Publicidade

Arquivo de fevereiro, 2016

domingo, 7 de fevereiro de 2016 Análises, Diretores, Filmes | 17:59

Como a vitória de Iñárritu no DGA afeta a corrida pelo Oscar?

Compartilhe: Twitter
Foto (divulgação)

Foto (divulgação)

O cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu venceu na noite deste sábado (6) o prêmio do sindicato dos diretores pela direção do filme “O Regresso”. Ele já havia vencido ano passado pela direção de “Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância”.  O feito do mexicano é notável porque é a primeira vez em mais de 60 anos de existência da premiação que um cineasta vence o DGA de maneira consecutiva. Iñárritu se iguala a cineastas como Clint Eastwood, Robert Wise, David Lean, Ang Lee, Francis Ford CoppolaMilos Forman e Oliver Stone com dois triunfos. Apenas Steven Spielberg tem três.

Mas qual é o efeito prático do triunfo de Iñárritu no DGA no Oscar? A princípio, significativo. O DGA é o sindicato com melhor aproveitamento em antecipar os vencedores de melhor filme. É, também, o sindicato mais eficiente em casar seus resultados com o da categoria no Oscar. Em uma corrida como a de 2016, porém, em que os sindicatos não estão se fechando em torno de um único filme – “Spotlight” foi o preferido dos atores e “A Grande Aposta”, dos produtores – o impacto da vitória de Iñárritu precisa ser relativizado.

O DGA, historicamente é mais progressivo do que a academia. Indicou Christopher Nolan pela direção de “O Cavaleiro das Trevas”, algo que a academia não fez. E premiou Ben Affleck pela direção de “Argo”, mesmo sabendo que ele não estava no rol de nomeados ao Oscar e que o fazendo revisaria suas estatísticas de equivalência com o Oscar para baixo.

Sentido horário: Iñárritu orienta DiCaprio embaixo de neve em uma das muitas locações de "O Regresso". Michael Keaton, Rachel McAdams e Mark Ruffalo em cena de "Spotlight" e Ryan Gosling apenas ouve em cena de "A Grande Aposta" (Fotos: divulgação)

Sentido horário: Iñárritu orienta DiCaprio embaixo de neve em uma das muitas locações de “O Regresso”. Michael Keaton, Rachel McAdams e Mark Ruffalo em cena de “Spotlight” e Ryan Gosling apenas ouve em cena de “A Grande Aposta”
(Fotos: divulgação)

O trabalho de Iñárriu em “O Regresso” é vistoso. Assombroso de bom, mas apenas John Ford – um dos maiores ícones da Hollywood da era de ouro, ganhou dois Oscars de maneira consecutiva. A academia estaria pronta para repetir feito tão notável. Muito provável que não. “Birdman” era um filme esteticamente mais arrojado e criativo do que “O Regresso” e, no limiar, o mexicano não tem o melhor trabalho de direção entre os indicados. Esses são de George Miller (“Mad Max: Estrada da Fúria”) e Adam McKay (“A Grande Aposta”).

É fatídico que o Oscar de direção fica entre esses três e a vitória de Iñárritu no DGA não é tão ruim para as chances de Miller. O australiano , pela carreira e pelo vigor empregado na confecção de “Mad Max”, pode se beneficiar da resistência de muitos membros de equiparar Iñárritu a John Ford.

Já a corrida pelo Oscar de melhor filme parece concentrada em “Spotlight”, que venceu diversos prêmios da crítica, o SAG e o Critic´s Choice Awards, “A Grande Aposta”, que venceu alguns prêmios da crítica e o PGA, e “O Regresso”, a melhor bilheteria entre os três – um blockbuster de arte -, líder na corrida e vencedor do Globo de Ouro e do DGA. Até mesmo “Mad Max”, com menos chances, está bem cotado. Mas Miller tem mais chances de vencer do que o filme.

Parece oportuno lembrar da corrida em 2007 quando “Babel” venceu o Globo de Ouro de filme dramático, “Pequena Miss Sunshine” levou os prêmios do SAG e do PGA e Martin Scorsese, por ‘Os Infiltrados”, ficou com o DGA. Deu “Os Infiltrados” no Oscar. Este ano parece ainda mais aberto do que aquele ano, mas “O Regresso” acaba de ganhar mais força rumo à glória no Oscar e no momento mais acertado possível.

 

Autor: Tags: , , , ,

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016 Críticas, Filmes | 12:42

Filmado de maneira artesanal, “O Regresso” promove comunhão entre corpo e natureza

Compartilhe: Twitter
Foto: divulgação

Foto: divulgação

Depois de mesmerizar público, crítica e indústria com uma ácida leitura do jogo hollywoodiano em “Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância”, também um triunfo estético, Alejandro González Iñárritu muda radicalmente de ritmo e dinâmica, mas mantém-se fiel à essência de sua filmografia com “O Regresso”; uma obra com argumento pueril – o desejo de vingança -, mas executada com a agudeza de estilo que precede o cineasta mexicano.

Com 12 indicações ao Oscar, incluindo filme, direção, ator e fotografia, “O Regresso” é, à primeira vista, um western. Mas o cinema de Iñarritu, desde o rompimento da parceria com Guillermo Arriaga, tem problematizado os limites do gênero cinematográfico.

Se “Birdman” começava como uma comédia de tintas surrealistas, passava por um drama existencial soturno e terminava com ares de fábula cartunesca, “O Regresso”, apesar de subscrever-se logo aos códigos do western, é também um filme de contemplação, que busca a sensorialidade a todo o momento. É tanto um filme sobre a vida, como é sobre a morte e o manancial de instintos que transitam entre uma e outra.

Ainda que seja ousado tecnicamente, “O Regresso” não ostenta a mesma engenhosidade de “Birdman”. Não representa o sobressalto estético do filme protagonizado por Michael Keaton, mas é capaz de seduzir parte do público – e afastar outra – com seu adorno artesanal. É um filme lindamente filmado. Dos movimentos de câmera inusitados à fotografia em luz natural de Emmanuel Lubezki.

Leonardo DiCaprio, que dá vida ao protagonista Hugh Grass – um homem meio índio, meio homem branco que parece pagar o preço por essa ousadia biológica -, atua conforme o absorto e solene marejar fílmico de Iñárritu demanda.  O ator sujeita seu corpo a provações desagradáveis de forma a abalizar a dramaticidade do registro. A comunhão entre corpo e natureza, entre espírito e obstinação, é algo que DiCaprio é muito bem sucedido em tangenciar. Trata-se de uma atuação escorada, sim, na fisicalidade, mas ciosa, também, daquilo que pode apenas sugerir para o público. Um trabalho que exige um grande ator e encontra em DiCaprio um homem digno para tal.

Tom Hardy, por seu turno, empresta a habitual competência à confecção de um homem mais inteligente do que aparenta e em melhor comunicação com seus instintos do que nos damos conta. John FitzGerald tem uma compreensão mais dilatada do mundo em que vive. É a interpretação que faz dele, no entanto, que alimenta a grande dicotomia do filme – e da humanidade.

Neste contexto, e dimensionado pelo trabalho desses dois grandes atores, “O Regresso” se viabiliza como um conto romântico – não na acepção amorosa do termo – sobre a prevalência dos instintos a qualquer força que ouse contê-los.

Autor: Tags: , , ,

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016 Notícias | 18:02

Para quem curte o bloco do cinema, boas atrações na TV por assinatura neste carnaval

Compartilhe: Twitter

Estreia animada

Produzida por George Lucas, a animação musical “Magia Estranha” chega à Rede Telecine nesta quinta-feira (4), às 22h. Inspirada no clássico “Sonho de Uma Noite de Verão”, a produção é embalada por uma trilha sonora irretocável, que passeia por sucessos do pop rock como Can’t Help Falling in Love e Trouble (Elvis Presley), I Can’t Help Myself (The Temptations), I’ll Never Fall in Love Again (Dionne Warwick), I Wanna Dance With Somebody (Whitney Houston), Three Little Birds (Bob Marley), Say Hey (Michael Franti & Spearhead), entre outros, interpretados pelos atores que emprestam suas vozes ao filme.

Um reino encantado é dividido em duas partes: uma cheia de luz e cores, habitada por fadas e criaturas mágicas; e outra sombria, com criaturas asquerosas. O duende Sunny inicia uma divertida e atrapalhada busca por uma poção do amor que pode mudar a vida da fada Marianne, desacreditada do amor, e do Rei da Floresta Sombria, que tem horror a pessoas apaixonadas.

O filme estará disponível no Telecine Play a partir de sexta-feira (5).

Foto: divulgação

Foto: divulgação

O melhor de Tom Hardy

Indicado ao Oscar por “O Regresso”, estreia deste fim de semana nos cinemas, Tom Hardy tem a melhor atuação de sua carreira em “Locke”, estreia deste sábado (às 22h) da HBO. O filme, filmado quase que inteiramente dentro de um carro, mostra como o personagem de Hardy reage quando sua família é ameaçada por um sujeito que está no telefone com ele. Original e extremamente tenso, “Locke” é um dos filmes mais interessantes dos últimos tempos e merece ser descoberto.

Um Sean Penn diferente

Já o Telecine Premium exibe pela primeira vez na televisão brasileira a fita “O Franco-Atirador”. O filme de Pierre Morel, que ajudou a inventar o lado herói de ação de Liam Neeson, traz o ex-marido de Madonna em um papel improvável: astro de ação. A companhia é ótima. Idris Elba, Ray Winstone, Javier Bardem e Mark Rylance, indicado ao Oscar 2016 por “Ponte dos Espiões”, integram o elenco deste filme de ação com estampa europeia. A exição é no sábado (6) às 22h.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

E por falar em Oscar…

O Telecine Premium assegurou os direitos de exibição de 20 produções que concorrem ao prêmio máximo do cinema em 2016. Além de “Star Wars: O Despertar da Força” e “Ex-Machina: Instinto Artificial”, que estreia no fim de fevereiro, vão para o catálogo da rede “O Regresso”, “Perdido em Marte”, “A Garota Dinamarquesa”, “Ponte dos Espiões”, “O Quarto de Jack”, “Steve Jobs”, “Trumbo: Lista Negra”, entre outros.

Autor: Tags: , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última