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quinta-feira, 23 de junho de 2016 Críticas, Filmes | 16:57

Honesto e apaixonante, “Como Eu Era Antes de Você” é elogio do amor possível e de suas possibilidades

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O amor como janela para a vida: personagens verdadeiros e contraditórios (Fotos: Divulgação)

O amor como janela para a vida: personagens verdadeiros e contraditórios
(Fotos: Divulgação)

É uma verdade um tanto dolorosa essa de que uma relação amorosa está inexoravelmente fadada ao fim, mas que ela contribuirá decisivamente para o ser humano que você se tornar depois dela. “Como Eu Era Antes de Você” (EUA 2016), já em seu título, entrega seu deslocamento em relação a um típico romance hollywoodiano. Adaptado do best-seller homônimo de Jojo Moyers pela própria autora e dirigido com sensibilidade por Thea Sharrock, o filme tem o mérito incomum de desenvolver um romance a partir do interesse que nutre pela verdade de seus personagens. A atenção a essa logística narrativa faz toda a diferença. E o vínculo romântico entre Lou (Emilia Clarke, mais radiante e cativante do que nunca) e Will (Sam Clafin) jamais surge como o destino da narrativa, e sim como sua jornada.

Ela, uma moça simplória do subúrbio inglês, dona de um senso fashion exótico, ingênua e genuinamente bem intencionada, por força das circunstâncias, acaba indo trabalhar como cuidadora dele. Um jovem promissor do mercado financeiro que teve sua vida transformada abrupta e definitivamente por um acidente que o deixou tetraplégico. Will é compreensivelmente amargo. Ele apenas “existe”, em suas próprias palavras. O filme salpica minúcias aqui e ali que tornam a inicialmente difícil convivência entre Will e Lou muito mais convidativa para o olhar do espectador.

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Ele, por exemplo, fez um arranjo com seus pais de ficar mais seis meses com eles e, depois disso, tirar sua vida na Suíça (país em que a eutanásia é legalizada). A chegada de Lou, espera a mãe de Will – vivida com a habitual energia por Janet McTeer – pode fazer com que ele mude de ideia.

ME BEFORE YOU“Como Eu Era Antes de Você”, naturalmente, convida às lágrimas. Mas não há subterfúgios narrativos para tal. O filme é de uma honestidade tremenda; até mesmo em flagrar os preconceitos, contradições e defeitos de seus personagens. Há muito romantismo no desfecho, plenamente concebível e, justamente por isso, mais poderoso ainda.

Clafin é uma grata surpresa na pele de Will. O verniz que dá à amargura do personagem não se impõe ao brilho dos olhos que brilham mais intensos conforme seu personagem se deixa contagiar pela graciosidade de Lou. Clarke, por seu turno, é uma atriz exuberante e que reveste sua Lou de pequenas belezas que a tornam irresistível também aos olhos do público.

“Como Eu Era Antes de Você” é um dos melhores filmes de 2016 porque é um romance que funde tristeza à felicidade sem idealizar o amor, mas elogia-o no limite do possível e, ao fazê-lo, se firma como um alicerce romântico dos mais perenes, cativantes e significativos. É um filme para se amar para sempre.

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