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Arquivo de abril, 2016

quinta-feira, 28 de abril de 2016 Análises, Críticas, Filmes | 17:17

Ao despir seus personagens de simpatia, “A Frente Fria que a Chuva Traz” rejeita o óbvio no cinema

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Foto: divulgação

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Desde o lançamento de “Cidade de Deus”, as favelas ficaram pop no cinema brasileiro. A ideia de discutir a fetichização das favelas passou a ser uma espécie de fetiche do cinema nacional. Filmes como “Cidade dos Homens” (2007) e “Era uma Vez” (2008) são emblemáticos dessas circunstâncias. “A Frente Fria que a Chuva Traz”, baseado em peça homônima de Mário Bertolotto, é mais urgente na abordagem que faz desse deslocamento urbano e social e econômico na construção de sua mise-en-scène.

O filme, que marca o retorno de Neville d´Almeida à direção depois de um hiato de quase 18 anos, dá verniz a esse conceito de fetiche ao expor a natureza hedonista de jovens abastados que se apropriam do espaço da favela por pura diversão. Sutilmente, com o préstimo do afiado texto de Bertoloto, Neville agrega a solidão e receios de outra ordem à equação.

Em cena, há mais do que o desejo do rico de abusar do pobre e do pobre de absorver o rico. Há mais do que a banalização do sexo nos arremedos do jogo social. Não á toa, logo em um dos primeiros diálogos, um personagem admite ter se cagado enquanto desacordado após um porre daqueles. Neville entrega de cara a sua audiência um fato que logo ganhará forma nas pirocas e cús pronunciados a rodo: estamos diante de um cinema transgressivo. Transgredir, para Neville d´Almeida, é recusar a perplexidade. É rejeitar o marasmo que vassala os personagens em cena e que começa a incomodar Amsterdã, magnificamente interpretada por Bruna Linzmeyer. Pobre e viciada, ela se infiltra entre os ricos que curtem a favela como um clube particular e por eles é tratada com a curiosidade e atenção dispensada a um pet.

É o olhar desencantado, mas também cínico, de Amsterdã para todo aquele universo de porcelana que movimenta os melhores momentos de “A Frente Fria que a Chuva Traz”.

A hipersexualização, no filme, é mais um sintoma desse atrito entre classes antagônicas e conflitantes, do que um veículo de expressão da fase da vida desses jovens. Nesse contexto em particular, a opção por não mostrar cenas de sexo em um filme quase todo ele sexualizado, resulta na transgressão maior de Neville: acuar o público em seu próprio desejo desalojado.

O impacto do filme reside majoritariamente aí. No apontamento de quão deslocadas estão as expectativas. As nossas e a de todos os personagens em cena. O prenúncio da frente fria, afinal, desestabiliza tudo e todos.

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quarta-feira, 27 de abril de 2016 Análises, Críticas, Filmes | 15:28

Superlativo e humano, “Capitão América: Guerra Civil” é o filme que a Marvel estava devendo

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Vamos tirar o elefante da sala. “Capitão América: Guerra Civil” é o filme que os fãs de HQs merecem e que os fãs do universo cinematográfico da Marvel esperavam. O que não quer dizer que seja o melhor filme da Marvel ou mesmo a melhor produção estrelada por super-heróis. Tanto continuação de “Capitão América: Soldado Invernal”, como sequência natural de “Vingadores: A Era de Ultron”, “Guerra Civil” só funciona plenamente para quem estiver inteirado do universo cinematográfico da Marvel, afastando a ideia de experiência plenamente satisfatória que um filme deve despertar individualmente. Isso não é um problema, apenas uma contextualização para início de conversa.

“Guerra Civil” é superlativo. Se permite ser o auge deste universo em constantes evolução e expansão que é o da Marvel e seu maior trunfo é justamente o equilíbrio com que tudo acontece e é apresentado ao espectador. O acirramento político que opõe Steve Rogers (Chris Evans) e Tony Stark (Robert Downey Jr.) não se sobrepõe às angústias que mobilizam esses personagens. Os conflitos emocionais ganham surpreendente relevo em personagens com menos destaque em cena, como T´Challa (Chadwick Boseman), o Pantera Negra, que debuta aqui antes mesmo de ganhar seu filme solo, prometido para 2018.

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Joe e Anthony Russo não são competentes apenas na arquitetura visual de “Guerra Civil”, e o filme é deslumbrante das coreografias de lutas às cenas de ação mais “super”, mas na sensibilidade com que fazem deste filme cheio de arestas e personagens algo coeso e vívido. “Guerra Civil” nunca deixa de ser um filme do Capitão América, mas é, também, um produto Marvel com DNA daqueles crossovers que fan boys tanto se amarram. Todos os personagens têm momentos para chamar de seu e com atores calibrados como Robert Downey Jr.,Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Don Cheadle e Scarlett Johansson, o filme ganha nesses momentos de respiro, insuspeita humanidade.

Os Russo conseguiram nivelar, ainda, o humor típico das produções Marvel – que aqui ganha força e propulsão com a boa participação do Homem-Aranha (Tom Holland já parece veterano na pele de Peter Parker) – com o indefectível aspecto sombrio que move essa sequência.

O tom político e a discussão sobre vigilantismo talvez não alcancem o ponto dramático necessário, ou mesmo o possível, mas a primeira hora de “Guerra Civil” é das coisas mais empolgantes surgidas nas adaptações de HQ desde “O Cavaleiro das Trevas” (2008). Ali se enraíza uma discussão complexa e profunda que excede os limites do cinema de gênero. Mas o tratamento é apenas como ponto de partida para algo maior, no caso, a fase 3 da Marvel no cinema. Novamente, não há nenhum problema nisso. Trata-se de uma opção narrativa em um cenário macro, como é o universo da Marvel. Opções estas que, aliadas às restrições que a Marvel tem no cinema em relação aos personagens de seu catálogo, também respondem pelas diferenças entre a guerra civil do cinema e a da saga nas HQs.

Aqui o ponto que opõe Rogers e Stark é se os vingadores devem ou não responder a ONU. Há, sim, garantias individuais em jogo, mas não no escopo da série das HQs, em que o governo cobrava que todos os super-heróis revelassem suas identidades. De qualquer forma, o estupor político é suficientemente inflamatório para gerar grandes repercussões entre amigos que compartilham de ideais bastante similares.

No fim das contas, “Capitão América: Guerra Civil” é o filme que a Marvel estava devendo desde que ascendeu ao centro da cultura pop mundial. Pode não significar nada, mas em um momento que a Warner sai a campo com os personagens da DC, significa muita coisa.

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domingo, 24 de abril de 2016 Filmes, Notícias | 20:24

Vamos falar sobre o trailer de “A Garota no Trem”?

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A Garota no tremFoi liberado na última semana o primeiro trailer de um dos filmes mais aguardados de 2016. Baseado no best-seller homônimo de Paula Hawkins, “A Garota no Trem” promete ser um thriller do gabarito do que o melhor do cinema de gênero tem a oferecer no nível de produções como “Atração Fatal” (1987) e “Garota Exemplar” (2014).

A produção conta a história de Rachel, uma mulher que sofre as dores de um divórcio recente. Acostumada à sua rotina solitária, ela passa o tempo a caminho do trabalho fantasiando sobre um casal aparentemente perfeito que vive em uma casa próxima ao caminho por onde seu trem passa todos os dias. Só que em uma manhã, pela janela do trem, ela vê algo surpreendente acontecer e se torna parte de um mistério ainda sem explicação.

O trailer, que pode ser conferido abaixo com legendas em português, é dos mais felizes do ano até o momento. Revela bastante, mas instiga mais ainda e deixa o público salivando pela estreia do filme, programada para 13 de outubro no Brasil.

Emily Blunt, que vive ótima fase na carreira, vive a protagonista, mas o elenco da produção dirigida por Tate Taylor (“Histórias Cruzadas”) é ainda amais empolgante e conta com Rebecca Ferguson (“Missão Impossível: Nação Secreta”), Justin Theroux (“The Leftovers”), Edgar Ramirez e Allison Janney.

Há, ainda, a presença iluminada de Haley Bennett, atriz que tem tudo para explodir e ser a grande revelação de 2016 no cinema. Ela ainda está no elenco de “Sete Homens e um Destino”, da biografia de Howard Hughes assinada por Warren Beatty e em “Thank you for your service”. Sob muitos aspectos, a aposta é de que ela causará a sensação que Margot Robbie e Alicia Vikander causaram em anos recentes.

Hayley Bennett na premiere de "O Protetor" em 2014 (Foto: Hollywood Reporter/Reprodução)

Hayley Bennett na premiere de “O Protetor” em 2014
(Foto: Hollywood Reporter/Reprodução)

Já há comentários sobre uma possível indicação ao Oscar para Blunt. Especulações à parte, depois de conferir este trailer, você vai querer que 13 de outubro chegue logo.

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Bastidores, Filmes, Notícias | 19:47

Mateus Solano vive personagem desconcertado pelo amor em “Talvez uma História de amor”

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Mateus Solano recebe orientações do diretor de "Talvez uma História de Amor", Rodrigo Bernardo (Foto: divulgação)

Mateus Solano recebe orientações do diretor de “Talvez uma História de Amor”, Rodrigo Bernardo
(Foto: divulgação)

Em cartaz como um juiz vaidoso e sedento por Justiça no bom thriller “Em Nome da Lei”, Mateus Solano dá pistas de que o público deve se acostumar com sua presença no cinema. “Talvez uma História de Amor” só estreia em 2017, mas a sinopse promete uma comédia romântica diferente do que nos habituamos a ver no cinema nacional e reforça a impressão de que o ator peneira bem os projetos em que costuma se envolver.

Na adaptação do livro homônimo do francês Martin Page, o ator é  Virgílio, um homem para lá de metódico em relação ao amor. Do tipo que pensa que para não terminar uma relação, é melhor nem mesmo começá-la. O personagem, obsessivo por controle, gosta de ter todas as arestas de sua vida bem aparadas.  Até que um recado deixado por uma mulher em sua secretária eletrônica o desconcerta: Clara está terminando com ele, o relacionamento dos dois acabou. E desliga. No entanto… quem é Clara? Virgílio não se lembra dela, nem de ter se relacionado com ninguém. Os amigos comentam, os colegas de trabalho perguntam, todos de alguma forma sabiam da relação dos dois, menos ele. A partir daí, Virgílio busca encontrar essa mulher misteriosa e talvez, o amor da sua vida.

Além de Mateus, o longa tem um time de peso no elenco: Thaila Ayala, Paulo Vilhena, Bianca Comparato, Totia Meirelles, Nathalia Dill, Juliana Didone, Gero Camilo, Marco Luque e Dani Calabresa.

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sábado, 23 de abril de 2016 Análises, Bastidores, Filmes | 22:27

Cinema americano redescobre a guerra pelo viés do registro jornalístico

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Tina Fey em cena de "Uma Repórter em Apuros", que estreia no dia 5 de maio no Brasil

Tina Fey em cena de “Uma Repórter em Apuros”, que estreia no dia 5 de maio no Brasil

A presença militar americana no exterior inegavelmente diminuiu nos anos Obama. Até certo ponto surpreende o baixo número de filmes sobre conflitos militares na Hollywood atual. Desde o vencedor do Oscar em 2010, “Guerra ao Terror”, nenhum filme do gênero ganhou grande repercussão ou atenção. Sim, Michael Bay falou sério em “13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi”, mas aquele filme esbarrava nos limites que qualquer filme assinado por Michael Bay esbarra.

Coprodução entre Suécia e Noruega, “Mil Vezes Boa Noite” (2013) traz Juliette Binoche como uma fotógrafa de guerra que recebe um ultimato do marido: ou ela segue na arriscada profissão ou vive com ele e a filha do casal. O filme perpassa os horrores – e a importância – do fazer jornalístico em uma guerra, mas no fundo é um drama familiar.

Em breve, porém, filmes interessados em discutir a guerra sob a riquíssima perspectiva do jornalismo vão ganhar os cinemas.

Steven Spielberg vai dirigir a cinebiografia de Lynsey Addario, uma das mais reconhecidas e laureadas fotojornalistas do mundo, mantida refém na Líbia em 2011. O filme, adaptado da autobiografia de Addario e prometido para 2017, trará Jennifer Lawrence como protagonista.

Baseado no livro “The Operators”, do jornalista americano Michael Hasting, “War Machine” une Brad Pitt e Netflix em uma produção ambiciosa orçada em mais de US$ 30 milhões que será lançada em outubro na plataforma de streaming e em cinemas selecionados. Trata-se de uma sátira de guerra.

A história se centra no papel do general Stanley McChrystal à frente das tropas americanas no Afeganistão. McChrystal, atualmente afastado das Forças Armadas americanas, se movimentou pelos bastidores do conflito para conseguir objetivos tanto com os políticos de Washington, como com os meios de comunicação, assim como na primeira linha de fogo do conflito no Oriente Médio.

A direção compete a David Michôd, do excelente “Reino Animal”. O Cineclube já abordou este filme aqui.

Tina Fey e Margo Robbie em cena de "Uma Repórter em Apuros"

Tina Fey e Margo Robbie em cena de “Uma Repórter em Apuros”

Ainda no tom satírico, e com estreia prevista para o próximo dia 5 de maio no Brasil, temos “Uma Repórter em Apuros”, baseado na autobiografia da jornalista Kim Barker, “The Taliban Shuffle: Strange Days in Afghanistan and Pakistan”, com relatos de suas experiências cobrindo os dois países.

Dirigido por Glenn Ficarra e John Requa (“O Golpista do ano”), a trama acompanha uma repórter que vê a oportunidade de crescer profissionalmente ao ser enviada para cobrir uma zona de guerra. No meio do caos do Afeganistão e do Paquistão e, por meio da sátira, a produção expõe o choque cultural e os riscos que a região promove a Kim, vivida pela excelente Tina Fey.

São filmes com tons e abordagens diferentes, mas que chegam para precipitar uma nova onda no cinema americano de olhar para as guerras em que os EUA de alguma forma atuaram com mais cinismo e ceticismo.

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sexta-feira, 22 de abril de 2016 Bastidores, Filmes, Notícias | 19:12

Novo filme de Laís Bodanzky, “Como Nossos Pais”, vai iluminar dilemas da mulher contemporânea

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Maria Ribeiro no set do filme  (Foto: divulgação)

Maria Ribeiro no set do filme
(Foto: divulgação)

Com estreia prevista para 2017, “Como Nossos Pais”, marca o retorno da cineasta Laís Bodanzky ao cinema. Seu último longa-metragem foi o excelente “As Melhores Coisas do Mundo” (2010). Como de hábito, ela divide o crédito de roteirista com  o marido Luiz Bolognesi.

“Como Nossos Pais”, traz Maria Ribeiro como Rosa, uma mulher de 38 anos que se vê dividida entre os cuidados com as filhas, os afazeres domésticos, o convívio com o marido, e a falta de tempo para si mesma. À procura de sua realização profissional e respostas aos paradigmas observados em sua rotina, Rosa ainda enfrenta uma conflituosa relação com sua mãe, Clarice, interpretada por Clarisse Abujamra. Em meio ao turbilhão de responsabilidades, Rosa começa a questionar seus relacionamentos e sua rotina, e se vê desestabilizada por uma inesperada revelação, que irá despertar nela uma necessidade de mudança. No fundo dessa história que retrata a mulher contemporânea brasileira, questões familiares e paradigmas sociais são colocados à prova.

“Maria dá vida a uma personagem que representa milhares de mulheres que lidam diariamente com rotinas exaustivas e acreditam que estão sozinhas nessa briga. A gente partiu desse mote familiar, mãe e filha, que tem uma relação conflituosa, para construir o filme como uma história de descobertas, reencontros e mudança”, explica a cineasta.

As filmagens se dividiram entre São Paulo, Ilhabela, no litoral paulista e Brasília. Além das duas protagonistas, o elenco tem bons nomes como Paulo Vilhena, Herson Capri e Jorge Mautner.

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quinta-feira, 21 de abril de 2016 Filmes, Notícias | 19:15

Matt Damon está de volta e quer vingança no primeiro e empolgante trailer de “Jason Bourne”

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Bourne 222Certamente “Jason Bourne” é um dos filmes mais aguardados de 2016 e já dá para dizer que este trailer liberado nesta quinta-feira (21) já é dos melhores do ano. Matt Damon está de volta à pele do agente desmemoriado que, neste quinto filme, se lembra de tudo e volta ao radar da CIA para tirar todo o passado a limpo. É um mundo pós-Snowden e toda a discussão sobre inteligência e espionagem foram atualizadas. É de se imaginar, e há uma menção ao ex-agente da NSA logo no início do trailer, que o filme de Paul Greengrass absorva isso.

Junto com o trailer, o cineasta liberou à imprensa um comunicado sobre o porquê de Bourne cativar tanto o público. “Jason Bourne não é um super-herói; ele não veste uma capa ou uma máscara. Ele não é esse tipo de cara. Ele é um homem comum. Acho que quando as pessoas assistem ao Jason Bourne, elas imaginam como reagiriam nas mesmas situações e circunstâncias, e quando você o vê elaborando e executando um plano, isso é incrivelmente empolgante”.

Como é habitual na franquia que chega agora ao quinto filme, o elenco é puro refinamento. Além do retorno de Julia Stiles, há as presenças dos oscarizados Alicia Vikander e Tommy Lee Jones, além do francês Vicent Cassel no encalço de Bourne.

A produção da Universal Pictures chega aos cinemas brasileiros em 28 de julho.

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Análises, Filmes | 18:30

Bilheteria de “Batman vs Superman” confirma o Brasil como salva-vidas de filmes em perigo

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A Warner anunciou com pompa na última terça-feira (19), que “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” já se tornou o quinto filme de maior bilheteria em todos os tempos no Brasil. Estatística que assegurou à produção dirigida por Zack Snyder o posto de maior bilheteria do ano até o momento no País, ultrapassando a saga bíblica da Record, “Os Dez Mandamentos”.

Trata-se de um momento agitado para o topo do ranking das maiores bilheterias do Brasil. “Star Wars: O Despertar da Força” e “Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros” são produções de 2015 que galgaram às primeiras posições da lista liderada por “Avatar” (2009).

A despeito deste momento de alta intensidade na disputa pelas primeiras posições do ranking de maiores bilheterias do País, um atestado da boa forma do mercado cinematográfico em linhas gerais, há alguns aspectos na performance de “Batman vs Superman” que merecem atenção.

O mercado brasileiro se mostrou um dos mais receptivos ao filme que antagoniza os dois heróis mais populares da DC Comics. Alvejado pela crítica, o filme da Warner depende do desempenho mercado internacional para se pagar e o desempenho para lá de positivo no Brasil é dos melhores cartões postais para o estúdio fora dos EUA.

Crítica: “Batman vs Superman” não supera o hype e deixa transparecer improvisos

O Brasil está se firmando como um mercado exótico, para fazer uso de um eufemismo, para produções hollywoodianas rejeitadas nos EUA. Os filmes mais recentes de Adam Slander e Vin Diesel, flops incontestes na Terra do tio Sam, estrearam em primeiro lugar por aqui e apresentaram boas carreiras comerciais nos cinemas do País.

É claro que soa forçado colocar filmes como “O Último Caçador de Bruxas” e “Pixels” na mesma toada de “Batman vs Superman”, mas o raciocino permanece intacto. O público brasileiro parece menos propenso a reagir à temperatura das críticas sobre um filme e ser mais suscetível ao star power de nomes como Diesel e Sandler, ou ao hype de produções como “Batman vs Superman” ou mesmo a estreia do fim de semana “O Caçador e a Rainha do Gelo”, que analistas da indústria apontam como candidato ao primeiro fracasso da temporada de blockbusters de 2016.

O desempenho de “Batman vs Superman” no País, mais acachapante do que em qualquer outro, ratifica a hipótese. O Brasil é o paraíso fiscal de quem anda perdendo dinheiro em outros territórios.

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segunda-feira, 18 de abril de 2016 Críticas, Filmes | 16:18

“Rua Cloverfield 10” é sopro de originalidade no engessado conceito de franquias

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J.J Abrams ainda não tinha o repertório e o prestígio que ostenta hoje, mas já era uma grife quando produziu “Cloverfield” (2008), um filme de monstro que tinha como principal hype o registro found footage. Um grupo de amigos nova-iorquinos registrava o pânico que se estabelecia na cidade quando uma criatura imensa tomava e destruía Nova York. Dirigido por Matt Reeves, o barato “Cloverfield” gerou um baita buzz e muito dinheiro, mas nunca uma sequência.

Nesse mundo de vazamentos e novidades antecipadas na internet, todos se surpreenderam quando o primeiro trailer de “Rua Cloverfield 10” foi liberado há cerca de dois meses na internet. J.J Abrams viu no argumento de Josh Campbell e Matthew Stuecken, a chance de expandir o universo (que até então inexistia) de “Cloverfield”. O filme de 2016, dirigido por Dan Trachtenberg, portanto, não é uma continuação direta do filme de 2008, mas habita o mesmo universo. Essa é uma pista e tanto para quem já tem o referencial do filme original.

Isso posto, quanto menos se souber da trama do novo filme, melhor.

Mary Elizabeth Winstead é Michelle, uma jovem que se envolve em um acidente de carro e acorda acorrentada em um bunker. Um homem corpulento e receptivo à teorias conspiratórias lhe informa que a salvou e que houve um ataque, químico ou nuclear, e que eles não podem sair daquele bunker em hipótese alguma. Não há a quem recorrer.

Howard (o excelente John Goodman) é um tipo estranho, mas no geral aparenta estar bem intencionado. O mesmo pode se dizer de Emmett (John Gallagher Jr.), outro que habita o local. Michelle, por razões óbvias, duvida das boas intenções daquele que considera ser seu sequestrador, mas parece crer mais em Emmett.

Durante boa parte de sua metragem, “Rua Cloverfield 10” é um elaborado estudo sobre a paranoia. A de Howard é a mais clara. Ele sempre foi maníaco por segurança, o que eventualmente o afastou de sua família. Mas o roteiro, supervisionado por Damien Chazelle (“Whiplash: Em Busca da Perfeição”) é hábil em nivelar esse sentimento com os demais personagens em cena e, também, com o público. Será o fim do mundo mesmo? Howard é um psicopata?

“Rua Cloverfield 10”, neste contexto, é um filme muito mais ambicioso, estética e narrativamente, do que “Cloverfield”. Além de promover um feito para lá de ousado nesse cinema contemporâneo tão previsível que é introduzir o conceito de antologia nas cada vez mais imperiosas franquias cinematográficas. É um processo criativo cheio de potencialidades e que, se bem conduzido, pode render maravilhas. J.J Abrams foi desenvolvimentista o suficiente para perceber isso no caso de “Cloverfield”.  O roteiro de Campbell e Stuecken originalmente não tinha qualquer relação com a marca Cloverfield, mas Abrams comprou os direitos do texto e vislumbrou uma boa oportunidade de ousar. Escondeu o projeto até que ele ficasse pronto. “Rua Cloverfield 10” abusa de sua simplicidade e justamente por isso é tão eficiente enquanto suspense. O ato final pode ser frustrante se observado apenas no contexto episódico, restrito a experiência deste filme, mas se analisado no escopo maior, como deve ser, entusiasma pelo fascinante leque que Abrams agora empunha para recontar uma mesma história de maneiras tão diversas quanto cativantes.

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sexta-feira, 15 de abril de 2016 Análises | 22:30

Presença do Brasil em Cannes, com “Aquarius”, reflete edição forte e equilibrada

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Na última quinta-feira (14), o diretor artístico do festival de Cannes, Thierry Frémaux, anunciou o line up da edição de 2016. Trata-se da mostra competitiva mais forte dos últimos anos, a julgar pelos nomes selecionados. A presença de cineastas de prestígio e contumazes em Cannes como Pedro Almodóvar, Christian Mungiu, Ken Loach, Olivier Assayas, Nicolas Winding-Refn, Jean-Pierre e Luc Dardenne, entre outros fez com que Frémaux se sentisse instigado a fazer, perante a imprensa internacional, uma defesa do que chamou de “regulares” em Cannes. Para o curador do festival, são eles que atestam o estado da arte e tê-los em Cannes é um privilégio que não se deve abdicar. Em 2016, a fortíssima mostra competitiva terá, ainda, a presença brasileira.

Confira a lista completa dos filmes que integram o festival de Cannes 2016

Conforme amplamente divulgado pela imprensa nacional na quinta-feira (14), “Aquarius”, do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, foi selecionado para a disputa da Palma de Ouro. É o retorno do Brasil à principal mostra do festival de cinema mais importante do mundo oito anos depois que ‘Linha de Passe”, de Walter Salles, concorreu e valeu a Sandra Corveloni a Palma de Ouro de melhor atriz.

Sonia Braga em cena de "Aquarius"  (Foto: Victor Jucá)

Sonia Braga em cena de “Aquarius”
(Foto: Victor Jucá)

O Brasil venceu a Palma de Ouro em 1962 com “O Pagador de Promessas”.

“Aquarius” é o segundo longa-metragem de Filho. O primeiro, “O Som ao Redor” (2012), foi a grande sensação do cinema brasileiro junto à crítica internacional desde “Cidade de Deus” (2002).

O filme tem Sonia Braga no papel principal de Clara, uma escritora e jornalista aposentada, viúva, mãe de três filhos adultos. Ela é moradora do edifício Aquarius, o último de estilo antigo na beira mar do bairro de Boa Viagem, no Recife. Dona de um apartamento repleto de discos e livros, ela irá enfrentar as investidas de uma construtora que tem outros planos para aquele terreno: demolir o Aquarius e dar lugar a um novo empreendimento. Dona do seu passado, do seu presente e do seu futuro, esse conflito dará a Clara uma energia nova à sua vida.

“Poder estreá-lo em Cannes é um momento muito feliz desse processo, que teve início há três anos, com a primeira versão do roteiro, escrito por mim. Fico ainda mais feliz por toda a nossa equipe formada por gente de todo o Brasil, e especialmente por artistas e técnicos pernambucanos. Fico feliz também por Sonia Braga. Quero que esse filme seja muito bom para essa artista maravilhosa e para a pessoa incrível que ela é”, disse o cineasta em nota divulgada à imprensa. “É bom pensar que ‘Aquarius’ vai nascer em Cannes, um festival tão importante para qualquer profissional de cinema ou cinéfilo”, complementa a produtora Emilie Lesclaux.

O cineasta Kleber Mendonça Filho leva o cinema brasileiro de volta à croisette  (Foto: Victor Jucá)

O cineasta Kleber Mendonça Filho leva o cinema brasileiro de volta à croisette
(Foto: Victor Jucá)

A concorrência será pesadíssima. Além de prévios vencedores da Palma de Ouro, como os já citados Mungiu, Loach e os Dardenne, há cineastas de grife como Paul Verhoeven, Sean Penn, Jeff Nichols, Jim Jarmusch, Xavier Dolan e Park Chan-Wook.

A pujança de 2016 se verifica por outros parâmetros também. Depois de dois anos com menos de vinte filmes na competição oficial, Cannes voltou a apresentar seu número mágico. E Frémaux já avisou que ainda pode ter surpresas de última hora. São três as cineastas mulheres na competição. Nos últimos dez anos, apenas em 2011, havia mais de duas em competição; no caso eram quatro. Há, ainda, quatro diretores competindo pela primeira vez (Maren Ade, Kleber Mendonça Filho, Alain Guiraudie e Christi Puiu – esses dois últimos em mostras paralelas.

São indicadores da mostra forte que Cannes alinhou. E ainda não comentamos as mostras paralelas e os filmes fora de competição, que terão outras grifes da dimensão de Steven Spielberg e Woody Allen, com George Clooney e Julia Roberts para temperar.

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