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sábado, 18 de junho de 2016 Críticas, Filmes | 18:41

“Casamento de Verdade” foca em romance lésbico para falar de amor com ternura e honestidade

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Katherine Heigl e Linda Emond em cena do filme: sintonia entre as atrizes é um dos trunfos do filme

Katherine Heigl e Linda Emond em cena do filme: sintonia entre as atrizes é um dos trunfos do filme

Acostumada a conceber personagens femininas fortes nos filmes em que atuou como roteirista, como nos casos de “Deixe-me viver” (2002) e “O Custo da Coragem” (2003), Mary Agnes Donoghue apresenta sua personagem mais bem lapidada em “Casamento de Verdade”, filme que marca seu retorno à direção após um hiato de 24 anos.

Jenny (Katherine Heigl), que vive uma relação amorosa com Kitty (Alexis Bledel) há cinco anos, resolve revelar a seus pais que é lésbica para poder se casar com Kitty. A revelação desestabiliza o convívio familiar; em especial a relação de Jenny com sua mãe, vivida com energia e devoção por Linda Emond, e com seu pai, interpretado com a presteza habitual por Tom Wilkinson.

O grande trunfo do filme é balizar esse estremecimento nas relações entre Jenny e seus pais para fazer tanto um elogio do amor, no âmbito familiar, mas também romântico, como para elaborar uma dramédia envolvente com conflitos genuínos e bem azeitados.

Jenny é a heroína do filme e não está imune a falhas. Essa honestidade intelectual da narrativa coloca “Casamento de Verdade” em um patamar diferenciado tanto na análise de produções que abordam temas LGBT como na esfera das comédias românticas.

A honestidade do filme alcança, ainda, as peculiaridades de outros personagens. É natural o desconforto da mãe de Jenny ao saber de uma só vez que sua filha é lésbica, que deliberadamente escondeu isso dela a vida toda e que ela está na iminência de se casar com alguém que frequentava a rotina familiar como amiga de Jenny. Emond tangencia o conflito interno da personagem, dividida pelo fato de desassistir sua filha em um momento crucial de sua vida e o egoísmo indesviável de todo humano de voltar-se para si em momentos de crise, com muita garra e assertividade. Mas o roteiro de Donoghue tem outros acertos e sutilezas. Por meio da relação entre Jenny e seus irmãos, o equilibrado Michael (Matthew Metzger) e a competitiva Anne (Grace Gummer), o filme dá seu insight sobre como ser feliz consigo mesmo. Especial atenção merece a metáfora com a grama, que surge lá pela metade do filme. Aparentemente trivial, a resolução dessa metáfora, diretamente relacionada ao bem estar emocional de uma personagem, eleva o valor de “Casamento de Verdade” como cinema. Há clichês aqui e ali e eles são muito bem-vindos, mas há uma habilidade ímpar na manipulação deles e é justamente isso que faz o filme ser tão recomendável.

 

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