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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015 Análises | 11:45

Em lista amalucada, academia acolhe esnobados históricos e surpreende

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Desde que antecipou o anúncio de seus indicados para meados de janeiro, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood estreitou o calendário de premiações e tornou mais difícil a arte de prever que filmes e artistas serão convidados para festa. Mas essa não foi a única mudança na espinha dorsal da temporada de prêmios. A academia estabeleceu que para um filme entrar na disputa de melhor filme, categoria com a flexibilidade de comportar entre cinco e dez candidatos, é preciso reunir a preferência de 5% do corpo acadêmico. Como são mais de seis mil membros votando, é bastante gente que deve colocar o filme na primeira posição de sua cédula. Os candidatos das outras categorias são escolhidos pelos branchs respectivos (setores de atores escolhem os atores; diretores votam nos diretores e etc). Na hora de escolher os vencedores, todo mundo vota em todas as categorias.

“Birdman” e “O Grande Hotel Budapeste” lideram indicações ao Oscar 2015

Diferentemente dos últimos três anos, quando nove filmes concorreram a melhor filme, em 2015 oito foram agraciados com a alcunha de indicados a melhor produção do ano. Algumas distorções podem ser percebidas. “Selma”, biografia do ícone dos direitos civis Martin Luther King, amealhou uma indicação para melhor filme sem figurar em outras categorias tidas como principais (direção, roteiro, atuação ou edição) e só conquistou  outra nomeação, para canção original. Já “Foxcatcher: uma histórica que chocou o mundo” obteve indicações sólidas como para melhor diretor, ator, roteiro original, ator coadjuvante, mas não conseguiu vaga entre os indicados a melhor filme.

Distorções como essas não são exatamente novidade. Em 2012, “Tão longe e tão perto”  concorreu a melhor filme só tendo sido contemplado com outra indicação, para melhor ator coadjuvante.

Novidade mesmo foi o acolhimento de esnobados históricos. Cineastas como Richard Linklater e Wes Anderson fazem ótimos filmes desde que começaram no negócio de cinema, mas jamais receberam a atenção que obtiveram em 2015 por parte da academia. “O grande hotel Budapeste”  lidera a corrida pelo Oscar, ao lado de “Birdman” com nove indicações, e “Boyhood” obteve seis menções em categorias de prestígio.

Ademais, Linklater, Anderson  e mais o mexicano Iñarritu (“Birdman”) medem forças tanto na categoria de direção, como em roteiro. Uma prova de que a academia também está recompensando esse grupo de cineastas mais autorais que reclamam para si mais controle sobre o filme.

Bradley Cooper faz história no cinema e na história do Oscar (Foto: divulgação)

Bradley Cooper faz história no cinema e na história do Oscar
(Foto: divulgação)

Outros destaques da lista são a presença, relativamente inesperada da francesa Marion Cottilard pela produção belga “Dois dias, uma noite) entre as atrizes e a nomeação de Bradley Cooper (Sniper americano) a melhor ator.

Cottilard é muito querida pela academia e já havia sido esnobada ano passado pelo francês “Ferrugem e osso”. Neste ano, o filme pelo qual foi indicada ficou de fora até mesmo dos semifinalistas para produção estrangeira, mas o fascínio que  a atriz exerce na academia falou mais alto. De quebra, é a segunda vez em oito anos que ela concorre por um filme não falado em língua inglesa. Uma façanha de fato. Ela ganhou por “Piaf – um hino ao amor” em 2008.

Cooper consegue uma façanha ainda mais memorável. Ator até hoje contestado e com um background de comédias rasas, ele consegue sua terceira indicação consecutiva pelo atirador de elite em crise de “Sniper americano”. Ele concorreu nos anos anteriores por “O lado bom da vida” e “Trapaça”. Antes dele, apenas Spencer Tracy e Russell Crowe haviam conquistado tal feito.

Conforme o Cineclube já havia antecipado aqui, o coprodução entre Brasil e Alemanha, “O sal da prata”, sobre a vida do fotógrafo Sebastião Salgado, está entre os finalistas a melhor documentário. Mas não deve ganhar. O favoritismo é todo de “Citizenfour”, sobre a jornada do ex-analista da NSA Edward Snowden.

O argentino “Relatos selvagens” rompeu a resistência histórica da academia com filmes episódicos e mede forças com os favoritos “Ida” (Polônia) e “Leviatã” (Rússia). Historicamente, esta é a categorias a ofertar mais zebras.

“Garota exemplar” e “O abutre”, filmes que resvalam na sordidez humana, acabaram diminuídos no Oscar. O primeiro teve uma indicação solitária para a atriz Rosamund Pike, enquanto o segundo só foi lembrado por seu roteiro original.

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