Publicidade

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015 Bastidores, Filmes | 05:00

Filme “50 tons de cinza” será o grande marco da caretice do cinema atual?

Compartilhe: Twitter

À medida que a estreia de “50 tons de cinza” se aproxima, a presença do filme na mídia se intensifica. Natural e compreensivelmente, essa exposição tende a focar no potencial polêmico da adaptação da obra de E.L James. Passa por aí a declaração de Sam Taylor-Johnson, diretora do filme, a Variety de que uma das cenas mais polêmicas, e eróticas, do primeiro livro não está presente na versão cinematográfica.

iG On: “50 tons de cinza” não terá cena do absorvente íntimo, diz diretora

Leia também: O que esperar do filme “50 tons de cinza”?

Sam Taylor-Johnson orienta seus atores (Foto: divulgação)

Sam Taylor-Johnson orienta seus atores
(Foto: divulgação)

“Eu sinto que no cinema, no momento em que há penetração tudo está acabado”, disse Johnson na entrevista à Varitey. A diretora admitiu que o conteúdo sexual foi abrandado, mas não descaracterizado. A cineasta disse que tinha o interesse de que cada cena de sexo soasse diferente, que funcionassem como um novo personagem. “É a construção da relação entre eles (Christian Grey e Anastasia Steele) o que importa”, observou.

Essa indicação da cineasta, pela proposição de estabelecer esse “jogo de preliminares” com seu público, reforça duas percepções a respeito do filme que estreia no dia 12 de fevereiro. Trata-se de um romance que dá prevalência a sua ambição de ser também um blockbuster (daí a suavização de cenas eróticas a fim de conseguir uma classificação indicativa que permita a entrada nos cinemas de menores de 17 anos). É, também, um filme menos preocupado em estabelecer uma análise das práticas sexuais e da relação entre sexo e poder. À Variety, a autora E.L James e a produtora Donna Langley deram declarações que corroboram esta percepção. “Não fizemos um filme para chocar as pessoas pelo quão explícito ele é. Queremos que a audiência se sinta convidada, não repelida”, explicou Langley. Já James observou que sua obra é uma “história de amor e que o sexo é apenas parte disso”. Portanto, o sadomasoquismo soft de Mickey Rourke e Kim Basinger no cult oitentista “9 e 1/2 semanas de amor” talvez seja mais explícito nas elaborações do desejo do que os realizadores de “50 tons de cinza” fazem crer que o aguardado filme será.

Pode ser marketing, mas pode também ser um indicativo de que ante o que a TV anda mostrando (“Girls”, “Game of thrones”, “Californication”, entre outras) e do que o cinema produzia sobre o tema no final da década de 80 e início dos anos 90 (“A insustentável leveza do ser”, “Instinto selvagem”, “Invasão de privacidade”, entre outros), o cinema mainstream encaretou em excesso. Para o bem ou para o mal, o sucesso inevitável do filme ditará como o tema será abordado pelo cinemão nos próximos anos.

Autor: Tags: , ,

Nenhum comentário, seja o primeiro.

 

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

* Campos obrigatórios


 

Responder comentário


* Campos obrigatórios