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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015 Críticas, Filmes | 18:42

Larry Clark expõe odores da sociedade com nudez e contemplação em “O Cheiro da Gente”

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

O novo filme de Larry Clark (“Ken Park”) chega aos cinemas 20 anos depois do lançamento de “Kids”, que o colocou no mapa. “O Cheiro da Gente”, que entrou no ranking de melhores filmes do ano da prestigiada Cahiers du Cinéma, é um legítimo exemplar deste outsider lisérgico e provocador.

Falado em francês, o filme comunga do interesse essencial da filmografia de Clark que é flagrar a contracultura em todos os seus excessos. Aqui, testemunhamos as diferentes maneiras de um grupo de jovens em lidar com o consumismo.

JP (Hugo Behar Thinières) e Math (Lucas Lonesco) recorrem à prostituição para poder financiar bebidas, drogas, roupas novas e táxis. Pacman (Théo Cholbi) assalta transeuntes. Enquanto outro filma tudo o que vê, inclusive as relações sexuais dos amigos. Todos do grupo aceitam a delinquência como um efeito natural do tédio de suas vidas. Mas há um preço a se pagar por hobbys tão incomuns.

Como de hábito, a evolução da narrativa em si importa menos a Clark do que as cores do contexto e, no caso específico de “O Cheiro da Gente”, ele parece interessado em sublinhar a degradação. Desde que “virou veado por dinheiro”, Math passou a enfrentar problemas de impotência. JP não sabe ao certo o que sente por Math, mas sabe que se sente negligenciado em casa. Marie (Diane Rouxel) gosta de JP, mas teme que ele goste, na verdade, de Math. “Todos os meninos hoje são veados”, diz um garoto da trupe enquanto Marie urina embaixo de um viaduto para as lentes de seu celular.

Há, ainda, a enigmática presença de Michael Pitt. Além do ator que parece ajustado a algum tipo de mise- em-scène fetichista, Larry Clark também aparece no filme, como um mendigo – cinicamente chamado de rock star – maltratado pela trupe.

Drogas, sexo, suor e álcool compõem a matéria-prima do filme que parece intencionado à revelar o odor de uma sociedade presa a compulsões. Seja o desejo dos velhos em possuir os jovens – e os corpos gastos e enrugados que aparecem em cena contrapostos aos joviais e magros dão dimensão desse comentário em particular – ou a reação truculenta desses jovens a um mundo hipócrita.

“O Cheiro da Gente” não é um filme de respostas. Muito menos de perguntas. Há apenas a contemplação desapaixonada de um circo de circunstâncias.

O CHEIRO DA GENTE_trailer from Zeta Filmes on Vimeo.

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