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Arquivo de janeiro, 2015

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015 Atores, perfil | 16:05

Michael Keaton exorciza Michael Keaton com “Birdman”

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Michael Keaton em foto para a Esquire (Reprodução)

Michael Keaton em foto para a Esquire
(Reprodução)

Você ainda deve lembrar dele como o Batman, mas já se vão 23 anos desde que ele não veste o traje do homem-morcego. Aos 63 anos, Michael Keaton se funde ao personagem desenhado para ele por Alejandro González Iñarritu em “Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância)” para redefinir sua persona em Hollywood. Desde meados da década de 90, o ator havia desaparecido dos holofotes. Depois de abandonar o papel de Batman, ele havia sido uma imposição de Tim Burton, que dirigiu os dois primeiros filmes, Keaton ensaiou uma guinada na carreira. Estrelou o drama choroso “Minha vida” (1993) ao lado da então estrela em ascensão Nicole Kidman e o drama jornalístico “O jornal” (1994), mas o ator simplesmente não atraia público. Ainda nos anos 90 ele foi coadjuvante para Tarantino em “Jackie Brown” (1997), tido  como o filme mais fraco do badalado cineasta, e foi o antagonista de Andy Garcia, fazendo um vilão canastrão, no bom thriller “Medidas desesperadas” (1998), também pouco visto nos cinemas. O timing parecia não favorecer Keaton que iniciou os anos 2000 estrelando produções para a TV como “Ao vivo de Bagdá” (2002) ou coadjuvando para estrelas teen como Katie Holmes em “A filha do presidente” (2004).

“Vozes do além” foi uma tentativa malfadada de surfar na onda do terror de verve sobrenatural, em voga naquele particular momento da década com o sucesso de produções como “O grito” e “O chamado”.

Mais de dez anos depois de Batman, Keaton só era lembrado pelo personagem e os papéis em Hollywood escasseavam. Mesmo pequenas participações em filmes como “Herbie, meu fusca turbinado” (2006), veículo para a então estrela Lindsay Lohan, e “Recém-formada” (2009), comédia que nem chegou a ser lançada comercialmente nos cinemas do Brasil e de outros países, exigiam negociações prolongadas e exaustivas. Keaton não tinha prestígio, não tinha poder de barganha e não tinha bons filmes que lhe precedessem. Não tinha, também, um padrinho forte. Tim Burton estava ocupado tentando tirar os próprios filmes do papel, algo que ficou relativamente mais fácil com o estrelato de Johnny Depp conquistado com “Piratas do Caribe: a maldição do Perola negra” (2003).

O ator em cena de "Batman: o retorno" (1992), seu último grande momento no cinema até a chegada de "Birdman" (Foto: divulgação)

O ator em cena de “Batman: o retorno” (1992), seu último grande momento no cinema até a chegada
de “Birdman”
(Foto: divulgação)

Keaton e Iñarritu conversam no set de "Birdman": o ator embarcou na metalinguagem proposta pelo cineasta mexicano  (Foto: divulgação)

Keaton e Iñarritu conversam no set de “Birdman”: o ator embarcou na metalinguagem proposta pelo cineasta mexicano
(Foto: divulgação)

Em 2014 tudo ia mudar. Alejandro González Iñarritu admitiu em entrevista à revista Empire que se Keaton não aceitasse o papel do protagonista de “Birdman” ele não faria o filme. Exageros à parte, o projeto parece mesmo pensado para Keaton. Ele interpreta Riggan, um ator que fez muito sucesso interpretando o super-herói Birdman no cinema, mas depois caiu no ostracismo. Ele agora tenta se reinventar e dar a volta por cima produzindo, dirigindo e estrelando uma adaptação de um conto de Raymond Carver para a Broadway. A metalinguagem pretendida por Iñarritu neste filme que versa sobre atores, ego e cinema ganha potência com Keaton como protagonista e todo mundo sabe disso. Parte do fascínio provocado pelo filme, que amealhou nove indicações para o Oscar, reside nessa intertextualidade entre Keaton e seu personagem. É como se fosse dada a Michael Keaton a oportunidade de exorcizar Michael Keaton e o Oscar, ao qual é favorito, pode ser decisivo neste processo.

O ano começou com Keaton brilhando como uma sátira de Steve Jobs no “Robocop” de José Padilha. Não é exagero dizer que ele é a melhor coisa do filme. No dispensável “Need for speed – o filme”, ele injeta adrenalina como um aficionado em corridas que patrocina o evento clandestino que move a adaptação do game homônimo

Com Oscar ou sem Oscar, mas os prognósticos são os mais favoráveis possíveis, o Michael Keaton que emerge no raiar de 2015 é um ator pronto para viver plenamente sua melhor idade.

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Bastidores, Filmes | 05:00

Filme “50 tons de cinza” será o grande marco da caretice do cinema atual?

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À medida que a estreia de “50 tons de cinza” se aproxima, a presença do filme na mídia se intensifica. Natural e compreensivelmente, essa exposição tende a focar no potencial polêmico da adaptação da obra de E.L James. Passa por aí a declaração de Sam Taylor-Johnson, diretora do filme, a Variety de que uma das cenas mais polêmicas, e eróticas, do primeiro livro não está presente na versão cinematográfica.

iG On: “50 tons de cinza” não terá cena do absorvente íntimo, diz diretora

Leia também: O que esperar do filme “50 tons de cinza”?

Sam Taylor-Johnson orienta seus atores (Foto: divulgação)

Sam Taylor-Johnson orienta seus atores
(Foto: divulgação)

“Eu sinto que no cinema, no momento em que há penetração tudo está acabado”, disse Johnson na entrevista à Varitey. A diretora admitiu que o conteúdo sexual foi abrandado, mas não descaracterizado. A cineasta disse que tinha o interesse de que cada cena de sexo soasse diferente, que funcionassem como um novo personagem. “É a construção da relação entre eles (Christian Grey e Anastasia Steele) o que importa”, observou.

Essa indicação da cineasta, pela proposição de estabelecer esse “jogo de preliminares” com seu público, reforça duas percepções a respeito do filme que estreia no dia 12 de fevereiro. Trata-se de um romance que dá prevalência a sua ambição de ser também um blockbuster (daí a suavização de cenas eróticas a fim de conseguir uma classificação indicativa que permita a entrada nos cinemas de menores de 17 anos). É, também, um filme menos preocupado em estabelecer uma análise das práticas sexuais e da relação entre sexo e poder. À Variety, a autora E.L James e a produtora Donna Langley deram declarações que corroboram esta percepção. “Não fizemos um filme para chocar as pessoas pelo quão explícito ele é. Queremos que a audiência se sinta convidada, não repelida”, explicou Langley. Já James observou que sua obra é uma “história de amor e que o sexo é apenas parte disso”. Portanto, o sadomasoquismo soft de Mickey Rourke e Kim Basinger no cult oitentista “9 e 1/2 semanas de amor” talvez seja mais explícito nas elaborações do desejo do que os realizadores de “50 tons de cinza” fazem crer que o aguardado filme será.

Pode ser marketing, mas pode também ser um indicativo de que ante o que a TV anda mostrando (“Girls”, “Game of thrones”, “Californication”, entre outras) e do que o cinema produzia sobre o tema no final da década de 80 e início dos anos 90 (“A insustentável leveza do ser”, “Instinto selvagem”, “Invasão de privacidade”, entre outros), o cinema mainstream encaretou em excesso. Para o bem ou para o mal, o sucesso inevitável do filme ditará como o tema será abordado pelo cinemão nos próximos anos.

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015 Críticas, Filmes | 16:29

Ambição de Angelina Jolie compromete narrativa de “Invencível”

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Os esperançosos olhos azuis do ator Jack O´Connell, que vive Zamperini (Foto: divulgação)

Os esperançosos olhos azuis do ator Jack O´Connell, que vive Zamperini
(Foto: divulgação)

Angelina Jolie disse que decidiu rodar “Invencível” (2014) motivada pela mensagem de esperança que a extraordinária história de Louis Zamperini, atleta olímpico, náufrago e prisioneiro de guerra, sintetiza.

Jolie, em seu segundo longa-metragem como diretora, investe na ostentação dessa esperança. Desde a trilha sonora solene e incidente de Alexandre Desplat, passando pela fotografia algo clássica e vívida de Roger Deakins e culminando na atenção aos olhos azuis do protagonista vivido com garra por Jack O´Connell. Franzino e com queimaduras, repleto de carvão ou sujeira, ou mesmo surrado, os olhos azuis de Zamperini são um bálsamo. Um lembrete de que a esperança é algo ao qual vale a pena se fiar. Os olhos azuis são mais impactantes na narrativa, o que poderia ser tomado como um capricho, do que a religiosidade que aos poucos se consolidava em um homem que por diversas situações e circunstâncias só tinha a fé, ainda que mal articulada, para se apegar.

Leia também: Angelina Jolie anuncia novo projeto na direção e sinaliza reposicionamento de carreira

Essa opção diz muito sobre a cineasta que Angelina Jolie é e sobre a cineasta que ambiciosa ser. A metaforização visual de um interesse temático tão forte como é a esperança é algo valioso, mas não se pode perder de vista a engenharia interna dos personagens, algo que “Invencível” não dá conta de elaborar e transmitir.

O que nos leva à indagação do que deu errado, afinal, no projeto. Talhado para o Oscar, Jolie reuniu sob seu comando a nata do cinema atual. Além dos já citados diretor de fotografia e músico, os irmãos Coen assinam o roteiro e outras figuras prodigiosas de Hollywood assinam os trabalhos de figurino, montagem e direção de arte. Se é tecnicamente vistoso, “Invencível” se limita ao óbvio na abordagem das emoções. Isso ocorre, talvez, por ser Jolie uma diretora menos experiente no trato de certas gorduras da história. O ritmo do filme oscila bastante e algumas opções narrativas contestáveis se oferecem como filtro para lágrimas da plateia.

A história de Zamperini não precisaria de subterfúgios para se provar iluminada e única. Esse expediente, no entanto, não revela mau gosto da diretora, mas sim sua ansiedade em entregar um filme acadêmico (quem não quer causar no Oscar?) e algo substancial e longevo sobre a vida desse personagem tão rico e fascinante.

Se fica no meio-termo, Jolie entrega um filme que não faz feio na média do cinema americano atual e ganha pontos por isso. Ela obtém boas atuações de um elenco em geral desconhecido e consegue embrenhar o coração de cada cena mais dramática, detalhes que revelam uma diretora habilidosa; ainda que não essencialmente preparada para entregar o filme que “Invencível” poderia ser sob os cuidados de alguém mais experimentado.

“Invencível” é um bom filme, mas estranhamente desperta no espectador aquele sentimento de “poxa, queria ter gostado mais deste filme”.  Não há olho azul que desfaça essa sensação efêmera de desapontamento.

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terça-feira, 20 de janeiro de 2015 Análises, Filmes | 15:42

O que o conflito entre apoiadores de “Sniper americano” e “Selma” diz sobre a Hollywood de hoje?

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Hollywood, de maneira geral, não reagiu bem ao que tem sido percebido como uma guinada conservadora nas hostes da Academia de Artes e Ciências de Hollywood, que outorga o Oscar. “O Oscar com menos diversidade em quase 20 anos” bradam as manchetes ao redor do mundo e o coro pela exclusão de “Selma” das principais categorias do Oscar ganha mais relevo à medida que “Sniper americano”, um inesperado e acachapante sucesso de bilheteria – arrecadou mais de U$ 90 milhões em seu 1º fim de semana com circuito expandido nos EUA, se vê no centro de um embate entre uma Hollywood liberal e uma Hollywood conservadora. Personalidades como Seth Rogen e Michael Moore condenaram o filme. Moore, que disse que atiradores de elite não podem ser considerados heróis, fez ressalvas à atuação de Bradley Cooper e a certos aspectos técnicos do filme. Sasha Stone, uma das principais analistas da indústria do cinema e expert em premiações, provocou seus seguidores no twitter: “Já imaginaram se ‘Sniper americano’ fosse feito por uma mulher?”, em alusão direta à esnobada a Kathryn Bigelow há dois anos pela direção de “A hora mais escura”. Clint Eastwood, no entanto, também não recebeu nomeação na categoria pelo filme. A provocação, no entanto, abrange o que muitos percebem como desprezo de uma Hollywood ainda muito machista ao trabalho de mulheres. O ressentimento aí não capitaliza apenas em “Selma”, mas também pelo quase total sumiço de “Garota exemplar”, maior bilheteria entre os filmes apontados como possíveis candidatos ao Oscar de melhor filme e o único protagonizado por uma mulher e escrito por uma mulher.

Bradley Cooper e Clint Eastwood no set de "Sniper americano": em um dia, o filme se tornou a maior bilheteria entres os concorrentes a melhor filme (Foto: divulgação)

Bradley Cooper e Clint Eastwood no set de “Sniper americano”: em um dia, o filme se tornou a maior bilheteria entres os concorrentes a melhor filme
(Foto: divulgação)

Um outdoor do filme nos EUA surge pichado com a palavra "assassino" (Foto/ reprodução twitter)

Um outdoor do filme nos EUA surge pichado com a palavra “assassino”
(Foto/ reprodução twitter)

A comoção é tanta e tão aprofundada que a presidente da academia se viu na necessidade de intervir e reafirmar a agenda progressista de sua gestão à frente da academia. “Nos últimos dois anos, avançamos muito em relação ao passado, nos tornando uma organização mais diversa e inclusiva por meio da admissão de novos membros”, salientou Cheryl Boone.

A presidente acenou aos desgostosos acrescentando que “amaria” ver mais diversidade entre os indicados.

Em entrevista ao Daily Beast, o ator Bradley Cooper, ele mesmo alvo de muitas críticas descontentes com sua terceira nomeação seguida ao Oscar, defendeu o filme. “Trata-se de um estudo de personagem. O interesse para mim e para Clint era ver os efeitos da guerra naquele homem. Mas eu não posso controlar como as pessoas verão este filme como ferramenta”, acrescentou o ator que disse que a obra fez o vice-presidente americano, Joe Biden, chorar. “Essa é a história de Chris (o atirador retratado no filme).  Seria ótimo se as pessoas não a interpretassem como um filme da guerra do Iraque, mas sim como um exame de como conflitos como este atingem um soldado e sua família”, opinou.

Muitos articulistas de jornais como New York Times e The Guardian externaram a preocupação do “exagerado” apreço a “Sniper americano” ser uma concessão à propaganda militar. Exageros à parte, a revista New Yorker enxergou no filme “a desconstrução do mito do guerreiro americano” ao compasso que vê em “Selma” a “reafirmação pouco imaginativa de um mito já muito celebrado”, no caso Martin Luther King.

Leia também: Academia de Hollywood vive guerra entre alas conservadora e modernizante 

Spike Lee, diretor de obras reverberantes como ‘Faça a coisa certa” (1989) e “ Malcom X” (1992), filmes tonificados pelos conflitos raciais, disparou logo depois da pouca atenção dispensada a “Selma” pela academia: “Eles que se fodam”!  “Se tinha alguém que pensava que este ano seria como o ano passado esse alguém é retardado”, disse o cineasta. “Tá cheio de gente por aqui com  ‘12 anos de escravidão’, Lupita, Pharrell… é um ciclo de dez anos”, argumentou. Para Lee, “o Oscar mais branco desde 1998 não é uma surpresa, mas é irritante”.

Essa polarização inadvertida que opõe dois filmes que guardam poucas semelhanças, além do fato de serem sobre especificidades americanas, mimetiza uma Hollywood que ainda se move sob tensões das mais diferentes procedências. Se uma das funções primais do cinema é o ensejo da reflexão e ao Oscar cabe dinamizar essa vocação, pode-se dizer que as indicações ao prêmio em 2015, contestáveis ou não, preenchem o mérito.

Cena de "Selma": filme sobre conflitos raciais catalisa conflitos adormecidos em Hollywood

Cena de “Selma”: filme sobre conflitos raciais catalisa conflitos adormecidos em Hollywood

É a primeira vez nos últimos dez anos que se vê um debate tão passional acerca de dois filmes que, no limiar, pouca gente viu e apenas especula a partir de suas estampas, dos símbolos que trazem na sinopse e no material promocional.

Essa intensidade, no entanto, pode intervir diretamente nos rumos da corrida pelo Oscar e, nesse sentido, “Sniper americano” tem muito mais a perder.

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015 Curiosidades, Listas | 20:43

E se os pôsteres dos filmes indicados ao Oscar fossem sinceros?

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A brincadeira é anual. Todo ano, religiosamente, o site The shiznit promove uma desconstrução de algumas produções indicadas ao Oscar com muito cinismo e humor negro. O Cineclube apresenta a safra deste ano que traz “sinceridade” aos cartazes dos filmes que pleiteiam o Oscar.

"A crise do cavaleiro das trevas" na chamada de "Birdman" abre para a provocação: "você capturou o gancho do Batman"?

“A crise do cavaleiro das trevas” na chamada de “Birdman” abre para a provocação: “você capturou o gancho do Batman”?

"A teoria de tudo" seria vendido como "o desafio da deficiência motora" pois, afinal, o amor é a maior ciência de todas...

“A teoria de tudo” seria vendido como “o desafio da deficiência motora” pois, afinal, o amor é a maior ciência de todas…

"A biografia do desafio racial" renomearia o filme "Selma" porque se você não gostar do filme, você basicamente odeia os negros...

“A biografia do desafio racial” renomearia o filme “Selma” porque se você não gostar do filme, você basicamente odeia os negros…

Não poderia faltar, claro, a "desafiadora biografia gay", como seria rebatizado "O jogo da imitação", cujo principal predicado seria "o melhor momento de Benedict Cumberbatch como ator"

Não poderia faltar, claro, a “desafiadora biografia gay”, como seria rebatizado “O jogo da imitação”, cujo principal predicado seria “o melhor momento de Benedict Cumberbatch como ator”

 

"Steve Carell interpretando Robin Williams em 'Retrato de uma obsessão" anuncia "Mania de wrestler", como "Foxcatcher" deveria se chamar

“Steve Carell interpretando Robin Williams em ‘Retrato de uma obsessão” anuncia “Mania de wrestler”, como “Foxcatcher” deveria se chamar

"Piranhas egoístas" anuncia o cartaz para "Garota exemplar". O slogan não faz cerimônia ao cravar que "esses dois idiotas se merecem"

“Piranhas egoístas” anuncia o cartaz para “Garota exemplar”. O slogan não faz cerimônia ao cravar que “esses dois idiotas se merecem”

"Sniper americano" deveria se chamar "Vídeo de recrutamento do exército"  com a devida aprovação do partido Republicano...

“Sniper americano” deveria se chamar “Vídeo de recrutamento do exército” com a devida aprovação do partido Republicano…

E se "O abutre" realmente se chamasse "TMZ: o filme"  teria melhor bilheteria? O slogan apavora: "Scarface para paparazzi"

E se “O abutre” realmente se chamasse “TMZ: o filme” teria melhor bilheteria? O slogan apavora: “Scarface para paparazzi”

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015 Análises, Bastidores | 20:18

Academia de Hollywood vive guerra fria entre alas conservadora e modernizante

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Peço licença para nadar contra a corrente. Em um tempo em que a liberdade de expressão é tema de debates inflamados, o efeito manada – expressão cunhada para descrever quando indivíduos agem todos da mesma forma sem haver uma direção planejada – é perigoso e tergiversante.

“Birdman” e “O grande hotel Budapeste” lideram indicações ao Oscar 2015

Logo após o anúncio dos indicados ao Oscar 2015 tomou a internet, as redes sociais em particular, um movimento acusando a Academia de reiterar sua falta de apreço pela diversidade. De deliberadamente excluir mulheres, e haviam candidatas bem cotadas, do grupo de indicados aos prêmios de roteiro e direção. De não incluir atores negros entre os indicados e, consequentemente, de submeter “Selma”, filme sobre a emblemática figura de Martin Luther King Jr., a um papel menor na festa com suas duas e, para os propósitos dos queixosos, insignificantes nomeações. A imprensa, de maneira geral, abarcou as queixas e as reverberou sob o mesmo prisma.

Cena do filme "Selma" (Foto: divulgação)

Cena do filme “Selma”
(Foto: divulgação)

Essas ponderações se fundamentam em uma pesquisa de 2012 do jornal Los Angeles Times sobre o perfil demográfico do corpo de votantes da academia. Esse corpo é majoritariamente branco, masculino e acima dos 50 anos. Uma senha para o conservadorismo. Mas esse mesmo estudo revela que a academia jamais foi mais internacional e nunca acolheu tantas mulheres em seu colegiado. Ela é, inclusive, presidida por uma mulher negra (Cherly Boone), que tem contribuído para a diminuição dessa lacuna histórica.

Outro aspecto precisa ser analisado. Desde 2001, ano em que Halle Berry tornou-se a primeira atriz negra a vencer o Oscar de melhor atriz principal e Denzel Washington apenas o segundo ator a fazê-lo na categoria principal de atuação masculina (isso na 73ª edição do prêmio, estamos caminhando para a 87ª), muitos atores negros concorreram e venceram o Oscar. Exemplos de vitoriosos não faltam. Jamie Foxx, por “Ray” em 2004, Forest Whitaker por “O último rei da Escócia” em 2007”, Jennifer Hudson por “Dreamgirls” em 2007, Mo´Nique por “Preciosa” em 2010 e Lupita Nyong´o por “12 anos de escravidão” no ano passado se não são demonstrações eloquentes de que a diversidade é um conquista valorosa e crescente nas hostes da academia não é possível apontar o que poderiam ser.

A academia, porém, não está imune aos sobressaltos de qualquer movimento de transformação. Está em curso uma onda de modernização, naturalmente rechaçada por alas mais conservadoras. Esse conflito já podia ser percebido em anos anteriores e é novamente visível em 2015. Se por um lado, há a presença inesperadamente forte de um filme com estampa republicana, com potencial patriótico e sobre a presença militar americana no Iraque (“Sniper americano”), há duas comédias totalmente fora da caixa na liderança da corrida pelo Oscar. Uma dirigida por um latino (“Birdman”, de Alejandro González Iñarritu) e outra por um artista cultuado por hipsters e historicamente ignorado pela academia.

O cineasta Wes Anderson, autor peculiar e frequentemente esnobado agraciado em larga escala em 2015: novos tempos?

O cineasta Wes Anderson, autor peculiar e frequentemente esnobado agraciado em larga escala em 2015: novos tempos?
(Foto: divulgação)

Há de se considerar outros dois fatores preponderantes para a pouca atenção dispensada a “Selma” no Oscar, a despeito das elogiosas críticas que o filme recebe e o momento vivido pelos EUA (tema já abordado pela coluna aqui). Primeiro, a Paramount falhou na divulgação do filme e screnners, como é chamado a cópia digital enviada para votantes, simplesmente atrasaram ou não chegaram. O que contribuiu para a ausência do filme em quase todas as premiações de sindicatos, colegiados com muitos membros integrantes da academia. Repare que Globo de Ouro e Critic´s Choice Awards contemplaram bem “Selma”, mas isso porque o acesso ao filme por críticos de cinema, que são os que compõem essas duas premiações, é feito por meio de cabines, mecanismo em que as distribuidoras convidam jornalistas e críticos para assistirem seus lançamentos antes de disponibilizá-los comercialmente nos cinemas.

Outro ponto a ser considerado é a campanha nociva da qual o filme foi vítima, e ele não foi o primeiro e nem será o último, por conta de eventuais inverosimilhanças no relato. “A rede social”, “Argo”, “Cisne negro”, “O lobo de Wall Street” e “12 anos de escravidão” também foram vítimas recentes de campanhas difamatórias. É uma prática nova e vigorosa estabelecida por alguns gurus do marketing que ganham muito dinheiro para bolar estratégias de desconstrução. O Oscar é uma campanha política anual. Não se enganem.

Por outro lado, há de se considerar que, mesmo assim, e beneficiado por um sistema de votação que ainda carece de ajustes, “Selma” adentra a história como uma produção indicada ao Oscar de melhor filme. Fato que poderia gerar crítica inversa, como fomentou a vitória de “12 anos de escravidão” no ano passado.  Estaria a academia cedendo ao politicamente correto, ou como tuitou um blogueiro americano: “a indicação de ‘Selma’ a melhor filme é a academia dizendo: mas eu tenho um amigo negro”?

Cena de "12 anos de escravidão", vencedor do Oscar em 2014:  o baixo apreço a "Selma" seria uma reação conservadora ao triunfo do filme de Steve McQueen? (Foto: divulgação)

Cena de “12 anos de escravidão”, vencedor do Oscar em 2014: o baixo apreço a “Selma” seria uma reação conservadora ao triunfo do filme de Steve McQueen?
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reprodução/twitter

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Mais: São seis filmes independentes concorrendo a melhor filme. É difícil dizer que “Invencível”, de Angelina Jolie, uma produção de estúdio, foi esnobado por sexismo. As críticas eram ruins e “Garota exemplar”, assinado pela roteirista Gillian Flynn, um filme com avaliação e bilheteria melhores acabou recebendo menos indicações. “Invencível” concorre a três prêmios e “Garota exemplar” a apenas um. E como enquadrar a pouca atenção dispensada ao excepcional “O abutre”?  São os espólios dessa guerra fria que ocorre no seio da academia entre seu flanco mais conservador, ainda em maioria, e sua cada vez maior ala jovem e modernizante.

A percepção de injustiça é um efeito colateral de toda e qualquer manifestação democrática. É realmente de se lamentar a ausência de mulheres indicadas nas categorias de direção e roteiro. É lamentável que David Oyelowo, único ator negro que tinha chances na corrida, não tenha conseguido uma vaguinha. Mas ignorar avanços, lentos, mas ainda assim avanços, parecem apenas teimosia e gosto pela contrariedade.

A diversidade deve ser perseguida. Assim como a qualidade. As distorções na lista deste ano, que atingem tanto a diversidade como a qualidade, no limite que subjetividade e objetividade se tocam, reforçam a necessidade de ajustes. A presença sólida de “Foxcatcher” nas categorias nobres e sua ausência na disputa do Oscar de melhor filme, a ausência de Clint Eastwood entre os diretores com seu filme tão amplamente contemplado e mesmo “Selma” sem indicações que consubstanciem sua distinção como concorrente a melhor filme acusam a necessidade de burilar o sistema de votação como um todo. São questões que devem ser tratadas em alinhamento, pois embora escape à manada, uma influencia frontalmente na outra.

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Curiosidades, Listas | 05:00

Você sabia? Confira dados e estatísticas do Oscar 2015

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“Selma” é o concorrente a melhor filme com menos indicações; apenas duas

 

Alejandro González Iñarritu, Richard Linklater e Wes Anderson concorrem aos mesmos três Oscars. Eles foram indicados à direção, roteiro original e produção do ano. Haja rivalidade!

 

Além da indicação para melhor ator, Bradley Cooper também está indicado como produtor por “Sniper americano”

 

“Birdman” é o filme com mais indicações para elenco. São três. Edward Norton e Emma Stone, como coadjuvantes, e Michael Keaton, como melhor ator

 

Duas atrizes naturalmente ruivas concorrem ao Oscar. Além de Emma Stone, Julianne Moore

 

Julianne Moore, favorita entre as atrizes: o ano das ruivas?  (foto: reprodução/Instyle)

Julianne Moore, favorita entre as atrizes: o ano das ruivas?
(foto: reprodução/Instyle)

O braço independente da Fox, a Fox Searchlight, é o estúdio com mais indicações no ano. São 20 no total. Nove de “O Grande Hotel Budapeste”, nove de “Birdman” e mais duas de “Livre”

 

26 anos tem Emma Stone, a mais jovem entre todos os atores indicados no ano

 

84 anos tem Robert Duvall, o mais velho entre todos os atores indicados em 2015

 

O diretor de fotografia Roger Deakins conquistou sua 12ª nomeação pelo trabalho realizado em “Invencível”. Ele se torna o profissional vivo de seu ofício com mais indicações ao Oscar. É, também, um dos maiores perdedores do Oscar em qualquer categoria que se analise

Roger Deakins no set de "007 - skyfall": será que este é o ano dele?  (Foto: divulgação)

Roger Deakins no set de “007 – skyfall”: será que este é o ano dele?
(Foto: divulgação)

 

Já o mexicano Emmanuel Lubezki pode ser tornar o primeiro diretor de fotografia a vencer o Oscar de maneira consecutiva desde os triunfos de John Toll em 1995, por “Lendas da paixão” e 1996, por “Coração valente”.  Ele concorre neste ano por “Birdman” e venceu em 2014 por “Gravidade”.

 

No momento em que os indicados ao Oscar foram conhecidos, a bilheteria somada dos concorrentes nos EUA é de U$ 201 milhões. É a menor desde que a categoria passou a ter mais de cinco filmes em 2010

 

A última vez que um ator foi indicado ao Oscar  na categoria de melhor ator sem ser lembrado em nenhuma premiação periférica, tal como Bradley Cooper por “Sniper americano” também foi por um filme dirigido por Clint Eastwood. Foi o próprio Eastwood por “Menina de ouro” em 2005

 

Jennifer Aniston foi esnobada pelo Oscar depois de emplacar indicações nos termômetros Globo de Ouro, SAG e Critic´s Choice Awards. A última atriz a experimentar esse gosto amargo foi Angelina Jolie (quem diria!) por “O preço da coragem” (2008). Naquele ano, a vaga também fora roubada por Marion Cottilard que venceria por “Piaf – um hino ao amor”

Angie e Jen: o destino insiste em aproximá-las (Foto: reprodução/Eonline)

Angie e Jen: o destino insiste em aproximá-las
(Foto: reprodução/Eonline)

O diretor Bennett Miller mantém acesa uma tocha no Oscar. Pelos três filmes que dirigiu, ele conseguiu indicações para as categorias de atuação principal e coadjuvante. Em 2006 para Phillip Seymour Hoffman e Catherine Keener por “Capote”; em 2012 para Brad Pitt e Jonah Hill por “O homem que mudou o jogo” e agora para Steve Carell e Mark Ruffalo por “Foxcatcher”

 

E Bennett Miller é o primeiro diretor nomeado ao Oscar que não tem seu filme indicado a melhor filme desde que a categoria passou a receber mais de cinco indicados e este título “honroso” é irreversível

 

“Virunga” tornou-se o segundo documentário produzido pela Netflix indicado ao Oscar. Em 2014 “The square” concorreu ao prêmio

 

Mark Ruffalo e Edward Norton, rivais na categoria de ator coadjuvante, se notabilizaram por terem interpretado o personagem Hulk no cinema. Norton em “O incrível Hulk” e Ruffalo em “Os vingadores” e na sequência programada para abril deste ano

 

Os festivais ditam o Oscar. “Birdman” estreou em Veneza; “O Grande hotel Budapeste” em Berlim; “Whiplash e “Boyhood” em Sundance; “O jogo da imitação” e “A teoria de tudo” em Toronto; apenas “Selma” e “Sniper americano” não estrearam em festivais de cinema

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015 Bastidores, Listas | 12:50

Dez curiosidades sobre a lista dos indicados ao Oscar 2015

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1 – As acusações de racismo e misoginia estão à esquina. Não há nenhum negro entre os 20 indicados nas categorias de atuação. Assim como não há nenhuma mulher indicada nas categorias de direção e roteiro. Isso em um ano em que haviam concorrentes badaladas como Angelina Jolie (“Invencível”) e Ava Duvernay (“Selma”), entre diretores, e Gillian Flynn (“Garota exemplar”) entre as roteiristas

2 – Meryl Streep ampliou o próprio recorde e chegou a sua 19ª indicação ao Oscar pelo papel de bruxa má em “Caminhos da floresta”.  É também sua sexta indicação em oito anos. Assim como Bradley Cooper, ela também concorreu ao prêmio em 2014

Meryl Streep em "Caminhos da floresta": ampliando um recorde já considerado inalcançável

Meryl Streep em “Caminhos da floresta”: ampliando um recorde já considerado inalcançável

3 – A primeira vez que Robert Duvall, de 84 anos, foi indicado ao Oscar foi em 1973 por “O poderoso chefão”, trata-se da maior distância entre a primeira e a mais recente indicação entre todos os concorrentes do ano. Além disso, se Duvall vencer pelo papel de coadjuvante em “O juiz” se sagrará o ator mais velho a ganhar um Oscar competitivo, superando Christopher Plummer que venceu na mesma categoria aos 82 anos por “Toda forma de amor”

4 – Não há nenhum filme na disputa do chamado big Five, os cinco principais prêmios (filme, direção, atriz, ator e roteiro). A produção que chegou mais perto disso foi “A teoria de tudo”, mas o diretor James Marsh não emplacou entre os diretores

5- Nove dos 20 atores indicados estão concorrendo ao Oscar pela primeira vez. A categoria com mais debutantes é a de ator, com as estreias de Steve Carell, Michael Keaton, Benedict Cumberbatch e Eddie Redmayne. Trata-se, também, da única categoria em que nenhum concorrente é vencedor prévio do Oscar.

6- Morten Tyldum, de “O jogo da imitação” é o primeiro diretor norueguês indicado ao Oscar da categoria

7 – O compositor francês Alexandre Desplat concorre duplamente ao Oscar pelas composições das trilhas originais dos filmes “O jogo da imitação” e “O grande hotel Budapeste”. É o terceiro ano consecutivo em que concorre e vai ser difícil não ganhar desta vez.  Já foram seis indicações e nenhuma vitória

8 – Quatro dos concorrentes a melhor filme são histórias originais para cinema (“Birdman”, Boyhood” , “O Grande hotel Budapeste” e “Selma”)

9 – Laura Dern (“Livre”) não era indicada ao Oscar desde 1992, quando concorreu a melhor atriz por “As noites de Rose”. No ano passado, seu pai, Bruce Dern, que também não era indicado ao Oscar por quase 30 anos, concorreu ao prêmio por “Nebraska”

Laura Dern e seu pai, Bruce: o Oscar como assunto de família  (Fotos: divulgação e Getty)

Laura Dern e seu pai, Bruce: o Oscar como assunto de família
(Fotos: divulgação e Getty)

10 – Dos 20 atores indicados, seis não são americanos: Marion Cottilard (França), Rosamund Pike (Inglaterra), Felicity Jones (Inglaterra), Keira Knightley (Inglaterra), Eddie Redmayne (Inglaerra) e Benedict Cumberbatch (Inglaterra)

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Análises | 11:45

Em lista amalucada, academia acolhe esnobados históricos e surpreende

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Desde que antecipou o anúncio de seus indicados para meados de janeiro, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood estreitou o calendário de premiações e tornou mais difícil a arte de prever que filmes e artistas serão convidados para festa. Mas essa não foi a única mudança na espinha dorsal da temporada de prêmios. A academia estabeleceu que para um filme entrar na disputa de melhor filme, categoria com a flexibilidade de comportar entre cinco e dez candidatos, é preciso reunir a preferência de 5% do corpo acadêmico. Como são mais de seis mil membros votando, é bastante gente que deve colocar o filme na primeira posição de sua cédula. Os candidatos das outras categorias são escolhidos pelos branchs respectivos (setores de atores escolhem os atores; diretores votam nos diretores e etc). Na hora de escolher os vencedores, todo mundo vota em todas as categorias.

“Birdman” e “O Grande Hotel Budapeste” lideram indicações ao Oscar 2015

Diferentemente dos últimos três anos, quando nove filmes concorreram a melhor filme, em 2015 oito foram agraciados com a alcunha de indicados a melhor produção do ano. Algumas distorções podem ser percebidas. “Selma”, biografia do ícone dos direitos civis Martin Luther King, amealhou uma indicação para melhor filme sem figurar em outras categorias tidas como principais (direção, roteiro, atuação ou edição) e só conquistou  outra nomeação, para canção original. Já “Foxcatcher: uma histórica que chocou o mundo” obteve indicações sólidas como para melhor diretor, ator, roteiro original, ator coadjuvante, mas não conseguiu vaga entre os indicados a melhor filme.

Distorções como essas não são exatamente novidade. Em 2012, “Tão longe e tão perto”  concorreu a melhor filme só tendo sido contemplado com outra indicação, para melhor ator coadjuvante.

Novidade mesmo foi o acolhimento de esnobados históricos. Cineastas como Richard Linklater e Wes Anderson fazem ótimos filmes desde que começaram no negócio de cinema, mas jamais receberam a atenção que obtiveram em 2015 por parte da academia. “O grande hotel Budapeste”  lidera a corrida pelo Oscar, ao lado de “Birdman” com nove indicações, e “Boyhood” obteve seis menções em categorias de prestígio.

Ademais, Linklater, Anderson  e mais o mexicano Iñarritu (“Birdman”) medem forças tanto na categoria de direção, como em roteiro. Uma prova de que a academia também está recompensando esse grupo de cineastas mais autorais que reclamam para si mais controle sobre o filme.

Bradley Cooper faz história no cinema e na história do Oscar (Foto: divulgação)

Bradley Cooper faz história no cinema e na história do Oscar
(Foto: divulgação)

Outros destaques da lista são a presença, relativamente inesperada da francesa Marion Cottilard pela produção belga “Dois dias, uma noite) entre as atrizes e a nomeação de Bradley Cooper (Sniper americano) a melhor ator.

Cottilard é muito querida pela academia e já havia sido esnobada ano passado pelo francês “Ferrugem e osso”. Neste ano, o filme pelo qual foi indicada ficou de fora até mesmo dos semifinalistas para produção estrangeira, mas o fascínio que  a atriz exerce na academia falou mais alto. De quebra, é a segunda vez em oito anos que ela concorre por um filme não falado em língua inglesa. Uma façanha de fato. Ela ganhou por “Piaf – um hino ao amor” em 2008.

Cooper consegue uma façanha ainda mais memorável. Ator até hoje contestado e com um background de comédias rasas, ele consegue sua terceira indicação consecutiva pelo atirador de elite em crise de “Sniper americano”. Ele concorreu nos anos anteriores por “O lado bom da vida” e “Trapaça”. Antes dele, apenas Spencer Tracy e Russell Crowe haviam conquistado tal feito.

Conforme o Cineclube já havia antecipado aqui, o coprodução entre Brasil e Alemanha, “O sal da prata”, sobre a vida do fotógrafo Sebastião Salgado, está entre os finalistas a melhor documentário. Mas não deve ganhar. O favoritismo é todo de “Citizenfour”, sobre a jornada do ex-analista da NSA Edward Snowden.

O argentino “Relatos selvagens” rompeu a resistência histórica da academia com filmes episódicos e mede forças com os favoritos “Ida” (Polônia) e “Leviatã” (Rússia). Historicamente, esta é a categorias a ofertar mais zebras.

“Garota exemplar” e “O abutre”, filmes que resvalam na sordidez humana, acabaram diminuídos no Oscar. O primeiro teve uma indicação solitária para a atriz Rosamund Pike, enquanto o segundo só foi lembrado por seu roteiro original.

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015 Curiosidades | 18:15

As apostas da coluna para as indicações ao Oscar 2015

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Prever os indicados ao Oscar é um misto de atenção ao retrospecto do prêmio, intuição e observação do cenário delineado ao longo da sempre movimentada temporada de premiações. Não é, porém, uma equação tão simples quanto o raciocínio aí exposto faz parecer. De qualquer modo, a coluna gosta de um desafio e apresenta abaixo as apostas nas principais categorias para as indicações à 87ª edição do Oscar. O anúncio será feito nesta quinta-feira (15) a partir das 11h.

Oscar

Melhor filme

“Birdman”

“Boyhood: da infância à juventude”

“O Grande Hotel Budapeste”

“A teoria de tudo”

“O jogo da imitação”

“Garota exemplar”

“Selma”

“Sniper americano”

“O abutre”

“Whiplash”

Diretor

Clint Eastwood (“Sniper americano”)

Richard Linklater (“Boyhood”)

Damien Chazelle (“Whiplash”)

Alejandro González Iñarritu (“Birdman”)

Ava DuVernay (“Selma”)

Roteiro original

“Birdman”

“O Grande Hotel Budapeste”

“Boyhood”

“O abutre”

“Foxcatcher”

Roteiro adaptado

“Garota exemplar”

“O jogo da imitação”

“Whiplash”

“American sniper”

“A teoria de tudo”

Filme estrangeiro

“Relatos selvagens” (Argentina)

“Tangerines” (Estônia”)

“Ida” (Polônia)

“Leviatã” (Rússia)

“Força maior” (Suécia)

Ator

Michael Keaton (“Birdman”)

Eddie Redmayne (“A teoria de tudo)

David Oyelowo (“Selma”)

Benedict Cumberbatch (“O jogo da imitação”)

Jake Gyllenhaal (“O abutre”)

Atriz

Julianne Moore (“Para sempre Alice”)

Rosamund Pike (“Garota exemplar”)

Reese Witherspoon (“Livre”)

Felicity Jones (“A teoria de tudo”)

Jennifer Aniston (“Cake – uma razão para viver”)

Ator coadjuvante

Steve Carell (“Foxcatcher”)

Mark Ruffalo (“Foxcatcher”)

Ethan Hawke (“Boyhood”)

Edward Norton (“Birdman”)

J.K. Simmons (“Whiplash”)

Atriz coadjuvante

Keira Knightley (“O jogo da imitação”)

Patricia Arquette (“Boyhood”)

Rene Russo (“O abutre”)

Emma Stone (“Birdman”)

Laura Dern (“Livre”)

Documentário

“Citizenfour”

“O sal da terra”

“Life itself – a vida de Roger Ebert”

“The case against 8”

“Last days in Vietnam”

Fotografia

“Birdman”

“O Grande hotel Budapeste”

“Ida”

“Mr. Turner”

“O abutre”

Edição

“Birdman”

“Garota exemplar”

“Boyhood”

“Whiplash”

“O jogo da imitação”

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