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quinta-feira, 4 de junho de 2015 Críticas, Filmes | 17:39

Tipos desajustados embelezam narrativa da comédia dramática “Cala a boca, Philip”

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Alta cultura e intelectualidade não são mais importantes do que o desejo ou o ego em “Cala a boca, Philip (Listen up, Philip, EUA/2014) pequena joia do cinema independente americano assinada por Alex Ross Perry, mas emolduram esse belo filme que discorre sobre os maus hábitos de um escritor com grandes ambições.

Philip, vivido pelo expert em tipos esquisitos Jason Schwartzman, vive em Nova York com sua namorada, a fotógrafa Ashley (Elizabeth Moss) e está em plena crise de ansiedade com o lançamento de seu segundo livro. Ele está convencido de que é inferior ao primeiro e teme menos pelo desempenho comercial da obra e mais por seu futuro como escritor.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Depois de receber de seu editor a notícia de que seu ídolo, Ike Zimmerman (Jonathan Pryce), gostou do novo livro e gostaria de conhecê-lo, Philip se anima e embarca nessa amizade improvável. Se reconhecendo em Philip, Ike o toma como pupilo em uma relação que afasta Philip de Ashley, propiciando a ela a percepção de que como ele a sugava, e devolvendo certo gosto pela vida a Ike. Philip, por seu turno, é instado pelo amigo a desenvolver impulsos –  quase nenhum elogiável – que todo escritor promissor deve ter.

Narrado em forma de prosa, “Cala a boca Philip”, dá a impressão de ser um filme coral em alguns momentos. Trata-se de um bem-vindo recurso articulado por Perry que dá ao seu filme o acabamento de um romance ambientado em Nova York sobre como a cena artística da cidade pode produzir tipos estranhos e absortos. Não há personagens adoráveis em “Cala a boca, Philip”, a começar pelo protagonista que acha grosseria beijar na boca em público, confessa preferir ser lembrado como um grande talento da literatura do que como um ser humano e objetifica ao máximo as mulheres que cruzam sua vida. É uma aposta arejada de Perry, portanto, aferir leveza a uma narrativa recheada de personagens essencialmente desagradáveis.  Aposta esta que rende um filme inteligente e cativante de uma maneira tão inusitada como esse punhado de personagens desajustados que pipocam na tela.

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