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segunda-feira, 12 de outubro de 2015 Críticas, Filmes | 10:55

Com humor, “Perdido em Marte” propõe uma ficção científica menos solene

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Foto: divulgação

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Ridley Scott, um dos principais semeadores da boa ficção científica no cinema, volta ao gênero depois da controversa incursão com “Prometheus” (2012) com o elogiado “Perdido em Marte” (EUA 2015). Estrelado por Matt Damon e com um roteiro esperto de Drew Goddard, do ótimo “Guerra Mundial Z” e da série “Demolidor” da Netflix, o filme tem o mérito de devolver o humor à ficção científica. Pode parecer pouca coisa, mas não é.

O gênero andava muito sisudo e o próprio Scott tinha alguma coisa a ver com isso. Em “Perdido em Marte” ele coloca Matt Damon como um astronauta que é dado como morto por sua equipe durante uma forte tempestade em Marte e que precisa se virar para sobreviver em um planeta de recursos escassos até que a Nasa envie outra missão para lá.

“Perdido em Marte” parte de um futuro em que as expedições ao planeta vermelho já são uma realidade bem estabelecida e parte de seu fascínio reside justamente em ir descobrindo a maneira “realista” com que a Terra avança sobre Marte.

Outro acerto do filme é confiar a Matt Damon, um ator que quando navegou pela comédia (“O desinformante” e “Ligado em você”) o fez maravilhosamente bem, o ritmo do filme. É ele com seu Mark Watney carismático e otimista quem faz a banda de “Perdido em Marte” tocar.

Apesar do ótimo elenco de apoio, com nomes como Kate Mara, Jessica Chastain, Sean Bean, Jeff Daniels, Kristen Wiig e Michael Peña, é mesmo Damon quem norteia o filme.

A bem da verdade, o grande mérito de Scott na direção foi perceber que o show era do ator e que o humor tão presente no texto de Goddard deveria ser valorizado. Não à toa, alguns dos melhores momentos de “Perdido em Marte” vêm de monólogos de Watney.

No mais, “Perdido em Marte” cumpre aquilo se predispõe fazer: remover a solenidade exacerbada da ficção científica. Em tempos de “Interestelar” – que ironicamente conta com Damon e Chastain no elenco -, o novo filme de Scott é um sopro de humildade a um extrato do gênero (o sci-fi com mote espacial) que andava mesmo precisando se redescobrir.

Como diz em bom inglês o personagem de Damon em um dado momento de sua solidão forçada em Marte: “I´m gonna have to Science the shit out of this”. Com um pouco de humor, dá para dispensar a tradução.

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