rogen, que também dirige o filme, orienta James Franco e sua versão de King Jong-Um

Seth Rogen, que também dirige o filme, orienta James Franco e sua versão de King Jong-Un

O pai de King Jong-Um era o grande vilão da sátira "Team America": ele não achou ruim... (Fotos: divulgação)

O pai de King Jong-Un era o grande vilão da sátira “Team America”: ele não achou ruim…
(Fotos: divulgação)

A reação de Hollywood como um todo tem sido de espanto, incredulidade e receio pelo que a decisão da Sony pode representar nas esferas artística, comercial e democrática. O Sonygate, como já vem sendo carinhosamente chamado todo esse imbróglio, certamente já é mais interessante do que qualquer filme hollywoodiano da temporada.

De qualquer forma, vale o registro de que em 2004 os criadores de “South Park”, Trey Parker e Matt Stone, lançaram “Team America: detonando o mundo”, filme em que uma equipe tática formada por policiais americanos tenta salvar o mundo de uma violenta conspiração terrorista liderada por King Jong-il. George Clooney, Matt Damon e Ethan Hawke foram algumas das estrelas entre o time de dubladores das marionetes.

Eram outros tempos. Talvez King Jong-Un seja mais ambicioso que seu pai. Rejeitou qualquer traço de humor, superou os russos do lado de cá das telas e resolveu medir forças de verdade com Hollywood. Por enquanto, para infortúnio de quem se atém a valores democráticos e gosta de cinema, ele está ganhando.

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 Filmes, Fotografia, Listas | 05:00

Retrospectiva 2014 – Os 20 melhores pôsteres do ano

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Uma das coisas mais bacanas da cinefilia é admirar os cartazes promocionais dos filmes. São com eles que estúdios e produtores começam a flertar com o interesse do público. O Cineclube elaborou uma lista com os cartazes mais criativos, originais, belos, instigantes, provocantes e impactantes de 2014. Alguns filmes já foram exibidos no Brasil, outros ainda não foram lançados, mas devem chagar no começo do ano. Há, ainda, os mais artísticos, que ainda não têm lançamento comercial garantido no país. Mas os cartazes…! Bem, os cartazes são outra história.

"Foxcatcher: uma história que chocou o mundo"

“Foxcatcher: uma história que chocou o mundo”

O recorte da face de Steve Carell sobre a mansão em que uma tragédia histórica aconteceu dá o tom grave do cartaz e do filme

"Birdman"

“Birdman”

O cartaz asiático de “Birdman” exterioriza o conflito interno do personagem vivido por Michael Keaton

"Birdman"

“Birdman”

O homem-pássaro flutua pelas ruas de Nova York enquanto o restante do elenco surge em telões nesse belo pôster em preto e branco

"A entrevista"

“A entrevista”

Você talvez nunca assista ao filme mais polêmico do ano, mas Franco e Rogen também escandalizam no cartaz

"Mapa para estrelas"

“Mapa para estrelas”

As imagens entrelaçadas dos atores com o icônico letreiro de Hollywood é uma solução visual poderosa

"Sin City: a dama fatal"

“Sin City: a dama fatal”

Lady Gaga brilha no cartaz do filme e esse pano de prato…

"Boyhood - da infância à juventude"

“Boyhood – da infância à juventude”

Tal como o filme, o cartaz exala singeleza e funciona maravilhosamente bem ao fisgar nossa atenção

"Homens, mulheres e filhos"

“Homens, mulheres e filhos”

Brinque de achar Adam Sandler, Jennifer Garner e o restante do elenco do filme neste engenhoso e eloquente cartaz

"Mr. Turner"

“Mr. Turner”

O cartaz não esconde que a pintura, e o gênio por trás dela, são os protagonistas do filme

"Sniper americano"

“Sniper americano”

A tensão dramática de Bradley Cooper rima com o flanar da bandeira americana. Piegas, porém impactante…

"O mensageiro"

“O mensageiro”

Sutileza e assertividade se confundem em um pôster que diz muito sem dizer quase nada…

"O homem duplicado"

“O homem duplicado”

O cérebro é a grande armadilha na adaptação de Saramago e o cartaz brinca com essa percepção

"O homem duplo"

“O homem duplicado”

Jake Gyllenhaal não pode escapar dele mesmo e a simplicidade do cartaz vende essa ideia perfeitamente

"Vício inerente"

“Vício inerente”

O pôster evoca toda o clima noir psicodélico que norteia a trama do novo filme do diretor de “Sangue negro”

"Uma noite de crime 2"

“Uma noite de crime 2”

Armas alinham a bandeira americana no pôster teaser da sequência dessa fábula moral distópica

"Westlands"

“Westlands”

A comédia alemã fala de uma garota com compulsão por sexo e problemas de higiene. O cartaz não entrega, mas sugere com habilidade

"Sob a pele"

“Sob a pele”

O rosto de Scarlett Johansson submerge às estrelas no pôster da ficção científica mais perturbadora e fascinante do ano

"Teen lust"

“Teen lust”

Um rapaz tenta perder a virgindade antes que seus pais o sacrifiquem em um ritual satânico… o cartaz captura a piração do mote do filme

"Whiplash - em busca da perfeição"

“Whiplash – em busca da perfeição”

Da baqueta para o precipício, o pôster dessa sensação do cinema indie escancara o dilema do jovem músico constantemente desafiado por seu professor

"You´re not alone"

“You are not alone”

Uma mulher é perseguida por um sociopata em pleno quatro de julho americano… e o dia da independência ganha outra conotação

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 Curiosidades, Listas | 21:55

Retrospectiva 2014 – As melhores canções originais para filmes no ano

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Lorde, Karen O., Adam Levine, Keira Knightley, Justin Timberlake, Birdy e Ethan Hawke estão entre os destaques do ano no que compete às canções originais feitas para cinema. Filmes como “Ela”, “Boyhood – da infância à juventude”, “A culpa é das estrelas”, “Jogos vorazes: a esperança – parte 1” e “Mesmo se nada der certo” apresentaram canções que expandiram a experiência proporcionada pelos filmes e ganharam vida própria. O Cineclube relembra o que de melhor em matéria de música o cinema ofertou em 2014. Aumente o som!

“Lost Stars”( Keira Knightley e Adam Levine), do filme “Mesmo se nada der certo”

“Like a fool” (Keira Knightley), do filme “Mesmo se nada der certo”

“Yellow flicker beat” (Lorde), do filme “Jogos vorazes: a esperança – parte 1”

“The moon song” (Karen O.), do filme “Ela”

“Split the difference/Ryan´s song” (Ethan Hawke), do filme “Boyhood – da infância à juventude”

“Not about angels” (Birdy), do filme “A culpa é das estrelas”

“Hal” (Yasmin Hamdan), do filme “Amantes eternos”

“Please, Mr. Kennedy” (Ed Rush, George Cromarty, T Bone Burnett, Justin Timberlake, Joel Coen e Ethan Coen), do filme “Inside Llewyn Davis – a balada de um homem comum”

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Críticas, Filmes | 18:23

“Quero matar meu chefe 2” faz boa reciclagem de piadas e gags do primeiro filme

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Foto: divulgação

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No marasmo criativo que assola o cinema virou lugar comum esticar uma boa ideia ao máximo. “Quero matar meu chefe” foi uma dessas boas surpresas que de quando em quando surgem no cinema americano. Com um elenco afiado, boas piadas e uma homenagem certeira a um clássico de Alfred Hitchcock (“Pacto sinistro”), a comédia assinada por Seth Gordon se firmou como uma das boas atrações de 2011.

Jason Sudeikis, Jason Bateman e Charlie Day retomam seus personagens que, agora, tentam empreender. Mas eles são passados para trás por um tubarão das finanças – aquele tipo de papel que Christoph Waltz faz sem se esforçar – e resolvem se vingar do dito cujo. Para isso, resolvem sequestrar o filho deles (um tipo playboy vivido por Chris Pine) e pedir o resgate. Além da vingança, o dinheiro serviria para sanar as dívidas adquiridas pelo golpe aplicado pelo investidor sabichão.

O mote, como se vê, é reciclado. Assim como as gags. Dessa vez, a referência cinéfila é “Como eliminar seu chefe”, comédia dos anos 80 estrelada por Jane Fonda em que três assistentes resolvem manter o chefe trancafiado em casa.  À frente da direção da sequência, Sean Anders é humilde o suficiente de não mexer nas fórmulas que deram certo e generoso o bastante para abrir espaço para os coadjuvantes que roubaram a cena no primeiro filme. Por isso, Jennifer Aniston volta ainda mais tarada como a ninfomaníaca ex-chefe de Dale, personagem de Day, e Kevin Spacey está ainda melhor, se é que isso é minimamente possível, como o verborrágico e sociopata ex-patrão de Nick (Bateman).

A grande sacada de Anders, no entanto, foi manter a mira na estupidez dos personagens principais. A nulidade da vocação dos três patetas para o crime é inversamente proporcional à atração que sentem por ele como forma de resolver problemas. Não deixa de ser uma solução sagaz e altamente irônica em uma comédia sem grandes pretensões. Apesar desse mérito, “Quero matar meu chefe 2” não evita as desnecessárias baixarias que só funcionam no cinema moderno como ímã para certa fatia do público.

Entre prós e contras, o filme pertence àquele agrupamento que é mais feliz em um punhado de boas cenas do que no todo. Nada mal para uma ideia que já foi esticada além da conta.

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014 Curiosidades, Filmes, Notícias | 19:54

Estúdio desiste de lançar “A entrevista” nos cinemas dos EUA

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Foto: divulgação

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Um precedente perigoso contra a liberdade de expressão foi aberto nesta quarta-feira. O estúdio de cinema Sony, que tem sido vítima de cyber ataques em retaliação à produção do filme “A entrevista”, divulgou comunicado à imprensa informando que desistiu do lançamento comercial em cinemas do filme.

“A entrevista” mostra James Franco e Seth Rogen como emissários do governo americano para matar o ditador norte-coreano Kim Jong-Un.

A decisão da Sony é reflexo dos anúncios de diversas redes exibidoras americanas de que não exibiriam o filme em seus cinemas. “Em face da decisão majoritária de nossos exibidores em não mostrar o filme ‘A  entrevista’, decidimos abdicar do lançamento planejado para o dia 25 de dezembro. Respeitamos e entendemos a decisão de nossos parceiros que prezam pela segurança de seus empregados e clientes”, observa o comunicado do estúdio.

A decisão, por mais compreensível que seja, gera um precedente nefasto. A ação de um grupo anônimo interferir diretamente na liberdade de expressão de um grupo de artistas é preocupante. “A entrevista” é uma grande bobagem. Uma comédia histriônica somente possível em um país que goza de plena democracia.

Por outro lado, abre-se um precedente estimulante. A Sony sabe que tem um filme em mãos que provoca grande interesse do público. Se já havia uma audiência para o filme, ela se multiplicou com a polêmica dos dados vazados. O estúdio deve apostar em um lançamento on demand, ou seja, disponibilizar o filme por streaming na web e em combos da TV paga.

Ou seja, se o impacto da decisão executiva da Sony pode repercutir de forma negativa no âmbito da liberdade de expressão, pode precipitar uma revolução no sistema de distribuição de filmes que já se encontra em curso.

Leia também: Hackers ameaçam com terrorismo e Sony libera salas a não exibirem “A entrevista”

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Análises | 05:00

Retrospectiva 2014 – Cinema nacional cresce e aparece

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Se não foi um ano de grandes arroubos de bilheterias e de produções celebradas em festivais de cinema e círculo de críticos, o ano de 2014 mostrou que o cinema brasileiro – a despeito das constantes e desfavoráveis comparações com o cinema argentino – amadureceu mais nos âmbitos estético, narrativo e temático.

Leia também: Brasil tem circuito exibidor de cinema desequilibrado, mas regular é a solução?

Como imaginado, as maiores arrecadações do ano são comédias, mas o Brasil ofertou a seu público um grande número de produções autorais e filmes de gênero. Foram 96 lançamentos – contabilizadas as estreias de “A noite da virada”, “O segredos dos diamantes” e “Os cara de pau em o misterioso roubo do anel”, em 2014. Menos do que o recorde de 120 alcançado em 2013, mas um número de fôlego invejável. Os dados são da Ancine e do portal Filme B.

Mais invejável do que o número de produções lançadas é a qualidade da variedade apresentada. Filmes como “Quando eu era vivo”, “Latitudes”, “jogo de xadrez”, “Entre nós”, “Confia em mim”, “O lobo atrás da porta”, “Hoje eu quero voltar sozinho”, “Praia do futuro”, “Causa e efeito”, “O homem das multidões”, “Uma dose violenta de qualquer coisa” e “O mercado de notícias” consolidaram uma produção cinematográfica diversa, provocante e cuja evolução estética e narrativa pode ser percebida com facilidade.

Fernanda Machado e Mateus Solano em cena de "Confia em mim": suspense  aliado à gastronomia em filme incomum na cena nacional

Fernanda Machado e Mateus Solano em cena de “Confia em mim”: suspense aliado à gastronomia em filme incomum na cena nacional

Bruno Gagliasso em cena de "Isolados": o Brasil apostou no cinema de gênero em 2014

Bruno Gagliasso em cena de “Isolados”: o Brasil apostou no cinema de gênero em 2014

O cinema de gênero foi inegavelmente o destaque do ano. No Brasil, filmes como “Quando eu era vivo”, “Confia em mim”, “Isolados” e “O lobo atrás da porta” ainda são raridade, mas a qualidade desses filmes sugere que o cenário deve mudar em breve.

Coproduções como “Rio, eu te-amo”, “A oeste do fim do mundo” e “Trash – a esperança vem do lixo” indicam um país que está se abrindo para parcerias que podem e devem levar o cinema brasileiro para horizontes ainda inexplorados. Além de incrementar a maneira como se produz cinema por aqui.

Os documentários nacionais brilharam em 2014 e merecem um destaque à parte. Filmes como “Cuba libre”, “Sem pena”, “Ilegal”, “Esse viver ninguém me tira”, “Brincante”, entre tantos outros oxigenam um gênero que começa a ser mais apreciado pelo brasileiro.

Há, porém, que se reiterar o alerta sobre alguns vícios. Ainda que bem-sucedida comercialmente, uma produção como “Alemão”, que já tem sequência garantida, repisa convenções de um tipo de cinema que o Brasil precisa desaprender a fazer. As comédias histriônicas continuam ocupando a preferência do público e já começam a desgastar a relação de diretores com produtores, distribuidores e, por que não, com o próprio público como atesta essa ótima matéria da repórter Luísa Pécora.

Se contarmos a partir do ano de 1994, considerado o marco inicial da retomada do cinema brasileiro, nosso cinema chega aos 20 anos com os vícios, conflitos e virtudes da idade. Ao futuro, a promessa de estabilidade e reconhecimento.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014 Análises, Filmes | 18:49

Corrida pelo Oscar vive momento de definições e poucas incertezas

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Com o anúncio dos indicados ao Critics Choice Awards 2015, as principais premiações satélites do Oscar já revelaram suas listas de concorrentes aos melhores de 2015. Ficamos nas pendências de alguns sindicatos e do Bafta, prêmio da academia britânica de cinema. Contudo, já é possível filtrar muitas certezas dessa temporada de premiações e apontar caminhos bem claros sobre os filmes e artistas que serão anunciados no dia 15 de janeiro como parte da maior festa do cinema.

Certezas

– Depois de liderar em número de indicações no SAG, Globo de Ouro e Critics Choice, é muito provável que “Birdman” reprise o feito no Oscar

– Os ingleses devem fazer bonito na temporada. As duas produções com sangue inglês, “A teoria de tudo” e “O jogo da imitação”, já se firmaram como tendências nas principais categorias

– É uma corrida de poucos atores oscarizados. Diferentemente de outros anos, a corrida pelo Oscar de melhor ator não tem um nome que já fora premiado antes. Entre os favoritos para receber indicação, apenas Jake Gyllenhaal e Ralph Fiennes já foram nomeados anteriormente ao Oscar

– “O Grande Hotel Budapeste” é a grande força emergente da temporada. Com indicações sólidas no SAG, no Globo de Ouro e um desempenho notável no Critics Choive, em que amealhou 11 indicações, o filme de Wes Anderson já não pode mais ser encarado como azarão

– A percepção de um ano fraco se consolida. Filmes como “Boyhood”, “Garoa exemplar” e “O grande hotel Budapeste” nem sequer eram cotados para chegar ao Oscar quando de seus respectivos lançamentos. Hoje, esses filmes são protagonistas de uma temporada que revelou menos produções de qualidade do que se imaginava

Jennifer Aniston (“Cake”) e Marion Cotillard (“Dois dias, uma noite” ou “Era uma vez em Nova York”) brigam pela última vaga entre as atrizes. Já são certos os nomes de Julianne Moore (“Para sempre Alice”),  Reese Witherspoon (“Livre”), Felicity Jones (“A teoria de tudo”) e Rosamund Pike (“Garota exemplar”). Aniston pode se beneficiar de uma campanha agressiva e de ser uma atriz ligada à comédia se experimentando em um papel dramático. Cotillard, que já venceu Oscar, é uma favorita da academia que tem chances por dois trabalhos. Um produzido pelo papa dos prêmios, o produtor Harvey Weinstein, e outro que é o representante da Bélgica na disputa por filme estrangeiro.

– O polonês “Ida”, que venceu o European Film Awards se consolida como o franco favorito ao Oscar de filme estrangeiro. Como curiosidade, os últimos dois vencedores da premiação europeia, “Amor” e “A grande beleza”, venceram o Oscar de produção estrangeira.

– É difícil imaginar que se em toda a história da premiação, apenas quatro mulheres foram indicadas ao Oscar de direção, a Academia resolva indicar logo duas em 2015. Mas a possibilidade nunca foi mais palpável. Ava DuVernay por “Selma” e Angelina Jolie por “Invencível” são as apostas. Se apenas uma for a agraciada, tudo indica que será a primeira.

– “Garota exemplar” deve ser o filme de maior bilheteria entre os indicados a melhor filme

Leia também: Tensões raciais fervem nos EUA e podem desequilibrar corrida pelo Oscar 

 

Ralph Fiennes em cena de "O grande hotel Budapeste": ator e filme bem cotados na temporada

Ralph Fiennes em cena de “O grande hotel Budapeste”: ator e filme bem cotados na temporada

Indefinições

– Filmes que dividiram a crítica como ‘Invencível” e “Sniper americano” terão vez no Oscar, além das categorias técnicas?

Mark Ruffalo ou Channing Tatum? Os dois integram o elenco de “Foxcatcher”. Enquanto o primeiro é mais festejado pelo círculo de críticos, o segundo é mais popular. As premiações até agora têm preferido indicar Ruffalo, a despeito do belo e surpreendente trabalho de Tatum. Mas há precedentes que permitem esperança ao ator de “Querido John”. Em 2007, quando todos davam por certa a indicação de Jack Nicholson por “Os infiltrados”, a academia destacou Mark Walhberg pelo filme.

– “Vício inerente”, novo trabalho de Paul Thomas Anderson (“O mestre” e “Sangue negro”) é uma comédia de humor negro que está maravilhando a crítica. A questão é saber se terá vez no Oscar, geralmente resiliente a este tipo de humor.

Steve Carell (“Foxcacther”) vive entre os atores uma situação muito parecida com a experimentada por Jennifer Aniston entre as atrizes. Ocorre que aqui a concorrência é muito maior e refratária. Carell, que de certo modo faz campanha pela indicação desde o festival de Cannes, perdeu força na corrida – apesar de indicado ao SAG e ao Globo de Ouro – e pode perder a vaga para gente que ganhou fôlego como Ralph Fiennes (“O grande hotel Budapeste”) e David Oyelowo (“Selma”).

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Análises, Filmes | 05:00

Tensões raciais fervem nos EUA e podem desequilibrar corrida pelo Oscar

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Cena de "Selma", filme que rapidamente se inseriu como um forte candidato ao Oscar

Cena de “Selma”, filme que rapidamente se inseriu no rol dos fortes candidatos ao Oscar

O vencedor do Oscar 2014, “12 anos de escravidão”, não era o melhor filme entre os concorrentes. Até aí, tudo bem. Mas a fita de Steve McQueen baseou toda a sua campanha pelo Oscar em cima da necessidade de se reconhecer uma história de vida como a de Solomon Northup, homem livre raptado e feito escravo pelo período de 12 anos. Em meio a denúncias de que muitos votaram no filme sem sequer tê-lo visto, dois jurados admitiram o malfeito. A host do Oscar 2014, Ellen DeGeneres, fez piada com o elefante na sala antes mesmo da consagração do filme de Steve McQueen como o melhor do ano. “Temos duas possibilidades para o Oscar de melhor filme hoje. Número 1: ’12 anos de escravidão’ ganha. Número 2: vocês são todos racistas”.

Na corrida pelo Oscar 2015 há alguns filmes com a temática da tensão racial na disputa. São os casos de “Dear White people”, filme independente que acompanha quatro estudantes negros em uma América que se proclama pós-racial, e “Black or white”, estrelado por Kevin Costner, que mostra a batalha judicial entre os avós de uma menina negra que perdeu os pais. O avô rico, vivido por Costner tenta manter a guarda da menina pleiteada pela avó pobre, vivida pela atriz Octavia Spencer (oscarizada por “Histórias cruzadas”).

O filme que reúne mais chances na corrida, no entanto, é “Selma”. Trata-se de uma biografia de Martin Luther King Jr., ativista dos direitos civis que se tornou ícone maior do debate pelos direitos das minorias. Fita independente e dirigida por uma mulher (Ava DuVernay), o filme ganhou propulsão nas últimas semanas e se consolidou na corrida com indicações ao Globo de Ouro e ao Critic´s Choice Awards.

Kevin Costner e Octavia Spencer: tensões raciais afloram em meio à disputa pela guarda da neta

Kevin Costner e Octavia Spencer: tensões raciais afloram em meio à disputa pela guarda da neta

O pôster de "Dear White People": uma sátira sobre ser um rosto preto em um lugar branco, anuncia o slogan

O pôster de “Dear White People”: uma sátira sobre ser um rosto preto em um lugar branco, anuncia o slogan

“Selma” é o filme certo na hora certa. Recebendo críticas elogiosas, ele estreia em meio à onda de protestos contra atos de violência e racismo proferidos por diferentes polícias dos Estados Unidos. Com pessoas indo às ruas em diferentes Estados e personalidades se engajando, como o ator Samuel L. Jackson que cobrou maior participação das celebridades hollywoodianas, o filme pode crescer de tamanho na temporada.

Não é uma questão matemática, mas mais do que a correção política ensejada com a premiação de “12 anos de escravidão”, acenada pelo próprio marketing do filme, “Selma” favorece a oportunidade da Academia de Artes e Ciências de Hollywood – sempre sensível às demandas alinhadas à esquerda – participar do debate que consome boa parte dos EUA neste momento. É importante ter em mente que ainda estamos falando em termos de indicação ao prêmio.

“Selma” não é só uma opção viável artisticamente, mas uma possibilidade de ir além da correção política e trazer para a disputa pelo Oscar um tema que transborda relevância social. O peso desta (ainda hipotética) opção ainda é incerto. Mas seguramente desequilibrará todo o contexto forjado até o momento.

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 Atores, Curiosidades | 20:18

Samuel L. Jackson desafia celebridades a se posicionarem contra racismo policial

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Samuel L. Jackson é um cara que fala o que pensa. É, também, um dos atores negros mais bem sucedidos da Hollywood atual. No último fim de semana, o ator postou um vídeo em seu perfil no Facebook em que desafia “todas as celebridades que jogaram um balde de água na cabeça” a entoar um cântico contra atitudes discriminatórias praticadas pelas muitas polícias dos Estados Unidos.

“I can hear my neighbor cryin’ ‘I can’t breathe’ / now I’m in the struggle and I can’t leave. Callin’ out the violence of the racist police. We ain’t gonna stop, till people are free.”

“Eu posso ouvir meu vizinho chorando eu não posso respirar/ agora eu me debato e não posso partir. Denunciando a violência da polícia racista. Não vamos parar até as pessoas serem livres”.

O vídeo já teve mais de 240 mil visualizações e uns milhares de compartilhamentos, mas ainda não produziu respostas efetivas daqueles provocados por Jackson em seu vídeo. O ator, colaborador assíduo de Quentin Tarantino, se viu no centro de polêmica de teor racista quando do lançamento de “Django livre”, filme em que interpretava um escravo racista que “se via como branco”. Seu Stephen, e aí não vai spoiler, “era o pior tipo de negro” bradava o justiceiro vivido por Jamie Foxx. O próprio filme foi envolvido em diversos protestos por fazer apologia do racismo pelo uso avantajado da palavra “nigger”. O próprio Jackson saiu em defesa de Tarantino e do filme e disse que “era preciso mostrar a verdade como ela era. Sem romanceá-la”.

Samuel L. Jackson em cena de "Django livre"

Samuel L. Jackson em cena de “Django livre”

Samuel L. Jackson estrelou outros filmes que tinham como eixo central o debate sobre racismo. Alguns exemplos são “Tempo de matar” (1996), em que vive um pai de família levado à júri popular após matar os estupradores brancos de sua filha, e “O vizinho” (2008), em que faz um policial que não aceita o fato dos novos vizinhos serem um casal formado por um homem branco e uma mulher negra.

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014 Curiosidades, Filmes | 19:26

Confira o trailer de “The gunman”, primeiro candidato a filme mais macho de 2015

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Sean Penn (“21 gramas” e “A intérprete”), Javier Bardem (“O conselheiro do crime” e “Onde os fracos não têm vez”), Idris Elba (“Círculo de fogo” e “Mandela – a luta pela liberdade”) e Ray Winstone (“Os infiltrados” e “O fim da escuridão”) estrelam “The Gunman”, novo filme de Pierre Morel (“Busca implacável”).  Um espião internacional (Penn) é traído pela organização que o contratou e precisa lutar por sua sobrevivência. A sinopse é banal, mas o elenco merece o crédito. O trailer sugere que se trata de um filme casca-grossa e um dos sérios candidatos a filme mais macho de 2015. A fita chega por aqui no primeiro semestre do próximo ano.

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