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quinta-feira, 2 de abril de 2015 Críticas, Filmes | 18:24

“Para sempre Alice” provoca emoção com dignidade sem abdicar de fórmulas

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Como esperado e criticado por muitos, “Para sempre Alice” (Still Alice, EUA, 2014) é um filme formulaico e repleto dos clichês que fizeram a fama do subgênero “filme sobre doenças”. Contudo, é, também, um filme de honestidade rara. O aparente paradoxo só é possível porque há um cuidado muito grande por parte da realização com o que se coloca na tela. Não são os clichês que validam o filme e sim o trabalho sensível do elenco, em especial da protagonista Julianne Moore.

Em “Para sempre Alice”, Moore vive Alice Howland, doutora em linguística e referência na área que é acometida de uma precoce e rara manifestação do mal de Alzheimer. O filme de Richard Glatzer (morto pouco depois de ver Moore consagrada com o Oscar pelo papel) e Wash Westmoreland se ocupa de mostrar justamente a rotina opressiva, tanto para Alice como para sua família, que a doença impõe.

Conflitos familiares submergem ao Alzheimer em "Para sempre Alice" (Foto: divulgação)

Conflitos familiares submergem ao Alzheimer em “Para sempre Alice”
(Foto: divulgação)

Baseado no bom livro de Lisa Genova, o filme sublinha detalhes que realçam a tragédia experimentada por Alice. Primeiro por sofrer de um tipo de Alzheimer com ascendência genética e com grandes possibilidades de manifestação em seus filhos. Segundo porque por ter um intelecto avantajado, a deterioração da mente de Alice se dá de maneira mais rápida e, finalmente, a sensação de impotência é agravada por ser seu marido (Alec Baldwin) um médico pesquisador na área genética.

O grande trunfo do filme, no entanto, reside mesmo na maneira como Julianne Moore trabalha sua personagem. Seja na franqueza com que expressa seu desespero, mas também sua resiliência, em face de uma derrocada como a que se anuncia dia após dia. Seja na forma como torna física essa derrocada. Moore toma o filme sob suas asas na melhor concepção de filme de atriz e torna inquestionável o demorado Oscar que recebeu pelo trabalho.

O elenco reage à performance de Moore no mesmo compasso. Alec Baldwin merece elogios por trafegar entre a contenção e a catarse com habilidade e sutileza como parâmetros. Kristen Stewart, Hunter Parrish e Kate Bosworth, que interpretam os filhos, ajudam a dimensionar o aflitivo drama familiar.

A honestidade do registro se cristaliza nessa entrega do elenco e na candura com que a realização adorna a história de Alice. A arte de perder todos os dias, como Alice bravamente classifica em uma palestra para outras vítimas do Alzheimer, em uma das cenas capitais do filme, exige atenção às fórmulas, mas fundamentalmente requer desprendimento e disposição. Isso o filme tem de sobra e cativa justamente por isso.

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2 comentários | Comentar

  1. 52 Rodrigo 03/04/2015 15:40

    Assisti ao filme e gostei. Fica apenas a mençao a palavra da moda “resiliência”,escrita no texto e repetida por ignóbeis. Precisa avisar a equipe de revisores do dicionário aurélio para incluir na próxima edição esse neoligismo.

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  2. 51 Kamila Azevedo 02/04/2015 20:50

    Acho que o grande diferencial de “Para Sempre Alice” se chama Julianne Moore. Ela que humaniza o filme e que faz a gente ficar interessado na história. No geral, achei uma obra um tanto mediana.

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