Publicidade

terça-feira, 1 de dezembro de 2015 Críticas, Filmes | 13:26

Shyamalan fala de traumas que curam no surpreendente “A Visita”

Compartilhe: Twitter
(Foto: A Visita")

(Foto: A Visita”)

M. Night Shyamalan não fazia um bom filme desde “A Vila” (2004). Para alguém comparado a Hitchcock em seu segundo filme (“O Sexto Sentido”) e tomado por Hollywood como um prodígio, tratava-se de uma situação angustiante. “A Visita”, que Shyamalan rodou de maneira independente, portanto, mais do que paz, lhe devolve a confiança. Em si mesmo e a de Hollywood.

Formalmente simplista e esteticamente arejado, “A Visita” reúne o melhor do cinema de Shyamalan. Estão ali a construção elaborada do medo e a desconstrução gradativa da expectativa. O trabalho com crianças, o drama familiar e um mistério a nortear à narrativa.

O grande mérito de Shyamalan em “A Visita”, no entanto, não está na articulação do mistério, efetivamente surpreendente e nauseantemente verossímil, ou na bem ajambrada construção visual do filme – todo estruturado nas imagens captadas pelas câmaras das duas crianças que visitam os avós -, mas na potência do drama familiar que fomenta.

Todo o suspense serve ao drama familiar, cujo sentido pleno só se contextualiza para a audiência no fim da projeção. Opção narrativa esta que transfigura “A Visita” em um filme muito mais significativo e impactante do que uma mera fita de terror objetiva ser.

Becca (Olivia DeJonge) e Tyler (Ed Oxenbould) vão visitar os avós, que não conhecem, para permitir que a mãe tenha um tempo para ela mesma e para curtir o namorado. A mãe e os meninos foram abandonados pelo pai, o mesmo sujeito que fez a mãe deles abandonar os pais dela. Becca decide fazer um documentário sobre essa visita e espera que a iniciativa possa servir como catalisadora para curar as feridas que todos os envolvidos nesse drama familiar ostentam.

A opção pelo found footage oxigena o cinema de Shyamalan, que surge mais econômico. O humor é outro ponto alto da fita e o jovem Ed Oxenbould, cujo personagem tem aspirações no universo rap, responde pelos melhores, e também surpreendentes, momentos da fita.

É Tyler quem percebe que há algo de errado com seus avós, o que Becca credita apenas a velhice. Shyamalan brinca com as percepções possíveis diante do quadro que apresenta; sempre filtrado pelas lentes de Becca. Trata-se de um exercício de linguagem interessantíssimo, em que a mise-em-scène vai ganhando camadas a partir das imagens brutas de Becca.

O que não quer dizer que Shyamalan renuncie a sua característica pretensão. Mas há mais poesia nela em “A Visita”. De certa forma, ele pede perdão pelos equívocos do passado e intui que o público o perdoara com este bom filme. Pretensioso, mas não deixa de ser verdadeiro também. É bom ver Shyamalan de volta!

Autor: Tags: , ,

4 comentários | Comentar

  1. 54 Cineclube por Reinaldo Glioche – iG Cultura » Perturbador e cheio de clima, “Fragmentado” é novo acerto do cineasta de “O Sexto Sentido” 23/03/2017 17:35

    […] Leia também: Shyamalan fala de traumas que curam no surpreendente “A Visita” […]

    Responder
  2. 53 Cineclube por Reinaldo Glioche – iG Cultura » James McAvoy estrela novo suspense de M. Night Shyamalan; confira o 1º trailer 30/07/2016 7:02

    […] de recuperar a boa forma com “A Visita”, o cineasta indiano radicado nos EUA M.Night Shyamalan volta com  “Fragmentado” (Split), que […]

    Responder
  3. 52 Lismar 01/12/2015 14:59

    Fui assistir um suspense e quase rachei de rir, não classificaria o filme como suspense,mas os porra-louca perigosos e divertidos !!

    Responder
  4. 51 Eduardo 01/12/2015 14:51

    O filme é bom, mas promete mais do que oferece no final. A condução do suspense que cria e a ansiedade do ainda está por vir são angustiantes, o que é ótimo para um suspense. Faltam porém os elementos mais interessantes na obra do cineasta , o sobrenatural que se espera , e tudo fica um triller previsível já na segunda metade do filme.

    Responder
  1. ver todos os comentários
 

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

* Campos obrigatórios


 

Responder comentário


* Campos obrigatórios