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Arquivo de agosto, 2015

segunda-feira, 31 de agosto de 2015 Análises, Diretores | 17:48

Artesão do horror, Wes Craven pavimentou o gênero como o conhecemos hoje

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O cineasta entremeado pelas máscaras do assassino de "Pânico"

O cineasta entremeado pelas máscaras do assassino de “Pânico”

“Era uma combinação de um esperto comentário social, sustos e diversão. Tudo embalado em um ritmo novelesco com um mistério no ar”, afirmou o cineasta Wes Craven ao lançar “Pânico 4”, em abril de 2011, quando indagado sobre o por que de “Pânico” (1996) ter sido o hit que foi. Mais tarde, ele diria que a franquia  era o “Star Wars do terror”.

“Pânico 4” foi o último filme de Wes Craven, que morreu no último domingo (30) aos 76 anos, em decorrência de um câncer no cérebro.  O cineasta foi responsável por alguns dos principais alicerces do terror americano. Sem “Aniversário macabro” (1972), não existiria “Sexta-feira 13”, “O massacre da Serra elétrica” ou “Halloween”, para citar o conjunto mais emblemático dos slasher movies, gênero que pavimentou praticamente sozinho.  No início da década de 80 daria vida a um dos maiores ícones do horror moderno, o Freddy Krueger, de “A hora do pesadelo” (1984). “Quadrilha de sádicos” e “Convite para o inferno” também estão entre seus principais cartões postais.

Craven foi muito copiado tanto na década de 80, como nos anos 90 quando refundou o gênero na esteira do sucesso de “Pânico”, para todos os efeitos, sua grande obra-prima. Uma sátira poderosa do gênero e uma inteligente homenagem ao cinema como um todo, o filme se comunicou com toda uma geração de uma maneira que nenhuma outra produção na década foi capaz.

Filmes de qualidades distintas como “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”, “Lenda urbana”, entre outros tentaram capitalizar a onda iniciada pelo filme, roteirizado por Kevin Williamson. A própria equipe criativa sucumbira aos encantos do que haviam criado e entornaram o caldo em “Pânico 3” (2000).

Mestre e visionário, Craven não era infalível.  “A sétima alma”, seu último filme fora da franquia “Pânico”, é uma equivocada mistura de filme de serial killer com filme de fantasma. Ainda que tenha uma ou outra boa ideia diluída em um rio de mesmice.  “Amaldiçoados” (2005), que o uniu a Williamson fora do esquadro das histórias de Sidney Prescott (Neve Campbell) e “A maldição dos mortos-vivos” foram tentativas de se exercitar no gênero abraçando seres sobrenaturais como zumbis e lobisomens. Mas era na psicopatia que Craven prosperava e um de seus melhores e mais subestimados filmes não é exatamente um terror, mas um suspense de primeira linha com Cillian Murphy e Rachel McAdams. “Voo noturno” é daqueles filmes extremamente satisfatórios e envolventes. Murphy ficaria para sempre com a aura de psicopata em sua volta, um mérito de Craven que soube explorar o ator como poucos souberam.

O diretor com Neve Campbell e Skeet Ulrich no set de "Pânico" Fotos: montagem/divulgação

O diretor com Neve Campbell e Skeet Ulrich no set de “Pânico”
Fotos: montagem/divulgação

Craven também impressionou fora de sua zona de conforto. Escreveu e dirigiu “Música do coração”, que rendeu indicação ao Oscar a Meryl Streep. O filme mostrava uma professora de música que batalhava para ensinar violino para as crianças quando isto não era uma prioridade para ninguém. Nem para a escola, para os pais ou para as próprias crianças. A afetuosidade do registro rendeu novos admiradores ao cinema de Craven, que àquela altura tentava se desvencilhar do estigma de diretor de um gênero só.

Ele fez do então astro Eddie Murphy, um vampiro no Brooklyn no filme homônimo que não fez lá grande sucesso quando foi exibido nos cinemas, mas virou cult quando chegou ao home vídeo. Foi esse filme, aliás, lançado em 1995, que tarimbou o cineasta para realizar “Pânico”, que se notabilizaria pela eficácia com que agrega humor aos ingredientes do terror.

Produtor contumaz, estava envolvido com a adaptação de “Pânico” para a TV. Uma série baseada no filme está sendo exibida pela MTV americana.

Cinéfilo, costumava palpitar sobre cinema em sua conta no twitter. Há dois anos, elogiou efusivamente o filme “Invocação do mal”, de James Wan. E fez um diagnóstico. “Wan tem tudo para ser um dos grandes mestres do cinema de horror”. Após dirigir “Velozes e furiosos 7”, o malaio comandará “Aquaman” e parece propenso a dar um tempo para o cinema de ação. Mas na noite de domingo prestou sua homenagem ao mestre no Twitter. “Não acredito na notícia. Meu coração se comove com a partida de Wes Craven. Verdadeiramente uma de minhas maiores inspirações”.

O homem se vai, mas deixa uma obra de grande impacto e influência no cinema e naqueles que dele se alimentam. Deixa, além das saudades, a convicção de que transformou o gênero. Um epílogo que nem todos os cineastas podem ostentar.

“Se eu tiver que fazer o resto dos meus filmes no gênero (horror), não há problemas.  Se eu serei um pássaro engaiolado, cantarei a melhor canção que eu puder”.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2015 Análises, Bastidores, Curiosidades | 17:47

Imune a crises, cinema de ação cresce em todas as frentes enquanto outros gêneros oscilam

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Quando você ouvir que “Tubarão” (1975) é um dos três filmes mais importantes da história do cinema americano, preste atenção na pessoa que elabora este raciocínio. Ela provavelmente sabe das coisas. Pelo menos em matéria de cinema.  O filme de Steven Spielberg, que ajudou a criar o conceito de “blockbuster” é o principal signatário da ascensão do cinema de ação em Hollywood.

A supremacia dos filmes de super-heróis que testemunhamos nessa metade da segunda década do século XXI nada mais é do que a evolução de um movimento desabrochado pelo filme de Spielberg.

Antes de “Tubarão”, “007 contra o satânico Dr. No”, o primeiro filme de James Bond, foi o único exemplar estritamente do gênero ação a liderar as bilheterias em um ano. De lá para cá, foram 26 filmes de ação no topo das bilheterias em 39 anos. “Toy Story 3”, em 2010, foi o último filme não pertencente ao gênero a liderar em arrecadação em seu ano de lançamento. Os dados são do Box Office Mojo e remetem apenas às bilheterias americanas.

Spielberg em icônico registro feito no set de "Tubarão": filme que revolucionou a indústria de cinema americano

Spielberg em icônico registro feito no set de “Tubarão”: filme que revolucionou a indústria de cinema americano

A 2ª revolução? "Avatar" levou cerca de dez anos para ser produzido e é fruto da tecnologia de seu tempo

A 2ª revolução? “Avatar” levou cerca de dez anos para ser produzido e é fruto da tecnologia de seu tempo

Como essa estatística demonstra, o cinema de ação é o gênero que mais cresce. Tanto em produção como em público. A chegada do videocassete incrementou o boom no gênero, mas o constante aparato tecnológico rompe fronteiras para o gênero mais do que para qualquer outro. Em 2009, por exemplo, vimos “Avatar”, um épico de ação, superar “Titanic” como o filme de maior arrecadação da história do cinema. O filme só se viabiliza pela contemporaneidade de sua tecnologia. James Cameron levou uma década para filmá-lo e promete mais inovações em 2017, quando chega a primeira sequência.

De acordo com números do site The numbers, entre 1995 e 2015, o gênero teve 29% de share no mercado e uma arrecadação de US$ 72.000.989.990,00. A amostragem compreende 1.367 filmes lançados no período. Para se ter uma ideia do impacto do cinema de ação na audiência moderna, a comédia ficou em segundo lugar com 17% de share e U$$ 40.705.738.488 amealhados. A amostragem de filmes lançados nesta janela, porém, é muito maior: 2.147 filmes.

Um gráfico do Priceonomics, formulado a partir de dados coletados no IMDB, demonstra a oscilação dos principais gêneros ao longo das décadas em termos de popularidade. Nele, é possível perceber que, enquanto gêneros como horror e comédia apresentam altos e baixos e o drama vive sua mais longeva curva descendente, a ação mantém-se em expressa e espessa alta.

gráfico dos gêenros

Tomando como base as postagens deste Cineclube, o percentual de audiência – e de comentários – é muito maior quando o gênero ou suas principais estrelas e grifes (Marvel, Star Wars, 007, Sylvester Stallone, Bruce Willis, etc) são abordados.

Mas o que isso tudo quer dizer, afinal? Acossado pela repercussão da novela “Império”, o autor Aguinaldo Silva – que já escreveu para cinema – disse há alguns meses que é preciso dar o que o público quer. É esta linha de pensamento, preconizada pelos preceitos básicos do marketing, que norteia a produção Hollywoodiana atual. “As pessoas não sabem o que querem, até mostrarmos a elas”, divagou Steve Jobs. Mas poderia ter sido Steven Spielberg.

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quarta-feira, 26 de agosto de 2015 Críticas, Filmes | 17:12

Serial Killer inseguro torna “Na próxima, acerto no coração” fascinante

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Há filmes que se ressignificam mediante um personagem forte ou muitíssimo bem construído. É o caso do filme francês “Na próxima, acerto no coração” (França, 2014). Na superfície, a fita dirigida por Cédric Anger, é um thriller policial sobre um serial killer pouco convicto de sua vocação. Nas camadas insuspeitas que o bom roteiro – de autoria do mesmo Anger – desalinha, porém, o filme revela sua real aspiração: discutir o desagravo psicológico e emocional de um homem transtornado.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Um homem vislumbra duas mulheres pedalando na madrugada. Elas se apartam e ele segue a segunda. Ele a atropela e só não lhe cobre de balas da janela de seu carro porque percebe a aproximação de viaturas. Corta. Acompanhamos este homem chegando em seu apartamento e indo dormir. Poucas horas depois o vemos acordar e colocar o uniforme policial e somente quando ele entra em uma viatura descobrimos seu rosto. Essa sucessão de eventos diz muito sobre o personagem central de “Na próxima, acerto no coração”, mas mais ainda sobre os objetivos do filme. É importante saber que aquele assassino cruel é um policial e é importante sabê-lo nessa ordem. Mas o ritual de descoberta de Franck (vivido com contenção e robustez por Guillaume Canet) prossegue e aos poucos vamos processando que este homem é repleto de transtornos obsessivos e carrega uma noção religiosa deturpada que pode ou não estar relacionada a uma aparente assexualidade.

Franck só mata mulheres e parece fazê-lo a reboque de emoções mal elaboradas que ele tenta elaborar em uma tentativa de estabelecer contato com os investigadores do caso. Franck não chega a se beneficiar de sua posição de policial para enuviar as investigações, mas tenta. Essa inabilidade só reforça sua insipiência como matador. O assassino de “Na próxima, acerto no coração” é um homem em busca de afirmação. De sexualidade. O filme inspira-se em um caso notório da crônica policial francesa (é sugerível um Google no nome Alain Lamare), mas trata com bastante liberdade e imaginação toda a dubiedade que cerca o caso. Anger, no entanto, acerta ao focar todo o estofo narrativo do filme na desconstrução do protagonista. Seu Franck não é exatamente um misógino, mas o fundo religioso (“não importa o quê, temos que pagar”, ele diz ao irmão mais jovem em dado momento) afasta qualquer certeza sobre o personagem.

Tentar desvendar o enigma Franck é, indubitavelmente, a grande atração da fita francesa. Quem esperar um thriller convencional pode se frustrar, mas se a opção for por um incomum suspense de verve freudiana, a satisfação é garantida.

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terça-feira, 25 de agosto de 2015 Atores, Bastidores | 20:10

Os bastidores da demissão de Bruce Willis do novo filme de Woody Allen

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Não faz muito tempo que Woody Allen, que lança seu novo filme (“O homem irracional”) no Brasil neste fim de semana, anunciou o elenco de seu novo projeto – a ser lançado em 2016.

Ontem surgiu a notícia de que Bruce Willis, um dos principais nomes desse projeto ainda sem título oficial, retirou-se da produção. Isso, no mesmo dia em que circularam fotos na internet dele no set gravando cenas com os atores Jesse Eisenberg e Kristen Stewart. A justificativa oficial fornecida tanto por representantes de Woody Allen como por representantes de Willis é de que o ator tinha um conflito de agendas, já que está contratado para estrelar uma adaptação da obra de Stephen King “Louca obsessão” na Broadway.

Para quem está minimamente familiarizado com a rotina de Hollywood, no entanto, essa justificativa não cola. Os atores costumam verificar possíveis conflitos de agenda antes de embarcarem em um projeto. Não obstante, “conflito de agendas” é a versão oficial para qualquer arranca-rabo nos bastidores. Para tornar tudo mais ambíguo, as fotos de Willis rodando cenas para o filme tornam pouco crível a ideia de que ele estaria a algumas horas de pular fora da produção.

Willis fotografado no set do filme de Woody Allen momentos antes de se retirar da produção (Foto: Comingsoon.net/reprodução)

Willis fotografado no set do filme de Woody Allen momentos antes de se retirar da produção
(Foto: Comingsoon.net/reprodução)

Há duas correntes que podem explicar o que aconteceu de fato. A primeira é de que Allen teria percebido a inadequação de Willis para o personagem e decidido seguir em outra direção. Embora seja uma solução extrema e rara em produções hollywoodianas envolvendo figuras do primeiro escalão, não seria a primeira vez que o cineasta faria algo do gênero. Depois de dez dias de filmagens, ele substituiu Michael Keaton por Jeff Daniels em “A rosa púrpura do Cairo” (1985).

No entanto, há a possibilidade de Allen ter demitido Willis por estar insatisfeito com o desempenho do ator. Algo ainda mais extremo e incomum em produções dessa estirpe em Hollywood. Segundo o jornalista Jeff Sneider, do The Wrap, que tem uma fonte dentro da produção, Allen optou pelo corte de Willis porque o ator estava tendo dificuldades com o roteiro e seu embaraço já começava a afetar o restante do elenco.

A participação de Bruce Willis em um filme de Woody Allen estava sendo percebida por indústria e crítica como uma nova tentativa do astro de emergir em papéis sérios e projetos mais ambiciosos artisticamente. De tempos em tempos, Willis deixa a ação de lado e investe em projetos como “O sexto sentido” (1999), “Pulp Fiction – tempos de violência” (1994), “Moonrise kingdom” (2012), entre outros.

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Análises, Bastidores | 17:54

Universal, “Mad Max” e Tom Cruise estão entre os vencedores do verão americano de 2015

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Ainda faltam alguns fins de semana, mas indústria e analistas já fazem as contas do que deu certo e do que deu (muito) errado na principal janela de lançamentos hollywoodianos, o verão no hemisfério norte.

Ao estabelecer o recorde de faturamento em um ano faltando mais de cinco meses para o fim de 2015, a Universal – que atingiu o feito na esteira do espetacular sucesso de “Jurassic World” – se impôs como o mais cristalino sucesso do verão americano de 2015. Temporada que cinéfilos e críticos ansiavam por prometer ser lucrativa e inesquecível com diversos títulos promissores. Se foram poucas as surpresas e ocasionais as decepções, não houve nenhum arrebatamento na temporada além de “Mad Max: estrada da fúria”. Para todos os efeitos, o filme de George Miller é uma lição de como fazer uma superprodução, anabolizada na ação, com alto potencial de entretenimento e subtextos poderosos. De quebra, o filme forneceu a única personagem a emergir dessa safra de filmes para os anais da cultura pop – como mostrou a San Diego Comic-Com repleta de cosplays da Furiosa de Charlize Theron em julho.

Leia mais: Com “Jurassic World” e “50 tons de cinza”, Universal estabelece recorde de faturamento nas bilheterias

Leia mais: “Mad max: estrada da fúria” se firma como maior obra-prima da ação em décadas

O australiano George Miller leva um lero com Charlize Theron, sua Furiosa, no set de "Estrada da fúria"

O australiano George Miller leva um lero com Charlize Theron, sua Furiosa, no set de “Estrada da fúria”

Apesar do recorde de faturamento nas bilheterias, o verão de 2015 não apresentou grandes filmes. Excetuando-se “A estrada da fúria”, apenas “Divertida mente”, da Pixar, estaria apto a receber tal alcunha.  Não à toa, o filme registrou a maior bilheteria de estreia de um filme totalmente original; ou seja, sem ser sequência, remake ou adaptação de outra mídia. Por outro lado, o fracasso de “Tomorrowland – um lugar onda nada é impossível” reforça o discurso daqueles em Hollywood que defendem menos investimento em ideias originais e mais apoio ao que já foi testado e aprovado. Essa percepção está diretamente relacionada ao sucesso de franquias consagradas como “Os vingadores”, além das já citadas “Jurassic World” e “Mad Max”.  Mesmo assim, o quinto “O Exterminador do futuro” naufragou nas bilheterias americanas. O filme só não vai resultar em fracasso para a Paramount porque o filme está indo muito bem nas bilheterias chinesas. A China, inclusive, se firmou como um player ainda mais importante para os megalançamentos hollywoodianos do que já era até então. Vale lembrar que “Jurassic World” só se firmou como a maior bilheteria internacional de estreia – com mais de US$ 500 milhões arrecadados em um único fim de semana – porque a Universal o lançou simultaneamente com os EUA em mercados estratégicos como China, Rússia e Brasil.

Não obstante, ao apostar em um mix composto por comédias (“A escolha perfeita 2” e “Descompensada”), produtos bem consolidados junto ao público ( “Minions” e “Jurassic park”) e mesmo em produções descartadas sumariamente por outros estúdios (“Straight outta Compton”), a Universal não só espelha um caminho para os estúdios, como indica que não é preciso ter super-heróis no portfólio para fazer bonito nas bilheterias atuais.

Cena de "A escolha perfeita 2": o filme conseguiu uma das bilheterias mais surpreendentes da temporada e deixou para trás projetos muito mais comentados

Cena de “A escolha perfeita 2”: o filme conseguiu uma das bilheterias mais surpreendentes da temporada (quase US$ 300 milhões) e deixou para trás projetos muito mais comentados

Abaixo, o Cineclube lista os maiores vencedores e perdedores da temporada:

Vencedores

George Miller

Desconfiança, terrorismo e problemas de produção contribuíram para que se passassem 30 anos entre “Além da cúpula do trovão” e “Estrada da fúria”, mas ao entregar seu novo e alucinante “Mad Max”, Miller caiu de novo nas graças da Warner. Além de ter um quinto filme confirmado, ele está cotado para dirigir “O homem de aço 2”, um dos projetos mais delicados e importantes do estúdio.

 Tom Cruise

Em uma temporada marcada por heróis e marcas (John Green, Pixar, Marvel), Tom Cruise foi o único astro a levar público ao cinema cacifando-se em si mesmo. Não é pouca coisa. O quinto Missão impossível já caminha para ser o de maior bilheteria da série. Indicativo de que Cruise ainda tem muito fôlego no cinema. Especialmente no de ação.

Pixar

Depois de um hiato sem grandes filmes, “Toy story 3” (2010) foi o último digno de nota – e já era uma sequência – a Pixar faz as pazes com a crítica com ‘Divertida mente”. Um dos melhores do estúdio em todos os tempos.

Warner

Se não dominou a temporada como a Universal e não concentrou arrecadação como a Disney, a Warner merece o destaque por ter diversificado e quantificado. Foi o estúdio que mais lançou filmes na temporada (nove) e permitiu ousadias (o que é “Estrada da fúria”, afinal?), e acertou em produções de baixo e médio orçamento como “Terremoto  -a falha de San Andreas” e “O agente da U.N.C.L.E”.

Amy Schumer

Amy Schumer em um hilário ensaio temático de "Star Wars" para a GQ americana: a personalidade da temporada

Amy Schumer em um hilário ensaio temático de “Star Wars” para a GQ americana: a personalidade da temporada

Ela já era uma realidade na cena de comédia americana, mas com o filme “Descompensada”, a comediante – que também concorre ao Emmy deste ano com seu programa de humor – começou a internacionalização de seu nome.

Elizabeth Banks

Nenhum filme dirigido por mulher fez tanto dinheiro em uma temporada de verão como “A escolha perfeita 2”. Ponto para Banks que, logo em sua estreia na direção de longas-metragens, estabelece uma marca como essa.

Espionagem

Matthew Vaughn disse que queria correr com o lançamento de “Kingsman – serviço secreto” porque vinha uma enxurrada de sátiras de espionagem por aí e ele queria ser o primeiro. Acertou. A temporada teve produções como “O agente da U.N.C.L.E”, “Barely lethal”, “A espiã que sabia de menos”, “American ultra”, “Hitman: agente 47”. Isso para não falar do “oficial” “Missão impossível: nação secreta”. E James Bond ainda chega antes do fim de 2015.

Perdedores

Josh Trank

Ninguém sai tão mal desta temporada quanto o diretor John Trank. Seu “Quarteto fantástico” foi o filme mais execrado do ano. Além de engolir o fracasso de público, Trank ficou com fama de “errático” e se viu demitido de um derivado de Star Wars em meio a boatos de desentendimentos no set.

Sony

O estúdio conseguiu a proeza de ver todos os seus lançamentos para a temporada fracassarem nas bilheterias. Eram apenas três filmes, mas os três minguaram. “Pixels”, “Sob o mesmo céu” e ‘Ricki and the flash”.

Adam Sandler

Com “Pixels”, o ator conseguiu rebaixar ainda mais seu status junto à crítica e viu seu prestígio com o público americano implodir em desinteresse.

Arnold Schwarzenegger

Não deu: Schwarzenegger tentou, mas não conseguiu emplacar o novo "Exterminador" entre os sucessos da temporada (Fotos: divulgação/GQ)

Não deu: Schwarzenegger tentou, mas não conseguiu emplacar o novo “Exterminador” entre os sucessos da temporada
(Fotos: divulgação/GQ)

Ele voltou e investiu bastante na divulgação do quinto “O exterminador do futuro”, mas não conseguiu fazer com que o filme fosse um sucesso de bilheteria. Desde que deixou o gabinete de governador, Schwarzenegger ainda não conseguiu um sucesso de bilheteria para chamar se seu. A aposta da vez é “Conan”.

Fox

O estúdio parece funcionar em biênios. Se foi o que mais arrecadou no verão de 2014 e projeta um 2016 encorpado, em 2015 a pobreza dominou. Além do colossal erro com “Quarteto fantástico”, que gerou bastante buzz negativo para o estúdio, o “John Green” do ano, “Cidades de papel”, ficou bem abaixo das expectativas.

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quarta-feira, 19 de agosto de 2015 Atrizes, Bastidores | 19:06

Ronda Rousey seria uma boa capitã Marvel?

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Fotos: reprodução/Instagram e UFC

Fotos: reprodução/Instagram e UFC

Primeiro foi uma entrevista, depois vieram postagens de artes feitas por fãs em uma rede social. Ronda Rousey quer ser a Capitã Marvel no cinema. Mas você quer isso? A maior lutadora de MMA do planeta e, muito provavelmente, a atleta mais bem condicionada e carismática em atividade no mundo hoje é, também, uma atriz. Ou quase.

Rousey já apareceu nos filmes “Velozes e furiosos 7”, em uma breve cena de luta, e em “Os mercenários 3”, em que teve mais tempo em cena. Rousey estreia neste fim de semana no Brasil em “Entourage: fama e amizade”, em vive ela mesma.

O investimento na carreira de atriz, como mostrou a demolidora vitória sobre Bethe Corrêa no início do mês, não comprometeu em nada seu desempenho como atleta de artes marciais mistas. Rousey já tem calibrados mais dois projetos no cinema. O policial “Mile 22”, que será protagonizado por Mark Wahlberg, e a adaptação de sua autobiografia “Ronda Rousey: minha luta, sua luta”.  Integrar o time da Marvel no cinema, no entanto, levaria a aspirante a atriz a outro nível no mainstream americano.

Indiscutivelmente Ronda Rousey seria convincente em cena ao subjugar um oponente. A pouca bagagem dramática, no entanto, é um empecilho e tanto. Do ponto de vista da Marvel, optar por Ronda até seria uma estratégia válida em termos de marketing, mas poderia comprometer a ascensão de personagens femininas no universo cinematográfico Marvel em caso de um eventual fiasco. E não haveria melhor bode expiatório para um fracasso do que uma lutadora l “brincando” de ser atriz em um papel tão importante em um filme do estúdio. Afinal, “Capitã Marvel” será o primeiro filme do estúdio protagonizado por uma mulher. É, inegavelmente, um filme que adquire ainda mais importância e status quo no negócio chamado cinema. Propulsões feministas à parte, Ronda Rousey não é nenhuma estranha a pavimentar seu caminho em um ambiente predominantemente masculino. Nesse sentido, o universo Marvel como o conhecemos hoje não é diferente do universo do MMA de cinco anos atrás, quando ela debutou em um evento periférico ao UFC.  Ronda é hoje a maior estrela do esporte sem deixar sua feminilidade de lado para conquistar isso.

Nos prós e nos contras, o saldo seria positivo em uma eventual escolha de Ronda para viver a Capitã Marvel. E ainda tem essas artes conceituais que certamente desequilibram a disputa.

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domingo, 16 de agosto de 2015 Atores, Notícias | 18:50

Bradley Cooper e o retrato da obsessão

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Bradley Cooper lança no fim do ano, “Burnt”, uma produção artisticamente mais modesta do que suas últimas incursões no cinema, mas impregnada do mesmo elemento que fez com que Cooper atingisse o Olimpo dos intérpretes americanos da atualidade.

Este elemento é a obsessão. Mais do que qualquer ator atual, Bradley Cooper se especializou em viver tipos obsessivos no cinema. O tom do registro pode mudar, mas essa verve do personagem segue lá, intacta.

O ator em cena de "Burnt" (Foto: divulgação)

O ator em cena de “Burnt”
(Foto: divulgação)

Em “O lado bom da vida” (2012), que lhe deu sua primeira indicado ao Oscar e marca essa guinada na carreira, ele faz um homem bipolar obcecado em reconquistar a ex-mulher que o traía antes mesmo dele surtar e ir para em uma clínica psiquiátrica. Em “Trapaça” (2013), do mesmo David O. Russell de “O lado bom da vida”, ele dá vida a um agente do FBI com sonho de grandeza que não consegue se dar por satisfeito em desbaratar um esquema de corrupção e acaba dando um passo maior do que as pernas. Já em “Sniper americano”, ele interpreta um homem desacostumado a viver em meio à paz e obstinado em superar um atirador de elite rival durante a ocupação americana no Iraque.

O fato de ter sido indicado ao Oscar pelos três trabalhos diz muito sobre as atuais preferências de Cooper ao dizer sim para um projeto. Em “Burnt”, cujo primeiro trailer pode ser conferido abaixo, ele vive Adam Jones, um chef de cozinha que após destruir sua carreira com vício em drogas e um temperamento explosivo, tenta dar a volta por cima. O filme é dirigido por John Wells (“Álbum de família”) e traz nomes como Emma Thompson, Sienna Miller, Uma Thurman e Daniel Brühl no elenco coadjuvante.

É muito cedo para dizer se “Burnt” tem chances de chegar ao próximo Oscar, a distribuição é do Midas Harvey Weinstein, mas é certo que Cooper parece decidido a investir em personagens soturnos e francamente obsessivos nesse ‘rebranding’ de carreira. Nada mais justo do que uma obsessão a alimentar outra.

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sábado, 15 de agosto de 2015 Notícias | 17:27

Disney revela novidades do universo Star Wars na D23

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À medida que se aproxima o lançamento do ultra-aguardado “Star Wars: o despertar da força”, a Disney intensifica a divulgação de notícias sobre o universo em expansão da saga. Na feira D23 que acontece neste fim de semana nos EUA, o painel de Star Wars foi um dos mais concorridos e, naturalmente, alguns dos boatos que rondaram a internet nos últimos dias foram confirmados. O primeiro deles é de que a direção do Episódio IX ficará sob competência de Colin Trevorrow, diretor do filme mais visto de 2015, “Jurassic World – o mundo dos dinossauros”. O episódio VIII, para quem não lembra, já tem Rian Johnson (“Looper”), confirmado na direção.

Mas não foi só. O elenco do primeiro spin-off de Star Wars, “Rogue one”, foi confirmado. Bem como a primeira imagem oficial da produção, que estreia em dezembro de 2016, divulgada.

O elenco de "Star Wars Rogue One" em destaque

O elenco de “Star Wars Rogue One” em destaque

Além de Felicity Jones, o prelúdio de “Uma nova esperança”, conta com Mads MikkelsenForest Whitaker, Alan TudykDonnie Yen e Ben Mendelsohn. A direção é de Gareth Edwards, da mais recente versão de “Godzilla”.

A Disney divulgou, ainda, um cartaz de “O despertar da força” feito especialmente para a convenção por Drew Struzan, colaborador habitual da LucasFilm e responsável por cartazes clássicos de “Star Wars” e “Indiana Jones”.

Não obstante, a empresa anunciou que construirá dois parques temáticos de “Star Wars” nos EUA. Um em Orlando, na Flórida, e outro em Anaheim, na Califórnia, sede da D23.

O pôster especial feito por Drew Struzan para "O despertar da força"

O pôster especial feito por Drew Struzan para “O despertar da força”

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Atores, Bastidores | 07:00

Aos 43 anos, Ben Affleck vive momento definidor na carreira

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O ator ao lado de Jeremy Irons em cena de "Batman  vs Superman: a origem da Justiça" (Fotos: divulgação)

O ator ao lado de Jeremy Irons em cena de “Batman vs Superman: a origem da Justiça”
(Fotos: divulgação)

Ben Affleck completa 43 anos neste sábado (15) imerso em uma bolha de boatos sobre o fim do seu casamento.  Depois de 12 anos juntos – dez sob matrimônio – e com três filhos, Affleck enfrenta um rumoroso divórcio de Jennifer Garner em um momento crucial de sua carreira.

Em pouco mais de seis meses, mais precisamente em 24 de março de 2016, o ator lança “Batman vs Superman: a origem da Justiça” nos cinemas. Trata-se de um momento decisivo porque a escolha de Affleck foi muito contestada por fãs e setores da crítica. A confiança do estúdio em Affleck, porém, é gigantesca. O ator foi confirmado como o diretor do próximo filme solo do herói. Affleck e Warner, a bem da verdade, mantêm uma relação prolífera e produtiva nos moldes da que o estúdio nutre com o cineasta e ator Clint Eastwood. Os três filmes de Affleck na direção, incluindo o vencedor do Oscar “Argo”, foram produzidos pela Warner.

Em exibições privadas, executivos do estúdio teriam elogiado a interpretação do ator para Batman. Affleck disse outro dia que via o personagem como a versão americana de Hamlet, dando pistas da atmosfera trágica que deve nortear sua performance.

A relação com a Warner está tão bem azeitada que estúdio e ator concordaram sem grandes apartes em postergar o próximo filme de Affleck na direção, “Live by night”, um thriller baseado na obra de Dennis Lehane – o mesmo autor adaptado por Affleck em sua estreia na direção (“Medo da verdade”).

O momento é delicado e, a despeito de relatos das costumeiras fontes anônimas de revistas de celebridades de que Affleck esteja mergulhado em trabalho para esquecer os problemas pessoais, há muito em jogo para o ator, em termos profissionais, e para o estúdio, que programa pelo menos seis filmes com Affleck como Batman (entre produções solo e filmes da Liga da Justiça).

Desde que assumiu a faceta de cineasta, Affleck tornou-se um ator melhor. Isso é fato, mas estigmas não se superam da noite para o dia. Ser um Batman convincente, neste contexto, pode significar o alvorecer de um Affleck renovado. Mais respeitado e celebrado por público e crítica. A nova idade, portanto, promete muitos desafios e, para o bem ou para o mal, resoluções.

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quinta-feira, 13 de agosto de 2015 Análises, Atores, Bastidores | 16:08

Tom Cruise e suas missões impossíveis

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Tom Cruise sofre muito em "Nação secreta", uma metaforização valiosa de seu pathos atual em Hollywood (Fotos: divulgação)

Tom Cruise sofre muito em “Nação secreta”, uma metaforização valiosa de seu pathos atual em Hollywood
(Fotos: divulgação)

Tom Cruise está de volta aos cinemas brasileiros neste fim de semana com “Missão impossível  – Nação secreta”, quinto filme do agente Ethan Hunt – interpretado com total devoção pelo astro, hoje com 53 anos.

Não é nenhum segredo que Cruise investe pesado no cinema de ação como alternativa para se manter relevante em uma era de blockbusters dominados por super-heróis e adaptações de literatura infanto-juvenil, mas “Missão impossível” é, para todos os efeitos, o porto-seguro do astro. A franquia é tão rentável que, mesmo depois da Paramount romper o contrato de exclusividade que mantinha com o ator em 2006, a parceria foi mantida para dar sequência à série. O quarto filme custou para ser produzido e “Protocolo fantasma” foi lançado no Natal de 2011 e amealhou a melhor bilheteria da série – US$ 694 milhões mundialmente.

O sucesso fez com que Paramount e Cruise se sentissem mais confortáveis com a reaproximação e o astro tentou emplacar outra franquia de ação com o estúdio. Embora “Jack Reacher – o último tiro” não tenha rendido o esperado, já teve sua sequência confirmada. E é o diretor deste filme, com quem Cruise já havia trabalhado em “Operação Valquíria” (2008), quem comanda o quinto “Missão impossível” que, apesar de ter enfrentado problemas de bastidores (a Paramount não teria aprovado a 1ª versão do filme e teria exigido mudanças), agradou a crítica e vem fazendo uma bilheteria respeitável (já soma quase US$ 300 milhões mundialmente).

Manter-se atraente para um público que não se deixa influenciar por astros e estrelas para ir ao cinema não é uma tarefa simples. O Tom Cruise desta segunda década do século XXI é um ator desacostumado a fazer qualquer outra coisa fora do escopo da ação. Apenas a comédia musical “Rock of ages: o filme” (2012) destoa em uma filmografia que mescla ficções científicas cascudas como “Oblivion” (2013) e “No limite do amanhã” (2014) com a franquia “Missão impossível”, cujo sexto volume está agendado para entrar em produção no próximo ano.

Além de lançar em média um filme por ano, dando tempo de investir pesado na promoção e cuidar de todos os aspectos relacionados à produção – Cruise foi um dos precursores da figura do ator/produtor – ele busca no passado alguma luz para o futuro. Depois de tanto tarbalhar nos bastidores por uma sequência de “Top gun – ases indomáveis” (1986), um dos primeiros sucessos de sua carreira, Cruise viu o sinal verde ser emitido para a produção. A relação com a Paramount, ainda que sem um contrato de exclusividade, volta a dominar a agenda de Cruise que deve passar os próximos três anos rodando filmes para o estúdio.

Cruise bate um papo com o diretor Christopher McQuarrie e a atriz Rebecca Ferguson no set do filme

Cruise bate um papo com o diretor Christopher McQuarrie e a atriz Rebecca Ferguson no set do filme

Voltar às boas com a Paramount foi a primeira missão impossível realizada por Cruise. “Nação secreta” lhe devolveu ao topo das bilheterias americanas – posição que manteve no segundo final de semana graças ao fracasso de “Quarteto fantástico”. Agora é esperar que a reengenharia de carreira funcione e, em algum momento, seja possível deixar “Missão impossível” para trás.

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