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quarta-feira, 1 de julho de 2015 Críticas, Filmes | 17:51

Premiado filme sueco expõe banalidade da vida por meio de experiência tediosa

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Antes de ser um cineasta, Roy Anderson é um pensador arguto. Um questionador da condição humana. Seu cinema, portanto, se resolve em uma constante investigação filosófica da humanidade. “Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência” (Suécia, 2014) é o desfecho de uma trilogia informal composta ainda por “Canções do segundo andar” (2000) e “Vocês, os vivos” (2007) que tem como objetivo refletir sobre o que é ser um humano.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Vencedor do Leão de Ouro em Veneza, “Um pombo…” começa ofertando três encontros com a morte, ressaltando a banalidade de todos eles. Depois, Anderson enfileira uma série de esquetes  sem qualquer relação entre si, que por vezes forçam o riso proveniente do incômodo. Há apenas uma dupla de “vendedores do entretenimento” que experimentam repetidamente o fracasso.  A função deles na narrativa, aparentemente desconectada, é justamente enfatizar essa ideia de repetição. Da rotina que nos conduz a nenhuma satisfação efetiva. Assertiva.

Anderson alterna cenas de absoluto surrealismo, como quando um rei do século XIX, Gustavo IV Adolfo,  adentra um bar dos dias atuais, com outras rifadas de cenas cotidianas, como a de uma mãe mimando seu recém-nascido.

Um casal enamorado na praia, um homem com dificuldades de encontrar quem procura, um cigarro pós-sexo compartilhado por um casal à janela, uma professora de flamenco rejeitada pelo aluno e por aí vai. Anderson emoldura a banalidade da existência, dos arranjos sociais, dos sistemas econômicos com cenas a esmo. Todas filmadas em um único enquadramento, com câmera estática à média distância. Os personagens parecem ‘zumbificados’. Seja pela postura, pela maquiagem de um ou outro, mas fundamentalmente pelos figurinos e cenários com preponderância de cores mortas.

A técnica de Anderson pode ser bem intencionada, mas seu filme cansa. Ele não apresenta nenhuma tese realmente nova e confia ao espectador a missão de prospectar o sentido oculto nas cenas que põe na tela. Feito isso, o espectador pode até apreciar a reflexão ensejada, mas tudo seria muito mais produtivo se a reflexão fosse projetada por um filme que agradasse. E esse é o melhor cenário. O mais provável é que pouco depois de 30 minutos de filme, “Um pombo…” se torne desinteressante para o espectador. Trata-se de um filme inteligente, bem intencionado e cheio de rigor filosófico. Mas essencialmente trata-se de um filme ruim. Cansativo. Tedioso. O conflito é externo a ele; e, a bem da verdade, Andeson não excede o senso comum de quem se interessa por reflexões sobre a vida e o meio.  No final das contas, o inferno está cheio de boas intenções.

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