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Arquivo de junho, 2015

sábado, 13 de junho de 2015 Bastidores, Filmes | 17:04

O que indica o prejuízo da Disney com “Tomorrowland”?

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Foto: divulgação

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Reportagem do The hollywood Reporter indica que a Disney se prepara para um prejuízo entre U$ 120 e U$ 140 milhões com o filme “Tomorrowland- um lugar onde nada é impossível”. Ao todo, o estúdio investiu no filme cerca de U$ 400 milhões – agregando na matemática custos de produção e a alavancagem do marketing.  A arrecadação internacional do filme, até o momento, está em U$ 170 milhões.

Neste momento a indústria reflete sobre o que pode ter dado errado com filme e a resposta mais consistente aponta falhas na promoção da fita. Adultos devem ter pensado que se tratava de um filme infantil e crianças não se sentiram atraídas pelo tom nostálgico da fita. Outro grande filme dessa temporada de blockbusters, “Mad Max – estrada da fúria”, também é pouco palatável do público habitual dos multiplexes nesta época do ano. A exemplo de “Tomorrowland”, “Estrada da fúria” não faz uma bilheteria vistosa nos EUA. Outro elemento a unir os dois filmes parece ser a total incapacidade do marketing dos estúdios em vendê-los. É como se, apesar dos milhões gastos na promoção, não soubessem em que fatia do público mirar. Muito menos como comunicar o que será lançado nos cinemas.

Por um lado, este cenário pode ser bem desolador. Não para a Disney que ainda reúne um belo plantel de lançamentos (“Homem-formiga” e “Divertida mente” – além de “Star Wars” no final do ano). Mas para o cinema mainstream em geral. Ideias originais escasseiam em Hollywood como água no deserto e quando elas surgem, seja na forma de filmar (“Mad max”), seja na aposta em um projeto totalmente novo (“Tomorrowland”), patinam na aceitação do público e levam pulgas para trás das orelhas dos engravatados que tomam as decisões no mundo do cinema.

A razão de tantos remakes, reboots e sequências inundarem Hollywood é justamente a de que ninguém sabe como filmes como “Tomorroland” vão repercutir junto ao público. Esse prejuízo ostensivo que a Disney amealha agora com o filme protagonizado por George Clooney, portanto, é mais água no chope de quem torce por mais criatividade e originalidade no cinema.

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sexta-feira, 12 de junho de 2015 Filmes, Notícias | 22:46

Terror “Final girl” promete ser o “Pânico” da nova geração

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Final girl 2“Pânico”, assinado pelo cineasta Wes Craven e pelo roteirista Kevin Williamson, era antes de qualquer coisa uma homenagem ao cinema. Era, também, uma inteligente sátira a este universo tão peculiar que é o gênero terror – que Craven ajudou a definir entre os anos 70 e 80.

Com a cara dos anos 90, “Pânico” virou uma bem sucedida franquia que invadiu o novo milênio e depois de um (bom) quarto filme – lançado em 2011 – virou série de TV (o show estreia no final deste mês na MTV americana).

Tyler Shields não é nenhum Wes Craven. Na verdade, nem mesmo é cineasta. O renomado fotógrafo de celebridades debuta como diretor de cinema com “Final girl”, uma fita de terror que já no título extravasa toda a sua pretensão pop. Final girl, no português “a última garota”, é o termo usado para descrever a última garota que resta nos filmes de terror; o que não quer dizer necessariamente que sobreviva no final das contas. O trailer, que pode ser conferido abaixo, tem uma vibe tarantinesca que serve bem ao propósito irônico do filme. Uma sátira, como tão bem defende Tarantino, pode ser agonizante ao mesmo tempo em que é engraçada.

No filme, a pequena miss sunshine (já não tão pequena assim) Abigail Breslin é Veronica. Uma garota que entra na mira de quatro garotos que formam um grupo satânico e planejam persegui-la e matá-la em um ritual. Eles só não esperavam que ela tivesse recebido o treinamento para ser a tal da final girl. Wes Bentley  (“Beleza americana”) surge como o mentor da menina.  Referências pop e um visual bacanão devem marcar a estreia de Shields na direção. O portfólio do cara como fotógrafo vale a visita e pode ser conferido aqui.

“Final girl” terá lançamento em cinemas selecionados e no on demand nos EUA em 14 de agosto. Não há informações sobre o lançamento nos cinemas brasileiros, mas por ser tratar de uma produção modesta deve ir direto para lançamento em home/vídeo. Salvo um sucesso estrondoso na terra do tio Sam.

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Curiosidades, Filmes | 07:00

Filmes para refletir sobre a redução da maioridade penal

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Cena de "Cidade de Deus" Foto/ divulgação

Cena de “Cidade de Deus”
Foto/ divulgação

Em voga no Brasil, o debate acerca da redução da maioridade penal já se prova um dos mais polarizantes dos últimos anos. Falta base, boa vontade, maturidade e, acima de tudo, respeito aos pontos de vista alheios para se construir uma discussão séria e que tenha o país como norte.

Feita essa contextualização, o cinema pode ser um bom instrumento para a reflexão.  Poderíamos listar aqui bons filmes internacionais ajustados ao tema, mas a reflexão talvez afrouxasse ao expandir o escopo.  A brasilidade do registro se faz necessária e o cinema nacional é perfeitamente capaz de abastecer o debate por si só. Há bons filmes como o festejado “Pixote, a lei do mais fraco” (1981), de Hector Babenco, que mostra o cerco da criminalidade aos menores abandonados.  A trajetória do Pixote do filme, vivido por Fernando Ramos da Silva, resulta em poesia absurda que culmina em outra produção, de 1996, chamada “Quem matou Pixote?”, de José Joffily. Fernando experimentou muito êxito e tentou emplacar a carreira de ator após o sucesso do filme, mas acabou retornando à criminalidade por influência dos irmãos e foi morto por policiais.

Adotando uma lógica mais identificada com a esquerda, o recente “De menor” (2013) tenta problematizar a relação da Justiça com os menores infratores por um viés bastante emocional. No filme, uma jovem defensora pública que lida diariamente com a “indústria dos menores infratores” se vê fragilizada quando seu irmão vai parar no banco dos réus.

Buscando maior imparcialidade, o documentário “Juízo”, de Maria Augusta Ramos – uma peça frequente em conselhos tutelares e varas da infância e juventude – traça um painel menos ideológico e mais concreto do drama dos milhares de menores às voltas com a criminalidade.

Mais famoso, “Cidade de Deus” é uma bem-vinda adição a este grupo. Certamente o mais otimista de todos, afinal o protagonista dribla a violência com todas as suas forças, o filme oferece um contraponto à tese de que a vida do crime é inescapável para quem se vê circundado pela delinquência.

Ficção e realidade se camuflam em um painel complexo que o cinema parece tratar com mais honestidade do que as bancadas cheias de interesses secundários que discutem o tema com bravatas e desagravos no Congresso.

Abaixo os trailers dos filmes “Juízo”, “Pixote, a lei do mais fraco”, “De menor” e “Quem matou Pixote?”

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quinta-feira, 11 de junho de 2015 Análises | 17:44

A crítica de cinema está morrendo

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Volta e meia a função da crítica é questionada. A internet redesenhou o papel da crítica de cinema assim como forçou o jornalismo como um todo a se reinventar. Nada novo até aí. No entanto, uma discussão derivada dessa problemática merece atenção.  As mídias sociais diminuíram a força da crítica de cinema? Um crítico é ainda relevante para determinar a opção por um filme em detrimento de outro? Segundo o crítico canadense Richard Crouse, que se deteve sobre o tema em artigo na The Canadian Press, a relevância de um crítico hoje é mínima, quase nula. “Antigamente, você tinha um grupo de críticos que podia confiar e construir uma relação. Mesmo que discordasse deles, você os lia e prestava atenção no que eles tinham a dizer. Agora é tudo bem diferente. Eu acho que as pessoas perpassam blogs e Twitter e se decidem por lá mesmo”. “Eu acho que o Twitter, o Facebook e toda essa era digital precipitam essa demanda por reação instantânea a qualquer coisa sem o tempo para um real aprofundamento”, observa à coluna um dos diretores de programação do Festival de Toronto, Jesse Wente.

Ouvido sobre a questão pela revista The interview, o cineasta David Cronenberg disse que sites como o Rotten Tomatoes, portal que reúne todas as críticas publicadas na web sobre os filmes em lançamento, dilui a efetividade das críticas. “Você tem os ‘top críticos’ e os ‘críticos’, uma distinção entre críticos que realmente se engajaram na profissão e outros que ali estão apenas por aventura”.

Uma boa crítica de cinema objetiva expandir a experiência cinematográfica. Não se trata de encerrar a discussão sobre uma obra, mas sim de iniciá-la, de reverberá-la. De oferecer ao leitor outros ângulos, de estabelecer um diálogo com a obra, de refinar possíveis interpretações e apontar minúcias e símbolos, entre outros.

vinga max

“Vingadores: a era de Ultron” não emplacou com a crítica, mas é sucesso de público. O novo “Mad Max”,
por seu turno, agradou a crítica, mas só melhorou de bilheteria depois do bafafá nas redes sociais
(Foto:montagem sobre reprodução)

Roger Ebert, talvez o maior e mais celebrado crítico de cinema do mundo, morto em 2013, pensava diferente. Em 2011, publicou um artigo no Wall Sreet Journal sobre o tema e via a internet no geral, e as redes sociais em particular, como uma bomba de oxigênio para a crítica de cinema.  Para ele, trata-se de uma era de ouro. “Mais frequentadores de cinema estão lendo boas críticas sobre filmes novos e velhos do que antes. Ainda que também estejam lendo mais críticas ruins”.  O jornalista americano Matt Singer, no blog Indie Wire vê nessa evolução da crítica de cinema seu ponto mais fatal e vai ao encontro do que pensa Cronenberg. “Ao permitir que todo mundo que tenha uma perspectiva sobre cinema escreva sobre isso e compartilhe com o mundo, essa evolução pode matar a carreira da próxima geração de críticos”.

Paralelamente a essa discussão cheia de subjetividades, uma pesquisa feita pela Nielsen nos EUA apurou que usuários do Twitter vão mais ao cinema do que frequentadores de cinema que não têm conta na rede social. Não obstante, usuários do Twitter têm 87% mais chances de ir ver um filme em seus dez primeiros dias de exibição e 340% mais chances de ter visto mais de 12 filmes nos últimos seis meses do que não usuários. Além do mais, os usuários do Twitter estão mais inteirados dos lançamentos do verão americano (época mais lucrativa para os estúdios de cinema). Obviamente, a pesquisa – encomendada pelo Twitter – ambiciona mostrar para Hollywood o potencial promocional da rede social. É senso comum que nenhum crítico de cinema hoje possui tamanha influência.

Muitos, inclusive, abrem mão de ler críticas antes de verem os filmes e só o fazem após a sessão. Na maioria das vezes, apenas em caso de aprovação do filme. Essa realidade, potencializada pela ojeriza a spoilers,  como se uma crítica por definição carregasse spoilers, enfraquece a formação cultural de frequentadores de cinema e relega ao marketing de estúdios e distribuidoras a missão cada vez mais árdua (em virtude dos preços pouco amistosos dos ingressos) de levar o público ao cinema.

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quarta-feira, 10 de junho de 2015 Notícias | 20:56

Pesquisa indica que faturamento do On Demand vai superar cinemas em 2018

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Foto: divulgação

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Que a maneira de se assistir TV está mudando todo mundo sabe. Passa por essa mudança o crescimento voraz do streaming, capitaneado pela Netflix, e pela popularização do vídeo on demand, conceito em que o espectador assiste o que quiser, quando quiser e como quiser – conceito adornado pela acesso à internet cada vez mais amplo. O que a pesquisa produzida e divulgada pela PrivewaterhouseCoopers projeta, no entanto, é uma mudança muito mais rápida e profunda do que analistas de mercado previam.

De acordo com o estudo, realizado em 54 países, inclusive o Brasil, os vídeos online vão superar os lucros das salas de cinema norte-americanas já em 2018, tornando-se a principal fonte de renda do mercado nos EUA. A tendência, defendem os responsáveis pela pesquisa, é que o mundo – ainda que mais lentamente – replique esse movimento.

Nessa categoria de vídeo online, incluem-se assinaturas, aluguéis e compras avulsas de títulos em serviços como Netflix e Hulu. Canais como HBO e Showtime já se movimentam para lançar no mercado americano sites de streaming com assinaturas independentes de seus canais a cabo. A expectativa é de que o setor cresça cerca de 14% ao ano. O mesmo estudo indica que o cinema deve crescer cerca de 4% ao ano. Uma diferença brutal aos olhos de investidores, o que poderia precipitar uma mudança na hierarquia de lançamentos de filmes. Nos EUA, muitos filmes independentes já estão sendo comercializados por streaming simultaneamente ao lançamento nos cinemas.

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segunda-feira, 8 de junho de 2015 Bastidores, Notícias | 22:23

Netflix anuncia seu projeto mais ambicioso, filme de guerra estrelado por Brad Pitt

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“As oportunidades multiplicam-se à medida que são agarradas”, cravou Sun Tzu, célebre autor do livro “A arte da

Foto: reprodução/Hollywood Reporter

Foto: reprodução/Hollywood Reporter

guerra”. Que a Netflix está se movimentando para ser um dos principais players no mercado de cinema, já é sabido. Mas a empresa dá reiteradas demonstrações de possuir uma estratégia refinada para desafiar os padrões vigentes estabelecidos pelos maiores conglomerados de comunicação. Nesta segunda-feira, a companhia divulgou um comunicado informando que irá produzir uma sátira à guerra do Afeganistão estrelada por Brad Pitt e dirigida pelo cineasta australiano David Michôd, dos excepcionais “Reino animal” (2010) e “The rover – a caçada” (2014).

Trata-se de uma adaptação do livro The Operators: The Wild and Terrifying Inside Story of America’s War in Afghanistan (Os Operadores: A selvagem e terrível história de dentro da guerra americana no Afeganistão, em tradução direta), do jornalista americano Michael Hastings. O livro nasceu de uma reportagem que Hastings fez para a revista Rolling Stone com o general Stanley McChrystal, que em sua entrevista desandou a falar mal do governo e da maneira como a guerra estava sendo conduzida. O jornalista acabou morto em um acidente de carro em junho do ano passado; apenas dois anos depois de lançar o livro. A Netflix vai investir cerca de U$ 30 milhões no filme, de acordo com o site Deadline, que se chamará “War machine”. Pitt dará vida ao general McChrystal. O ator também produzirá o filme por meio de sua companhia, a Film B. A fita deve ser lançada no fim de 2016, a princípio, exclusivamente na Netflix.

Leia também: Qual o impacto da guerra nada fria entre Amazon e Netflix para a produção de cinema? 

the operators

Capa do livro que dará origem a “War machine”

O projeto soma-se a quatro filmes protagonizados pelo ator Adam Sandler que a empresa produzirá e lançará com exclusividade em seu catálogo, à sequência de “O tigre e o dragão” que também será lançado em cinemas IMAX selecionados e a “Beasts of no nation”, filme independente assinado por Cary Fukunaga (“True Detective”) e estrelado por Idris Elba, que a empresa adquiriu com o intuito de chegar ao próximo Oscar.

Em “Beasts of no nation”, Elba faz um militar que adota uma criança com o mero intuito de transformá-la em uma máquina de guerra. Cinemas americanos já anunciaram boicote ao filme que seria exibido simultaneamente em cinemas selecionados dos EUA e em todo o mundo pela Netflix.

Outras iniciativas da empresa atestam as múltiplas abordagens mercadológicas que geram apreensão no establishment. Recentemente, Ted Sarandos, chefe de conteúdo da empresa deu uma concorrida palestra em Cannes e alertou: “Nós não somos anticinema, somos pró-filmes”. A postura agressiva da Netflix denota que a frase de Sarandos pode até não ser 100% verdadeira, mas abrange uma complexidade que nem todos estão preparados para reconhecer.

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Críticas, Filmes | 20:01

Experiência fílmica interessante, “Pássaro branco na nevasca” perpassa gêneros com desenvoltura

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Há filmes que abraçam diversos temas e saem dos trilhos justamente por isso e há filmes que ganham relevo justamente por compilar uma variedade incomum de assuntos. “Pássaro branco na nevasca” (EUA, 2014) pertence à segunda estirpe. Dirigido por Gregg Araki que subscreve seu cinema ao interesse em repercutir as idiossincrasias da adolescência, o filme começa como uma elaborada contraposição entre os anseios de uma adolescente suburbana aos de sua mãe com vocação à depressão. Se metamorfoseia em um filme policial, flerta com o drama familiar e se resolve como uma crônica de costumes poderosa.  Por mais heterogênea que pareça a mistura, Araki usa de muita sensibilidade na condução e não permite que o ritmo do filme sofra intermitências.

Shailene Woodley, cada vez melhor e mais confiante como protagonista, é Kat, adolescente que nunca se deu lá muito bem com sua mãe, Eve, vivida por Eva Green. A mulher parece se ressentir do casamento e do rumo que sua vida tomou ao lado de Brock (Christopher Meloni). Um belo dia, ela desaparece. É quando o filme começa. Araki então passa a desbravar essa conturbada relação e elege a sexualidade, adormecida em Eve, e em ebulição em Kat, como principal delineador desse conflito tão silencioso quanto complexo entre mãe e filha.

Foto: divulgação

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Enquanto descobre quem é, Kat precisa lidar com esse repentino abandono de sua mãe e com os efeitos ainda mais inesperados deste em si e em sua agora desfalcada família. É desse desejo que Araki forja seu thriller policial. Kat acaba se envolvendo sexualmente com o detetive (Thomas Jane) responsável pela investigação do desaparecimento de sua mãe e é essa relação que detona o fluxo policial da fita.  O cineasta, entretanto, não perde a veia do filme. Isto é, não permite que aqueles temas que norteiam o seu cinema submirjam ante as novas camadas reveladas. “Pássaro branco na nevasca” não é mais um policial do que um filme sobre a rivalidade entre mãe e filha. Assim como não é mais um estudo delongado da adolescência do que é um olhar corrosivo sobre como as últimas décadas do século XX promoveram forte efervescência comportamental.

Flertando com o sobrenatural aqui e lá, sofisticado nas proposições, apesar de apostar em uma reviravolta final, “Pássaro branco na nevasca” não se incomoda de alienar parte de sua audiência com sua elaboração singular, sua estética rocambolesca e narrativa multifacetada. É, ainda assim, um filme interessantíssimo e que merece ser apreciado sem amarras e com o espírito de quem preza minuciosas descobertas.

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domingo, 7 de junho de 2015 Críticas, Filmes | 17:22

“Terremoto – a falha de San Andreas” é bom entretenimento e vale o ingresso

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O cinema catástrofe, tão inconstante na agenda hollywoodiana, é o que mais ostensivamente recebe os clichês de gênero. Talvez por isso entre e saia do radar dos estúdios com certa assiduidade. Como se disso dependesse para se preservar minimamente interessante. Dirigido por Brad Peyton (“Viagem 2: a ilha misteriosa”) e orçado em U$ 110 milhões, “Terremoto – a falha de San Andreas” (San Andreas, EUA 2015) confirma essa impressão de clichês em profusão, mas ratifica, também, o potencial de entretenimento dos exemplares do gênero. Mesmo em uma era dominada por super-heróis, é difícil um filme ser tão divertido como esse. É um cálculo simples. Efeitos especiais hiperbólicos, mas convincentes, um astro carismático, uma tônica familiar difícil, mas passível de redenção, uma jovem estrela de beleza hipnótica e voilà: um filme catástrofe infalível sai do forno.

“Terremoto” segue essa receita à risca. Tal como em produções como “O dia depois do amanhã” (2004) e “Guerra dos mundos” (2005), um drama familiar move a ação em meio à destruição que se vê na tela. Dwayne “The Rock” Johnson é Ray, um ex-militar que atua como bombeiro na Califórnia. Ele está enfrentando um doloroso processo de divórcio e ainda não está plenamente recuperado da devastadora morte de sua filha mais nova. Quando o tal terremoto acontece, Ray se arrisca – e abandona seu trabalho – para resgatar a ex-mulher e sua filha em pontos distintos do Estado.

Terremoto - a falha de San Andreas (7)

The Rock e Carla Gugino em cena
(Foto: divulgação)

A cena inicial de “Terremoto”, um triunfo do CGI (imagens geradas por computador), já prega o espectador na cadeira com um dos momentos mais tensos da temporada de verão nos cinemas. Daí em diante, com pequenos respiros, o filme segue em um mesmo fôlego de ação (quase) ininterrupta.

“Terremoto – a falha de San Andreas” não é um filme que careça de maiores contextualizações ou análises, trata-se do que de melhor Hollywood tem a oferecer em matéria de parque de diversões na sala escura. Deixe-se levar por nossos medos mais primitivos, e impressionar-se pela devastadora força da natureza, mais uma vez no cinema. “Terremoto – a falha de San Andreas” vale muito o ingresso e mais ainda a pipoca. Aos iniciados, o filme ainda conta com Carla Gugino, ainda mais linda aos 43 anos de idade.

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sábado, 6 de junho de 2015 Bastidores, Curiosidades, Filmes | 19:32

Temporada de verão no cinema americano opõe comédias a super-heróis

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"Ted 2 " na capa da EW: paródia de Kim Kardashian

“Ted 2 ” na capa da EW: paródia de Kim Kardashian

Ninguém discute que os super-heróis dominam o cinema atual. A tendência não é exatamente nova e, se já dá sinais de desgaste, pode ser relativizada na temporada de verão de 2015 no cinema americano. Isso porque as comédias que serão lançadas entre junho e agosto prometem causar grande comoção.

As grandes sensações das últimas temporadas, as bilheterias surpreendentes, foram comédias. Em 2009, o hit foi “Se beber, não case!”, que colou no todo poderoso, e muito mais caro, “Transformers – a vingança dos derrotados”, faturou cerca de U$ 278 milhões nos EUA e quase U$ 500 milhões no mundo todo. Resultado? Virou uma inesperada franquia cujo terceiro e último filme foi lançado em 2013. No ínterim, “Ted” fez barulho em 2012 e só perdeu na temporada de blockbusters para os aguardadíssimos “O cavaleiro das trevas ressurge” e “Vingadores”. Internacionalmente, o filme estrelado pelo ursinho de pelúcia desbocado fez mais de U$ 500 milhões. A sequência de “Ted” é uma das comédias que prometem incomodar os filmes de super-heróis nessa temporada.

Em 2014, em plena Copa do mundo, que causou receio nos estúdios de haver desinteresse pelos lançamentos de cinema, uma comédia descompromissada estrelada por Seth Rogen e Zac Efron faturou quase U$ 300 milhões mundialmente. O filme em questão é “Vizinhos”.

A força emergente do gênero ficou consolidada com o lançamento de “A escolha perfeita 2” que se pagou integralmente no primeiro fim de semana e ainda ficou à frente do muito comentado “Mad Max: a estrada da fúria”. O filme, que ainda nem sequer estreou em muitos mercados, já faturou U$ 155 milhões nos EUA.  Estreia deste final de semana, “A espiã que sabia de menos” caminha para liderar as bilheterias nos EUA e já colhe bom boca a boca nas redes sociais brasileiras.

Nem tudo são flores: estrelado pelas belas Sofía Vergara e Reese Whiterspoon, "Belas e perseguidas" foi um flop inesperado

Nem tudo são flores: estrelado pelas belas Sofía Vergara e Reese Whiterspoon, “Belas e perseguidas” foi um flop inesperado

Com Bradley Cooper e Emma Stone e assinado pelo badalado Cameron Crowe, "Sob o mesmo céu" também decepcionou nos EUA. O filme chega ao Brasil em 11 de junho

Com Bradley Cooper e Emma Stone e assinado pelo badalado Cameron Crowe, “Sob o mesmo céu” também decepcionou nos EUA. O filme chega ao Brasil em 11 de junho
(Fotos: divulgação)

Além de “Ted 2” e “A escolha perfeita 2”, a Universal apresenta na temporada a nova comédia de Judd Apatow (“O virgem de 40 anos” e “Ligeiramente grávidos”), para todos os efeitos, um dos curadores dessa nova era das comédias. “Descompensada” traz a nova sensação do humor americano, Amy Schumer, como protagonista.

Liberado o trailer da comédia que promete ser a mais ultrajante e divertida de 2015

A Warner, que também não tem nenhum filme de herói em 2015, traz como um de seus potenciais hits o remake de “Férias frustradas” com Ed Helms, Christina Applegate e Chris Hemsworth.

Essa movimentação tem a ver com o crescente interesse do público, especialmente o americano, pelas comédias na temporada de verão.  “As pessoas não querem ter como opção apenas filmes de super-heróis”, disse à Variety a produtora de “A espiã que sabia de menos”, Jenno Topping. Apesar do boom das comédias, são os filmes evento – e aí incluem-se produções como “Terremoto”, “Jurassic World” e “O exterminador do futuro” – os verdadeiros chamarizes da temporada de blockbusters. Não há nenhum indício de arrefecimento na produção destes arrasa-quarteirões. O que se pode dizer, e 2015 deve comprovar, é que o riso vai tornar a carreira dessas megaproduções muito mais difícil.

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Críticas, Filmes | 16:39

“Mad Max: Estrada da Fúria” se firma como maior obra-prima da ação em décadas

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Nos trailers de “Mad Max: Estrada da fúria” surgiam antes do nome do cineasta George Miller a alcunha “visionário”. Caso o leitor seja destes que ainda não tem familiaridade com a obra do diretor australiano, o porquê do uso do termo estará plenamente justificado quando os créditos do filme subirem. “Estrada da fúria” não só é o melhor filme da carreira do australiano, como é a grande obra-prima que o cinema de ação aguardava desde a década de 80, quando produções como “Mad Max: a caçada continua” (1981) e “Duro de matar” (1988) davam viço ao gênero. De lá para cá, com o advento dos efeitos especiais e heróis de HQs, o cinema de ação virou oura coisa. Mais pasteurizado, artificial e comportado. “Estrada da fúria”, com sua anarquia barulhenta, caótica e brilhantemente coreografada, devolve ao cinema de ação sua brutalidade, sua imprevisibilidade e, fundamentalmente, seu encanto.

Som, fúria e arrebatamento: o melhor filme de ação em anos (foto: divulgação)

Som, fúria e arrebatamento: o melhor filme de ação em anos
(foto: divulgação)

Som e fúria, em um balé apocalíptico no meio do deserto, norteiam uma história que poderia ser erroneamente sintetizada como uma grande e histriônica perseguição. Essa escandalosa e espetacular obra-prima é, no entanto, uma sinfonia do caos tão perfeita que é preciso louvar tanto a ousadia da Warner Brothers, de liberar U$ 200 milhões para a produção de um filme tão incomum e estranho, como o gênio de Miller que usa CGI o mínimo possível e faz ação de verdade com veículos assustadores e capotamentos espetaculosos.

A plasticidade de “Estrada da fúria” impressiona. Seja pelas paletas de cores amareladas ou pelos ângulos inusitados escolhidos por Miller. O gigantismo das alegorias, em muitos momentos o filme se assemelha a um desfile enlouquecido, arrebata. Somente em um filme tão brutal como “Mad Max” seria possível um sujeito tocando insanamente rock em uma guitarra do alto de uma alegoria enquanto percussionistas tribais “cantam” uma perseguição frenética pelo deserto.

Miller avança na mitologia do universo de “Mad Max” reaproveitando e expandindo ideias ensejadas na trilogia original, mas “Estrada da fúria” se sustenta sozinho. Depois de ser capturado, Max (Tom Hardy) vira uma bolsa de sangue para os war boys feridos da cidadela. A cidadela é controlada por Immortan Joe (Hugh Keays-Bryne, que já havia sido o vilão do primeiro filme). Ele promove uma caçada nervosa a Imperator Furiosa (Charlize Theron) que fugiu com suas parideiras. O war boy Nux (Nicholas Hoult) para participar da perseguição leva sua “bolsa de sangue” e daí em diante é prudente se preparar para os alucinantes desdobramentos da frenética narrativa.

Apesar do frenesi, “Estrada da fúria” traz mais em seu âmago. É, primordialmente, um filme de forte apelo feminista. Além da premissa de livrar mulheres da objetificação de um homem tirano, a personagem Furiosa reclama para si o protagonismo do filme. Determinada, inteligente, articulada e forte, Furiosa conquista o respeito de Max de um jeito que somente os homens estão permitidos a conquistar em westerns. “Estrada da fúria” subverte essa lógica ao afastar o romance da equação. Não obstante, trata-se, ainda, de um olhar algo raivoso sobre o impacto da religião e de como o suicídio pode ser usado a serviço do terror.

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em "Estrada da fúria" (Foto: divulgação)

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em “Estrada da fúria”
(Foto: divulgação)

Se há um porém em “Estada da fúria” é o saldo da inevitável comparação entre Tom Hardy e Mel Gibson. Talvez Hardy já saia perdendo porque seu Max compartilha importância na narrativa com Furiosa, mas fato é que em matéria de carisma Gibson sobra. Hardy convence na brutalidade de Max, especialmente no começo do filme, mas come poeira quando precisa aferir humanidade ao personagem.

É uma ressalva que não compromete em nada a grandiosidade da fita. Tampouco demove “Estrada da fúria” do topo da cadeia alimentar do cinema de ação contemporâneo. Visionário, George Miller faz o que parecia impossível e relega produções como “Vingadores” e “Velozes e furiosos”, grandes sensações da temporada, ao posto de meros recalques.

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