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quinta-feira, 10 de setembro de 2015 Análises, Filmes | 21:22

“Que horas ela volta?” é escolha estratégica do Brasil para chegar ao Oscar

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Não se espantem se virem Regina Casé seguindo os passos de Fernanda Montenegro e sendo indicada ao Oscar de melhor atriz no dia 14 de janeiro de 2016. A apresentadora e atriz, afinal, é a alma de “Que horas ela volta?”, filme brasileiro destacado pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil no Oscar. O anúncio, feito nesta quinta-feira (10), indubitavelmente reforça as chances de Casé, uma vez que o filme já recebe atenção da mídia especializada americana e deve receber um boom promocional nos próximos meses.

Crítica: “Que horas ela volta?” congrega muitos Brasis e filmes em narrativa sutil e cheia de belezas 

A obra de Anna Muylaert é, sob muitos aspectos, o filme mais bem preparado do Brasil a concorrer a uma vaga entre as produções finalistas na categoria de filme estrangeiro em muitos anos. Cheio de sutilezas, não é mais um registro cultural do que um olhar tenro à maternidade. O roteiro é um triunfo da lapidação. Em entrevista à rádio BandNews FM nesta quinta, Muylaert destacou a burilamento pelo qual o texto passou. “Esse projeto tem 27 anos. A primeira versão dele trazia apenas a visão da empregada. Até seis meses antes, a Jéssica não vinha estudar na faculdade, mas trabalhar como cabeleireira e depois se tornava babá. Acabei mudando com os laboratórios que eu fiz”, revelou.

Regina Casé no Oscar? Filme e atriz têm chances sérias de chegarem lá  (Foto: divulgação)

Regina Casé no Oscar? Filme e atriz têm chances sérias de chegarem lá
(Foto: divulgação)

Diferentemente de candidatos brasileiros de outros anos, “Que horas ela volta?”, reúne potencial comercial – é coproduzido pela Globo Filmes e estrelado pela popular Regina Casé, com pujança artística. Uma combinação que somente esteve presente em “Cidade de Deus” (2002). O candidato do ano passado, “Hoje eu quero voltar sozinho”, era muito bom e a exemplo do escolhido deste ano, experimentado em festivais internacionais. Com mais filmes brasileiros em festivais mundo afora, aclamação crítica nesses eventos pode ser um critério bem-vindo para substituir aquele intermitente e duvidoso jogo de adivinhação do que a academia gosta ou de que tendência seguir.

Competição

Muitos países já definiram seus representantes e tem candidatos que, assim como “Que horas ela volta?”, gozam de prestígio junto à crítica internacional. São os casos de “Son of Saul”, da Hungria, prêmio do júri em Cannes, “The assassin” (Taiwan), “Um pombo pousou no galho refletindo sobre a existência” (Suécia), “Xênia” (Grécia), “Goodnight Mommy” (Áustria), entre outros. Não há, porém, a presença de nenhum autor consagrado entre os concorrentes confirmados de momento. O que reforça as chances da produção brasileira repetir o feito de “Central do Brasil” (1998), “O que é isso companheiro?” (1997), “O quatrilho” (1994) e “O pagador de promessas” (1963) e ingressar no rol de filmes brasileiros indicados ao Oscar de melhor produção estrangeira.

Não é a primeira vez que Regina Casé estrela uma produção nacional que tenta chegar ao Oscar. “Eu, tu, eles”, de Andrucha Waddington, foi o selecionado do país em 2001. Dessa vez, porém, a atuação extraordinária de Casé, premiada no festival de Sundance, pode impulsionar o filme além da categoria de produções estrangeiras em uma época de internacionalização do colegiado que compõem a academia. Neste ano, vale lembrar, que embora a produção belga “Dois dias, uma noite” não tenha ficado entre os finalistas da categoria, a atriz Marion Cotillard foi lembrada entre as atrizes.

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7 comentários | Comentar

  1. 57 Cassio Bezerra 13/09/2015 15:50

    Como (quase) sempre compartilhamos mais uma vez da mesma opinião e desejo em relação a este longa, grande Reinaldo.
    Grande abraço.

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  2. 56 Cristina 11/09/2015 7:30

    A maioria pode não admitir, mas Regina Casé é uma excelente atriz.
    Apesar que ganhar Oscar não significa que o filme é bom, aprovo esta escolha, ainda é uma enorme vitrine.

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  3. 55 Carlos 11/09/2015 6:22

    É outro que vai morrer na praia.

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  4. 54 Isaque 11/09/2015 5:45

    Será que esse pessoal que está criticando já assistiu o filme? Tb não sou fã da Regina, mas não podemos negar a experiência dela. Torço para que ganhemos o primeiro Oscar e torço pelo sucesso do filme.

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  5. 53 jose carlos 10/09/2015 22:33

    se essa pessoa ganhar um oscar eu nunca mais vou no cinema……..

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  6. 52 Ana 10/09/2015 21:58

    Esqueceram de citar o filme Cidade de Deus.

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    • Paulo Passos 11/09/2015 9:06

      Prezada Ana,

      “Cidade de Deus” não foi indicado na categoria Melhor Filme de Língua Não Inglesa. Ele concorreu nas mesmas categorias dos filmes produzidos por Hollywood e falados em inglês, em cinco categorias. A reportagem esta correta.

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  7. 51 Marlon 10/09/2015 21:56

    Meoooo Deos…. é isso que o Brasil tem de melhor pra um Oscar? Sério? Um filme mediano argentino é melhor do que os ‘best-sellers’ brasileiros. Tirando raras exceções como Olga, Tropa de Elite, Central do Brasil, 2 Coelhos, O que é isso companheiro e alguns outros que se conta com os dedos das mãos… o resto são produções arraigadas nos clichês e tão sem alma, tão sem espírito, que fico embasbacado como gastam dinheiro com isso.

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    • Robson 11/09/2015 6:51

      talvez pq vc no conhece o cinema nacional?

      Responder
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