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sábado, 23 de janeiro de 2016 Críticas, Filmes | 16:48

“Joy: O Nome do Sucesso” se perde na ambição desmedida de seu diretor

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“Joy: O Nome do Sucesso”, novo longa-metragem de David O. Russell, é um filme mais ambicioso do que aparenta ser e muito mais remendado do que o desejável. A impressão soberana é de que trata-se de um projeto que Russell burila a todo o momento para potencializar as chances de Jennifer Lawrence brilhar.

Misto de cinebiografia e sátira ao melodrama, “Joy: O Nome do Sucesso” recria com algum estardalhaço a história de Joy Mangano, uma mulher de classe média com uma família complicada e exigente que deu seu jeito de vencer na vida como uma empreendedora de sucesso. É compreensível o apelo da personagem para Lawrence, uma atriz cada vez mais ímpar na seara hollywoodiana com o que já conquistou em seus 25 anos de vida.

Logo de cara, Russell sublinha o extraordinário naquela mulher. Ela abriga o ex-marido no porão de sua casa. Trata-se de uma pessoa diferenciada, argumenta Russell com um dos poucos recortes sutis em um filme que vai aumentando de volume a cada novo conflito que emerge no caminho de sua protagonista.

A primeira cena do filme exibe uma novela e é uma cena mais importante do que se julga a princípio. Ali Russell começa a explicitar um de seus interesses com o filme, satirizar o sonho americano – tema corrente em seus filmes como atestam “O Vencedor” (2010) e “Trapaça” (2013) – com certo grau de sofisticação. Joy e sua família disfuncional – a avó sonhadora (Diane Ladd), o ex-marido (Edgar Ramírez), um cantor frustrado, a mãe (Vírgina Madsen) que fia sua vida às tramas de novelas, o pai (Robert De Niro), emocionalmente desajeitado e a meia-irmã (Eliabeth Rhöm), com quem trava uma ruidosa rivalidade pela atenção do pai – são apresentados com carregados tons melodramáticos.

Cena de "Joy": a personagem é boa, mas merecia um filme melhor (Foto: Divulgação)

Cena de “Joy”: a personagem é boa, mas merecia um filme melhor
(Foto: Divulgação)

A ideia é ridicularizar a gênese desse sonho americano, que a gente costuma tomar contato pela televisão. É justamente a TV, a estrela do segundo ato do filme, quando surge o guru comercial vivido por Bradley Cooper.  Russell tenta, novamente, dimensionar o sonho americano, mas acaba desviando o foco de sua protagonista e, neste inesperado ínterim, arrefecendo a força de seu filme.

Depois Joy e sua combalida jornada rumo ao topo dos negócios voltam ao eixo central da narrativa, mas a audiência já assiste tudo meio que anestesiada. Se Russell é bem sucedido ao mostrar o impacto negativo de familiares não necessariamente mal intencionados na vida de Joy – algo que já fez melhor em “O Vencedor” -, falha em esculpir a parte econômica da trama. Tudo parece distante demais para um espectador que parece forçado a intuir para onde o filme está indo. O roteiro inegavelmente é o calcanhar de Aquiles do filme. Se Russell mantém-se afiado como diretor de atores – e o elenco em geral está muito bem – suas pretensões descarrilaram no roteiro e o resultado é um filme muito abaixo do nível de sua filmografia recente.

O desejo de oferecer um palco para Jennifer Lawrence e a compreensível grandiloquência com que enxerga o próprio cinema depois de tão veementemente agraciado pelo Oscar prejudicaram Russell. “Joy” é um filme plenamente seu, em todos os poros, e há muito tempo que isso não era uma constatação tão decepcionante.

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2 comentários | Comentar

  1. 52 Hugo 25/01/2016 20:57

    Dos filmes do David O. Russell q eu assisti, só gostei de “O Vencedor”. “Trapaça” e “O Lado Bom da Vida” são horríveis. Adoro Jennifer Lawrence, mas acho um absurdo ela ter ganhado o Oscar por uma comédia romântica com roteiro totalmente previsível. Ainda tenho q conferir “Joy”. Vou dar mais uma chance pra dupla.

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  2. 51 Ricardo Lage 24/01/2016 9:21

    Adorei o filme e recomendo fortemente !

    Responder
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