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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015 Análises, Críticas | 20:24

Crítica dos indicados ao Globo de Ouro 2016

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CarolComo de hábito, a HFPA, que outorga os prêmios Globo de Ouro, passou longe da unanimidade, mas sua seleção de melhores de 2015 no cinema e na televisão também passou longe de ser merecedora de restrições e desagravos.

“Carol”, que no Brasil será distribuído pela Mares Filmes, confirmou sua condição de independente do ano – ensejada pela boa recepção no festival de Cannes e se consolidou no topo da disputa com cinco indicações. É, também, um reflexo de um ano em que a produção de estúdio mais forte é um blockbuster autoral, o exuberante e calculadamente caótico “Mad Max – A Estrada da Fúria”.

Na sequência figuram “Steve Jobs”, “O Regresso” e “A Grande Aposta” com quatro nomeações cada.

As maiores surpresas residem na área de televisão. Mas elas são mais barulhentas do que efetivamente surpreendentes. “Narcos” é mais novidade do que “House of Cards”, ciosa de uma esperada decadência. Por isso, a presença da série – e de Wagner Moura – faz sentido em face do histórico da associação de correspondentes estrangeiros de Hollywood com novos programas. “Mr. Robot’, por seu turno, impôs-se na disputa como o programa mais comentado e elogiado da temporada. Não à toa, lidera a corrida no segmento televisivo.

iG ON: Confira a lista completa dos indicados ao Globo de Ouro 2016

Voltando ao cinema, chama a atenção a presença de “Spotlight – Segredos Revelados”, percebido como um filme de atores, em categorias como filme drama, diretor e roteiro, mas sem um membro sequer do elenco indicado. Em termos de Globo de Ouro isso não quer dizer necessariamente menor chance de vitória, mas é um indício de que apesar de largar na frente na corrida pelo Oscar, o filme não abriu distância.

A presença de “Mad Max” entre os melhores dramas não chega a ser uma surpresa, mas sua opção em detrimento de produções mais ajustadas ao gosto das premiações como “Steve Jobs”, “A Garota Dinamarquesa” e mesmo “Ponte dos Espiões” denota que o primeiro passo para se vencer o preconceito com blockbusters é ter um bom blockbuster para começo de conversa. O filme de George Miller é o primeiro desde “Batman – O cavaleiro das Trevas” (2008) a preencher os requisitos.

Apesar do aparente protagonismo de “Carol”, a disputa parece se concentrar entre os filmes que protagonizaram os dois últimos parágrafos.

Entre as comédias, “A Grande Aposta” – até pelo número de indicações avantajado para as comédias em disputa – parece gozar de muito favoritismo. “Perdido em Marte”, um dos filmes mais celebrados do ano – por mais estranho que seja sua figuração entre as comédias – pode ser seu maior rival.

A contenda entre os diretores parece desequilibrada a favor de George Miller (“Mad Max”). O que ele fez é realmente incrível e merecedor de prêmios. Mais do que o Oscar, o Globo de Ouro costuma responder pontualmente a isso. Mas Iñárritu já se encaixava no perfil ano passado, por “Birdman”, e a HFPA sentiu que a dedicação de Richard Linklater ao projeto “Boyhood” carecia de um reconhecimento mais altivo. Pelo não menos impactante “O Regresso”, pode ser a vez de Iñárritu.

“Cinquenta Tons de Cinza”, “Velozes e Furiosos 7”, “Shaun, o Carneiro”, “Steve Jobs”, “A Garota Dinamarquesa” e “O Quarto de Jack”: Os filmes da Universal na disputa

“Cinquenta Tons de Cinza”, “Velozes e Furiosos 7”, “Shaun, o Carneiro”, “Steve Jobs”, “A Garota Dinamarquesa”
e “O Quarto de Jack”: Os filmes da Universal na disputa

Se houve algum ranço de decepção nessa lista do Globo de Ouro, ela jaz entre os filmes estrangeiros. A seleção não é especialmente ruim, mas fica alguns degraus abaixo do desejado em face dos filmes que estavam na briga. Na configuração que está, fica difícil apostar em qualquer outro candidato que não “O Filho de Saul”, da Hungria.

O novo filme de Quentin Tarantino, “Os Oito Odiados” se viu contemplado nas categorias de roteiro, trilha sonora e atriz coadjuvante. O mesmo deve se replicar no Oscar.  A briga pelo prêmio de roteiro, no entanto, parece ser entre “A Grande Aposta” e “Spotlight”.

Atuações

O maior destaque recai definitivamente sobre a ausência de Johnny Depp. Não que seu trabalho em “Aliança do Crime” seja maior que a vida, mas trata-se de sua melhor atuação desde “Sweeney Todd”, pelo qual ganhou o Globo de Ouro em 2008. Vale lembrar que ele foi indicado pelo contestado “O Turista”. Mas não se pode reclamar dos atores dramáticos selecionados pela HFPA. Michael Fassbender (“Steve Jobs”), Bryan Cranston (“Trumbo: Lista Negra”), Leonardo DiCaprio (“O Regresso”),  Will Smith (“Um Homem entre Gigantes”) e Eddie Redmayne (“A Garota Dinamarquesa”) reúnem unanimidade em torno de seus trabalhos. Algo que não pode ser desprezado em um ano tido como menor para os intérpretes masculinos.

Já do lado cômico, a sensação é de baderna. A HFPA foi resgatar trabalhos de Mark Ruffalo e Al Pacino do início do ano, nada especialmente fantástico, para contornar um sentimento de vazio na disputa. Christian Bale e Steve Carell, ambos de “A Grande Aposta”, devem ver a vitória de Matt Damon, que carrega “Perdido em Marte” sozinho e é, francamente, o único prêmio que o filme merece (já que o roteiro não foi indicado).

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em "Estrada da fúria" (Foto: divulgação)

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em “Estrada da fúria”
(Foto: divulgação)

Brie Larson (“O Quarto de Jack”) e Alicia Vikander (“A Garota Dinamarquesa”) brigam pelo troféu de atriz dramática. Cate Blanchett e Rooney Mara devem ficar nas indicações por “Carol”.

No lado cômico, talvez seja o momento de Amy Schumer (“Descompensada”), cada vez mais em alta nos EUA. Mas Jennifer Lawrence (“Joy”) é sempre um perigo. Mas ela já tem dois prêmios. Há quem pense que já é muito para o que apresentou.

Para encerrar, a briga entre “Anomalisa” e “Divertida Mente” promete ser boa pelo prêmio de melhor animação. São dois dos melhores filmes do ano. Podiam muito bem figurar nas duas categorias principais.

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