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terça-feira, 27 de janeiro de 2015 Críticas, Filmes | 19:00

Sangue, suor e música dão o tom do arrebatador “Whiplash – em busca da perfeição”

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O diretor e roteirista de “Whiplash”, Demien Chazelle, disse em entrevista que o filme é fruto de experiências pessoais vividas na adolescência, mas poderia ser de uma ótima história envolvendo Charlie Parker, um dos maiores expoentes do Jazz em todos os tempos, e uma apresentação musical da que ele saiu sob risos e escárnio.

Há uma cena em “Whiplash”, que no Brasil ganhou o autoexplicativo subtítulo “Em busca da perfeição” que funde a experiência vivida por Parker, uma sombra constante na trajetória do protagonista vivido com garra e entrega por Miles Teller, ao personagem central do filme. Nesta cena, ambientada em um bar de jazz, “Whiplash” escancara toda a sua potência dramática. Antes, porém, o filme já havia se notabilizado por subverter a lógica do filme de mestre e pupilo; e, por que não, da relação entre o músico e seu dom.

O filme de Chazelle não ignora o talento na construção de um grande músico, apenas advoga que este talento isolado de disciplina, perseverança e afinco não é capaz de atingir toda a sua potência. Algo que Chazelle deixa claro na cena abordada no parágrafo anterior.

Andrew (Teller) quer ser o melhor baterista de sua geração e ele sabe que para isso não basta estar em uma das melhores escolas de música do país, é preciso ser guiado pelo melhor professor da instituição. Ele começa a se exibir, da maneira que um aspirante a músico pode fazê-lo, para Terence Fletcher (J.K Simmons), um professor de métodos abusivos e inortodoxos de ensino.

Som e fúria: a sala de aula vira palco de um embate feroz entre aluno e professor  (Foto: divulgação)

Som e fúria: a sala de aula vira palco de um embate feroz entre aluno e professor
(Foto: divulgação)

Aos poucos, à medida que Fletcher percebe talento e um possível futuro para Andrew, ao invés de protegê-lo e instrui-lo cuidadosamente, ele o expõe mais ao ridículo e a circunstâncias estressantes. O raciocínio de Fletcher é de que quanto mais desafiado, mais encorajado o pupilo realmente talentoso e com gana de triunfar ficará. A rivalidade e o duelo entre Fletcher e Andrew elevam a temperatura dramática de “Whiplash” ao ponto do filme ganhar contornos de obra de terror, mérito de Chazelle que acerta no ritmo e na condução da trama.

Ao reinventar o filme de professor, tirando da equação o elemento da edificação, tão cara a esse popular subgênero cinematográfico, “Whiplash” oferta ao público e ao cinema um dos grandes personagens dos últimos tempos. Em busca do “seu Charlie Parker”, Fletcher é um professor como nenhum outro. Militar no trato, coerente na proposta e cativante na rudeza com que enxerga algo tão sensível como a música e os talentos que a adornam. J.K Simmons, intérprete maiúsculo, recebe aqui a chance de brilhar intensamente e assim o faz.

Por todos esses predicados, “Whiplash”, indicado a cinco Oscars (incluindo melhor filme), é uma apoteose. No subtexto feroz que articula sobre a obsessão e por devolver à música aquele sentido estupendo que poucas vezes o cinema tangenciou como na derradeira cena desta pequena obra-prima contemporânea.

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Margareth Nicodemos 27/01/2015 21:20

    Não consegui ver/ler o filme desta mesma forma.Não vi nele nada de superlativo que justifique tanto incenso aceso para ele.
    A atuação dos atores é excelente.A história é batida: já a vimos “N” vezes,às vezes a relação filmada é de professor/aluno,pai/filho ou comandante e subordinado militar.
    Penso que outros filmes mais interessantes poderiam estar lá.Que tal “Selma”?

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