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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015 Críticas, Filmes | 10:29

“Macbeth: Ambição e Guerra” é adaptação protocolar de Shakespeare

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Foto: divulgação

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Adaptar Shakespeare, por mais trivial que pareça, em face das inúmeras adaptações que pipocam por aí, não é para todo mundo. O australiano Justin Kurzel, com apenas um longa-metragem no currículo, se julgou apto para o desafio. Não que “Macbeth: Ambição e Guerra” seja um filme ruim. Não é. É apenas protocolar no tratamento que dá a uma das mais complexas, apaixonantes e pulsantes peças do bardo inglês.

Levar Shakespeare ao cinema apenas pela transitoriedade do gesto, pelo hype em si, é uma bobagem. Sua versão de “Macbeth” tem bons predicados. O visual exuberante talvez seja o maior deles. Michael Fassbender como o general tentado por sua ganância que cai em desgraça é outra. Há, ainda, Marion Cotillard desfilando todo o seu talento como Lady MacBeth, mas a atriz é subaproveitada pelo roteiro que adensa o primeiro ato da peça e corre com o terceiro – justamente o mais impactante de todos.

A trajetória de Macbeth está toda lá, mas quem quer que já conheça a peça pode se encontrar flertando com o desinteresse. Kurzel não tinha um desafio qualquer. Afinal, “Macbeth” já havia sido abordado no cinema por figuras como Roman Polanski e Orson Welles. Ao optar por uma visceralidade consternada, reforçando a gravidade do texto, Kurzel finge estar levando Shakespeare a outro patamar. Mas é só fingimento. Afinal, a qualidade, o peso, o pessimismo, o fatalismo vem todo do original. Há algumas soluções visuais que ameaçam resgatar o filme dessa previsibilidade tão maçante quanto presunçosa, mas elas se circunscrevem como um interesse periférico. Jamais reclamam o domínio sob o filme.

Talvez o desafio fosse grande demais para um segundo filme. Talvez a sombra dos trabalhos de Polanski e Welles tenham levado Kurzel a adotar uma literalidade desnecessária. Shakespeare funciona melhor no cinema quando problematizado. Transcrição por transcrição, há expedientes melhores do que o cinema para tanto.

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