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sexta-feira, 15 de abril de 2016 Análises | 22:30

Presença do Brasil em Cannes, com “Aquarius”, reflete edição forte e equilibrada

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Na última quinta-feira (14), o diretor artístico do festival de Cannes, Thierry Frémaux, anunciou o line up da edição de 2016. Trata-se da mostra competitiva mais forte dos últimos anos, a julgar pelos nomes selecionados. A presença de cineastas de prestígio e contumazes em Cannes como Pedro Almodóvar, Christian Mungiu, Ken Loach, Olivier Assayas, Nicolas Winding-Refn, Jean-Pierre e Luc Dardenne, entre outros fez com que Frémaux se sentisse instigado a fazer, perante a imprensa internacional, uma defesa do que chamou de “regulares” em Cannes. Para o curador do festival, são eles que atestam o estado da arte e tê-los em Cannes é um privilégio que não se deve abdicar. Em 2016, a fortíssima mostra competitiva terá, ainda, a presença brasileira.

Confira a lista completa dos filmes que integram o festival de Cannes 2016

Conforme amplamente divulgado pela imprensa nacional na quinta-feira (14), “Aquarius”, do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, foi selecionado para a disputa da Palma de Ouro. É o retorno do Brasil à principal mostra do festival de cinema mais importante do mundo oito anos depois que ‘Linha de Passe”, de Walter Salles, concorreu e valeu a Sandra Corveloni a Palma de Ouro de melhor atriz.

Sonia Braga em cena de "Aquarius"  (Foto: Victor Jucá)

Sonia Braga em cena de “Aquarius”
(Foto: Victor Jucá)

O Brasil venceu a Palma de Ouro em 1962 com “O Pagador de Promessas”.

“Aquarius” é o segundo longa-metragem de Filho. O primeiro, “O Som ao Redor” (2012), foi a grande sensação do cinema brasileiro junto à crítica internacional desde “Cidade de Deus” (2002).

O filme tem Sonia Braga no papel principal de Clara, uma escritora e jornalista aposentada, viúva, mãe de três filhos adultos. Ela é moradora do edifício Aquarius, o último de estilo antigo na beira mar do bairro de Boa Viagem, no Recife. Dona de um apartamento repleto de discos e livros, ela irá enfrentar as investidas de uma construtora que tem outros planos para aquele terreno: demolir o Aquarius e dar lugar a um novo empreendimento. Dona do seu passado, do seu presente e do seu futuro, esse conflito dará a Clara uma energia nova à sua vida.

“Poder estreá-lo em Cannes é um momento muito feliz desse processo, que teve início há três anos, com a primeira versão do roteiro, escrito por mim. Fico ainda mais feliz por toda a nossa equipe formada por gente de todo o Brasil, e especialmente por artistas e técnicos pernambucanos. Fico feliz também por Sonia Braga. Quero que esse filme seja muito bom para essa artista maravilhosa e para a pessoa incrível que ela é”, disse o cineasta em nota divulgada à imprensa. “É bom pensar que ‘Aquarius’ vai nascer em Cannes, um festival tão importante para qualquer profissional de cinema ou cinéfilo”, complementa a produtora Emilie Lesclaux.

O cineasta Kleber Mendonça Filho leva o cinema brasileiro de volta à croisette  (Foto: Victor Jucá)

O cineasta Kleber Mendonça Filho leva o cinema brasileiro de volta à croisette
(Foto: Victor Jucá)

A concorrência será pesadíssima. Além de prévios vencedores da Palma de Ouro, como os já citados Mungiu, Loach e os Dardenne, há cineastas de grife como Paul Verhoeven, Sean Penn, Jeff Nichols, Jim Jarmusch, Xavier Dolan e Park Chan-Wook.

A pujança de 2016 se verifica por outros parâmetros também. Depois de dois anos com menos de vinte filmes na competição oficial, Cannes voltou a apresentar seu número mágico. E Frémaux já avisou que ainda pode ter surpresas de última hora. São três as cineastas mulheres na competição. Nos últimos dez anos, apenas em 2011, havia mais de duas em competição; no caso eram quatro. Há, ainda, quatro diretores competindo pela primeira vez (Maren Ade, Kleber Mendonça Filho, Alain Guiraudie e Christi Puiu – esses dois últimos em mostras paralelas.

São indicadores da mostra forte que Cannes alinhou. E ainda não comentamos as mostras paralelas e os filmes fora de competição, que terão outras grifes da dimensão de Steven Spielberg e Woody Allen, com George Clooney e Julia Roberts para temperar.

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2 comentários | Comentar

  1. 52 Kamila Azevedo 17/04/2016 19:58

    Uma pena que “Silence”, filme de Scorsese, não estará presente em Cannes, como previsto, mas fico na torcida para que “Aquarius’ seja bem recebido em Cannes.

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  2. 51 Tania Fidelis Abreu da Cunha 15/04/2016 23:32

    Uma pena não terem se lembrado dos Short Film Corner no Festival de Cannes.. Há brasileirinhas concorrendo com Quartet, escrito e dirigido por Helena Sardinha e Paula Neves, escritora e diretora de Pumpkin.

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