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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015 Críticas, Filmes | 12:32

Fetiches sexuais esquisitos movem divertido “A Pequena Morte”

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Paul e Maeve e o desejo dela de ser estuprada por ele entre a felicidade sexual deles (Foto: divulgação)

Paul e Maeve e o desejo dela de ser estuprada por ele entre a felicidade sexual deles
(Foto: divulgação)

Josh Lawson, ator mais reconhecido pela participação na série “House of Lies”, conseguiu uma proeza e tanto com seu filme de estreia, o australiano independente “A Pequena Morte” –  que estreia nesta quinta (24) no Rio de Janeiro e na próxima semana em São Paulo. Também roteirizado por Lawson, o filme mostra a rotina de cinco casais do subúrbio de Sidney e a maneira como eles lidam com fetiches sexuais ligeiramente incomuns.

Lawson faz um filme delicado e sensível sem deixar de ser pontualmente chocante. Um mérito e tanto em uma época que o cinema costuma ser tão óbvio e o público, tão anestesiado; principalmente quando o assunto é sexo.

O primeiro casal, formado por Paul (Lawson) e Maeve (Bojana Novakovic), tenta lidar de uma maneira desastrada com o fato de Maeve ter o desejo de ser estuprada por Paul.

Phil (Alan Dukes) e Maureen (Lisa McGune), nosso segundo casal, estão naquela fase do casamento em que um parece não suportar mais o outro. Fase agravada pelo desejo oculto de Phil, que se excita ao ver pessoas dormindo. Naturalmente, sua vida sexual com Maureen é inglória.

Evie (Kate Mulvany) e Dan (Damon Herriman), tentam – com a sugestão de um terapeuta sexual – superar uma crise de atração sexual fingindo serem outras pessoas. Mas Dan parece ir longe demais nessa fantasia.

O caso de Rowena (Katie Box) e Richard (Patrick Brammall) parece mais estranho. Em meio a frustradas tentativas de engravidar, ela descobre que se excita ao ver seu marido chorar. Ela, então, passa deliberadamente a instigar nele a tristeza, o que pode desestabilizar a relação.

Por fim, há Monica (Erin James) e Sam (TJ Power). Ela, uma tradutora para deficientes auditivos de um serviço de vídeo conferência que está ficando surda, ele, um rapaz que liga em uma noite solicitando que ela ligue para uma linha telefônica de sexo.

O que mais cativa em “A Pequena Morte”, uma expressão que vem do francês, um eufemismo para orgasmo, é a maneira sutil com que Lawson relaciona as histórias e as angústias externadas pelas tramas. Não necessariamente na bifurcação, também ela criativa, dos personagens, mas na forma como os dramas desses personagens se impõem. Phil, por exemplo, para se satisfazer acaba estuprando sua mulher, algo que Paul hesita em fazer mesmo sabendo que dará prazer a namorada. Dan se sente tão pouco à vontade consigo mesmo que deseja desaparecer nos breves personagens sexuais que inventa e mantém o ciclo de afastamento de Evie.

Fetiches sexuais incomuns dão a tônica de "A Pequena Morte" (Foto: divulgação)

Fetiches sexuais incomuns dão a tônica de “A Pequena Morte”
(Foto: divulgação)

Surdo, Sam se excita em ouvir sacanagens. Existe toda uma poesia em “A Pequena Morte”, cujo personagem Steve (Kim Gyngell), um criminoso sexual condenado que acaba de se mudar para a vizinhança, se encarrega de tornar mais aguda, disforme e cativante.

Em última análise, a ideia de normalidade, em matéria de sexo, é afastada pelo inteligentíssimo roteiro de Lawson. A natureza episódica da produção reforça o descontrole que pauta nossas vidas quando não conseguimos realizar nossos desejos ou os desejos daqueles que amamos.

O que “A Pequena Morte” demonstra, com afeto, mas também de maneira colérica, é que a satisfação sexual, mesmo a consciência do que a provoca, exige coragem, esforço e desprendimento.

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