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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015 Críticas, Filmes | 14:14

Virtuosismo e amor à primeira vista garantem frenesi de protagonista de “Victoria”

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Foto: divulgação

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O cineasta alemão Sebastian Schipper, que já pôde ser visto como ator em bons filmes germânicos como “Triangulo amoroso” (2010) e “Corra Lola Corra” (1998), tentou três vezes e conseguiu fazer “Victoria”, premiado no último festival de Berlim, em um único plano sequência de 134 minutos.

Do criativo e frenético “Corra Lola Corra”, Schipper empresta o senso de urgência do registro. Mas para por aí. Se a originalidade irradiava do filme de Tom Tykwer, “Victoria” se sustenta basicamente em seu virtuosismo. E em Laia Costa, dona de uma presença poderosa.

A Victoria (Costa) do título é uma espanhola residente em Berlim a tempo suficiente para já ter um emprego, mas ainda se sentir descobrindo a cidade. Ao sair de uma balada em um belo dia, cruza com um grupo de jovens brincalhões e o interesse de um deles, Sonne (Frederik Lau) por ela parece recíproco. Talvez por isso seja possível acreditar na indulgência com que Victoria vai tratando aquele fim de madrugada. Mais do que a ingenuidade da moça ao perceber que aqueles sujeitos podem não ser tão bonzinhos assim, a faísca da paixão – que floresce em madrugadas nas grandes metrópoles – justifica a permanência de Victoria na companhia do grupo de rapazes depois deles terem tentado roubar um carro e furtado uma loja de conveniência.

A primeira hora de “Victoria” é isso. Um legítimo ‘boy meets girl’ do cinema que se pretende mais naturalista. Depois o filme mostra sua faceta mais ambiciosa. Sonne e seus comparsas vão assaltar um banco naquela manhã – um serviço para um criminoso imponente que providenciou para que a passagem de um dos rapazes pela prisão não tivesse maiores repercussões. De um jeito pouco convincente, mas novamente viável dentro da estrutura de interesse sexual e emocional entre duas pessoas, Victoria se vê arrastada para dentro desse assalto.

Schipper se fia todo em sua estética. É um sobe e desce de escadas, entra e sai de carros e mudança de ambientes constantes. “Victoria” é a excelência da câmera por definição. Não à toa, o nome do operador de câmera (Sturla Brandth) é o primeiro a surgir quando sobem os créditos. Virtuosismo à parte, há muito pouco a atrair em “Victoria” e isso é um problema. O roteiro foi apenas um ponto de partida para a situação dramática que Schipper queria construir cinematograficamente – a tensão pré- assalto, o assalto propriamente dito, a euforia e a tragédia que se seguem, etc. Os atores tiveram liberdade para improvisar nos diálogos em uma experiência narrativa muito produtiva para quem participa do processo. Para quem assiste, nem tanto. “Victoria” é demasiadamente longo para o que tem a apresentar além de seu elaborado, bem urdido e impactante plano sequência.

Infelizmente a sensação é de que a ideia de fazer estatística cinematografia norteou o projeto. Mesmo com sua estética pulsante e ambiciosa, “Victoria” deixa a desejar no mais fundamental elemento de um filme: a capacidade de seduzir a memória de quem o assiste.

 

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Cássio Bezerra 28/12/2015 17:35

    Grande Reinaldo. Tudo verdade. Não sabia que o nome do operador de câmera subia primeiro. Faz todo sentido! Apesar de que filmagem em plano único não é mais nenhuma novidade no século 21, um software de computador é capaz de enganar os olhos humanos… O diretor considera este o mérito do filme, eu discordo – penso que são seus atores. Enfim, feliz natal e próspero 2016. Grande abraço. Sucesso.

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