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sexta-feira, 2 de outubro de 2015 Críticas, Filmes | 20:57

“Mate-me por favor” aborda repressão sexual a partir do contato com a morte

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Cena do filme "Mate-me por favor"

Cena do filme “Mate-me por favor”

Um close demorado na face de uma mulher. Corta. Ela corre desesperada de alguém, tropeça e grita. Esse prelúdio, filmado com incomum estilização no cinema brasileiro recente anuncia um filme que evita as soluções fáceis. “Mate-me por favor”, estreia na direção de longas-metragens da carioca Anita Rocha da Silveira, é um poderoso comentário acerca das circunstâncias do desejo e de sua repressão. O filme tem como pano de fundo um caso de serial killer a desovar corpos de jovens bonitas em terrenos baldios da Barra da Tijuca, bairro nobre da Zona Oeste do Rio de Janeiro. O interesse da cineasta, no entanto, reside na maneira como o caso afeta Bia (Valentina Herszage) e suas amigas que travam aquele tipo de amizade inseparável tão comum à adolescência.

Bia se vê infligida por uma súbita curiosidade de experimentar com o seu corpo. Esse desejo encontra uma barreira no namoradinho que parece mais suscetível às influências religiosas do que Bia. Mesmo assim, ele cede a algumas das investidas de Bia (em um dos muitos recortes sobre o verniz hipócrita de nossa sociedade ofertados por Anita), que logo parte para experimentações mais extremas.

“Mate-me por favor” valoriza os contrapontos e, nesse sentido, a relação da jovem com suas amigas – todas pinceladas com propriedade pelo roteiro de Anita, ganha relevo para além dos dramas individuais. O irmão de Bia, João (Bernardo Marinho), imerso em uma relação que jamais excede o campo virtual, é outra sutileza da cineasta que propõe um olhar revisionista ao Rio de Janeiro.  Da Barra da Tijuca filmada de maneira quase abstrata ao uso contumaz do funk, como alegoria, mas também como expressão da cultura local, a cidade é um personagem tão ou mais hermético do que Bia em sua recém-implementada divagação existencial.

Sem obedecer à lógica de um só gênero, a cineasta se permitir flertar com a sátira aqui e ali, mas adorna seu filme de uma atmosfera de terror filtrada de clássicos de David Lynch como “Veludo azul” e “Twin peaks”.  Apesar da temática, “Mate-me por favor” não é um filme fatalista. A morte jamais surge como um desejo absoluto, mas como um traço de um desejo muito mais complexo, incandescente e ruidoso.

A cena final, daquelas de tirar o fôlego da plateia e ampliar o significado de todo um filme, é das coisas mais impactantes produzidas no cinema recente. Anita Rocha da Silveira é, indubitavelmente, um nome do cinema nacional para se acompanhar de muito perto.

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3 comentários | Comentar

  1. 53 Os dez melhores filmes de 2016 | LUCAS URGENTE 24/12/2016 18:46

    […] Crítica: “Mate me Por Favor” aborda repressão sexual a partir do contato com a morte […]

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  2. 52 “Superei barreiras para viver a Bia”, diz protagonista de “Mate-me Por Favor” | Folha Acadêmica 17/09/2016 9:37

    […] Cineclube: “Mate-me Por Favor” aborda represão sexual a partir do contato com a morte […]

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  3. 51 Kamila Azevedo 04/10/2015 19:02

    Acompanhei alguns de seus tweets sobre esse filme. Confesso que ainda não tinha ouvido falar sobre “Mate-me por favor”, mas fiquei curiosa após ler o seu texto.

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