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sábado, 16 de janeiro de 2016 Análises | 12:20

Escolhas de 2016 ratificam Oscar mais criterioso do que no passado

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Em um primeiro momento, parece compulsório reconhecer que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood acolhe seus favoritos habituais por qualquer trabalho. Estão lá “Ponte dos Espiões”, novo Spielberg – o cineasta emplacou entre os melhores filmes com suas últimas três produções – , Jennifer Lawrence, Alejandro González Iñárritu, Mark Ruffalo, John Williams, entre outros.

Mas essa seria uma constatação apressada. Não estão lá “Labirinto de Mentiras”, filme alemão sobre os ruídos do nazismo (entre outros tempos uma aposta certeira), Aaron Sorkin, Quentin Tarantino e Meryl Streep (sim, ela esteve em dois filmes neste ano).

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em "Estrada da fúria" (Foto: divulgação)

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em “Estrada da fúria”
(Foto: divulgação)

Há, ainda, a costumeira queixa de que há pouca diversidade entre os indicados. Um parâmetro enviesado. Já que as escolhas da Academia refletem o cenário do cinema americano, em particular, e internacional, como um todo. É fato que a Academia podia reforçar sua preocupação com a abertura do cinema por meio de certas nomeações em certas categorias, mas responsabilizar a instituição por não fazê-lo é não compreender o real problema e ignorar as válvulas do funcionamento da Academia.

Há de se observar, também, que o Oscar segue um movimento de internacionalização e rejuvenescimento iniciado lá atrás. Passa por esse movimento outro muito mais importante e reverberante. O Oscar está mais ousado a cada ano. Sim, em 2016 há predominância de filmes de estúdio entre os indicados a melhor filme e é muito provável que uma produção de estúdio vença o Oscar -–algo que não ocorre desde 2013 quando “Argo” triunfou. Mas são filmes de estúdio com franca pretensão artística. “O Regresso”, líder na competição com 12 indicações, teve um orçamento de US$ 120 milhões, mas teve sucessivos atrasos e diversos problemas na execução. Iñárritu fez um filme de arte com orçamento de blockbuster. Não é todo mundo que tira esse coelho da cartola. “Mad Max: Estrada da Fúria”, com 10 nomeações, levou anos para ser realizado e a Warner praticamente escondeu o filme em seu lançamento. Não cria no apelo de uma franquia que não dava as caras desde os anos 80 com o público jovem. A bilheteria do filme foi respeitável e “Estrada da Fúria” é a Warner no Oscar. Trata-se de um filme de ação incomum, caótico e com uma mensagem feminista para lá de polivalente.

O fato da Academia reconhecer, no nível que reconhece, essas duas produções, merece aplausos. Isso, no ano seguinte à consagração de filmes como “Birdman”, “Whiplash”, O Grande Hotel Budapeste” e “Boyhood” .

É um Oscar muito mais atento ao que acontece no cinema e capaz de filtrar o que de mais qualificado surge. É um Oscar mais inclusivo e reflexivo. É, afinal, um Oscar bem melhor na assunção de sua vocação do que o que se verificava há dez anos atrás.

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Kamila Azevedo 17/01/2016 20:54

    Não sei se o Oscar está mais criterioso, mas o que a lista de indicados de 2016 me revela é que o Oscar está tentando se aproximar mais do público. Principalmente por causa dos inúmeros filmes que foram grandes sucessos de bilheteria e que foram indicados, alguns nas categorias principais, inclusive.

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