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terça-feira, 11 de agosto de 2015 Bastidores, Notícias | 22:46

Diretor de “Crash – no limite” admite que filme não merecia vencer o Oscar

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O diretor Paul Haggis (Foto: divulgação)

O diretor Paul Haggis (Foto: divulgação)

Maior zebra da categoria de melhor filme no Oscar em 20 anos, “Crash – no limite” ainda rende discussões nas rodas de cinéfilos por sua surpreendente vitória sobre o então favorito “O segredo de Brokeback Mountain” na edição de 2006. Praticamente dez anos depois, em uma entrevista ao site Hitfix para promover a minissérie que estreia no próximo domingo na HBO (“Show me a hero”), o cineasta Paul Haggis admitiu que “Crash” não era o melhor filme em competição no Oscar daquele ano.

“Claro que fico feliz em ter esse Oscar, mas eu não teria votado em ‘Crash’, uma vez que reconheço a maestria envolvida dos outros concorrentes”, observou o diretor. “Era o melhor de todos? Não acho. Havia muitos filmes bons naquele ano. ‘Crash’, por alguma razão, emocionou as pessoas. Não dá para julgar filmes assim”.

Disputavam o Oscar de melhor filme com “Crash” e “O segredo de Brokeback Mountain”, “Boa noite e boa sorte”, de George Clooney, “Munique”, de Steven Spielberg e “Capote”, de Bennett Miller.

A digressão prosseguiu. “Eu tenho muito orgulho do filme ter sensibilizado as pessoas. Foi um bom experimento social. Mas é um grande filme? Eu não sei”.

O tempo costuma, para tudo na vida, ser o melhor dos juízes e essa distância temporal parece permitir que Haggis exerça um juízo mais livre sobre “Crash” e o contexto daquele Oscar. À época, houve forte reação da opinião pública e da crítica especializada que acusaram a Academia de ceder a pressões internas de ordem homofóbica para não consagrar um romance entre dois caubóis como o melhor filme do ano.

“Crash – no limite” era, de fato, o candidato mais fraco entre os concorrentes, mas o mais fácil de reunir algum consenso em um colegiado tão diverso e plural como o da academia. Beneficiou-se por evitar a polêmica em um ano de filmes corajosos. Premiado pelas vias fáceis, se viu diminuído pelo olhar da história. Até mesmo no julgamento de seu criador.

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5 comentários | Comentar

  1. 55 vander 12/08/2015 9:34

    Não poderia, e não deveria, é premiar o filme dos caubóis gays apenas para satisfazer a ondinha “colorida”. Hoje, certamente venceria o Broque-sei-la-o-que mountain, devido ao descompasso que a humanidade vive na questão da moral e dos bons costumes. Até o que é melhor, de fato, deixa de ser primordial quando se tenta “a qualquer custo” fincar uma bandeira.

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  2. 54 Cristina Pereira 12/08/2015 7:12

    Posso ate concordar com o fato de talvez ter sido uma escolha mais facil. A meu ver, o filme Munique deveria ter ganho. Agora, discordo de que o filme se viu diminuido pelo olhar da historia. Eh o filme que mais revi desde aquele ano e continua me emocionando. O Segredo de Brokeback Mountain foi muito importante pra epoca mas se fosse lancado nos tempos atuais, nao sei se teria o mesmo impacto.

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  3. 53 Alan Page 12/08/2015 6:55

    Discordo…crash foi e continua sendo um P filme…excelente como foi amarrando uma historia na outro …mostrando q estamos todos conectados. Nada contra os gays.

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  4. 52 Haeckel Patriarcha 12/08/2015 5:48

    Crash foi um filme duro, que mostrava a realidade como poucos. Além de toda essa polêmica, pode ser que os julgadores analisaram a apresentação de uma realidade nua e crua, como elemento de esclarecimento social.
    Só assisti uma vez, por ser muito duro, mas, a reflexão que causa é enorme e nos faz pensar quem somos? Onde estamos? E para onde vamos?

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  5. 51 Saul Siffredi 12/08/2015 0:36

    Se até diretor concluiu que sua obra é ruim, imagine, hein? Hehehehe. Quando Brokeback Mountain perdeu eu cravei: BM sobreviverá ao tempo. Trash será esquecido! Tai, começou a reação!

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