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quinta-feira, 17 de setembro de 2015 Críticas, Filmes | 18:52

Filme de ator, “Nocaute” combina emoção e testosterona para cativar

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Foto: divulgação

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Filmes sobre esportes em geral, e boxe em particular, obedecem a certa estrutura narrativa que afasta alguns espectadores enquanto cativa outros. “Nocaute” (EUA, 2015) abraça este lugar-comum com todas suas forças e Jake Gyllenhaal.  É isso mesmo. “Nocaute” é um filme de ator. Antoine Fuqua dirige de maneira a ceder todo espaço do mundo para seu ator brilhar e Gyllenhaal não faz por menos. No filme, ele vive Billy Hope, um órfão que ascendeu do “sistema” para o topo da categoria dos meio-pesados no boxe. O roteiro de Kurt Sutter faz um bom desenho do personagem. Como todo menino pobre e abandonado, Hope tem problemas de raiva e controle (em qualquer esfera de sua vida) e é sua esposa Maureen (Rachel McAdams) quem lhe provê equilíbrio e norte. O mais interessante é que essa fissura pisológica se reflete no jeito de Hope lutar. Ele só consegue bater apanhando e só vence suas lutas depois de ser duramente golpeado pelos adversários. Ainda assim, mantém um cartel invicto.

Tudo muda de figura quando Maureen é vítima de uma tragédia adornada por esse emocional convulsionado de Hope, morre, e o lutador cai em desgraça.

Os três atos do filme são muito bem estabelecidos por Fuqua. Quando conhecemos Hope ele está no auge, pai de uma menina amorosa, marido de uma mulher atenciosa e devotada, milionário e admirado por multidões. Mas a “bolha Hope”, como Maureen se refere a este momento, estoura e e o segundo ato exibe toda a implosão do personagem e aí Gyllenhaal recebe carta branca de Fuqua para comandar o show. Depois de ter a guarda de sua filha retirada, de tentar se matar reiteradamente e atingir o fundo do poço, não resta nada para Hope além de começar a escalada para cima novamente. Surge então Forest Whitaker como o treinador do único cara que Hope sente que o venceu. Hope o procura para treiná-lo. Whitaker faz um tipo sábio que parece mais preocupado em treinar a mente do que o corpo do novo pupilo. Chega o terceiro ato e a esperada redenção. E embora saibamos exatamente o desenrolar que vai se suceder, é impossível resistir à emoção.

Um dos méritos de “Nocaute” é trabalhar os clichês de forma muito natural, sem deixar-se conduzir por eles. Nesse sentido, Gyllenhaal é vital. É o ator, com suas variações entre a contenção e a explosão, em uma atuação tão física como intuitiva, quem garante que os conflitos de seu personagem prevaleçam à obviedade da narrativa.

Por isso “Nocaute” é um filme melhor do que talvez fosse se protagonizado pelo rapper Eminem, como estava inicialmente previsto.

Se Fuqua não filma as lutas de boxe com a inventividade que David O. Russell consagrou em “O vencedor” (2010), agrega à testosterona muito coração.  No fim das contas, é assim que se ganha lutas no cinema.

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2 comentários | Comentar

  1. 52 Ana Paula 17/09/2015 20:49

    Roteiro de Kurt Sotter??? Não seria Kurt Sutter?

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  2. 51 Renato Tadeu 17/09/2015 19:05

    SP,17/09/15,

    Aqui no Brasil, poderiam retratar a trajetória de um pugilista chamado Paulo Sacoman, daria um bom filme documentário.

    Um abraço.

    Responder
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