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quarta-feira, 27 de abril de 2016 Análises, Críticas, Filmes | 15:28

Superlativo e humano, “Capitão América: Guerra Civil” é o filme que a Marvel estava devendo

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Foto: divulgação

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Vamos tirar o elefante da sala. “Capitão América: Guerra Civil” é o filme que os fãs de HQs merecem e que os fãs do universo cinematográfico da Marvel esperavam. O que não quer dizer que seja o melhor filme da Marvel ou mesmo a melhor produção estrelada por super-heróis. Tanto continuação de “Capitão América: Soldado Invernal”, como sequência natural de “Vingadores: A Era de Ultron”, “Guerra Civil” só funciona plenamente para quem estiver inteirado do universo cinematográfico da Marvel, afastando a ideia de experiência plenamente satisfatória que um filme deve despertar individualmente. Isso não é um problema, apenas uma contextualização para início de conversa.

“Guerra Civil” é superlativo. Se permite ser o auge deste universo em constantes evolução e expansão que é o da Marvel e seu maior trunfo é justamente o equilíbrio com que tudo acontece e é apresentado ao espectador. O acirramento político que opõe Steve Rogers (Chris Evans) e Tony Stark (Robert Downey Jr.) não se sobrepõe às angústias que mobilizam esses personagens. Os conflitos emocionais ganham surpreendente relevo em personagens com menos destaque em cena, como T´Challa (Chadwick Boseman), o Pantera Negra, que debuta aqui antes mesmo de ganhar seu filme solo, prometido para 2018.

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Joe e Anthony Russo não são competentes apenas na arquitetura visual de “Guerra Civil”, e o filme é deslumbrante das coreografias de lutas às cenas de ação mais “super”, mas na sensibilidade com que fazem deste filme cheio de arestas e personagens algo coeso e vívido. “Guerra Civil” nunca deixa de ser um filme do Capitão América, mas é, também, um produto Marvel com DNA daqueles crossovers que fan boys tanto se amarram. Todos os personagens têm momentos para chamar de seu e com atores calibrados como Robert Downey Jr.,Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Don Cheadle e Scarlett Johansson, o filme ganha nesses momentos de respiro, insuspeita humanidade.

Os Russo conseguiram nivelar, ainda, o humor típico das produções Marvel – que aqui ganha força e propulsão com a boa participação do Homem-Aranha (Tom Holland já parece veterano na pele de Peter Parker) – com o indefectível aspecto sombrio que move essa sequência.

O tom político e a discussão sobre vigilantismo talvez não alcancem o ponto dramático necessário, ou mesmo o possível, mas a primeira hora de “Guerra Civil” é das coisas mais empolgantes surgidas nas adaptações de HQ desde “O Cavaleiro das Trevas” (2008). Ali se enraíza uma discussão complexa e profunda que excede os limites do cinema de gênero. Mas o tratamento é apenas como ponto de partida para algo maior, no caso, a fase 3 da Marvel no cinema. Novamente, não há nenhum problema nisso. Trata-se de uma opção narrativa em um cenário macro, como é o universo da Marvel. Opções estas que, aliadas às restrições que a Marvel tem no cinema em relação aos personagens de seu catálogo, também respondem pelas diferenças entre a guerra civil do cinema e a da saga nas HQs.

Aqui o ponto que opõe Rogers e Stark é se os vingadores devem ou não responder a ONU. Há, sim, garantias individuais em jogo, mas não no escopo da série das HQs, em que o governo cobrava que todos os super-heróis revelassem suas identidades. De qualquer forma, o estupor político é suficientemente inflamatório para gerar grandes repercussões entre amigos que compartilham de ideais bastante similares.

No fim das contas, “Capitão América: Guerra Civil” é o filme que a Marvel estava devendo desde que ascendeu ao centro da cultura pop mundial. Pode não significar nada, mas em um momento que a Warner sai a campo com os personagens da DC, significa muita coisa.

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4 comentários | Comentar

  1. 54 Maior bilheteria do ano, “Guerra Civil” chega às lojas recheado de extras | Folha Acadêmica 08/09/2016 15:53

    […] Cineclube: Superlativo e humano, “Capitão América: Guerra Civil” é o filme que a Marvel estava d… […]

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  2. 53 Maior bilheteria do ano, “Guerra Civil” chega às lojas recheado de extras | O Pioneiro 08/09/2016 14:03

    […] Cineclube: Superlativo e humano, “Capitão América: Guerra Civil” é o filme que a Marvel estava d… […]

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  3. 52 Cineclube por Reinaldo Glioche – iG Cultura » Na guerra contra a Marvel, Warner e DC mostram os dentes na Comic-Con 2016 23/07/2016 17:35

    […] Crítica: Superlativo e humano, “Capitão América: Guerra Civil” é o filme que a Marvel estava d… […]

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  4. 51 Rodrigo Mendes 03/05/2016 2:01

    Olá amigo, estou de volta!

    Vou te dizer uma coisa…eu sou do time Marvel, viu?! DC ainda não disse a que veio.
    Pra mim, BTM Vs. SUP foi um tanto decepcionante. Superman já é um personagem complexo e ao longo dos anos teve altos e baixos, só mesmo a primeira e segunda fita com Reeve vá lá! Batman, a trilogia Nolan e os dois do Burton que marcaram a minha vida, também. De resto? Atualmente a Marvel sai na frente. A DC precisa encontrar uma luz na escuridão e fazer de uma vez a sua antologia de filmes mais apropriadamente pq personagens tem aos montes e o tom soturno da marca é até mais interessante e menos infantilizado do que o da Marvel. Bom, veremos como será “Esquadrão Suicida” que tem tudo pra ser o blockbuster do ano mesmo sendo difícil com a Disney lançando tantas franquias a cada temporada…até mesmo Star Wars que chegou com tudo!

    Ótimo texto. Forte abraço.
    Rodrigo

    http://cinemarodrigo.blogspot.com.br/

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