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sábado, 8 de agosto de 2015 Análises, Bastidores | 00:05

Do céu ao inferno com Josh Trank

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O diretor John Trank no set de "Quarteto fantástico" (Fotos: divulgação)

O diretor John Trank no set de “Quarteto fantástico”
(Fotos: divulgação)

Dirigir um sucesso de crítica aos 28 anos de idade pode ser inebriante. Josh Trank, logo em seu filme de estreia, “Poder ser limites” (2012), gozou de inesperado clamor crítico e viu seu filme independente ser alçado ao status de “mais criativo e arrojado olhar sobre a era de super-heróis no cinema”. “Poder sem limites” se ancorava na moda do ‘found footage’, dos quais fazem parte filmes como “A bruxa de Blair” e “Atividade paranormal”, para mostrar três amigos que após ingerirem uma substância misteriosa começam a experimentar poderes estranhos. Aos poucos, o sentimento de invulnerabilidade vai transformando-os. Enquanto um fica mais irascível, outro sente ter alguma responsabilidade para com as circunstâncias e Trank forja o contexto para um filme surpreendentemente prolífico.

Apesar da ideia robusta, o desenvolvimento da narrativa é capenga. Mesmo assim, “Poder sem limites” fez um bom público e colocou Trank na lista de jovens cineastas a se observar. A Fox, em busca de reinventar seu quarteto fantástico no cinema, elegeu o diretor para a missão. A ideia de começar do zero e com mais seriedade a franquia foi recebida com um misto de hesitação e boa vontade. Apesar da chiadeira de alguns fãs com a escolha do elenco, em especial de Michael B. Jordan, para viver o tocha humana – o personagem branco passa a ser negro nesta nova versão – a expectativa em torno da visão de Trank para o material icônico da Marvel era positiva.

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Os bastidores, no entanto, indicavam problemas frequentes. Relatos indicam que Trank não era comunicativo e se mostrava inseguro no set. As primeiras sessões testes foram um fiasco e o estúdio impôs que o filme tivesse cenas refilmadas. Surgiu um rumor de que o cineasta Matthew Vaughn (“X-men – primeira classe”) teria sido chamado às pressas pela Fox para dirigir as cenas que precisariam de refilmagem e montar a versão final do filme. Trank, em maio deste ano, negou esse boato em seu Twitter. “Para o bem ou para o mal, ‘Quarteto fantástico’ tem um só diretor. Eu!”

Foi nessa mesma época que Trank foi demitido de outra produção arrasa-quarteirão ao qual ele estava vinculado. A saída dele do segundo spin-off de “Star Wars” jamais teve uma justificativa oficial, mas fontes internas ouvidas pelo The Hollywood Reporter e pela Variety atestam que a Disney o demitiu em virtude de seu “comportamento errático” nos sets de “Quarteto fantástico”.

Não obstante, na esteira das péssimas críticas que “Quarteto fantástico” tem recebido, Trank foi novamente ao Twitter culpar a Fox pelo filme que chega neste fim de semana aos cinemas.

“Um ano atrás, eu tinha uma versão fantástica. E ela teria recebido ótimas críticas. Vocês provavelmente nunca verão esta versão. Esta é a realidade!” O diretor apagou o tuíte-desabafo em seguida, mas a internet nunca perdoa.

Cena de "Quarteto fantástico", saudado como o pior filme de heróis já feito

Cena de “Quarteto fantástico”, saudado como o pior filme de heróis já feito

Não é a primeira vez que estúdios e diretores entram em embate por controle criativo de filmes. O último caso envolvendo super-heróis foi Edgar Wright se retirando da direção de “Homem-formiga” por desavenças criativas. Antes dele, há cerca de quatro anos, Darren Aronofsky abandonou a direção de “Wolverine: imortal”, da mesma Fox, por não aceitar que o estúdio tivesse o corte final – como é chamada a versão do filme que vemos nos cinemas.

O caso de Josh Trank, no entanto, se parece mais com aquele jogador de futebol de várzea que, de uma hora para a outra, fecha contrato com o Real Madrid. Sobra deslumbramento, falta maturidade.  “Poder sem limites” não era um grande filme, mas certamente ventilava um talento que a indústria necessitava e Trank, talvez mal assessorado, talvez ególatra demais, pensou que poderia ser tão maleável quanto o Sr. Fantástico. Resultado? Seu filme está sendo violentamente massacrado pela crítica – talvez até com certo sadomasoquismo – e deve ser negligenciado pelo público. Mas não para por aí. Como atesta sua sumária demissão do filme derivado de Star Wars, as notícias voaram pelos corredores de Hollywood; e Trank se vê queimado no sistema de estúdios. Nada que juventude e disposição a voltar à cena independente não possam contornar. Mas para quem tem uma filmografia tão curta, dois filmes, Trank fez a mais louca e delirante das viagens hollywoodianas.

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2 comentários | Comentar

  1. 52 Kamila Azevedo 09/08/2015 19:42

    De todos os textos que tenho lido sobre essa polêmica do Josh Trank, o seu foi o mais fiel às versões que estão rolando. Pra mim, a interferência do estúdio no caso de “Quarteto Fantástico” se deve ao comportamento errático e à incerteza de Trank em relação ao que ele mesmo estava fazendo como diretor.

    No mais, em qualquer outro caso, sou terminantemente contra às interferências externas nos trabalhos dos diretores, apesar de saber que isso é uma prática constante em Hollywood, ainda mais em se tratando de filmes baseados no universo da Marvel. Eles são “craques” nisso!

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  2. 51 Korben Dallas 08/08/2015 1:28

    Já sabia disso desde quando “inventaram” um reboot para o filme. Dizem que os outros filmes não são melhores (versão lançada direto em vídeo em 1994 – filme bizarrão e que merece nem ser lembrado; e a versão de 2004, época que já começaram a surgir os melhores filmes baseados em quadrinhos). Este último, mesmo não sendo uma obra prima, pelo menos temos atores que ficaram bem apresentáveis nos personagens. Nesse novo filme, colocaram todos como um bando de adolescentes nerds brincando de cientistas; por acaso nos quadrinhos Reed Richards era um “mulecote”? Estava mais para um cara experiente e maduro, daí o nome de “Sr. Fantástico” e denominado líder do grupo. E o Tocha então? Podem cair matando, mas com esse moda de que precisa agradar a todos os públicos, transformaram um personagem branco em negro (daqui a pouco irão querer transformar 007 em homossexual); levando na brincadeira, diria que o Tocha ficou “queimado depois que acendeu”. E a Mulher Invisível, Kate Mara pode ser bonitinha e tal, mas não tem o mesmo “sex appeal” e a presença de Jessica Alba para o papel. Sobre O COISA digo que fico em cima do muro, afinal aqui é CGI e parece ser muito melhor do que a roupa de borracha usada por Michael Chiklis; e Jaime Bell – franzinho – se transformando naquele pedregulho todo? Não posso comentar sobre isso, afinal fizeram O COISA perfeito com o ator imperfeito para o papel.
    Engraçado que nesses tempos ainda conseguem cagar nesse tipo de filme, depois de tantas e tantas experiências vividas (exemplos: Superman – o retorno, Lanterna Verde)
    Com certeza o melhor QUARTETO FANTÁSTICO ainda é aquele de 11 anos atrás. Tanto que – embora sem muito valor – Jessica Alba foi eleita “a heroína mais sexy” nos prêmios SCREAM AWARDS pelo papel de Sue Storm.
    Agora, resta esperar pelo próximo reboot e que com ele possa surgir algo digno e merecedor de aplausos.

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