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quarta-feira, 9 de setembro de 2015 Críticas, Filmes | 18:45

“Que horas ela volta?” congrega muitos Brasis e filmes em narrativa sutil e cheia de belezas

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O Brasil do pós-Lula entrou na mira do cinema nacional em 2015. Se “Casa Grande” de Fellipe Barbosa abordava o derretimento da classe média e as tensões sociais inerentes a essa decorrência, Anna Muylaert (“É proibido fumar”) muda o foco da análise. A perspectiva sai da sala e se instala na cozinha. Em seu primeiro ato, “Que horas ela volta?” mostra a dinâmica da relação entre Val (Regina Casé) e seus patrões pelo ponto de vista da empregada/babá. No segundo ato, o filme evolui para esse pós-Lula em que fachadas e limites ruem em face do maior acesso à educação. Não obstante, o filme sofre outra transformação no terceiro ato – sem perder de vista todas essas ramificações – e se resolve como um tenro e absoluto estudo sobre a maternidade.

Leia também: “Casa Grande” pensa o Brasil a partir do derretimento da classe média 

“Que horas ela volta?”, porém, possui sutilezas poderosas que o dignificam para além da aprovação crítica. O próprio título do filme busca na relação de mães postiças com filhos que não são seus uma rima com a saudade de filhos afastados de suas mães verdadeiras.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Val é uma pernambucana que já mora na casa dos patrões em São Paulo há tanto tempo que já faz parte da família. No contexto em que uma empregada doméstica pode fazer parte de uma família de classe média. Não que Carlão (Lourenço Mutarelli) e Barbara (Karine Telles) não gostem de Val e a tratem bem, mas Muylaert é muito hábil em tatear as pequenas fissuras diárias de uma relação construída por subtendidos, inferências, culpa e resignação.

A chegada da filha de Val, Jéssica (a fantástica Camila Márdila), desestabiliza essa relação. Jéssica vai prestar vestibular para arquitetura e parece mais preparada para o desafio do que Fabinho (Michel Joelsas), o filho que não é de Val, mas ela criou. Esse é apenas um dos pontos de choque que a chegada da menina proporciona à rotina de Val e seus patrões. Jessica também mexe com os hormônios da casa. Se Barbara não engole o abuso da menina de se colocar como hóspede da família, Carlão e Fabinho parecem flertar com a menina como diligência de classe. É aí que as tensões sociais reclamam o protagonismo no filme de Muylaert, mas o primoroso roteiro reserva uma guinada tão inesperada quanto poética mais à frente.

Ao se ressignificar como um filme sobre a complexidade da maternidade, “Que horas ela volta?” adquire mais relevo como cinema sem perder a pujança enquanto radiografia social.

O desfecho do filme é das coisas mais belas e cativantes que o cinema ofertou em muito tempo.  Regina Casé, um colosso em cena, contribui definitivamente para a consagração artística que é este filme. Combinando minimalismo dramático com seu referendado timing cômico, seu rigor cênico surpreende não pela atriz que ocupa a memória de muitos, mas pela atriz soberba e cheia de recursos que ela revela em um registro ponderado entre a emoção e o cálculo. Um trabalho tão detalhado quanto o filme que defende.

Muitas vezes, a audiência se sente na urgência de apertar um plástico-bolha – como a personagem de Casé faz em dado momento do filme. Essa sensação é um mérito da direção inteligente de Muylaert e do desempenho acima do bem e do mal de Casé. Uma parceria que dá ao cinema brasileiro o seu momento mais eloquente em 2015.

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1 comentário | Comentar

  1. 51 monica 10/09/2015 9:42

    esse filme deve ser uma bosta, eu tava pensando que era uma comedia, nem vou mais assistiri isso valeu ig

    Responder
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