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terça-feira, 3 de março de 2015 Críticas, Filmes | 20:06

Espaço Cult – “O Grande Hotel Budapeste” é um legítimo L´Air de Panache

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O cinema de Wes Anderson é uma grife e para quem ainda duvida disso, a informação de que o perfume usado pelo protagonista, um escroque de butique vivido com incrível ritmo por Ralph Fiennes, foi desenvolvido especialmente para o filme pelo perfumista Mark Buxton, seja de alguma valia.

O perfume usado pelo concierge Gustave H. (Fiennes) é das fragrâncias mais refinadas e persistentes que há, informa Zero (Tony Revolori/F. Murray Abraham), o mensageiro e fiel escudeiro de Gustave no Grande Hotel Budapeste. Pois bem, o mais recente filme de Wes Anderson é um legítimo L´Air de Panache. Anderson preserva suas idiossincrasias, mas entrega seu filme mais acessível. Uma demonstração de amadurecimento enquanto cineasta.

“O Grande hotel Budapeste” é uma deliciosa fábula sobre as agruras da guerra, mas em momento algum essa comédia solar torna-se pesada, grave ou ruidosa. Pelo contrário, Anderson oferece energia, esperança e beleza ao falar de como a guerra foi um evento catalisador de mudanças profundas no jogo social. Não obstante, formula um personagem dos mais icônicos de sua filmografia, o concierge Gustave H., defendido com afetação calculada e humor brioso por Ralph Fiennes. Responsável pelo imponente Grande Hotel Budapeste, Gustave H. é um homem de gosto refinado e interesses venais. Ele costuma se relacionar com grã-finas endinheiradas que têm por hábito paparicá-lo. De quebra, garante a boa frequência do hotel que comanda.

Ralph Fiennes: não menos que espetacular em cena (Foto: reprodução)

Ralph Fiennes: não menos que espetacular em cena
(Foto: reprodução)

Depois que uma dessas senhoras morre e lhe deixa um bem, Gustave H. é acusado de ser o responsável pela morte dela e precisa provar sua inocência. A guerra é um pano de fundo desestabilizador.

A estética apurada, marca registrada do cinema de Anderson, permanece como um dos grandes atrativos do filme. Os enquadramentos e a direção de arte denunciam logo no primeiro olhar, se tratar de um filme do diretor. O que mais impressiona, principalmente considerando esse ser o trabalho posterior a “Moonrise Kingdom” (2012), é a maneira cada vez mais sofisticada que o cineasta concilia seus impulsos autorais com o tema escolhido em particular. A sinergia é cada vez mais esplendorosa e irresistível.

“Começa muito parecida com uma colônia tradicional”, explicou Buxton na ocasião do lançamento do perfume, “depois de cinco ou dez minutos, fica muito amadeirado e animálico; bastante moderno”.

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