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Arquivo de dezembro, 2015

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015 Filmes, Listas | 16:58

Retrospectiva 2015: Os vinte melhores filmes do ano

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Foi um ano intenso. Não só no cinema. Mas talvez o cinema seja o melhor fórum para uma análise dessa natureza. A pluralidade dos filmes selecionados pelo Cineclube para compor esse ranking do que de melhor surgiu no Brasil (cinema, VOD, home vídeo, etc) entre janeiro e dezembro de 2015, garante a satisfação de quem gosta de cinema em toda a sua plenitude.

Uma boa passagem de ano para todos os leitores e nos vemos em 2016!

20 – Força Maior”, de Ruben Östlund  (Suécia, 2014)

Um olhar frio, distante e irreversível sobre a dinâmica familiar burguesa contemporânea em um filme sem medo de inconveniências.

19 – “A Visita”, de M. Night Shyamalan (EUA, 2015)

Shyamalan redescobre a simplicidade narrativa em um filme que tem sustos, sim, mas tem muito mais coração

18 – “Um Amor a cada Esquina”, de Peter Bogdanovich (EUA, 2014)

O maior trunfo do cinema é a imaginação nesta comédia deliciosa que homenageia Hollywood com inteligência e delicadeza

Foxcatcher: o que não é mostrado move o poderoso filme de Bennett Miller

Foxcatcher: o que não é mostrado move o poderoso filme de Bennett Miller

17 – “A Pequena Morte”, de Josh Lawson (Austrália, 2014)

A ideia de normalidade é afastada em um filme que a partir de inusitados fetiches sexuais fala da nossa necessidade de conexão

16 – “Love 3D”, de Gaspar Noé (FRA, 2015)

A sexualização do amor, intangível como só ela, é tateada com fatalismo romântico pelo polêmico Gaspar Noé em um filme que fala à alma de um jeito muito particular

15 – “Divertida Mente”, de Pete Docter (EUA, 2015)

Você se sente exposto, representado e compreendido pelo filme que melhor combina emoção e diversão na temporada

14 – “Foxcatcher – um Crime que Chocou o Mundo”, de Bennett Miller (EUA, 2014)

O patriotismo distorcido de uma América competitiva dá o tom desse filme de muitas camadas e grandes atuações

13 – “O Jogo da Imitação”, de Morten Tyldum (EUA/INGL 2014)

O academicismo de Tyldum realça a boa história de Alan Turing, mas é Benedict Cumberbatch quem faz do filme algo a mais

12 – “À Beira-Mar”, de Angelina Jolie (EUA, 2015)

O inverno do amor é flagrado em toda a sua dor e agonia em um filme que se constrói nos detalhes de uma relação amorosa implodida

À Beira Mar: Quando o amor só exite pelo ódio, o que fazer?

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11 – “Que Horas ela Volta?”, de Anna Muylaert (Brasil, 2015)

Dando nome aos bois dessa coisa de ser mãe é padecer no paraíso e, no ínterim, revelando a dicotomia do Brasil de duas gerações diferentes

10 – “Ponte dos Espiões”, de Steven Spielberg (EUA, 2015)

Thriller de espionagem de alta voltagem rima com filme edificante? Spielberg faz crer que sim

9 – “Mapa para as Estrelas”, de David Cronenberg (EUA/FRA,2014)

Hollywood, esse lugar de gente doida, esquisita e esculhambada por David Cronenberg

8 – “Casa Grande”, de Fellipe Barbosa (Brasil, 2015)

O derretimento da classe média no pós-Lula ganha o cinema com um filme articulado, reflexivo e com muito a dizer

7 – “A Gangue”, de Miroslav Slaboshpitsky (UCR, 2014)

Nosso fôlego se esvai com um dos filmes mais duros e violentos dos últimos anos. O fato de não haver som e todos os diálogos serem na linguagem de sinais torna tudo mais impactante

6 – “Kingsman: Serviço Secreto”, de Matthew Vaughn (EUA 2015)

Nenhum filme foi tão eficiente em simplesmente entreter como este aqui. De quebra, cinismo em alta, cenas de ação estilosas e o melhor vilão do ano

Kingsman: Porque o cinema também é diversão pura e simples

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5 – “Corrente do Mal”, de David Robert Mitchell (EUA, 2015)

O terror mais original em anos no cinema conta uma história de amor que vai ganhando gravidade e sentido e torna a resolução ainda mais assustadora

4 – “Beasts of No Nation”, de Cary Fukunaga (EUA, 2015)

O horror irrefreável de uma África esquecida que força suas crianças a se demonizarem para subsistir é um dos filmes paradoxalmente mais lindos do ano. E mais cruéis também!

3- “Whiplash – Em Busca da Perfeição”, de Demien Chazelle (EUA, 2014)

A música e a obsessão compõem um soneto perfeito neste filme pulsante, cheio de energia e que se recusa a deixar o espectador a sós com seus pensamentos

2- “Mad Max: Estrada da Fúria”, de George Miller (EUA, 2015)

A ópera do caos em toda a sua fúria, cor e excelência. Nenhum outro filme cravou-se no imaginário popular quanto esse petardo de estilo de Miller. O cinema de ação se despede outro de 2015

1 – “Birdman – ou a Inesperada Virtude da Ignorância”, de Alejandro González Iñárritu (EUA 2014)

Um pequeno conto sobre vaidade, insegurança e outras coisitas mais com Hollywood como pano de fundo. Imperdível.

Birdman: Porque a eletricidade do registro faz a inteligência da história crescer de tamanho

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Críticas, Filmes | 14:38

“O Despertar da Força” incorpora padrão Disney a “Star Wars”

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Foto: divulgação

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Sob muitos aspectos “Star Wars: O Despertar da Força” (EUA 2015) é o filme que os fãs da saga criada por George Lucas merecem. É um entretenimento vistoso em sua capacidade de abraçar a nostalgia com beats de outros filmes da série, em especial de “Star Wars: Uma Nova Esperança” (1977), e de reorganizar os arranjos para a expansão da franquia, agora sob o jugo da Disney.

J.J Abrams é um diretor hábil em repaginar sucessos. Não à toa, revitalizou outra franquia sci-fi (“Star Trek”) e era bastante óbvio para quem quer que acompanhe sua carreira que seria exitoso em sua incursão pelo universo de “Star Wars”.

O grande mérito de “O Despertar da Força”, no entanto, está nos novos personagens. Tudo bem que Rey (Daisy Ridley) nada mais é do que a reengenharia de Luke Skywalker (Mark Hamill), mas a personagem tem fôlego e o fato de uma mulher ser a protagonista da nova trilogia estabelece um novo e bem-vindo paradigma para a série e para a ficção científica como um todo.  Passa por aí, também, as figuras de Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac), este último uma reimaginação de Han Solo (Harrison Ford), personagem da trilogia original com mais espaço no novo filme.

Finn é o mais oxigenado dos novos personagens, ainda que seja o vilão Kylo Ren – defendido com a habitual competência por Adam Driver – o mais cativante. O conflito do personagem entre a luz e a escuridão e seu confesso desejo pelo segundo invertem a expectativa natural em relação ao tema. Além do mais, ele precisa lidar com a sombra de Darth  Vader. Intra e extra-diegeticamente.

As relações entre os personagens obedecem toda a estruturação clássica da série, algo que pode ser creditado ao fato de Lawrence Kasdan, que assinou “O Império Contra-ataca” (1980) e “O Retorno de Jedi” (1983), ser o responsável pelo roteiro. Todo o DNA de “Star Wars” está lá. O filme funciona muitíssimo bem para quem é fã e funciona ainda melhor para quem toma contato com este universo pela primeira vez.

Neste primeiro momento, é factível dizer que “Star Wars” se beneficia desse padrão Disney, mas essa leitura tende a se diversificar com a chegada dos novos filmes e, também, com o olhar histórico sobre este filme.

O hype é imenso e com um bom filme nos cinemas é difícil opor-se de alguma forma a “O Despertar da Força”. Mas não estamos diante de um grande filme. Para além da boa vontade generalizada, há escolhas discutíveis – nas frentes narrativa e estética – e pequenas falhas concentradas no roteiro principalmente que não escapam a olhos mais atentos.

De qualquer forma, é um recomeço e tanto para uma franquia que ajudou a definir o conceito de cinema enquanto indústria. Em pleno vapor, a reengenharia de “Star Wars” foca no seguro e mesmo aquelas que parecem escolhas ousadas – e o filme tem sua porção delas – são movimentos bem calculados em uma margem para lá de segura. A Disney sabe o que está fazendo. Antes de ser um filme, “O Despertar da Força” é um grande produto.

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terça-feira, 29 de dezembro de 2015 Atrizes, Listas | 15:45

Retrospectiva 2015: As dez melhores performances femininas do ano

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Duas brasileiras, estrelas como Charlize Theron e Angelina Jolie, e figuras louvadas como Julianne Moore e Marion Cotillard ostentam as melhores interpretações femininas que chegaram às telas de cinema brasileiras no ano. Confira, a seguir, o ranking do Cineclube.

10- Marion Cotillard (“Dois Dias, Uma Noite”)

Foto: divulgação

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A francesa não precisa se esforçar muito para entrar em qualquer lista de melhores do ano, mas nessa colaboração com os irmãos Dardenne, que valeu nova indicação ao Oscar, a atriz põe à mostra toda a sua musculatura dramática em um filme que depende única e exclusivamente dela para respirar.

9 – Kristen Stewart (“Acima das Nuvens”)

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O show é todo de Juliette Binoche neste sofisticado drama de Olivier Assayas, mas de alguma maneira é Kristen Stewart, como a assistente espirituosa de uma veterana atriz hesitante, que nos hipnotiza. Stewart domina sua personagem com um misto irresistível de cinismo e apreço e nos cativa irrevogavelmente.

8 – Charlotte Rampling (“45 Anos”)

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Não é qualquer atriz que é capaz de mostrar ao esconder e de sugerir com olhares e movimentos aparentemente espontâneos. Charlotte Rampling faz isso e muito mais em uma das atuações mais envolventes do ano. A mulher que, casada, se ressente de sentir ciúme de uma história de amor que o marido viveu antes de conhecê-la, mas que revive em um desfecho cheio de repercussões emocionais no aqui e agora. Um trabalho de minúcias e muita contenção.

7 – Julianne Moore (“Para Sempre Alice”)

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O trabalho que finalmente deu um muito adiado Oscar a atriz é um desempenho em que Moore reafirma seus predicados como intérprete. Capaz de operar nas notas mais altas, mas também de submergir à agonia da personagem, a atriz defende um trabalho menos sutil, mas de muita força e dedicação. Apenas as grandes evitam a caricatura em um registro totalmente propenso a ela.

6 – Camila Márdila (“Que horas ela volta?”)

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Inadvertidamente, a atriz menos notória da lista se fez sentir. Tal como sua personagem no belíssimo filme de Anna Muylaert, Márdila se insinua com desenvoltura em cena e com muito rigor dramatúrgico expõe toda a verdade de sua personagem, uma jovem em colisão com fachadas sociais e hábitos oligárquicos.

5 – Julianne Moore (“Mapa Para as Estrelas”)

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Moore surge em tons surrealistas na pele dessa vaidosa atriz que parece desconhecer os limites do bom senso. Ou simplesmente ignorá-los. Deliciosamente sarcástica, Moore injeta nitroglicerina no histérico filme de David Cronenberg.

4 – Angelina Jolie (“À Beira-Mar”)

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É, sim, uma atuação autocentrada. As câmeras da diretora Angelina Jolie sempre buscam a atriz Angelina Jolie, sempre bem adornada em cena. Mas é, também, uma atuação corajosa. A atriz se deixa influenciar por frustrações pessoais e expõe uma mulher desapaixonada e invejosa em suas pérfidas miudezas, mas sem desatentar das fragilidades que convulsionaram sua autoestima.

3 – Regina Casé (“Que Horas ela volta?”)

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Conjugando momentos de humor e drama, todos conduzidos com muita ternura, Casé vocaliza tanto quanto interioriza com uma composição nada menos do que irretocável. Sua Val é tão familiar que nos pegamos duvidando de nós mesmos e a todo momento problematizando o que vemos na tela. Mérito de uma atriz que sabe sublinhar o componente social demandado pelo argumento, mas não descuida da humanidade de sua personagem.

2 – Emily Blunt (“Sicario: Terra de Ninguém”)

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Combinar brutalidade e fragilidade pode parecer fácil se você pode chorar, gritar ou espernear, mas em “Sicario”, Emily Blunt não pode fazer nada disso. Sua personagem, uma agente do FBI sugada para uma trincheira da guerra às drogas, faz as vezes da plateia de choque em choque ao finalmente entender que nada pode entender de um mundo que parece abduzir o seu. Um trabalho cheio de nuanças e que enriquece o bom filme de Denis Villeneuve.

1 – Charlize Theron (“Mad Max: Estrada da Fúria”)

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Silenciosa, mortífera, sensível, implacável, solidária… Furiosa é um poço de complexidade e fascinação que Charlize Theron abraçou com um desprendimento que queima na tela do cinema. Seu trabalho é totalmente desviado do que se costuma eleger como “uma atuação do ano”, mas não se pode desviar dele.

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015 Críticas, Filmes | 18:32

“Beasts of No Nation” flagra horror em sua forma mais pura

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A opção por não batizar o país africano em que se passa “Beasts of No Nation” (EUA 2015) pode parecer fruto de uma hesitação por parte da realização, mas é, na verdade, um dos muitos acertos desse filme de alto impacto, potência e beleza.

Cary Fukunaga, que além da direção brilhante, assina o roteiro deste que é o primeiro filme distribuído pelo Netflix, observa com olhar desapaixonado a virulência com que se prolifera a violência nos recônditos africanos em constante guerra civil.

A trajetória do menino Agu (o soberbo Abraham Attah), vítima de mais uma entre as incontáveis tragédias familiares que acontecem diariamente em países imersos em conflitos militares e aliciado por um grupo paramilitar, é narrada de maneira crua, concreta e apavorante. Fukunaga, porém, recorre à abstração de Agu para pintar com mais propriedade esse aterrador quadro em que “a única maneira de parar de lutar é morrer”, como teoriza o jovem de alma velha que tanto nos impressiona em “Beasts of No Nation”.

A figura do comandante, que se fia como pai e predador dos muitos órfãos que alicia pelos vastos campos africanos em que combate, é tangenciada por Idris Elba com o horror, afetação e carisma que o registro de Fukunaga demanda.

É, portanto, nas entrelinhas desse conto tão macabro quanto honesto, que o verdadeiro horror se revela. Ninguém se importa com o que acontece nesses países inominados da África. Nessas republiquetas de aluguel que municiam rebeldes e fabricam pequenos demônios. O joguete político é apenas uma manifestação da exploração constante de uma inocência perdida para sempre.

“Beasts of No Nation” se politiza, portanto, ao não politizar. Ao não esfregar na cara a complacência do Ocidente e de seus fóruns estabelecidos (ONU, para citar o exemplo mais óbvio) para com o quadro pérfido que se testemunha em uma África mais selvagem do que aquela mostrada em documentários do Animal Planet, o filme escancara o abandono que a região e seus habitantes enfrentam. O comandante, também ele, é fruto de suas circunstâncias.

Trata-se de um grande filme. “Beasts of No Nation” não é, de maneira alguma, algo remotamente identificável como entretenimento. É um grito surdo na arte que se propõe problematizante de nossa contemporaneidade. E filmado com todo o rigor que um artista seguro de suas convicções pode oferecer. Do ponto de vista intelectual ao plástico, “Beasts of No Nation” é lindo de se ver. Ao realçar o horror com essa beleza oca, plasmada, ruidosa, Fukunaga faz mais do que um filme importante. Faz um testamento de que a arte alcança até mesmo onde recusamos posar nossos olhos.

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Críticas, Filmes | 14:14

Virtuosismo e amor à primeira vista garantem frenesi de protagonista de “Victoria”

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O cineasta alemão Sebastian Schipper, que já pôde ser visto como ator em bons filmes germânicos como “Triangulo amoroso” (2010) e “Corra Lola Corra” (1998), tentou três vezes e conseguiu fazer “Victoria”, premiado no último festival de Berlim, em um único plano sequência de 134 minutos.

Do criativo e frenético “Corra Lola Corra”, Schipper empresta o senso de urgência do registro. Mas para por aí. Se a originalidade irradiava do filme de Tom Tykwer, “Victoria” se sustenta basicamente em seu virtuosismo. E em Laia Costa, dona de uma presença poderosa.

A Victoria (Costa) do título é uma espanhola residente em Berlim a tempo suficiente para já ter um emprego, mas ainda se sentir descobrindo a cidade. Ao sair de uma balada em um belo dia, cruza com um grupo de jovens brincalhões e o interesse de um deles, Sonne (Frederik Lau) por ela parece recíproco. Talvez por isso seja possível acreditar na indulgência com que Victoria vai tratando aquele fim de madrugada. Mais do que a ingenuidade da moça ao perceber que aqueles sujeitos podem não ser tão bonzinhos assim, a faísca da paixão – que floresce em madrugadas nas grandes metrópoles – justifica a permanência de Victoria na companhia do grupo de rapazes depois deles terem tentado roubar um carro e furtado uma loja de conveniência.

A primeira hora de “Victoria” é isso. Um legítimo ‘boy meets girl’ do cinema que se pretende mais naturalista. Depois o filme mostra sua faceta mais ambiciosa. Sonne e seus comparsas vão assaltar um banco naquela manhã – um serviço para um criminoso imponente que providenciou para que a passagem de um dos rapazes pela prisão não tivesse maiores repercussões. De um jeito pouco convincente, mas novamente viável dentro da estrutura de interesse sexual e emocional entre duas pessoas, Victoria se vê arrastada para dentro desse assalto.

Schipper se fia todo em sua estética. É um sobe e desce de escadas, entra e sai de carros e mudança de ambientes constantes. “Victoria” é a excelência da câmera por definição. Não à toa, o nome do operador de câmera (Sturla Brandth) é o primeiro a surgir quando sobem os créditos. Virtuosismo à parte, há muito pouco a atrair em “Victoria” e isso é um problema. O roteiro foi apenas um ponto de partida para a situação dramática que Schipper queria construir cinematograficamente – a tensão pré- assalto, o assalto propriamente dito, a euforia e a tragédia que se seguem, etc. Os atores tiveram liberdade para improvisar nos diálogos em uma experiência narrativa muito produtiva para quem participa do processo. Para quem assiste, nem tanto. “Victoria” é demasiadamente longo para o que tem a apresentar além de seu elaborado, bem urdido e impactante plano sequência.

Infelizmente a sensação é de que a ideia de fazer estatística cinematografia norteou o projeto. Mesmo com sua estética pulsante e ambiciosa, “Victoria” deixa a desejar no mais fundamental elemento de um filme: a capacidade de seduzir a memória de quem o assiste.

 

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domingo, 27 de dezembro de 2015 Atores, Listas | 16:17

Retrospectiva 2015: As dez melhores performances masculinas do ano

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Entre trabalhos sutis e exibicionistas, atores consagrados que há muito não exibiam seu talento, como Johnny Depp e Brad Pitt, e gente que sempre foi talentosa, mas dispunha de pouca chance para brilhar, 2015 foi generoso com os atores e o Cineclube separou as dez melhores performances masculinas que aportaram nas nossas telas de cinema no ano.

10 – Steve Carell (“Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo”)

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Como o obtuso milionário John Du Pont, o ator mais identificado com a comédia revela um talento dramático todo lapidado. Carell é hábil em demonstrar toda a angústia e insegurança deste homem solitário sem esconder sua vocação opressora. Em uma atuação labiríntica consegue sugerir tudo o que o denso filme de Bennett Miller ambiciona nas minúcias do gestual e do olhar.

9 – Channing Tatum (“Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo”)

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Muito injustiçado na última temporada de premiações, Tatum entrega aqui uma interpretação condoída e absorvente de toda a hesitação do mundo que seu personagem habita. A fragilidade emocional de seu Mark Schultz é realçada com muita sutileza pelo ator que entrega o melhor desempenho de sua carreira.

8 – Guillermo Francella (“O Clã”)

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Sem o reconhecimento internacional de um Ricardo Darín, Francella lidera o ótimo elenco do novo filme de Pablo Trapero. Em “O clã”, ele dá vida a um sujeito que se recusa a aceitar o fim da ditadura e incorpora com brilhantismo todo o ranço de um dos períodos mais sombrios da história argentina.

7 – Edward Norton (“Birdman”)

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Dar a cara a tapa não é uma coisa fácil. Apenas o desprendimento de surgir em “Birdman” como um decalque de si mesmo, ou da fama que ostenta, ao menos, já deveria valer a Norton algum tipo de menção por aqui. No entanto, o que ele faz é muito mais laudatório. O ator preenche o esnobe Mike Shiner de um niilismo irresistível. O misto de arrogância e insegurança que Norton veste diante de nossos olhos é nada menos do que inebriante.

6 – Bradley Cooper (“Sniper Americano”)

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O patriotismo cego de Chris Kyle é adornado com propriedade por Bradley Cooper, mas é na recusa do personagem em aceitar a repercussão emocional e psicológica desse patriotismo inabalável que Cooper demonstra mais uma vez o grande intérprete que é. Trata-se de um desempenho com muito mais camadas e nuanças do que o olho nu alcança.

5 – David Oyelowo (“Selma”)

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O personagem e o texto ajudam, é verdade, mas o inglês Oyelowo agarra Martin Luther King como se sua vida dependesse disso e eleva a experiência de se assistir “Selma” a um patamar quase que espiritual. É um daqueles casos em que passa-se a associar o intérprete à figura histórica, como Ben Kingsley e Gandhi.

4 – Brad Pitt (À Beira-Mar)

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Contracenando com sua esposa da vida real em um casamento em ruínas na ficção, Pitt dá ao escritor e marido angustiado Roland a dimensão do macho indefeso. Alcoólatra que ainda tenta timidamente alcançar a mulher, o personagem ostenta fraquezas e virtudes, todas realçadas com a devida franqueza e abnegação por Pitt em uma atuação que vai do minimalismo ao ostensivo em segundos.

3 – Johnny Depp (“Aliança do Crime”)

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Johnny Depp emprestou a frase de Betty Davis e mau, em “Aliança do Crime”, se prova muito melhor. Fazia tempo que o ator não surgia em um filme desvinculado de seus tiques e, como um gangster implacável, provoca calafrios na plateia em uma conversa à mesa de jantar. Uma atuação tão interiorizada quanto exibicionista. Um paradoxo que apenas um intérprete tão opulento quanto Depp seria capaz de dar conta, mesmo que para isso tenha que renunciar à opulência que lhe caracteriza. A semântica não dá conta de tanto talento.

2 – J.K Simmons (“Whiplash – Em Busca da Perfeição”)

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Veterano, Simmons finalmente recebeu a atenção que há muito merecia por este filme. Não foi para menos. Ele está hiperbólico, pueril, malvadão, canastra e glorioso em “Whiplash”. Os adjetivos se impõem. Não é possível não se sentir arrebatado pela presença de seu professor de métodos terroristas que só quer louvar à boa música no mesmo compasso em que se ressente de uma sociedade conformista.

1 – Michael Keaton (“Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância”)

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Não houve nada mais metalinguístico, inteligente e corajoso em matéria de atuação no cinema no último ano do que o trabalho de Michel Keaton em “Birdman”. Isso poderia mimetizar tudo o que há para ser dito sobre seu desempenho, mas seu Riggan Thomson é cheio de energia, arrependimento, tesão, vulnerabilidade e coração. Ator e personagem se confundem e se apartam ante os olhos encantados da audiência. Daqueles desempenhos maiores que a vida.

 

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015 Críticas, Filmes | 12:32

Fetiches sexuais esquisitos movem divertido “A Pequena Morte”

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Paul e Maeve e o desejo dela de ser estuprada por ele entre a felicidade sexual deles (Foto: divulgação)

Paul e Maeve e o desejo dela de ser estuprada por ele entre a felicidade sexual deles
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Josh Lawson, ator mais reconhecido pela participação na série “House of Lies”, conseguiu uma proeza e tanto com seu filme de estreia, o australiano independente “A Pequena Morte” –  que estreia nesta quinta (24) no Rio de Janeiro e na próxima semana em São Paulo. Também roteirizado por Lawson, o filme mostra a rotina de cinco casais do subúrbio de Sidney e a maneira como eles lidam com fetiches sexuais ligeiramente incomuns.

Lawson faz um filme delicado e sensível sem deixar de ser pontualmente chocante. Um mérito e tanto em uma época que o cinema costuma ser tão óbvio e o público, tão anestesiado; principalmente quando o assunto é sexo.

O primeiro casal, formado por Paul (Lawson) e Maeve (Bojana Novakovic), tenta lidar de uma maneira desastrada com o fato de Maeve ter o desejo de ser estuprada por Paul.

Phil (Alan Dukes) e Maureen (Lisa McGune), nosso segundo casal, estão naquela fase do casamento em que um parece não suportar mais o outro. Fase agravada pelo desejo oculto de Phil, que se excita ao ver pessoas dormindo. Naturalmente, sua vida sexual com Maureen é inglória.

Evie (Kate Mulvany) e Dan (Damon Herriman), tentam – com a sugestão de um terapeuta sexual – superar uma crise de atração sexual fingindo serem outras pessoas. Mas Dan parece ir longe demais nessa fantasia.

O caso de Rowena (Katie Box) e Richard (Patrick Brammall) parece mais estranho. Em meio a frustradas tentativas de engravidar, ela descobre que se excita ao ver seu marido chorar. Ela, então, passa deliberadamente a instigar nele a tristeza, o que pode desestabilizar a relação.

Por fim, há Monica (Erin James) e Sam (TJ Power). Ela, uma tradutora para deficientes auditivos de um serviço de vídeo conferência que está ficando surda, ele, um rapaz que liga em uma noite solicitando que ela ligue para uma linha telefônica de sexo.

O que mais cativa em “A Pequena Morte”, uma expressão que vem do francês, um eufemismo para orgasmo, é a maneira sutil com que Lawson relaciona as histórias e as angústias externadas pelas tramas. Não necessariamente na bifurcação, também ela criativa, dos personagens, mas na forma como os dramas desses personagens se impõem. Phil, por exemplo, para se satisfazer acaba estuprando sua mulher, algo que Paul hesita em fazer mesmo sabendo que dará prazer a namorada. Dan se sente tão pouco à vontade consigo mesmo que deseja desaparecer nos breves personagens sexuais que inventa e mantém o ciclo de afastamento de Evie.

Fetiches sexuais incomuns dão a tônica de "A Pequena Morte" (Foto: divulgação)

Fetiches sexuais incomuns dão a tônica de “A Pequena Morte”
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Surdo, Sam se excita em ouvir sacanagens. Existe toda uma poesia em “A Pequena Morte”, cujo personagem Steve (Kim Gyngell), um criminoso sexual condenado que acaba de se mudar para a vizinhança, se encarrega de tornar mais aguda, disforme e cativante.

Em última análise, a ideia de normalidade, em matéria de sexo, é afastada pelo inteligentíssimo roteiro de Lawson. A natureza episódica da produção reforça o descontrole que pauta nossas vidas quando não conseguimos realizar nossos desejos ou os desejos daqueles que amamos.

O que “A Pequena Morte” demonstra, com afeto, mas também de maneira colérica, é que a satisfação sexual, mesmo a consciência do que a provoca, exige coragem, esforço e desprendimento.

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Filmes, Notícias | 11:33

“Que Horas ela Volta?” é atração deste Natal da Rede Telecine

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O filme que foi o escolhido pelo Brasil para tentar uma vaga no Oscar, e infelizmente não conseguiu vaga, estreia nesta sexta-feira (25) no Telecine Premium. “Que Horas ela Volta?” será exibido às 22h. O grande destaque recai sobre a curta janela entre o lançamento nos cinemas, em agosto, e o lançamento na TV por assinatura.

Protagonizado por Regina Casé e dirigido por Anna Muylaert, o filme traz à tona a delicada relação entre domésticas e empregadores no Brasil. O abismo entre ricos e pobres é pano de fundo da história da pernambucana Val (Regina Casé), que deixa a filha no Nordeste para tentar ganhar a vida em São Paulo trabalhando numa casa de família. Anos depois, sua filha, Jéssica (Camila Márdila), chega à capital paulista para prestar vestibular. Mas o comportamento libertário da jovem estremece as relações entre Val e seus patrões.

A partir do dia 26 o filme fica disponível no Telecine Play e pode ser visto a qualquer hora, em múltiplas plataformas.

Confira a crítica do Cineclube: “Que Horas ela Volta?” congrega muitos brasis e filmes em narrativa sutil e cheia de belezas

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015 Filmes, Listas | 16:29

Retrospectiva 2015: Os filmes nacionais do ano

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Desnecessário dizer que o cinema nacional está cada vez mais plural, diverso e próspero. De uns anos para cá, porém, essa máxima tem se imposto na medida em que se esmiúça o que foi lançado ao longo do ano.

Ao olhar em retrospecto para 2015 é possível perceber que o maior avanço que o audiovisual brasileiro deu foi em matéria de cinema de gênero. Mas não foi só isso. O Brasil discutiu o pós-Lula em filmes complementares e, em certo sentido, antagônicos (“Que Horas ela Volta? e “Casa Grande”), olhou com carinho para os anos 80, fez filme de arte provocador e filme de arte reflexivo. Lançou terror satírico, adaptação engenhosa de Shakespeare e um documentário reverente a um mestre da linguagem cinematográfica. E Irandhir Santos reinou! Se 2015 é o ano que não acabou, o cinema brasileiro só tem a agradecer.

Foto: montagem/reprodução

Foto: montagem/reprodução

“Que horas ela volta?”

A maternidade como questão social em um Brasil em mutação

“Casa Grande”

O pós-Lula escancara o derretimento da classe média brasileira

“A história da Eternidade”

O Nordeste lúdico e ardente ganha cor, tom e alma

“Califórnia”

Os jovens dos anos 80 mandam um alô para os jovens de hoje

“Permanência”

O passado em transe com o futuro

Foto: Montagem/reprodução

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“Amor, plástico e Barulho”

Porque os sonhos devem ser perseguidos plenamente

“Últimas Conversas”

A informalidade de um adeus formal a Coutinho

“Obra”

O futuro ensimesmado com o passado

“A Floresta que se Move”

Shakespeare faz mais sentido em português

“Condado Macabro”

Horror gore com sotaque brasileiro

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Críticas, Filmes | 10:29

“Macbeth: Ambição e Guerra” é adaptação protocolar de Shakespeare

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Foto: divulgação

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Adaptar Shakespeare, por mais trivial que pareça, em face das inúmeras adaptações que pipocam por aí, não é para todo mundo. O australiano Justin Kurzel, com apenas um longa-metragem no currículo, se julgou apto para o desafio. Não que “Macbeth: Ambição e Guerra” seja um filme ruim. Não é. É apenas protocolar no tratamento que dá a uma das mais complexas, apaixonantes e pulsantes peças do bardo inglês.

Levar Shakespeare ao cinema apenas pela transitoriedade do gesto, pelo hype em si, é uma bobagem. Sua versão de “Macbeth” tem bons predicados. O visual exuberante talvez seja o maior deles. Michael Fassbender como o general tentado por sua ganância que cai em desgraça é outra. Há, ainda, Marion Cotillard desfilando todo o seu talento como Lady MacBeth, mas a atriz é subaproveitada pelo roteiro que adensa o primeiro ato da peça e corre com o terceiro – justamente o mais impactante de todos.

A trajetória de Macbeth está toda lá, mas quem quer que já conheça a peça pode se encontrar flertando com o desinteresse. Kurzel não tinha um desafio qualquer. Afinal, “Macbeth” já havia sido abordado no cinema por figuras como Roman Polanski e Orson Welles. Ao optar por uma visceralidade consternada, reforçando a gravidade do texto, Kurzel finge estar levando Shakespeare a outro patamar. Mas é só fingimento. Afinal, a qualidade, o peso, o pessimismo, o fatalismo vem todo do original. Há algumas soluções visuais que ameaçam resgatar o filme dessa previsibilidade tão maçante quanto presunçosa, mas elas se circunscrevem como um interesse periférico. Jamais reclamam o domínio sob o filme.

Talvez o desafio fosse grande demais para um segundo filme. Talvez a sombra dos trabalhos de Polanski e Welles tenham levado Kurzel a adotar uma literalidade desnecessária. Shakespeare funciona melhor no cinema quando problematizado. Transcrição por transcrição, há expedientes melhores do que o cinema para tanto.

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