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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015 Atores, perfil | 16:05

Michael Keaton exorciza Michael Keaton com “Birdman”

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Michael Keaton em foto para a Esquire (Reprodução)

Michael Keaton em foto para a Esquire
(Reprodução)

Você ainda deve lembrar dele como o Batman, mas já se vão 23 anos desde que ele não veste o traje do homem-morcego. Aos 63 anos, Michael Keaton se funde ao personagem desenhado para ele por Alejandro González Iñarritu em “Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância)” para redefinir sua persona em Hollywood. Desde meados da década de 90, o ator havia desaparecido dos holofotes. Depois de abandonar o papel de Batman, ele havia sido uma imposição de Tim Burton, que dirigiu os dois primeiros filmes, Keaton ensaiou uma guinada na carreira. Estrelou o drama choroso “Minha vida” (1993) ao lado da então estrela em ascensão Nicole Kidman e o drama jornalístico “O jornal” (1994), mas o ator simplesmente não atraia público. Ainda nos anos 90 ele foi coadjuvante para Tarantino em “Jackie Brown” (1997), tido  como o filme mais fraco do badalado cineasta, e foi o antagonista de Andy Garcia, fazendo um vilão canastrão, no bom thriller “Medidas desesperadas” (1998), também pouco visto nos cinemas. O timing parecia não favorecer Keaton que iniciou os anos 2000 estrelando produções para a TV como “Ao vivo de Bagdá” (2002) ou coadjuvando para estrelas teen como Katie Holmes em “A filha do presidente” (2004).

“Vozes do além” foi uma tentativa malfadada de surfar na onda do terror de verve sobrenatural, em voga naquele particular momento da década com o sucesso de produções como “O grito” e “O chamado”.

Mais de dez anos depois de Batman, Keaton só era lembrado pelo personagem e os papéis em Hollywood escasseavam. Mesmo pequenas participações em filmes como “Herbie, meu fusca turbinado” (2006), veículo para a então estrela Lindsay Lohan, e “Recém-formada” (2009), comédia que nem chegou a ser lançada comercialmente nos cinemas do Brasil e de outros países, exigiam negociações prolongadas e exaustivas. Keaton não tinha prestígio, não tinha poder de barganha e não tinha bons filmes que lhe precedessem. Não tinha, também, um padrinho forte. Tim Burton estava ocupado tentando tirar os próprios filmes do papel, algo que ficou relativamente mais fácil com o estrelato de Johnny Depp conquistado com “Piratas do Caribe: a maldição do Perola negra” (2003).

O ator em cena de "Batman: o retorno" (1992), seu último grande momento no cinema até a chegada de "Birdman" (Foto: divulgação)

O ator em cena de “Batman: o retorno” (1992), seu último grande momento no cinema até a chegada
de “Birdman”
(Foto: divulgação)

Keaton e Iñarritu conversam no set de "Birdman": o ator embarcou na metalinguagem proposta pelo cineasta mexicano  (Foto: divulgação)

Keaton e Iñarritu conversam no set de “Birdman”: o ator embarcou na metalinguagem proposta pelo cineasta mexicano
(Foto: divulgação)

Em 2014 tudo ia mudar. Alejandro González Iñarritu admitiu em entrevista à revista Empire que se Keaton não aceitasse o papel do protagonista de “Birdman” ele não faria o filme. Exageros à parte, o projeto parece mesmo pensado para Keaton. Ele interpreta Riggan, um ator que fez muito sucesso interpretando o super-herói Birdman no cinema, mas depois caiu no ostracismo. Ele agora tenta se reinventar e dar a volta por cima produzindo, dirigindo e estrelando uma adaptação de um conto de Raymond Carver para a Broadway. A metalinguagem pretendida por Iñarritu neste filme que versa sobre atores, ego e cinema ganha potência com Keaton como protagonista e todo mundo sabe disso. Parte do fascínio provocado pelo filme, que amealhou nove indicações para o Oscar, reside nessa intertextualidade entre Keaton e seu personagem. É como se fosse dada a Michael Keaton a oportunidade de exorcizar Michael Keaton e o Oscar, ao qual é favorito, pode ser decisivo neste processo.

O ano começou com Keaton brilhando como uma sátira de Steve Jobs no “Robocop” de José Padilha. Não é exagero dizer que ele é a melhor coisa do filme. No dispensável “Need for speed – o filme”, ele injeta adrenalina como um aficionado em corridas que patrocina o evento clandestino que move a adaptação do game homônimo

Com Oscar ou sem Oscar, mas os prognósticos são os mais favoráveis possíveis, o Michael Keaton que emerge no raiar de 2015 é um ator pronto para viver plenamente sua melhor idade.

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4 comentários | Comentar

  1. 54 Leonardo Barbosa 01/02/2015 3:32

    O que acontece se na hora em que todos estiverem na premiação do Oscar e ao invés de falar o seu nome, o apresentador do prêmio de melhor ator diz: Beetlejuice, Beetlejuice, Beetlejuice !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  2. 53 alexandro 23/01/2015 9:24

    No filme do Robocop ele foi excelente!
    No filme do Need for Speed, a voz dele era insuportável assim como o modo de falar!
    Vamos ver agora como será!

    Responder
  3. 52 Haydée Lima 22/01/2015 20:06

    Keaton,um ator que construiu uma carreira de respeito. Criticas tendenciosas,não devem ser levadas em consideração.

    Responder
  4. 51 luciano de amorim lemos 22/01/2015 17:25

    Um ótimo ator nao poderia desaparecer assim sem mais nem menos;muito bom ter voce de volta!!!

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