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quinta-feira, 15 de outubro de 2015 Críticas, Filmes | 19:51

“Bata antes de entrar” transforma sonho masculino em pesadelo

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Demonstrando notável evolução como cineasta, Eli Roth entrega com “Bata antes de entrar” (2015), um thriller divertido sobre infidelidade conjugal. Com ecos de “Atração Fatal”, Roth coloca Keanu Reeves como Evan, um ex-DJ e agora arquiteto casado com uma artista plástica que é o retrato do homem bom. Dócil e atencioso com os filhos e todo amoroso e compreensível com a esposa.

Por trabalho, ele fica em casa em um fim de semana que a mulher e os filhos partem para a praia. Logo na primeira noite, terrivelmente chuvosa, duas jovens encharcadas batem a porta de Evan. Elas se perderam e com um celular molhado, estão incomunicáveis. Evan, para lá de bem intencionado, as acolhe, oferece chá e pelo Uber chama um carro para levá-las a seu destino. Mas as moças, genialmente interpretadas por Lorenza Izzo e Ana de Armas parecem pouco dispostas a partir. Elas se põem a conversar sobre preferências sexuais e avançam sobre Evan como predadoras na noite.

O desconforto do homem casado, no entanto, não é maior do que sua excitação com a situação toda e toda a cena, pacientemente construída por Roth, é muito feliz em expor esse complexo dilema do macho e problematiza o machismo com muito sadismo.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Como o trailer antecipa, Evan não resiste à promessa de “pizza grátis”, como ele próprio metaforiza mais adiante. Só que as duas moças decidem fazer da vida do infiel Evan, um inferno.

Elas parecem loucas, mas a audiência pode intuir que tudo faz parte de um teatro  sádico e Roth deixa a ópera fluir. Há encenação de incesto, pedofilia e toda sorte de depravação. Afinal de contas, um homem que trai aqueles que ama é um homem capaz de qualquer coisa do gênero, não é? A piração das moças é um deleite para Roth que não deixa pedra sobre pedra filmando praticamente em um só cenário, o interior da casa de Evan, e expondo visualmente a fissura que uma traição provoca no traído.

O moralismo da fita não é de verdade. É ele, também, uma grande ridicularização dos costumes, como atesta a genial cena final.  Nesse conto macabro de Eli Roth sobre infidelidade, o melhor dos sonhos masculinos é um pesadelo.

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Kamila Azevedo 18/10/2015 19:10

    Não diria que a infidelidade é o maior dos sonhos masculinos, mas, com certeza, uma vez isso sendo vivido, se transforma num grande pesadelo!!!

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