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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015 Análises | 01:50

Globo de Ouro reverencia trabalho corajoso de Richard Linklater em cerimônia perigosamente monótona

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O cineasta Richard Linklater  (Foto: AP)

O cineasta Richard Linklater
(Foto: AP)

Ninguém esperava grandes surpresas, discursos maravilhosos ou barracos memoráveis. Mas a expectativa era por uma cerimônia mais empolgante. A associação de correspondentes estrangeiros de Hollywood (HFPA) premiou “Boyhood: da infância à juventude” e “O grande hotel Budapeste” como melhores produções do ano em uma cerimônia que foi o reflexo do ano pouco criativo que o cinema americano viveu. Não à toa, as duas produções vencedoras foram lançadas no primeiro semestre do ano – e exibidas no festival de cinema de Berlim (realizado em fevereiro). Quando algo assim acontece, é um sinal claro de fastio na produção de cinema que se pretende oscarizável.

Tina fey e Amy Poehler, que já tinham sido pouco inspiradas em 2014, (em 2013 elas foram muito bem), ofertaram piadas pobres e batidas durante quase toda a cerimônia. Desde a obrigatória, mas excessivamente alongada, piada sobre a Coreia do Norte, até a repetida brincadeira sobre Joaquin Phoenix não gostar de premiações. Acertaram, porém, em piadas ligeiras como as que envolveram George Clooney e sua esposa e o comediante acusado de estupro Bill Cosby.

Os grandes discursos da noite foram de Michael Keaton, premiado como melhor ator em comédia/musical por “Birdman”, e de Kevin Spacey e Jeffrey Tambor, vitoriosos por “House of Cards” e “Transparent”, nas categorias de TV. Além, é claro, de George Clooney, homenageado da noite com o prêmio Cecil B. DeMille. Clooney lembrou os atentados em Paris de forma correta e significativa, soube rir de si mesmo ao brincar com o fracasso de “Os caçadores de obras-primas” e fez uma bela homenagem a sua esposa, Amal.

 Confira o discurso de Michael Keaton

Os prêmios

“Boyhood” foi o grande vencedor da noite com três troféus: atriz coadjuvante para Patricia Arquette, direção para Richard Linklater e filme dramático. O filme que acompanha a vida de um menino e sua família pelo período de 12 anos viu seu maior rival na temporada perder o prêmio de melhor filme em comédia e musical para “O Grande hotel Budapeste”, de Wes Anderson – que na falta de uma zebra autêntica fica com a menção honrosa.  Mas “Birdman” não saiu de mãos vazias. Além da vitória de Michael Keaton, o filme de Alejandro González Iñarritu  recebeu o prêmio de melhor roteiro, fato que ressalta a forte polarização entre a obra e o filme de Linklater, que também concorria na categoria.

Leia também: Tempo é parâmetro absoluto para epifanias de “Boyhood”

"O Grande hotel Budapeste": a vitória do filme de Wes Anderson foi inesperada, mas não exatamente surpreendente (Foto: divulgação)

“O Grande hotel Budapeste”: a vitória do filme de Wes Anderson foi inesperada, mas não exatamente surpreendente
(Foto: divulgação)

O inglês “A teoria de tudo”, com o inesperado prêmio de melhor trilha sonora e a vitória de Eddie Redmayne entre os atores dramáticos também se destacou.

As categorias de animação e  filme estrangeiro não consagraram os favoritos, mas as vitórias de “Como treinar seu dragão 2” e do russo “Leviatã” não podem ser tomadas como surpreendentes.

As categorias de coadjuvantes, que já parecem definidas para o Oscar, viram o triunfo de Patricia Arquette e J.K Simmons, grande ator frequentemente despercebido que tem seu momento de glória em “Whiplash: em busca da perfeição”.

Atrizes

Amy Adams comprovou seu status de queridinha da HFPA ao vencer pelo segundo ano consecutivo na categoria de melhor atriz em comédia e musical. Depois de ganhar por “Trapaça” ano passado, ela repetiu a dose por “Grandes olhos”, de Tim Burton.

Entre as atrizes dramáticas, foi a vez de Julianne Moore prevalecer. Muitas vezes indicada, a atriz jamais tinha ganhado um Globo de Ouro. Assim como jamais ganhou um Oscar. Em 2015, será o ano de saldar essas dívidas para com essa grande atriz.

No geral, apesar da festa surpreendentemente chata, o Globo de ouro entregou o que prometia. Artistas à vontade, apesar do ar condicionado com problemas, e uma celebração honesta dos filmes e estrelas do ano.

Amy Adams e Julianne Moore nos bastidores do Globo de Ouro: o triunfo das ruivas (Foto: reprodução/instagram)

Amy Adams e Julianne Moore nos bastidores do Globo de Ouro: o triunfo das ruivas
(Foto: reprodução/instagram)

 

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