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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 Diretores, Filmes, Notícias | 19:38

Cinema de Jafar Panahi volta a ganhar relevo com “Táxi”

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

O cineasta iraniano Jafar Panahi fez alguns bons filmes em sua carreira, o melhor e mais festejado deles, “O círculo” venceu o Leão de Ouro em Veneza no ano 2000. A fita, de uma postura política inflamada para os padrões vigentes no Oriente médio, tratava das dificuldades impostas às mulheres por um estado islâmico como o Irã. Em 2009, ele apoiou o adversário de Mahmoud Ahmadinejad nas eleições presidenciais, o que fez com que fosse alvo de perseguição do regime dos aiatolás. Em março de 2010 foi feito prisioneiro. Em novembro daquele ano, declarado culpado de incitar protestos oposicionistas e de cultivar um cinema “obsceno”. Confinado à prisão domiciliar e proibido de fazer filmes por 20 anos, Panahi não se furtou do ofício de fazer cinema.

Em 2011, lançou “Isto não é um filme”, documentário em que retrata um dia de sua rotina como prisioneiro do regime iraniano. O filme foi rodado com câmeras amadoras e celulares.

“Cortinas fechadas”, premiado no festival de Berlim de 2013 com o prêmio de melhor roteiro, mistura ficção e realidade e abusa do poder de metaforização ao mostrar um roteirista que se trancafia em uma casa com um cachorro (animal perseguido no Irã por ser considerado “imundo”) e tenta terminar de escrever o roteiro de um filme. Sons externos enunciam a instabilidade vivenciada pelo roteirista. A casa é invadida por dois jovens que alegam também eles serem vítimas de perseguição política. Em um dado momento, o próprio Panahi aparece em cena borrando as fronteiras de ficção e realidade.

Agora, o diretor retorna com “Táxi”, um documentário mais oxigenado na proposta e na investigação que alinha. Panahi oferece suas impressões de uma Teerã contemporânea através das janelas de um carro e das vozes de passageiros distintos. O filme já é sintomático do pouco de liberdade que Panahi conseguiu obter. Ele já pode sair de sua casa, mas não pode deixar o país. Seu cinema continua clandestino, mas mais vigoroso do que nunca. A reação da crítica internacional a “Táxi” foi de maravilhamento. O filme, que concorre ao Urso de Ouro em Berlim, recebeu nesta sexta-feira  (13) o prêmio da crítica no festival.

O cineasta virou atração no festival de Berlim  (Foto: reprodução/Der Spiegel)

O cineasta virou atração no festival de Berlim
(Foto: reprodução/Der Spiegel)

“Sou um cineasta. Não posso fazer outra coisa a não ser filmes. O cinema é meu modo de expressão e a razão da minha vida. Por isso, preciso continuar fazendo filmes sob qualquer circunstância”, disse Panahi em vídeo exibido quando da première de seu filme em Berlim. O Der Spiegel, um dos principais semanários da Alemanha, observou que o filme é uma maneira criativa de expor a realidade do Irã e uma elaboração política refinada por parte do cineasta. Tudo indica que “Táxi” será o grande filme da era clandestina da carreira do diretor iraniano.

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Kamila Azevedo 13/02/2015 20:46

    Confesso que nunca ouvi falar nesse cineasta antes, mas li seu post com atenção e, se tiver a oportunidade, assistirei a “Táxi”.

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