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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015 Críticas, Filmes | 18:45

“Caminhos da floresta” é cozidão pop que imagina contos de fadas pelo avesso

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Rob Marshall será sempre assombrado por seu primeiro filme, o primoroso e vencedor do Oscar “Chicago” (2002). Seu debute no cinema não poderia ser um paradigma mais resiliente. “Chicago” surfou na onda de “Moulin Rouge”, lançado um ano antes, e consolidou a revitalização do musical no cinema. Gênero e Marshall ainda tentam superar o impacto do filme estrelado por Richard Gere e Catherine Zeta-Jones.

A filmografia irregular de Marshall ostenta outros dois musicais, o subestimado “Nine” e esse “Caminhos da floresta” (EUA, 2014), uma adaptação do musical de Stephen Sondheim que reúne diversos personagens de variados contos de fadas. O filme se comunica com o momento da Disney de explorar personagens de fábulas em contextos diferentes e representa, também, certa ousadia.

Personagens clássicos como Cinderela, Chapeuzinho vermelho, Rapunzel, a bruxa má e João e o pé de feijão interagem em um vilarejo fantástico. Mas suas representações passam longe do tradicionalismo presente nos contos de fadas tradicionais.

A bruxa má vivida por Meryl Streep, o padeiro (James Corden) e sua mulher (Emily Blunt): eles puxam a trama (Foto: divulgação)

A bruxa má vivida por Meryl Streep, o padeiro (James Corden) e sua mulher (Emily Blunt): eles puxam a trama
(Foto: divulgação)

Contudo, “Caminhos da floresta” não empolga nem como musical nem como ousadia. Fica tudo no quase. Em parte porque a trama é simplória demais e o fato de ser um musical com bons momentos não disfarça isso e, fundamentalmente, porque torna-se refém de seu mote. Os personagens não são cativantes, as músicas são boas, mas não irrompem o interesse circunstancial – algumas chegam a cansar – e Marshall deixou passar algumas arestas mal desenvolvidas.

Isso posto, “Caminhos da floresta” tem o mérito, que já vem da peça original, de mitigar os efeitos dos contos de fadas. O cinismo do registro é bem-vindo e se surge majestoso e expansivo no número musical em que os dois príncipes competem para ver quem é mais vaidoso, é bastante sutil, por exemplo, no momento em que o personagem vivido por Chris Pine avança sobre a mulher do padeiro, defendida por Emily Blunt. A atriz britânica, aliás, responde pela vitalidade da fita. Quando sai de cena, o filme murcha um pouco. É ela quem injeta energia e verdade em um filme que perde muito de seu impacto no ato final, menos musicado.

“Caminhos da floresta” acaba por se revelar um filme menos interessante do que o fã de musicais supõe. Cozidão pop, empobrece a filmografia de Marshall no mesmo compasso em que acentua o brilhantismo de “Chicago”, para todos os efeitos o último grande musical a ganhar os cinemas. É este o paradoxo do qual Marshall ainda não conseguiu se desvencilhar.

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Kamila Azevedo 19/02/2015 21:15

    Gosto muito de musicais mas esse ‘Caminhos da Floresta’ não me encantou. Achei o roteiro muito fraco, especialmente pela falta de foco ao colocar à tona todos esses contos de fada, sem uma unidade ou coesão. Acho que o elenco e alguns elementos da parte técnica acabam sendo o grande destaque do filme.

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