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Arquivo de junho, 2015

sexta-feira, 5 de junho de 2015 Filmes, Notícias | 20:37

“Bridge os spies”, novo filme de Steven Spielberg, ganha primeiro trailer

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Foto: divulgação

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A colaboração entre o cineasta Steven Spielberg e o o ator Tom Hanks, que no cinema compreende filmes como “O resgate do soldado Ryan (1998), “Prenda-me se for capaz” (2002) e “O terminal” (2004), ganha em “Bridge of spies”, que em tradução livre se chamaria “Ponte de espiões”, um exemplar mais tenso e intelectual.

O filme, baseado em fatos reais, se passa durante o período da Guerra Fria e apresenta a história de James Donovan (Hanks), advogado que foi enviado pela CIA para negociar uma troca de prisioneiros com a União Soviética: um espião comunista detido nos EUA por um piloto americano abatido e capturado na Europa. Mas antes é preciso convencer a Justiça americana da legitimidade da troca. O material promocional, que anuncia um thriller engenhoso com um pezinho no drama de tribunal, mostra toda a tensão envolvendo a participação do advogado na missão, desde ameaças à sua família até o perigo enfrentado em uma viagem à Berlim Oriental.

O filme tem estreia agendada para o dia 22 de outubro nos cinemas brasileiros. Não é a primeira vez que Spielberg adentra a seara da espionagem. “Munique” (2005) foi uma incursão bem sucedida. Com a escalada da tensão entre os governos Obama e Putin, o interesse pelo novo Spielberg só faz crescer.

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Críticas, Filmes | 16:58

Cinema fascinante, ucraniano “A gangue” é soco no estômago

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Foto: divulgação

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De tempos em tempos nos deparamos com um filme que nos priva o fôlego. O ucraniano “A gangue”, de Myroslav Slaboshpitsky é um destes filmes. Rodado inteiramente na linguagem de sinais, com elenco quase todo em sua totalidade de surdos-mudos, “A gangue” é cinema de verve que obriga a audiência a tatear por significados; a confiar nas imagens. Ao renunciar à oralidade, o cineasta propõe mais do que a total imersão no universo que retrata em seu filme, ele conclama a audiência a um cinema de aproximação. Onde intuição e observação rimam na produção de uma narrativa poderosa.

O filme acompanha a chegada de um rapaz a um internato para surdos-mudos. Como em toda escola, ele é alvo de bullying de adolescentes receosos por marcar território. Aos poucos, ele vai sendo aceito e meio que por osmose entra para a gangue do título. Que entre tantos outros malfeitos, explora sexualmente duas meninas da escola, estupra, rouba e espanca alunos menores.

Esse universo paralelo de violência e desamparo revela uma Ucrânia em vil decadência após a separação da Rússia. O protagonista do filme, que vai interiorizando a violência à medida que se projeta na nova organização criminosa, precisa sobreviver. O ambiente é hostil e ele não parece ter outra alternativa a não ser figurar entre os opressores. É isso ou ser parte dos oprimidos. Mas o amor, como se sabe, surge para desestabilizar qualquer circunstância. E o rapaz se vê apaixonado por uma das meninas que é forçada a se prostituir.

A expressividade do filme se sobressalta em sua simplicidade. Poucas produções atuais usam de tamanha economia narrativa. Slaboshpitsky filma em tela panorâmica e os personagens sempre se movimentam com muita rapidez. O gestual é frenético muitas vezes. Há muitos planos-sequência também. A urgência, o nervosismo daquele mundo, é hipnotizante; nosso afã por antecipar o que se anuncia nos mantêm petrificados na cadeira. Do sexo à violência, tudo é real, sem anestesia. O cineasta não está interessado no conto moral, mas sim na verdade obscura. É um objetivo que se comunica da estética ousada ao desenlace da trama.

A coragem de Slaboshpitsky não se esgota em colocar na tela um filme de mais de duas horas sem diálogos, mas sim de apresentar uma história violenta e chocante, sem concessões, onde muitos só enxergariam correção política. “A gangue” é apenas o primeiro longa-metragem do ucraniano, mas já dá para dizer que a sétima arte tem muito a se beneficiar com o cineasta. Há muito tempo que um filme não atingia o estômago com tanta força.

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quinta-feira, 4 de junho de 2015 Filmes, Notícias | 20:30

Divulgado o primeiro trailer do shakespeariano e sombrio “MacBeth”

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Foto: divulgação

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Lançada sob festejos no último festival de Cannes, a nova adaptação da mais sombria peça de William Shakespeare acaba de ganhar seu primeiro trailer. Dirigido pelo australiano Justin Kinzel, “MacBeth” traz Michael Fassbender como o general MacBeth que, influenciado por sua esposa (vivida por Marion Cotillard) trai o rei e o mata para ascender ao trono.

A versão sombria da obra de Shakespeare chocou Cannes na ocasião de sua premiere mundial. O filme deve ser lançado nos cinemas americanos no final do ano a tempo de tentar um vaga no Oscar 2016. No Brasil, ainda não há data oficial para a estreia. Havia certo pessimismo com o filme de Kinzel por ele ser precedido de versões assinadas por diretores prestigiados, como Roman Polanski e Akira Kurosawa, mas o filme agradou à crítica internacional e promete ser uma das sensações dos cinemas no fim de 2015. O trailer legendado pode ser conferido abaixo.

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Críticas, Filmes | 17:39

Tipos desajustados embelezam narrativa da comédia dramática “Cala a boca, Philip”

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Alta cultura e intelectualidade não são mais importantes do que o desejo ou o ego em “Cala a boca, Philip (Listen up, Philip, EUA/2014) pequena joia do cinema independente americano assinada por Alex Ross Perry, mas emolduram esse belo filme que discorre sobre os maus hábitos de um escritor com grandes ambições.

Philip, vivido pelo expert em tipos esquisitos Jason Schwartzman, vive em Nova York com sua namorada, a fotógrafa Ashley (Elizabeth Moss) e está em plena crise de ansiedade com o lançamento de seu segundo livro. Ele está convencido de que é inferior ao primeiro e teme menos pelo desempenho comercial da obra e mais por seu futuro como escritor.

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Depois de receber de seu editor a notícia de que seu ídolo, Ike Zimmerman (Jonathan Pryce), gostou do novo livro e gostaria de conhecê-lo, Philip se anima e embarca nessa amizade improvável. Se reconhecendo em Philip, Ike o toma como pupilo em uma relação que afasta Philip de Ashley, propiciando a ela a percepção de que como ele a sugava, e devolvendo certo gosto pela vida a Ike. Philip, por seu turno, é instado pelo amigo a desenvolver impulsos –  quase nenhum elogiável – que todo escritor promissor deve ter.

Narrado em forma de prosa, “Cala a boca Philip”, dá a impressão de ser um filme coral em alguns momentos. Trata-se de um bem-vindo recurso articulado por Perry que dá ao seu filme o acabamento de um romance ambientado em Nova York sobre como a cena artística da cidade pode produzir tipos estranhos e absortos. Não há personagens adoráveis em “Cala a boca, Philip”, a começar pelo protagonista que acha grosseria beijar na boca em público, confessa preferir ser lembrado como um grande talento da literatura do que como um ser humano e objetifica ao máximo as mulheres que cruzam sua vida. É uma aposta arejada de Perry, portanto, aferir leveza a uma narrativa recheada de personagens essencialmente desagradáveis.  Aposta esta que rende um filme inteligente e cativante de uma maneira tão inusitada como esse punhado de personagens desajustados que pipocam na tela.

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terça-feira, 2 de junho de 2015 Críticas, Filmes | 17:14

“Miss Julie” reflete mal-estar da relação entre macho e fêmea e acomoda paradoxos sociais

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Liv Ulmann, atriz prolífera no cinema de Ingmar Bergman, herdou do frequente colaborador o gosto pelo cinema de questionamento existencial. 14 anos depois de dirigir um texto de Bergman para o cinema (“Infiel”), Ulmann retorna com uma adaptação do sueco August Strindberg, referência ocasional para Bergman, cuja peça “Miss Julie”, escrita em 1888, é das mais complexas e assertivas sobre o conflito de classes sociais.

Largamente adaptada para o cinema, a peça ganha pelas mãos de Ulmann sua versão mais teatral. Na radicalidade da encenação, Ulmann se deixa seduzir por sua protagonista maior que a vida na esperança de que o público também se deixe enfeitiçar.

Jessica Chastain é um colosso da atuação e na pele de miss Julie, já vivida por atrizes como Helen Mirren, Fanny Ardant, Bibi Anderson e Janet McTeer, atinge o mais alto grau de fascinação.

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Miss Julie é um papel riquíssimo dos pontos de vista narrativo e interpretativo. O jogo de gato e rato histérico e sexual travado entre a filha do barão e o lacaio Jean, aqui grafado como John e vivido pelo irlandês Colin Farrell, em uma noite de solstício do verão irlandês dimensiona não somente o conflito intrínseco às castas sociais, como tangencia o mal-estar entre macho e fêmea em uma sociedade tão arraigada aos ditames de classe.

A psicologia dos personagens interessa mais a Ulmann do que a história em si. Talvez esteja aí a justificativa para a longa duração, 129 minutos, e para a exacerbação da teatralidade. São apenas três atores em cena. Além de Farrell e Chastain, há Samantha Morton, como a cozinheira e noiva de John. Ulmann, no entanto, só consegue transpor certa superficialidade por meio da curva dramática percorrida por Chastain. Ao longo da narrativa, Julie vai da provocação sexual ao amor, da fragilidade ao destempero e Chastain captura toda essa efervescência com absoluto magnetismo. É ela quem estipula as bases para Colin Farrell, cuja interpretação se adensa conforme Chastain toma conta da cena. Um paradoxo que se retroalimenta do conflito entre seus personagens. Ora John emerge da submissão para admoestar Julie, ora recolhe-se a sua referida insignificância com o mero objetivo da autopreservação.

“Miss Julie” certamente não é para qualquer paladar. A despeito de Ulmann não se preocupar tanto com a clareza da narrativa, a lentidão desta por vezes incomoda, ou com a profundidade da lente sobre os personagens, Bergman não pode ser replicado, seu filme é uma proposição interessantíssima de arte pensativa.

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